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26/jun

Como muitos de vocês sabem, sou grande fã de prestigiar o trabalho das pessoas, especialmente se essas pessoas formam um grupo de mulheres. Hoje, é dia de prestigiar um grupo de mulheres maravilhosas que deram vida a uma websérie nacional chamada PORN, que estreou no dia 12 de junho. Euzinha aqui tive a oportunidade de assistir tudinho e como valeu a pena!

 

PORN é uma criação independente de Paula Weiss que traz o cotidiano flopadíssimo de Luiza (Mônica Born), Giu (Paulla Carniell) e Ana (Jhenifer Emmerick). O trio divide um apartamento, além do fato de que suas vidas pessoais e profissionais estão uma droga. Para pesar um tanto mais, as três nadam em dívidas, guardadas em uma (nada) adorável cestinha, e realizam, já no Piloto da websérie, que não quitaram ou não conseguirão quitá-las porque estão duríssimas.

 

Assim, para vocês compreenderem a gravidade desse cenário, cada uma não tem um job maravilhoso e, quando recebem, não é bem aquelas coisas. Quem é que não se identifica com esse quadro hoje em dia? O que dá mais peso a um grupo de protagonistas que é mulher como a gente.

 

Em um primeiro momento, o que resta a nós mortais, em uma posição crítica de dívidas, é resmungar. Depois, pirar enquanto se matuta alguma solução que, normalmente, culmina em abraçá-las e deixar a vida rolar. Até porque quando você se encontra no limbo profissional parece que realmente não há muito que fazer. E se seu nome já estiver no vermelho, então, acho que nem preciso comentar, né?

 

Não é um quadro bonitinho de se levar nas coxas e essas personagens têm consciência disso. Porém, não há muita solução aparente, aquela imediata, a não ser apertar dali, buscar acolá e assim por diante. Ou quase.

 

Mesmo nesse redemoinho, a vida dá um jeito de mandar sinais. Como apontar que não podemos ignorar as dívidas porque sempre haverá um tipo de cobrança. No caso das meninas, esse processo começa com a falta súbita de internet, o que as faz pedir arrego a Rodrigo, o vizinho, que libera a senha. Um desespero momentâneo porque Giu precisa entregar um job no meio da madrugada.

 

Problema resolvido, mas o primeiro conflito, que parece inofensivo, vem à tona. O vizinho nada mais é que um ator pornô. Uma descoberta da parte de Ana que tem um crush pelo próprio e, claro, curte assistir um filminho desse gênero nas horas vagas. É nessa grata surpresa, por assim dizer, que não deixa de causar um choque (cômico) particular a cada uma, que Luiza lança a ideia delas filmar um pornô a fim de gerar a renda extra para quitar as dívidas.

 

Isso, da noite para o dia, já que nenhuma tem um tostão para pagar nem que seja a internet.

 

A primeira coisa que se escuta é que elas não estão tão desesperadas ao ponto de produzir um pornô, mas outro sinal da vida ocorre: uma súbita queda de luz que serve de ponto de partida para Luiza.

 

PORN - Ana, Giu e Luiza

 

Sem internet e sem luz, só há duas opções: aguardar a grana entrar (em nome de um milagre divino) ou abraçar uma ideia que, ao longo dos primeiros episódios de PORN, é extasiante unicamente para Luiza. Ana e Giu ficam na retaguarda e não concordam tão facilmente porque há uma questão de reputação. Há um tom muito surreal nessa de simplesmente fazer “um filme desse tipo” para pagar umas dívidas, mas nada segura a idealizadora do plano que recebe até seu próprio sinal para tocá-lo sem pestanejar.

 

Filmar um pornô, na altura da vida que as três se encontram, não tem o menor cabimento. Eu mesma seria relutante tanto por nunca ter feito um job desses quanto porque precisaria de muito mais segurança para chutar o pau da barraca. Além disso, emperraria mil vezes por motivos de reputação visto que não tenho uma carreira grandiosa. Um viés que abala principalmente Giu.

 

Uma vez de mente feita, Luiza corre atrás da receita e vai empurrando-a até que se encaixe na vida das amigas – que seguem teoricamente empregadas. Embora não seja aquele solavanco sufocador, dá para sentir que há um singelo egoísmo da parte dessa personagem. E não tem como culpá-la porque, no desespero, ficamos centrados em nossas emoções. Ou elétricos para provar um ponto.

 

Conforme os três primeiros episódios passam, tudo se torna um beco sem saída e, pela amizade, Ana e Giu cedem. Só não quer dizer que tenha sido uma atitude de uma hora para a outra também, pois há um bocado de reflexão antes de efetivamente “pisarem na jaca”.

 

Para vocês terem ideia do que cada uma faz: Luiza trabalha em uma lanchonete. Giu fotografa festinhas e casamentos. Ana é tradutora/escritora e sofre do grande mal de nunca ter job. Luiza tinha um job fixo, o que lhe dá um tanto mais de autonomia sobre o papo de chutar o emprego e mandar bala na sua ideia. Já Giu e Ana entregam a representação de quem tem a dura vida de freela, com salários e trabalhos incertos. A soma que dá em grana oscilante.

 

Pela grana ser oscilante, pela verdade de que duas não podem largar o que fazem e pela também verdade de que nada de diferente rola na rotina delas, que diferença faria produzir um pornô? Penso que nenhuma, a não ser que você fique na neura de reputação ou tenha algo contra o gênero, por exemplo. Pelo pressuposto do medíocre, as três gastam energia em jobs medíocres. Jobs que não trazem nada de satisfação, de segurança financeira, nada de relevância e de vontade de viver.

 

Quem estabelece mais essa verdade é Giu. A personagem chega a questionar seu parça de job sobre o quanto seria muito mico rodar um pornô. E ele, basicamente, pede para ela dar uma olhadinha ao redor porque o que ambos fazem já é um mico. Sem nenhum tipo de realização.

 

De medíocre para medíocre, filmar um pornô dá em elas por elas.

 

PORN - Giu

 

Em concordância, é meio impossível não pensar nesse contexto de dívida financeira. O que se espera em uma circunstância dessas é uma ação madura. Nos ditos meios adultos e normais, nem que seja pedir grana emprestada para a mãe (o que não é muito maduro, mas que atire a primeira pedra quem nunca fez isso). Em uma situação de dívida financeira é esperado qualquer tipo de coisa menos rodar um pornô.

 

E é nessa ideia inusitada que PORN mostra sua diferença. Por ser uma websérie cômica com uma pitadinha dramática, há diversão e não chorumelas (talvez algumas vai!) em cima de uma escolha duvidosa para se encontrar uma saída ao que nos persegue diariamente. Nem todos conseguem ser relaxados como Luiza, mas, às vezes, precisamos encontrar novas saídas fora do ciclo vicioso da nossa rotina. Nisso, podemos descobrir coisas incríveis.

 

Algo mais ou menos assim acontece com as protagonistas de PORN e não tem como não rachar o bico. Além de, claro, prestigiar três mulheres adultas descobrindo novos e antigos talentos em meio ao perrengue financeiro.

 

O que cai no questionamento se as três possuem talento para rodar um filme. Afinal, falar que quer filmar algo assim é uma coisa. Ter o cacife para torná-lo real é outra. Parece mesmo que Luiza, Giu e Ana estão sendo muito nave da Xuxa, mas elas têm dons secretos. O que dá um tanto mais de confiança nesse projeto e a quem assiste em seguir com os demais episódios.

 

Luiza foi produtora teatral e afirma que será a produtora do pornô. Giu foi assistente de direção e assume essa fatia do processo. Ana escreve fanfics nas horas vagas e acaba assumindo a cadeira de roteirista. O trio é dono de uma veia artística que não é aproveitada em seus jobs atuais e acho, apenas acho, que nem preciso comentar sobre o quanto me identifiquei com isso.

 

Só que esses talentos não dizem muita coisa quando as três passam a correr atrás, em curto espaço de tempo, do que é necessário para rodar qualquer filme. Elas realizam que não basta ter o cacife, pois há uma sequência de outras coisas que se precisa ter para tornar a ideia uma realidade.

 

Atores. Patrocínio. Equipamentos. Depois que elas fincam a decisão de produzir o pornô, os episódios se desenrolam até chegar o dia efetivo das filmagens. Uma vez com tudo aparentemente pronto, só basta rodar, mas é aí que conflitos são despertados. Inclusive, há o teste de ânimos das amigas que passam a se estranhar por questões de receio, de vergonha e da mencionada reputação.

 

Quem é que quer ter crédito em um projeto como esse, hein?

 

Por que PORN é awesome?

 

PORN - Luiza

 

Primeiramente: grande parte de PORN é produzida por mulher.

 

Segundamente: PORN se trata de uma websérie nacional.

 

Terceiramente: o roteiro traz tanta verdade que você não quer que a experiência acabe.

 

No decorrer de 8 episódios, acompanhamos o trio dar aval a uma ideia jamais pensada. A princípio, nenhuma delas demonstra o desejo de rodar qualquer filme que seja na vida e a descoberta sobre o vizinho acaba sim por ser uma inspiração. Porém, há muito mais nessa criação, que envolve a vida pessoal, mais precisamente de Ana e de Giu que são parte do conflito da trama.

 

Luiza também se inclui na primeira leva de caos. Ela chuta o emprego sem pensar duas vezes (e em uma ótima situação), mas são as duas mencionadas acima que envolvem um tanto mais. Giu e Ana pincelam o sutil drama em meio à comédia e fazem pensar sobre trabalhar em um canto medíocre e, aparentemente, ceder a uma ideia mais medíocre ainda. Além disso, são essas que quebram mais as amarras e enfrentam seus medos. Ao contrário de Luiza que é a personagem que nasceu pronta.

 

Ainda em Luiza, ela realmente assume o papel de produtora. Dessa forma, a personagem fica um tanto mais ao fundo no desenrolar da premissa porque seu tino empreendedor é o que sustenta a websérie. Do jeito que a personagem entra, toda independente e decidida, assim ela segue. Porém, sua história de infelicidade com o job, que passa em um feixe de luz, é importante. Afinal, seus resmungos não se referiam apenas a cheirar a gordura velha. Existia o problema de assédio.

 

Uma vez livre de um job que não orna com sua personalidade e de um chefe embuste, ela mostra seu perfil de empreendedora e não descansa até ter tudo para o filme rodar. Ou, ao menos, algo próximo disso, se responsabilizando pela programação das filmagens até a busca do patrocínio. Luiza não aceita ficar por baixo, nem muito menos ouvir que é uma garotinha iludida com sua ideia. Quanto mais lhe dão motivos para desistir ou para duvidar de suas capacidades, há uma retomada de gás que chega a sufocar as outras manas.

 

Um sufoco que tem mais a ver no como se ver em um contexto tão fora de sério.

 

PORN - Giu e Ana

 

Giu e Ana acompanham Luiza, mas, por mais que haja a expressão cômica, o drama da incerteza entra em cena. Pinceladas que dão um pouco mais de realismo ao conflito-central que é filmar um pornô.

 

O primeiro drama (e que me conquistou de cara) é de Giu. Como diretora, ela tem a missão de conquistar os equipamentos, o que a faz dar de cara com a ex-namorada. Nina, uma mulher que, aparentemente, parece muito boa. Contudo, desperta nessa personagem a famosa Síndrome do Impostor. Viés que calha na relutância dessa mesma jovem sobre rodar o pornô. E, claro, cai na roda da reputação.

 

Essa personagem não demonstra consciência sobre seu talento e segue os episódios se questionando. Afinal, a saia justa criada por Luiza tira do tártaro todas as inseguranças de Giu quanto à profissão que sonha em exercer. Os olhos de Nina pesam e a fazem hesitar ao longo de boa parte do processo porque tudo, em sua primeira nuance, se resume a ter crédito debut em um pornô. O que não parece justo para quem esperou tanto para botar sua vocação como aspirante a cineasta em prática. E parece que ninguém compreende esse ponto, centralizando apenas no fato de que ela teve uma recaída pela ex (e que cenão da Giu e da Nina, SOS!).

 

Nisso, Giu reflete com seus botões sobre a mediocridade profissional. Além disso, sobre a mediocridade do que faz para ter seu dinheiro e para apoiar a ideia de Luiza. Ela tem consciência de que filmar e fotografar festinhas e casamentos não promoverão sua evolução como cineasta, e dirigir um pornô parece uma porta por mais mediana que seja. Por mais que marque sua reputação como a novata que se lançou no circuito com um projeto nesse gênero. É uma chance e foi muito interessante ver ao menos uma delas espiralar nessa questão.

 

Eu mesma teria espiralado e nem sei dizer se cederia. Minha autocrítica é demais, juro. Sem contar que minha mente ansiosa me castigaria pelo resto da vida se tudo, a partir do desencadeamento do projeto, desse errado. Sem contar que a Síndrome do Impostor é quase uma segunda pele para mim e foi por isso que me vi demais nas mancadas que Giu dá para cima de si mesma. Recaídas todo mundo tem. A questão real é que, às vezes, não reconhecemos nossos talentos como bons e a mediocridade da rotina camufla o que não queremos pensar no momento. É a cretina passividade profissional que, às vezes, a gente só se entrega.

 

Daí, vem a autocrítica que emperra até mesmo a possibilidade de rodar um pornô.

 

Se o trabalho cotidiano não é feliz e traz passividade, não tem como não querer dar uma de Luiza. O ícone que já sabia que merecia mais.

 

É muito ruim depender da opinião de terceiros e isso ocorre com Giu. Uma storyline verossímil que faz de PORN muito próxima da realidade da mulher insatisfeita com a carreira. Da mulher que sabe que merece mais, mas, às vezes, não tem ideia de onde começar. Da mulher que tem seus sonhos, mas a autodúvida é tão pungente ao ponto de ela não conseguir dar vida a eles. E, quando tem essa oportunidade, se vê a mulher que hesita porque precisa encontrar a força para acreditar em si.

 

Giu tem suas inseguranças profissionais e, de quebra, cai na cilada do próprio coração porque ainda curte Nina. E esse mesmo coração é testado sobre a questão de reputação que é deveras importante em qualquer ramo. Essa personagem tem muita impressão negativa de si, mas, como não há muito a fazer, e as dívidas continuam, melhor dirigir o pornô e ver no que dá.

 

PORN - Ana

 

Vale até dizer que é pelos olhos dela que vemos um pouco do julgamento quanto ao gênero, mas quem responde essa questão é menina Ana. O que calha em um dos highlights de PORN, mais precisamente no 4º episódio, em que há a escalação dos atores. Todos vêm do mesmo pensamento, que é dito no finale da websérie, de que pornô é para ser uma produção rápida e distribuída com mais rapidez ainda. Daí, temos um ponto de virada que é a escrita dessa personagem. De um pornô ganhamos uma história erótica, com muita ambientação e com muitas falas. Além disso, uma chance para que os protagonistas escolhidos façam um trabalho de significado.

 

Com essa alteração, PORN manda, por meio do posicionamento de Ana, a questão de significância. As meninas parecem engatadas em um projeto X com pessoas Y, mas há uma construção na história. Há muito mais que um quarto de motel e duas pessoas mandando ver, por exemplo. Fato que aproxima a tríade da websérie. Luiza vê seu bolo crescendo. Giu nota que é genial ter o poder de construir um imaginário erótico. E, Ana, bem, se eu me alongar entraremos na zona de um belíssimo spoiler.

 

Ana é quem eu considero o real ponto de virada de PORN. Desde o primeiro episódio, aquele roupão de unicórnio não me passou despercebido. Nem muito menos o grande urso que existe a um canto de seu quarto. Nuances de dita inocência que não ornam com seu papel de escrever um pornô.

 

Por assim dizer.

 

Essa personagem tem várias camadas de estereótipos que caíram na responsa do seu namorado evidenciá-las. Apesar dessa aparente inocência, Ana curte muito o sexo. Inclusive, ver e escrever sobre. O que tem demais nisso? Absolutamente nada! Se você curte, você curte, e ponto!

 

Daí, temos outro highlight de PORN. Um que considero importantíssimo porque fez mudar todo meu senso quanto a essa websérie. Embora o roteiro seja sobre erotismo, Ana é a personagem que discute a questão do sexo e de ser sexualmente ativa. Ela traz à tona a questão de que a mulher pode estar à vontade com seu corpo e com seu próprio prazer, independentemente se usa um roupão fofíssimo de unicórnio.

 

O que Weiss traz por meio dessa personagem é muito incrível, especialmente se pensarmos que a websérie é curtíssima. O resultado, que traz um desenvolvimento significativo em forma de reviravolta, é extremamente empoderador. Essa personagem tem um imaginário nada proposital ao redor dela e que quebra esse julgamento de que “garotas boazinhas” são reprimidas sexualmente.

 

Sendo mais clara: aquelas que o cara tem que ensinar. Me respeitem!

 

De fato, o transcorrer da websérie manda a impressão de que não há muito o que esperar de Ana já que Luiza e Giu herdaram o sangue quente da confusão que permeia a gravação do filme. Essa personagem é apaziguadora, fala baixo e é introspectiva. Ainda assim, ela é a grande reviravolta. Essa jovem me fez aplaudir sua revolução de pé. Foi uma surpresa, um contraponto positivo porque somos um bando de unicórnios sensuais e adoradoras do sexo. Amém!

 

O mais legal é que essa personagem é muito confortável com sua sexualidade. Ela não consegue nem disfarçar seus desejos porque curte muito o papo tão quanto viver um imaginário erótico que envolve o vizinho. Tudo entregue naturalmente, como as problemáticas das outras manas.

 

E, ah!, todas as manas são confortáveis sexualmente e com o papo de sexo. Tem muita cena hot, hot, hot, que eu mesma queria participar (ah, mas eu precisei dizer isso, não vou mentir)!

 

Muito se contesta sobre sua decisão final. Fica o questionamento se Ana decidiu pela reviravolta a fim de provar um ponto ao ex ou porque ela apenas quer e ponto.

 

Antes que perguntem, ela apenas quer e ponto. Com confiança e com honestidade. A demonstração de que a personagem abraça sim esse lado que não é motivo para se ter vergonha. E que não é mascarado só porque você tem um fofíssimo roupão de unicórnio.

 

PORN - Luiza, Giu e Ana

 

PORN nos dá um desenvolvimento rápido das suas personagens. Porém, é uma transição cativante de se acompanhar. É tudo alinhado ao momento e à necessidade pedida para rodar o filme. Em minutos de 8 a 10, a websérie entrega muito das suas protagonistas, um mérito que precisa ser destacado porque aqui temos um material que não é vazio. Apesar de todos os barracos, há uma moral. Moral de vários vieses e que calha a quem assiste escolher o que melhor convém para si.

 

Aqui temos uma história que oferece a chance de desconstruírmos nudez e sexo. Principalmente do ponto de vista feminino, algo que PORN traz com sucesso – e que tem sua nuance de reforço em Rodrigo. Ele é ator pornô e é fácil ter dezenas de pensamentos sobre seu trabalho. Pensamentos estereotipados porque o pornô em si é carregado de uma leva de estereótipos porque é um ramo que (dizendo apenas por mim) parece imutável. Com a mesma proposta. Aqui, esse homem abre uma conversa relevante sobre o motivo de ingresso. Como as meninas, grana é o dilema.

 

Em sua estreia, a mão de Weiss pulsa com todo um cuidado para nos envolver sutilmente na textura do sexo sob a ótica feminina. Somos agraciados por três mulheres que não têm nada a perder. Que se testam diante do que se é considerado um risco e um mico. Uma ideia que pode tachá-las para sempre como as mulheres que filmaram esse gênero e que estarão muito de boa com isso.

 

O que destaca outro ponto positivo da websérie: há uma entrega verdadeira. O que parecia ser uma saída de emergência, se torna algo sério. O trio vai florescendo com a ideia e vê um novo caminho de possibilidades. Elas veem, por fim, o quanto são capazes de irem além da passividade profissional. Mesmo que tenha sido por meio de uma ideia extremamente na contramão.

 

PORN não quer dizer que, em tempos de dívidas, façamos um pornô (mas, se você quiser, fique à vonts). Na verdade, é um aviso para sairmos da mediocridade da vida profissional. Sempre há um sinal de que devemos mudar o rumo. Então, que tal nos abrirmos para o mirabolante? Quem sabe, há um pote de ouro do outro lado.

 

Esta websérie é um retrato breve do que é sair da zona de conforto e se descobrir no processo.

 

Quem é que não gostaria de dar esse saltão na linha tênue?

 

Mais motivos para assistir PORN

 

PORN - Mônica, Paulla e Jhenifer

 

Por se tratar de uma comédia dramática de curta duração, você ri de nervoso do começo ao fim, além de ficar tocada com o que transcorre na vida pessoal dessas manas. A escolha delas para ter dinheiro foi nada convencional, mas, ainda assim, impulsiona o vasculhar de emoções profundas. Muitas delas, expressam a insatisfação profissional e o deleite de sair do limbo profissional.

 

PORN quer que nossos medos sejam enfrentados. Que saiamos da passividade profissional. Algo que pode acontecer de maneira inesperada, como rolou com essas personagens.

 

Imagino que filmar um pornô não é a primeira ideia que surge na cabeça das pessoas quando a grana fica escassa. Ainda assim, Weiss traz um novo olhar sobre um impasse que abala as estruturas de milhões de brasileiros de um jeito reconfortante e deveras divertido. De quebra, coloca suas personagens para enfrentar receios e críticas pessoais. Seja pela análise unilateral de nós sobre nós, das amigas ou dos coadjuvantes.

 

E o que importa é que as três atravessam esse caminho juntas e se descobrem no processo.

 

No fim, o resultado é que ninguém pagará as dívidas pela gente e não tem nada de errado em encontrarmos soluções, desde que seja honestamente, inusitadas. Aqui, três mulheres, literalmente na lama, se reacendem como três fênix depois de situações que as regaram de puro desdém.

 

Em curto espaço de tempo, Weiss trouxe mulheres muito próximas da nossa realidade, acompanhadas de outros personagens que conjugam o ritmo cômico e dramático de uma situação que tinha tudo para dar errado. As atrizes dessa websérie são supercativantes. Uns xodós!

 

Antes de concluir o post, darei uma ressalva aos diálogos. Foi no primeiro lance de palavras que me toquei sobre o quanto consumo conteúdo gringo. Às vezes, até me esqueço como é ouvir PT-BR em linguajar jovem (sou uma senhora). Giu, Ana e Luiza não poupam no palavreado, o que as tornam ainda mais palpáveis (tento superar o Jorrada nas Estrelas). Cada troca de fala é muito nossa. O que gera ainda mais proximidade com essas manas – e com as camisetas da Giu, acreditem!

 

Vale outra ressalva para o papel da mulher e a quebra de alguns estereótipos. Tudo bem você mulher ser dona de uma sex shop. Tudo bem você mulher comprar uma lingerie e parcelar em dez vezes para agradar o boy. Tudo bem você mulher querer sexo e encontrá-lo em lugares inusitados. E tudo bem você mulher cometer o mesmo erro com uma ex, desde que isso desperte a mudança para sair desse relacionamento com cheiro de furada.

 

E tudo bem você estar tão na lama e encontrar uma luz do jeito que não esperava.

 

PORN traz luz a mediocridade que, às vezes, se torna a vida profissional. E, que, às vezes, é nessa mediocridade que a gente tem que tentar nos redescobrir no processo. Nenhum emprego será totalmente bom, mas é o que tiramos dele diariamente que pode ser transformador (viu, Giu?).

 

Entre altos e baixos, consolados por álcool e sorvete acompanhados de Orgulho e Preconceito, o trio quer mostrar que, apesar do desespero, você pode criar o que quiser. Você pode se recriar em uma circunstância dessas. De quebra, criar relevância e tornar até mesmo o erótico relevante.

 

Por favor, assistam PORN. Juro que é diversão garantida.

 

Sem contar que você apoia mulheres BR e conteúdo nacional.

 

Vídeo hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento.

 

Para assistir aos episódios, bastam seguir o canal: PORN – A Websérie. Um episódio novo toda terça-feira!

 

Para apoiar este projeto, bastam visitar a página: PORN no Catarse.

 

Crédito das imagens: reprodução/Paula Weiss.

Stefs
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