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12/jun

Oizinho, preciosos! Como vocês estão? Dando andamento ao tema Regeneração, que transcorrerá ao longo deste mês, aqui no Random Girl, resolvi hoje trazer uma conversa sobre vulnerabilidade.

 

Vulnerabilidade é a característica de quem ou do que é vulnerável, ou seja, frágil, delicado e fraco.

 

Por muitos anos da minha vida, eu cismei com a palavra vulnerabilidade. De um ponto de vista negativo, claro. Fiz até um post no Contra as Feras sobre isso, mas, sendo breve, meu ranço se deu meramente pela rima dessa com outra palavra (ou ao menos era o que eu achava): fraqueza. Por ter passado por tantos perrengues na vida, ser vulnerável não passava de um modo de operação das minhas emoções que eu tinha que bloquear. Nada de se esparramar pelo chão do banheiro porque eu precisava ser forte. A pessoa de compostura firme. A cidadã que não sente absolutamente nada.

 

Acho que nem preciso dizer que me prender tanto assim trouxe mais danos que benefícios.

 

Esse comportamento de não ceder a minha vulnerabilidade se tornou um mecanismo que repliquei nos mais variados aspectos da minha vida. Feliz ou infelizmente, não todos. Se há uma coisa que Stefs não controla muito bem é estar apaixonada – por exemplo.

 

O mais engraçado é que estar apaixonada é uma oscilação entre firme e vulnerável. Eu meio que me entrego e só tenho a Vênus em Câncer a quem culpar. Ainda assim, a um tempão atrás, mais ou menos uns 4 anos, era um tanto vergonhoso me ver chorando pelos cantos – fosse até por causa de um boy (e me achava trouxa em chorar pela milésima vez sendo que bastava terminar o rolê). Amar nos faz resistentes e frágeis, e eu prezava mais a parte em que me sentia resistente e não frágil.

 

Mas por que eu quero falar sobre vulnerabilidade? Primeiro porque aprendi que estar vulnerável não é sinônimo de fraqueza. Nem muito menos uma posição para se envergonhar. Não estamos bem todos os dias e faz muito mal disfarçar/ignorar o que incomoda lá no coraçãozinho.

 

Segundo porque muitas séries de TV não sabem usar desse instante para contar boas histórias que norteiam personagens femininas. Ou, ao contrário, que é quando os roteiristas investem nessa nuance, que faz parte de quem somos, e há quem ache ruim. Justamente pelo pressuposto da fraqueza. Daí, entramos no estereótipo da personagem feminina fraca porque ela só é forte se atende ao male gaze em sua objetificação ou é aquela “bitch boss” que pisa em todo mundo.

 

Alguns exemplos que criam a separação entre forte/fraca que, inclusive, não existe. Constatação não muito recente e espero falar sobre isso também no futuro.

 

A partir do momento em que comecei a desconstruir essa tal de vulnerabilidade, direcionei o verbo a quem solta um comentário que julga essa qualidade de alguma personagem feminina. Sim, é uma qualidade, algo que só fui aprender também com o tempo.

 

Afinal, não pagarei de inocente porque cutuquei mulheres fictícias no passado. Bem como as separei sim entre forte/fraca, onde a mulher que chorava era tratada como defeito de fabricação enquanto a que segurava o mundo nas costas era a dona da coisa toda.

 

Depois que me reconheci feminista, acompanhei muita conversa sobre essa separação e não tem o menor sentido. Somos fracos e fortes ao mesmo tempo. Em alguns dias, mais fracos que fortes e vice-versa. Somos uma soma de vários sentimentos, assim como as personagens que, em sua vulnerabilidade, se aproximam da nossa humanidade. Não somos robôs.

 

Vejam bem o quanto o estereótipo da mulher fraca condena personagens femininas:

 

Quando um homem chora, achamos bem lindo e jogamos o biscoito. É sinal de que ele é forte por ter aguentado tanto e nada mais digno que vê-lo se espatifar. Porque ao menos um personagem mostrou que homens podem ser sensíveis.

 

Quando é a mulher, queremos que ela engula o choro. Meramente porque ela é muito mimizenta e precisa sumir da série logo de uma vez já que ninguém aguenta tanta lágrima por episódio.

 

Resumo: a mulher que chora é chata. Fraca. Precisa tomar vergonha na face. Ao contrário do homem, o herói que mostrou que há sim vulnerabilidade dentro de si quando “homens não choram”.

 

E eis mais um capítulo da minha saga como protetora de personagens femininas e me seguro para não ser uma mal-educada.

 

Não darei tantos exemplos quanto a essa troca de sentimentos que personagens femininas passam, quem sabe em outro post, pois se eu começar sei que não pararei. Tive que escolher um bom exemplo para defender a vulnerabilidade e quem continua se destacando, entre várias, é a Jane Doe de Blindspot, interpretada pela Jaimie Alexander. Quero botá-la em um potinho e protegê-la.

 

Jane Doe - Blindpost

 

Mas por que essa escolha? Muito simples. Se você assistiu Blindspot (recomendo sim!), Jane é jogada no mar da vulnerabilidade. Em uma bela noite, a personagem me surge no meio da Times Square, espremida em uma bolsa, completamente nua, toda tatuada e é arrastada de um canto a outro pelo FBI. Até aí, tudo bem, mas o que pega é o fato de que a moça está desmemoriada. Assim, uma vez fora da sua caixa de Pandora, ela renasce para um novo mundo. Um mundo que igualmente a desconhece e que a rotula como nada confiável.

 

Como uma pessoa que dedicou alguns anos da vida escrevendo sobre uma personagem sem memórias, vi em Blindspot uma maneira de fazer a lição de casa (fala a verdade Sr. Martin que você acessou meu computador e roubou minhas ideias). Essa foi a causa principal de eu ter parado para assistir essa série e gostei muito do trabalho que foi feito em cima de Jane. Ela parte de um dos maiores clichês que existem tanto na TV quanto nos livros, mas a diferenciação vem do modo que sua amnésia é trabalhada. Não é um ponto dito fraco, mas um ponto dito forte.

 

Sem memória, Jane é considerada vulnerável e se vê vulnerável. É a base desse estado de fragilidade, e de impressões sobre si, que a personagem se constrói, se reconstrói e se desconstrói ao longo das temporadas. Essa moça é puro instinto, que é norteado pela forma como se sente em determinadas circunstâncias. Como nos relapsos de memória.

 

Geralmente, alguns roteiristas e escritores usam a amnésia ou para aproximar a personagem de um cara – que é o que rola mais ou menos em Blindspot – e/ou para torná-la muito dependente – que é o que não rola em Blindspot. Jane entra em cena completamente assustada e passa por toda a triagem do FBI que a definiria ou não como suspeita de um plano maior. Como não há nada confirmado sobre sua existência, que não consiste em canto algum, o que lhe resta é fazer parte da equipe que começa a resolver casos semanais com base em suas tatuagens.

 

Ela é dita como projetinho de uma agência que começa a se mover dentro de casos intrínsecos, que tiram cada membro da zona de conforto. É quando a vemos diluir a tese de dita fraca porque as tatuagens e a ausência de memória a empoderam. Quando menos esperamos, ela rouba a narrativa, não sendo apenas a protagonista, mas a mulher que empurra Blindspot para histórias de várias vias. E, por ter várias vias, conhecemos várias nuances de uma mulher que é uma incógnita.

 

Por ser o ponto cego, ela já nasceu extremamente poderosa.

 

Jane Doe - Blindspot

 

“Ela opera com instintos e reações viscerais, o que é ótimo para ensinar a todos, especialmente jovens mulheres: apenas sigam sua intuição. É tudo o que Jane tem e é uma ótima lição para mim todos os dias.” – Jaimie Alexander

 

Jane pode não se lembrar do nome verdadeiro e de quem foi antes de parar naquela bolsa, mas seus músculos lembram de suas defesas, como uma memória fotográfica. Em ação, Kurt não precisa protegê-la, embora tente e, por vezes, dá aquele migué em nome do OTP, porque a personagem age por instinto. O instinto é sua característica predominante.

 

Com esse trope, havia todas as chances de fazê-la a “donzela em perigo”. Ou uma mulher problemática e egoísta, desesperada unicamente em querer saber quem é. Ela não é problemática, mas arredia. Ela é egoísta quando a família entra em cena e até esse posicionamento é compreensível, que briga com agir em sua vulnerabilidade e não a base do que lhe dizem para fazer. Em todos os instantes ditos fracos, Jane Doe retorna imbatível. Mais veemente dessa sua versão – que se quebra em fins da S3, mas isso é outro papo.

 

Ela poderia ser só aquela personagem que esbraveja com o grupo do FBI. Ser, principalmente, dependente demais do cara que tem o nome tatuado nas suas costas. Não se usaram de nenhuma dessas medidas. E, as que usaram, sempre intentaram dar um norte diferente. De forma que Jane nunca ficasse por baixo (e isso é contestável porque Blindpost não conhece a lei kill your darlings).

 

Sua vulnerabilidade vem das lacunas mentais que a deixaram mais interessada em saber quem é e focá-la no trabalho de campo mostrou que a vulnerabilidade, que poderia torná-la vaga e, como dizem mimizenta, a complementa. É sua melhor arma. É o que ativa sua intuição.

 

Por eu ter escrito uma personagem sem memória, Jane virou meu ponto de partida (lindíssima a Stefs copiando o ship Jeller). Um exemplo muito atual que caiu como uma luva ao longo das minhas escritas do We Project. Quando não se sabe quem se é, o que lhe resta também é o instinto, outro apoio da personagem ao longo dos anos de Blindspot.

 

Vale dizer que essa personagem não passa por cima daqueles que a acolheram (por assim dizer). Ela quebra algumas regras, como manda a praxe de procedurais, mas é a partir também do ato de dar de ombros que Jane começa a se redescobrir dentro de uma rotina que não a bota para baixo. Sempre que possível, essa jovem escolhe estar no topo, mas, vira e mexe, é condensada pelo mistério que representa e que a circunda, episódio por episódio, deixando-a à flor da pele.

 

Jane é sinônimo de vulnerabilidade e a vulnerabilidade neste caso aqui é classificada como uma demonstração de resistência. Mulheres têm seus pontos fortes e fracos, e berrar aos quatros cantos de que, por exemplo, chorar a faz mais fraca, está errado.

 

Obviamente que cada uma dessas personagens depende de quem as escreve e quem não faz o trabalho direito tem que receber umas cutucadas. Porém, no caso da female-lead de Blindspot, houve um conduzir dos seus medos e de suas inseguranças sobre quem era antes de acordar na mala. Inclusive, o vasculhar sensitivo sobre seu corpo cheio de tatuagens. De tudo que poderiam tirar dela, a habilidade de se proteger sozinha se manteve. Mesmo sem uma nesga de identidade, Jane não deixa rasteira sair barata.

 

A maioria das pessoas que escreve sobre amnésia faz a personagem dependente. Não critico tanto porque depende do meio em que ela é inserida e Blindspot usa o FBI a seu favor. Jane está sempre em movimento, sempre se redescobrindo. Ela tem iniciativa, age sem pensar duas vezes, e nada disso a faz mais forte ou mais fraca. Ela é o que chamo de personagem ideal porque conseguiram equilibrar seus instantes vulneráveis com os mais empoderadores. E isso é humanidade.

 

De um ponto de vulnerabilidade, Jane passa a tomar conta de si mesma. Quanto mais se afunda nos casos que envolvem suas tatuagens, a personagem começa a tomar decisões individuais, esbanja sua opinião sem se importar com quem a escuta e segue o baile doa a quem doer. Ela não gosta de ser deixada de fora e tentam porque um caso pode afetá-la emocionalmente – e é o mesmo que provocá-la a ir de qualquer jeito. A moça não é a desesperada em se provar, como também não é a que a menor chance começa a se lamuriar. Ela é os dois. Quer se provar e se lamuria em meio ao seu propósito de saber quem é verdadeiramente. Nisso, vemos todas as suas camadas que compõem perfeitamente suas amplas dimensões.

 

A partir do momento que Jane percebe que pode se mover, mesmo sem as memórias, não há como interferir no seu caminho. E isso é só a casca deste texto porque Blindspot explora o background dessa personagem por meio dos súbitos retornos de sua memória. O que rendem os famosos flashbacks.

 

Lá no passado, a vemos mais imbatível ainda. Incerta sobre alguns aspectos, apaixonada, mas ciente da missão que tem que cumprir. O que Genro e Cia. fizeram com Jane foi estabelecer prioridades e ter consciência em dividir os momentos que seriam bacanas de vê-la mais acuada e depois mais presente. Além disso, tendo interação amorosa. Há uma alternância que não a faz uma Mary Sue e nem a moça que precisa da mão do boy para atravessar a rua, por exemplo. Como disse, a intuição é a maior regalia do seu contexto porque é tudo que ela tem. Se não houvesse isso, com certeza teríamos mais uma personagem com amnésia mal trabalhada e com storyline pobre.

 

A melhor parte é que Jane não é dada como personagem principal, mas acaba por se tornar. Na realidade, ela se sai mais como recurso para mover Kurt e sua equipe, o que de fato acontece nos episódios. Mas chega uma hora que o agente vai pro plano de fundo e ela assume a bronca. Justamente porque não a botaram em um canto para pagar de desprotegida.

 

Jane é vulnerável, mas o vulnerável a torna destemida.

 

Daí, se mensura o peso de personagens multidimensionais como Jane. Para alguns humanos, uma personagem não pode ter tudo isso de bagagem. Ou ela representa uma Lara Croft ou uma adolescente que chora pelo boy. Não pode ter tanta nuance assim não. Não pode ser estável, vulnerável e destemida ao mesmo tempo. Uma coisa ou outra, né? Ah, senta lá, Cláudia!

 

Essa personagem realmente se apresenta como uma fora da lei e é esperado que ela aja dentro do comum para esse tipo de trope. Jane tem as tatuagens, que praticamente são seu superpoder. Ela está acima do FBI. Dois tipos de vantagem. Por ela ter esses aspectos a seu favor, automaticamente se “exige” um entrave que a impeça de ser vulnerável. Felizmente, essa jovem não é assim.

 

Jane tem muito em suas mãos. A missão e o poder que vêm dela. Os crimes cometidos e os que pode impedir. A autoproteção e a proteção de quem se manifesta como personagens do seu passado às avessas. A mesma proteção aplicada ao grupo do FBI que passa a tratar como sua família. Uma equipe que está lá para levantá-la. Somando tudo, não há motivo para que essa linda seja a dita fraca.

 

Nisso, entramos na divisão forte e fraca. O forte é mensurado por aquelas versões de personagens que são imbatíveis. A fraca é, óbvio, a que só chora e resmunga.

 

Tendo dezenas de tatuagens ou não, personagens femininas no geral precisam ter suas vulnerabilidades expostas. Só assim para haver relacionamento com quem assiste. Só assim para torná-las mais palpáveis.

 

 Annalise Keating - How to Get Away with Murder

via: htgawm-gifs

 

Um exemplo atual e formidável, mais familiar para meio mundo, é Annalise Keating. Personagem de How to Get Away with Murder. Quem se lembra do cenão na S1 em que ela desmonta sua maquiagem diante do espelho? A cena que deu todos os prêmios para Viola Davis? Aquilo é a vulnerabilidade em sua pureza, exposta por uma mulher que nunca escondeu o gosto de ser corrupta. E é essa corrupção que a torna a dita forte, indesculpável, pisadora de cabeças de geral.

 

Notas que fazem parte da caracterização de Annalise Keating. Ao contrário de Jane que precisa ser tão determinada para sobreviver a um meio que pode apunhalá-la pelas costas graças à amnésia.

 

Muitas caracterizações ditas fortes suprimem os instantes vulneráveis. Por essas e outras que esse balanço emocional é um desafio para muitos escritores. Uma vez que pecam, se gera a mesma discussão de que tal personagem é fraca porque ela só chora. Algo que se intensifica se há uma dita forte em cena que não derrama uma gotinha de lágrima sequer. Dois pontos extremos que ainda justificam o peso de uma personagem, sendo que deveria ser o meio para melhores caracterizações.

 

E, de novo, todo mundo gosta de personagens masculinos macho alfa que, em algum momento, choram. Tão bonitinhos, né? Confesso que gosto, mas quando há naturalidade no processo. Quando, principalmente, não usam a personagem feminina para causar a dor dele no intuito de torná-lo um humano melhor.

 

Vale mencionar também que não ganho meu visto de imunidade porque já estereotipei personagens masculinos. Hoje, eu me importo um tantinho mais porque é igualmente importante sinalizar que eles contam com uma zona de pecados de escrita que machucam os olhos.

 

Como o que ocorre com personagens femininas, mas em um nível muito, mas muito maior. A personagem feminina vulnerável segue sendo não tão quista, tachada de histérica, mimizenta e assim vai. Os dois lados sofrem porque há a treta de que homem não chora e de que mulher tem que parar de ser resgatada. Quando há mudanças, reclamam.

 

Querem outro exemplo? Meio mundo fala que Katniss só chora, mas Peeta chorando é lindo.

 

Jane Doe - Blindspot

 

Jane é uma personagem com várias dimensões. Penso que ainda haverá muito o que explorar em sua storyline, mas o que se aprende com ela é que não há nada de errado nesse negócio chamado vulnerabilidade. Se ela tiver que se esparramar, ela se esparramará, mas não deixa que isso a silencie. Como disse, ela sempre retorna como dona do jogo, sempre mostrando superação.

 

Ser vulnerável não a minimiza e eu acreditei por anos que vulnerabilidade era exatamente isso. Fazer-me menor. Fazer-me menos que uma pessoa sendo que a vulnerabilidade é apenas uma resposta intensa do que camuflo nos bastidores. E não há nada de errado em ceder. De se deixar sentir tudo que tiver que sentir e, com sorte, voltar ao jogo como Jane: destemida e determinada.

 

Nossa vida é uma alternância entre o forte e o fraco. É o que torna tudo mais interessante. Jane tem inúmeros instantes para ser forte, como inúmeros outros para ser frágil. Assim como nós. No fim, o que se aprende é que o vulnerável é o mais próximo da nossa regeneração emocional.

 

A única maneira de Jane se redescobrir não foi se envolvendo com Kurt, mas agindo por si mesma. Só que, infelizmente, ainda há o gritaço de que mulher heroína precisa ser 100% chutadora de traseira. Sendo que mulheres não são chutadoras de traseira o tempo todo.

 

Personagens como Jane mandam a mensagem de que podemos acreditar nos nossos instintos. Na nossa intuição. Que mesmo vulneráveis podemos encontrar ou redescobrir pontos que demarcam nossa resistência para seguirmos a caminhada.

 

Há poucas personagens como ela na TV, mas as que têm relembram que é possível balancear esses dois lados que nos fazem humana. Annalise Keating, Cristina Yang (pensem nessa personagem que detestava ser frágil), Sarah Manning, Daenerys Targaryen, Jessica Jones, Cookie Lyon, Carrie Mathison… Enfim, há uma lista de personagens que provam a cada episódio que não tem nada de errado em ser vulnerável e deixar que essa vulnerabilidade as norteie. É um meio de evolução não só da caracterização, mas do arco da storyline.

 

Pode chorar. Pode sofrer. Pode ficar na cama tomando sorvete. Desde que a personagem, e até mesmo nós, evolua a partir dessas experiências, não há do que reclamar. Não tem motivo nenhum de desejar uma faceta, uma dimensão, sendo que vulnerabilidade nos faz multidimensionais.

 

Vulnerabilidade é uma das nossas maneiras particulares de regeneração. Nos voltamos para dentro e analisamos o que nos serve e o que não. É uma transição emocional que passamos com recorrência. Às vezes, sem aviso e que, se nos permitirmos, poderemos ser ainda melhores.

 

Afinal, vulnerabilidade não é o que nos torna fracas. Apenas mais frágeis. Um processo que pode nos transformar em seres mais resistentes (uma palavra ótima para substituir o “forte”). Somos feitos de polos, no fim das contas, e é como lidamos que sempre dirá um tanto mais sobre quem somos. Somos uma balança, assim como Jane Doe, regada de dias bons e ruins, de equilíbrio e desequilíbrio.

 

Precisamos mesmo prezar mais por esses instantes vulneráveis, pois, ao menos para mim, é quando e como entro em contato comigo mesma e me descubro mais.

 

É nessa descoberta constante que se regenera. Deixamos o sentimento ruim, tóxico, quem sabe aquele permanente, finalmente para trás.

 

Assim, poderemos evoluir a partir disso. Se assim quisermos. Jane escolheu todas as vezes se apegar a sua intuição, mesmo quando precisava de uma pausa para lidar com as dores do coração e as mazelas de suas tatuagens.

 

E isso é muito a gente, não é?

 

Blindspot é uma série da NBC que foi recentemente renovada para sua 4ª temporada.

Stefs
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