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09/jun

Então é isto! Começamos a 2ª temporada de The Bold Type antes da data esperada graças à parceria entre a Freeform e o canal streaming Hulu. Fiquei na dúvida se deveria esperar até o dia oficial para ver/liberar esta resenha, mas, como podem perceber, eu não aguentei. Eu não poderia deixar de marcar presença em um momento tão importante que é o retorno desta série. Precisava mesmo matar a curiosidade, emoção que ficou mais forte quando naveguei na tag do Tumblr. Nem que eu quisesse deixaria essa experiência para depois – principalmente com
o gran finale Kadena, amigos!

 

A season premiere da 2ª temporada de The Bold Type trouxe um tom bastante diferente se pensarmos no seu episódio de estreia. Lá no passado, o clima foi de pura novidade/curiosidade, e Jane foi a principal responsável em nos fazer navegar no universo Scarlet. Ela havia sido promovida oficialmente como redatora e, dada essa deixa, acompanhamos o intento de fazer com que os telespectadores se amarrassem com a história logo de cara e assim seguissem adiante.

 

No primeiro capítulo desta série, houve comunhão. Inspiração de sonhos na meta de apresentar a Scarlet, e todos que ali contribuem, como o coração que pulsa esse universo. Um veículo que representa a dança da tríade, sendo o dito “melhor lugar para se trabalhar”. O Piloto mostrou a dinâmica de The Bold Type que se embasa na rotina da revista, sob o comando da grande chefia, musa inspiradora que faz meu coração parar toda vez, Jacqueline Carlyle. Escalada que não representou uma prioridade ao longo desta season premiere.

 

Agora, já sabemos quem é quem e a quem a Scarlet serve. Não era preciso outra introdução. Assim, esta premiere fugiu do tom de novidade/curiosidade para se apoiar no drama. Apostaram no conflito, apesar do gostinho saudosista estar presente visto que esta série é um dos retornos mais esperados no verão gringo.

 

Em suma, o intuito desta premiere foi marcar o tipo de compasso visto na metade da temporada passada. Ou seja, estreitar caminhos para que as protagonistas consigam seguir e evoluir/amadurecer no processo.

 

The Bold Type retornou chutando a porta da frente com os dois pés e deu meio que um tchau ao clima harmônico visto na primeira metade da S1. Este episódio trouxe conflitos que abalaram um anterior plano sem tantos altos e baixos. Detalhes que a tríade contou sim no passado, mas aqui se viu o intento de apertar mais botões. O que rendeu um episódio bem-sucedido graças ao repertório às avessas. Nada de frases de efeito. Nada de gritos no metrô. Só sutil caos e sutil angústia.

 

Ao contrário da simplicidade de seu Piloto, esta premiere veio muito mais carregadíssima no estilo furtivo que The Bold Type é escrita. O que demonstrou que os escritores estão à vontade e não há mais receio em ir direto ao ponto. A série foi aceita, tem dois anos pela frente, então, vamos brincar! Houve o famigerado ponderar sobre pautas que estão presentes no dia a dia das mulheres, como assédio no job, slut-shaming e o desdém de uma mulher que alfineta a outra por motivos de competitividade (feminina). Vieses que considero um tantinho arriscados justamente porque esta série se empenhou por 10 episódios em nos ensinar o que é sororidade e o quanto a sororidade é importante – ainda mais em ambientes como o da Scarlet em que é humanamente possível perder o respeito pelos outros.

 

Como assim arriscados? Os roteiristas começaram a abrir para conflitos que precisarão de um tanto mais de cuidado em seu desenvolvimento. Parafraseando Jane, não é papel da tríade se botar para baixo e botar outras mulheres para baixo. Na companhia de Jacqueline, elas se botam para cima, empurram uma a outra para serem o tipo bold. Abrir para os tropes que trazem treta entre mulheres coloca em risco a dinâmica positiva das manas, que é a parte vital de TBT. E esses tropes podem ser usados sim, inclusive, sempre serão usados, e o desafio da série será no como conduzir essas conversas. Algo que já deu para sentir no posicionamento de Kat em defender Sutton.

 

Para o melhor aproveitamento das resenhas de The Bold Type, partirei do princípio de comentar o núcleo de cada personagem porque todos são sempre relevantes.

 

E, para você que chega agora, eu escrevo demais em todas as resenhas, ok? Não precisam ficar assustados, nem nada, e espero que se divirtam daqui em diante. ❤

 

Kat alias The Boss

 

The Bold Type - Kat, Sutton e Jane

 

Em uma conversa dentro do táxi, que reuniu a tríade da série, nos atualizamos sobre os acontecimentos após o season finale da 1ª temporada. Pensei que saltariam no tempo por, pelo menos, três meses, mas foram duas semanas pelos olhos de Kat. A personagem que estava a própria balada nesta premiere, brilhando e saltitando. Toda amorzinho! Queria apertar aquelas bochechas, pela Deusa, Aisha Dee é um presente do universo!

 

Ao longo das minhas resenhas-reflexões da 1ª temporada de TBT, discuti bastante sobre a realização de Kat referente ao peso que o trabalho exerce em sua rotina. Um trabalho que lhe deu um único olhar sobre o que anda fazendo e ao mesmo tempo não fazendo da sua vida. Adena entrou como um alerta, o chamariz para a realização de tal buraco existencial, fazendo-a ver o muro que a separava dessa nuance da vida que calha em uma parte do inesquecível manifesto de Jacqueline: ter mais aventuras. Edison sentiu medo de ultrapassar esse muro, contemplando-o em vários episódios até encontrar a afronta dentro de si para saltá-lo sem pestanejar. Um muro que nada tem a ver com sua orientação sexual, mas com a decisão de deixar de ser espectadora da vida.

 

Seu desejo de ver outra realidade se tornou, bem, uma realidade. Mesmo conquistando uma oportunidade imensa na Scarlet, se afundar em mais trabalho saiu da sua ala de cogitação. Ela sentiu o choque das experiências de Adena, a pessoa que conta com muitas dificuldades para conseguir saltar de um continente a outro. E, mesmo assim, o faz, ao contrário de Kat que teve seu privilégio contestado visto que é americana e pode vir até para o Brasil se assim quiser.

 

Com o interesse de carimbar seu passaporte e o desejo de estar com Adena, Kat partiu no season finale e trouxe em sua bagagem uma aparente melhoria sobre a realidade do outro. Constatação vista na reunião da Scarlet, que indicou que essa aventura não foi à toa. A personagem saiu da bolha além de firmar seu relacionamento e, pelo que deu a entender, foi uma experiência incrível.

 

O resultado da viagem de Kat imediatamente ergueu minha anteninha. Lembrei-me sobre alguns deslizes na storyline dessa personagem (e que vocês podem ler aqui) e o quanto é preciso ajustá-los. Na S1, ela soou muito “por fora” de determinadas realidades, como da própria Adena, para uma mulher negra e, agora, full time boss da área de social media da Scarlet. Como uma pessoa em constante contato com conteúdo, especialmente online, não passou batida a total falha dela não saber sobre imigração. Aguardando soluções!

 

Voltando ao assunto que norteou Kat a umas férias no Peru, ela ama seu trabalho. Um amor compartilhado com suas melhores amigas e que reforçou o sonho que é trabalhar na Scarlet. Porém, a personagem percebeu o que chamo de romantização workaholic. Ótimo ganhar uma promoção, mas será que isso basta? Uma vida com uma única dimensão, ou seja, voltada todinha para o profissional? Para mim não e foi bem corajoso da parte de Edison seguir seu próprio coração e dar no pé. Eu superapoio essas decisões, embora seja sempre (e me sinta sempre) a mais covarde da vila.

 

Quando a personagem ressurge no aeroporto foi como ter o coração de volta no lugar – e o coração saiu do lugar quando Jacqueline me surgiu lá na loja, eu amo demais essa mulher, entendam isso. Foi mais que demais ver que a editora-chefe da Scarlet apoiou a viagem da sua colaboradora, na companhia de Adena, e seguiu sendo a maior encorajadora que você respeita. Uma chefe apoiadora, que não pensa duas vezes em ser ainda a melhor pessoa para quem precisa de ajuda, ao contrário das Mirandas da vida (comentário que faz jus a minha leva de experiências negativas com chefias, sad but true). Um surrealismo, vale dizer, porque, se eu ousar a viajar de supetão, retorno no olho da rua. Por essas e outras que toda mulher precisa de uma dose da Scarlet, com certeza.

 

The Bold Type - Kat e Jacqueline

 

Essa troca entre Kat e Jacqueline pareceu servir unicamente de pretexto para esclarecer o que se deu no season finale quanto à decisão de Edison. Não houve consequências, como bem imaginei que teria por ser uma ação esperada. Não foi, pois, junto a isso, houve a necessidade de trazer a dinâmica da Scarlet que, nesta premiere, não contou com Jane. Uniu-se essas duas personagens para trazer a premissa da semana. Várias premissas, vale dizer, todas pertinentes à sua maneira.

 

Jane deixou um vácuo ao topar o emprego na Incite e Kat o assumiu perfeitamente. Com Jacqueline. Uma junção que naufragou a minha ínfima insegurança de que a Scarlet não funcionaria sem a pequena Sloan como apoio para desdobrar as matérias do dia – e aqui fica o questionamento de como isso seguirá daqui pra frente. Prova vista diante do revival da cena na sala de reunião e eu amei muito. Por questões de trama, era necessário transmitir a sensação de que a revista pode funcionar normalmente depois da perda de um colaborador. Como em qualquer outra empresa. Inclusive, para marcar o início de uma temporada de evidentes mudanças. Deu supercerto!

 

Nisso, me peguei pensando um tanto mais sobre: como renovarão o clima dessa redação? Por mais que a retirada de Jane seja breve (e espero que seja mais breve que minha vida social), a real problemática capturada é o renovar de ares da revista. Afinal, Sloan é a redatora. É por meio dela que as pautas furtivamente políticas vêm à tona. Por enquanto, o ponto de inovação veio no impasse da queda de acessos do site da Scarlet, que coincidiu com o mesmo dilema acentuado na Incite. Uma junção quase imperceptível de fatos, que pode dar em nada, mas gostaria de acompanhar. Como jornalista, é esperado treta entre veículos, independentemente de um não ter nada a ver com o outro. Assim, grande parte do jornalismo não tem critério.

 

E é até bizarro dizer isso porque a Incite entrou como um veículo indie e parece meio podre, hein?

 

Só sei que a reunião, munida com as palavras de Kat, abriu a brecha para Tiny Sloan retornar.

 

Vamos acreditar! Quero minhas filhas juntas de novo, por favor!

 

Sutton alias Red

 

The Bold Type - Kat e Sutton

 

Sutton conquistou muitos créditos ao longo deste episódio. Assim como Kat, ela também estava brilhando e saltitando. Muito mais confiante, o que casou com sua sutil evolução ao longo do início da sua carreira no Departamento de Moda. Ela estava segura, como a melhor amiga, e mostrou que Oliver já depende demais do seu profissionalismo. É sempre muito bom ver uma filha crescer!

 

Lindíssimo, mas os golpes a encontraram e a desestruturaram. Duas vezes. Primeiro, ela se viu diante de um esquema expectativa vs. realidade durante o seminário que anunciou o fim da grande burocracia que a colocava à parte de Richard. O assunto inacabado de Sutton no season finale. Segundo, o slut-shaming gratuito que, ah!, me deixou batendo a mãozinha de ódio no teclado.

 

Preciso dizer que foi muito bom saber que, depois do finale, Sutton e Richard se envolveram algumas vezes. Deu um tanto de peso para a queda dessa politicagem que, antes mesmo de ser aceita como uma realidade, rendeu novas dores de cabeça para Sutton. No passado, ela nem sequer cogitou o papo de reputação visto que estar com Richard e Alex havia sido às escondidas. E, escondido, normalmente ninguém mensura as consequências. Nesse núcleo, ninguém queria sair do elevador da pegação – e está aí um item que sempre me deixou encucada porque todo elevador de grande empresa tem algo chamado câmeras de segurança, vamos fingir que não sabemos. Agora, a personagem se viu diante da problemática que é se relacionar com alguém do local de trabalho e teve que lidar com isso.

 

Uma problemática que, aos seus olhos, realmente nunca existiu. Sutton nunca teve receio em se envolver com homens que trabalham no mesmo local e em fazer sexo com eles. A personagem não é oprimida nesses dois quesitos, mas acabou sendo neste episódio. Indiretamente, o que doeu mais. O que engatou a angústia que faltava para ela quando o papo é ter esse tipo de envolvimento.

 

Quando vi a promo que abordou o seminário, confesso que fiquei com um pé atrás. Pareceu-me uma empreitada cômoda, uma limpeza rápida de empecilho, visto o bico de sinuca que Sutton e Richard se encontraram em meados do fim da S1. Evento que os fizeram notar que namoro escondido não resulta em um futuro romântico promissor. Nem faz bem para ambas as partes. À primeira vista, a queda dessa politicagem me soou como trampolim para facilitar que essa relação fluísse sem grandes obstáculos. Sem grandes angústias que esse “tipo” de namoro propicia.

 

E eis o slut-shaming que meio que caiu como uma luva.

 

The Bold Type - Mitzi

 

Infelizmente, o slut-shaming é real. Mulheres vivem isso diariamente, seja do ponto de vista masculino ou feminino. A coisa toda tende a piorar quando essas mulheres ocupam cargos mais baixos e se relacionam com os homens da dita “alta hierarquia empresarial”. Sutton e Richard.

 

Independentemente da política da empresa sobre esse assunto, nada protege a reputação da mulher. Nem mesmo a previne de comentários que dizem que ela “subiu porque se envolveu com o chefe”. Uma verdade que não faz parte da vida de um Richard que, de novo, falou com Sutton em seu lugar de homem privilegiado. Nada o atinge e a “chantagem” de deixar o amor passar doeu no meu estômago. Mas, está aí um argumento esperado de qualquer homem nessas circunstâncias.

 

Não desmereço as emoções de Richard, mas ele não sabe o que Sutton sente e passou a sentir ao ouvir um comentário negativo sobre si mesma. Ele não é uma mulher e nem uma mulher que quer solidificar a carreira por conta própria. Ele não sabe, mas o slut-shaming arruína (e sabemos que Jacqueline não deixaria isso rolar com sua colaboradora, mas vamos esquecer que ela existe por um segundo). Enquanto a mulher seria deflagrada por boatos sexuais, caras como Richard seriam tachados de garanhão. Nada disso era uma questão de amor, mas sim da reputação feminina em área corporativa.

 

Nós, mulheres, ainda precisamos tomar cuidado (e eu estou aqui rangendo os dentes ao escrever isso, imaginem). Tudo porque existe algo chamado patriarcado, que possui vários braços, como o famigerado machismo. Machismo que, em determinadas empresas, extrapola o maldito limite. E é quando se tem alívio pela Scarlet ser comandada por uma mulher e feminista, politicamente aberta, e que reconhece que trabalha com mulheres de realidades e necessidades diferentes.

 

Não sei se essa será a principal abordagem da storyline de Sutton daqui por diante, mas valeu demais o acontecimento. Por questões de trama, claro, que a fez refletir sobre o campo minado que brincava, sem noção alguma. Somando o comentário infeliz de Mitzi mais a mudança da cláusula de relacionamentos na Scarlet, houve uma reflexão sobre a pegação de escritório. O homem sempre será o garanhão e a chacota só existe para a mulher com quem ele está – e piora se ela se encontra muito abaixo da hierarquia dele. Não muda muito se ambos são do mesmo posto, mas, no fim, há uma única verdade no nosso mundo ainda muito machista: em circunstâncias como essa, o crédito da mulher ter uma carreira será em reflexo do homem que ela dorme. E ninguém estará muito interessado em ouvir o oposto.

 

E isso doeu também, amigos. Ver Sutton cair na real me deixou bem pra baixo. É quando você, desconstruída em alguns aspectos graças ao feminismo, quer socar o mundo. Afinal, homens podem dormir com quem quiser e têm liberdade de se gabarem sobre isso. E a mulher não?

 

Não pode não. Ela será a eterna v**** da história. Haja testa quente, hein?

 

Como disse, Richard não é mulher e, realmente, não sentirá o peso do slut-shaming. A situação que ele tentou empurrar, para assim ter um relacionamento assumido nas paredes da Scarlet, não é apenas sobre uma assinatura. É também sobre reputação. A reputação de Sutton. Ela, infelizmente, assim como grande parte das mulheres, ainda tem que se preocupar com o que faz em ambiente de trabalho para se proteger dos olhos alheios. Tanto do próprio homem quanto de outras mulheres.

 

Como Mitzi.

 

Foi triste ver de novo o fim de Suttard, mas Sutton foi corretíssima. Encheu-me de orgulho por ter se mostrado confiante. Ainda mais no âmbito relacionamento, viés de história que navegou ao longo da S1 todinha. É estressante para uma mulher ter que pensar sobre tudo que respingará em sua construção de vida. Ainda mais em um tempo em que somos bombardeadas com mensagens “lugar de mulher é onde ela quiser” e “mulher pode tudo”, sendo que ainda não é uma total verdade. Não há essa liberdade no meio empresarial que ainda coloca a mulher para baixo. Que a dizima por questões de reputação.

 

Que não lhe dá cargo de liderança por “não ser inteligente”. Ser uma CEO, como Jacqueline, requer ainda muita luta feminina. Um esforço que não precisaríamos exceder, a fim de provar um ponto, se o machismo e seus outros braços não existissem.

 

Um machismo que, nesse caso, é institucionalizado.

 

Ainda temos que ter cautela com quem andamos, com quem falamos, que tipo de trabalho fazemos e se estamos sendo boas o suficiente. Sutton sentiu isso depois do que Mitzi comentou sendo que não devia. Ela sabe o que quer. Sempre soube, mas Mitzi a fez se autocontestar. O que botou a constante sororidade da Scarlet em cheque. Afinal, a tríade se bota para cima. Laurel e Jacqueline fizeram o mesmo dezenas de vezes. E daí vem essa novata para…? Esperar uma atitude dessa de homem é muito “normal” para mim. Quando vem de mulher, eu quero me espetar de raiva!

 

Foi nessa situação que The Bold Type mostrou, aparentemente, não estar a fim de prolongar treta entre mulheres. Penso que a série pode até investir nisso, pois é o dito “mal necessário”, só que tudo dependerá do desenvolvimento. Afinal, a série propõe empoderamento. Propõe fazer a diferença. E a ideia de Mitzi acabando com Sutton gratuitamente não me soa atraente. Mitzi precisa se desconstruir!

 

Kat falou perfeitamente sobre essa chamada de atenção desnecessária. Não podemos fazer isso com outras mulheres. Não importa quem ela seja. Não quando o feminismo está tão forte e claro. O empoderamento também. Principalmente em ambiente de trabalho, em que os homens esperam esse tipo de comportamento da gente. A sororidade é um constante trabalho em progresso e precisamos dessa palavra para, ao menos, sermos empáticas em circunstâncias como essa. Além disso, optarmos pela quietude porque é fato que ninguém no mundo simpatiza com todo mundo.

 

Em outras palavras: não engajar com o slut-shaming. Não interessa se você curte a mana ou não. O ambiente corporativo se alimenta dessas picuinhas e essa cultura quem endossa? Nós!

 

Sutton não quer ouvir que subiu por causa de homem e o elogio vindo de uma mulher na festa da Scarlet compensou essa decisão. Ao menos, é o que penso. A personagem ficou arrasada, mas uma mulher influente reconheceu seu talento. E Oliver claramente não vive mais sem sua Red. E isso é um máximo e é o que realmente importa! Desculpa, Richard, mas quem é você mesmo?

 

The Bold Type - Richard e Sutton

 

Como disse na resenha do 1×08, não posso escrachar esse cidadão pela sua fala (apesar de ficar meio irritada, mas logo passa). Desde o início, Richard apoiou Sutton extremamente. Ele foi o fã número 1. Atrapalhou algumas vezes no andar da transição da personagem para o Departamento de Moda, atitudes oriundas do mesmo sentimento que o fez dizer aquelas coisas para essa jovem neste episódio. Ele crê que faz o certo, mas é seu ponto de vista masculino. Ser homem já é nascer protegido, o que sempre pesa e que o deixa no papelão de maior babaca (e sabemos que ele não é babaca).

 

Vamos lembrar que Sutton também defendeu a carreira de Richard, como se ela não tivesse sua própria batalha. E ela tem e o slut-shaming lhe serviu de um wake up call. Como Jane pontuou, ou é amor ou profissão, impasse que contrasta com a realidade de uma Kat que, até então, tem os dois.

 

Um relacionamento às escondidas uma hora atinge cores tóxicas. Tudo que Richard disse, lá na S1, foi sobre a própria carreira e reputação. Aqui, sobre o amor. Nada sobre Sutton, que só chegou a pensar sobre o status da sua carreira agora. O impulso que a fez escolher a si mesma e eis mais aplausos. Tão acostumada que sou com personagens optando por seus relacionamentos que tal solução nesse plot me fez vencedora de novo. E, claro, gritar: eu amo The Bold Type!

 

Toda essa reviravolta foi muito boa para tirar o tom de “conto de fadas” que permeou a história entre Richard e Sutton. Tirar o gosto de que seria fácil e sempre fácil para os dois. Mitzi se encaixou perfeitamente como agente provocadora e apreciei a forma como seu diálogo se desenvolveu. O lado mean só de uma não precisa ser o lado mean de todas em circunstâncias como essa. Dá raiva? Dá demais, fiquei de testa quente, mas The Bold Type trouxe um reflexo do que eu, por exemplo, convivo diariamente. É preciso desconstruir essas atitudes malvadas entre as mulheres.

 

O slut-shaming foi um pontinho de virada da premiere que ofuscou e afundou os ânimos de quem esperava um retorno no mesmo clima do Piloto. A existência de Mitzi é contra ao clima harmônico que o trio permeou ao longo da S1, tão quanto as chefias que não arrasaram negativamente suas colaboradoras. Sendo repetitiva, juro que rolou uma insegurança tremenda porque The Bold Type trouxe relações femininas saudáveis, regadas de empoderamento e de sororidade. Not today Satan!

 

Preciso dizer, antes de fechar este núcleo, que, por algum motivo inexplicável, Mitzi me lembrou muito de Laurel, salvo o fato de que a novata é uma malvada. Eu hein (?).

 

Demorou, mas temos uma malvada entre nós. Ninguém precisa da versão “menina malvada” de qualquer mulher, ainda mais em uma série que propõe afabilidade para todas. Só que essa mulher existe. Uma mulher que, muitas vezes, não desconstruiu o machismo/sexismo internalizado. Por não ter nem a noção do seu machismo/sexismo internalizado, ela alimenta o que absorve do patriarcado. Ou seja, do que vem da boca de homens machistas.

 

Era necessário sim um arquétipo como Mitzi. Foi difícil engolir porque eu mesma quero meu trio de rainhas em paz. Em contrapartida, em ambientes como da Scarlet, mulheres tendem a ser competitivas e forçam a barra para puxar tapetinhos. Não é um trope que me anima, como rolava na minha adolescência, e estou muito interessada para ver como TBT se comportará.

 

Jane alias Tiny Jane

 

The Bold Type - Jane

 

Lá no fim da fila, temos Jane. O maior contraposto desta premiere por não ter sido responsável em puxar o ritmo da Scarlet. Ainda assim, ela puxou a pauta da semana, mas a trabalho pela Incite.

 

Ao contrário da pauta de stalkear o ex irrastreável, Jane se viu empolgadíssima com a ideia de ter sua própria coluna e, por meio dela, iniciar uma série que valoriza trabalhos femininos. Ou seja, ela escreveria, finalmente, sobre o que lhe importa. Se amei? Amei demais! Ela mereceu esse salto, mesmo breve, depois de todas as pautas fúteis e de ver suas pautas mais políticas caírem no limbo.

 

Essa personagem entrou forte na Incite, muito agarrada à promessa de que seria Jane Sloan em seu novo emprego. E, de fato, a vimos ser Jane Sloan. Inspirada. Engajada. Dedicada. Comprometida. Determinada. Idolatrando Jacqueline e esperando sua aprovação. Perfeito, mas… Nada de estar saltitando e brilhando porque, como era de se esperar, rolou muita insegurança da sua parte.

 

Uma insegurança que uniu Jacqueline, mesmo que indiretamente, a essa história. Longe da Scarlet, Jane ainda quis se provar para sua musa inspiradora. Quem nunca, né?

 

Contrária a felicidade e ao marcante grito libertador dado no metrô, no Piloto, Kat, Sutton e Jane prenderam muito de seus sentimentos ao longo desta premiere. O trio sempre apresenta a cara do episódio e, desta vez, elas estiveram muito mais em função do ambiente e de terceiros. Outro tom de mudança deste retorno que casou com o fato de não vermos Tiny Jane no ambiente da Scarlet. Uma presença que aprendemos, desde o princípio desta saga, ser essencial por dar a proposta da semana, na companhia de Jacqueline. Ambas norteavam a premissa, o que puxava Sutton e Kat pelas extremidades. Aqui, Sloan se virou sozinha e angustiou. Porém, se viu mais independente.

 

E todas as meninas estavam bem mais independentes. Curti à beça!

 

O roteiro conseguiu, sem dificuldade, não se esquecer de Jane e de Jacqueline, e da relevância de ambas para o norte da história – mais precisamente o papel da Scarlet na vida de quem tem a oportunidade de trabalhar lá. Da relevância pupila e mentora, que muito me agrada. Pincelar o quanto Jane ainda vê Jacqueline como sua inspiração, e meio que espera a aprovação de quem mostrou ser uma grande conselheira, foi divino. A falta de ressentimentos entre ambas me deixou feliz demais. São em questões como essa que The Bold Type me choca para depois me deixar feliz. Meramente porque, como já contei neste site, minha vivência com mulheres no trabalho foi, em sua maioria, problemática e/ou tóxica.

 

Vê-las sendo saudáveis uma com a outra valeu demais os primeiros minutos desta premiere, real e oficial.

 

The Bold Type - Emma e Jane

 

Ao contrário das palmas que está acostumada a receber e de ver as pautas dando certo (salvo o caso da stripper), Jane se vê na primeira saia justa sem ter Jacqueline a quem recorrer. Nem muito menos aparato legal. Nem muito menos o imediatismo das amigas no closet da Scarlet. Ao contrário das pautas da S1, a desta premiere contou com mais aprofundamento e a desafiou em sua estreia solo na Incite. Ela escolheu a narrativa, o que deu mais sobre seus interesses. Contudo, o que pareceu ser finalmente um grande ganho em sua carreira, se revelou um pesadelo. Sua fonte não era confiável, apesar do assunto ser pertinente. No caso, coletores menstruais que, de fato, são para mulheres mais privilegiadas. Que podem pagar e esterilizá-lo.

 

Eis que um conflito real e jornalístico atinge Jane. Da fonte mais inspiradora do universo, que assinaria sua estreia na Incite, se revelou parte de uma fraude. Como escrever sobre isso?

 

Para variar, me identifiquei demais com essa nova dificuldade de Jane. Não passei por isso, mas temos os mesmos valores. Não queremos escrever por escrever. E, se tiver que correr atrás de fonte, queremos que seja A fonte justamente para que agregue em alguma coisa positiva (e, ok, eu não curto entrevistas). Emma pareceu a escolha perfeita, mas, com seu típico olhar mais delicado e em busca de aprofundamento, Sloan descobriu o que a mídia não contou. O deslize sanitário desses coletores e que estava longe de ser regularizado. A desculpa? Bem, se deixar levar pelo negócio, angariar frutos para dar migué sobre “em algum momento melhoraremos”.

 

Viés que encontrou seu próprio jeito de casar com o slut-shaming. Mulheres que ou não são desconstruídas sobre falar mal da coleguinha ou mulheres que se apropriam de causas para faturar. É, gente, está aí algo dolorido demais e difícil de engolir quando se é feminista.

 

A mudança de ponto de vista do artigo tinha tudo para dar certo, mas, pelo visto, a editora-chefe da Incite quer sensacionalismo. O que reforça a questão de um possível confronto entre sites. Tão quanto colocar em cheque a Jane feminista que colocou uma mulher para baixo.

 

E nem foi culpa dela, porém, é sua assinatura na matéria. Como contradizer isso?

 

Sobre a batalha entre sites, a Scarlet contou com uma opinião relevante de uma apaixonada Kat. O intuito é criar conversa, mas o quanto este veículo está comprometido a isso? E a Incite? Essa personagem fez uma proposta bem legal, mas será que essa proposta não é um meio para gerar apenas buzz em clique? Em outras palavras, só pelo viral? É um caminho possível sim.

 

The Bold Type - matéria Jane

 

Jane foi desacreditada em sua primeira reunião de pauta na Incite e conseguiu encaminhar sua ideia porque fez um jabazão de si mesma. Ela também partiu do pressuposto de criar conversas, com base em conteúdo relevante e inspirador para mulheres, mas caiu do cavalo e não foi por querer. Foi porque o veículo do qual trabalha também anda mal das pernas no âmbito online.

 

Lembram que comentei sobre certos trabalhos surgirem na hora certa? E que se provam não ser aquilo que prometeram? Um capítulo real do jornalismo. Eu fui. Eu tava. E Sloan também.

 

Jane se deu mal graças a uma editora-chefe que, pelo visto, não quer conscientizar. O que torna, aparentemente, a Incite uma farsa também. A chefia tem pinta de quem curte carnificina, ou seja, sensacionalismo. Considerando que esse veículo também anda em baixa, a rasteira dada nessa personagem pode ser traduzida como uma tentativa de se recuperar likes e compartilhamentos. Por meio de polêmicas – como foi visto na reunião de pauta. O que abre para dizer que adoraria ver discussão de clickbait, algo que soou muito como o futuro comportamento da Scarlet.

 

O tenso é que é a assinatura de Jane na matéria. É ela quem responderá por uma situação que muito me foi associável ao dilema do quase processo por parte da stripper.

 

De ambos veículos, chego aqui sem confiança porque é de jornalismo que falamos. Há veículos que mudam drasticamente para seguir monetizando. Por isso, considero apropriado mostrar o dark side dessa carreira, especialmente para Jane que tem sim certa ingenuidade. Não é bem essa palavra, mas ela idealiza uma profissão que já deixou bem claro que, se você quer escrever o que quer, ou conta com a sorte de cair numa Scarlet ou abre seu próprio Medium.

 

Apesar da sede em querer fazer a diferença, Jane tem suas inseguranças na escrita. Ela bota muita responsabilidade sobre si e, pela Deusa, como me identifico com isso. Agora mesmo estou preocupada com o tamanho deste texto, mas sei que não conseguiria ser resumida. Sem culpas!

 

Nem todo emprego é perfeito, ainda mais no ramo da comunicação. Eu mesma só tive experiências ruins e o que acabou compensando no final foi algumas pessoas. Mostrar o lado ruim do jornalismo tem tudo para contestar de novo o papel de Jane. Inclusive, gerar mais tensão.

 

(e eu quero dizer que não gosto que mexam no meu texto, não sem me avisar. Estou com você Tiny Jane!).

 

Highlight: Kadena is THAT couple

 

The Bold Type - Kadena

 

Se o 1×09 foi um tipo de ápice entre Kat e Adena, algo que comentei nessa mencionada resenha, aqui foi o ápice dos ápices de todos os ápices. Não um ápice inserido na conotação sexual, mas um novo ponto altíssimo entre ambas, que não deixou de ser também outra reviravolta. Inclusive, que deu o sinal da parte dos roteiristas de que os toques sobre a necessidade de ajustar a storyline de Kat foram ouvidos e que começaram a encaminhar. Vamos acreditar que dará tudo certo!

 

Da mesma forma que tudo aqui começou com o papo de orientação sexual, assim seguimos. Kat também enfrentou sua saia justa, botando em cheque a aparente harmonia conquistada com Adena nas férias forçadas. É, ambas representaram o perfeito retrato das mídias sociais. Nem toda foto ou vídeo sinalizam felicidade mútua. Algo que Adena deixou claríssimo, sem pensar duas vezes.

 

Lá na S1, Kat defendeu sua bandeira hétero. A personagem se inseriu como hétero e deixou claro que não tinha interesse em se aproximar da nossa princesinha aka vagina. Em contrapartida, seu interesse por Adena foi se firmando ao longo de cada episódio da S1, regados de atos genuínos que abriram para uma nova autodescoberta para essa jovem. Ideia que, com certeza, conquistou sua força ao longo da jornada no Peru – e, ao menos por enquanto, só nos resta imaginar.

 

Autodescoberta é uma palavra que segue representando o percurso de Kat. Uma palavra que embasou todo o desenvolvimento de Kadena até aqui. Isso é excelente porque não há nada mais mágico que ver um casal da ficção se descobrir mutuamente. É onde se reforça as emoções. É onde se reforça o elo de confiança. É onde se vê a vulnerabilidade que se torna força em uma única constante que arremata as duas partes que cedem mais ao que sentem. Eis um shipper fácil de se apaixonar, não apenas pela reciprocidade, mas por elevá-las ao mesmo tempo. Edison entregou que tem coração e Adena pincelou esse coração até ver que havia espaço e entrou sem hesitar.

 

Kadena cresceu em um espaço de secreta admiração da parte de Kat e que conquistou seu maior reforço na amabilidade e na cordialidade de Adena. Uma soma que trouxe uma química que deu certo e que mostrou de novo que segue dando supercerto ao ser responsável pelo highlight deste episódio. Juntas, elas mostraram que se gostam. Se apreciam. Sem precisar dizer “eu te amo”.

 

Se há uma coisa que me mata é casal que diz que se ama do dia pra noite. Neste caso, o descobrir foi, e é, essencial para ambas. Para construir uma relação positiva, os dois lados precisam se conhecer e eliminar quaisquer reticências. Adena sempre foi a parte mais esclarecida, a parte que botou Kat em cheque incontáveis vezes. Como nesta premiere. Diante do que pareceu uma cobrança sem tato, se abriu para uma conversa relevante e que muitos casais da ficção não engatam. Não precisa ser necessariamente sobre sexo oral, mas sobre aquele nó, aquela pulguinha que traz insatisfação e insegurança, que tem o poder de trapacear o relacionamento. O nó que precisa ser desatado para que o casal siga o percurso de seu amadurecimento.

 

Kadena está no caminho certo. Quanto mais elas conversam sobre seus anseios, mais se fortalecem.

 

Muitos shippers não possuem essa troca porque o fervo de uni-los logo, antes mesmo de um 5º episódio, queima etapas essenciais de partilha ao se estar namorando. Kadena deu aula e mostrou, de novo, o quanto compartilhar é essencial. Principalmente quando uma das partes não está tão segura de si. Fato em reflexo de Kat que descobriu que “beijou uma garota e gostou” aos 25 anos.

 

Eu amo muito Kadena e isso me dá medo também. Por amá-las, sei que uma hora podem perder a mão. Sei também que terei que tomar muito cuidado ao falar delas já que sou heterossexual. Mas, do meu ponto de vista, é esse tipo de relacionamento que gostaria de ver mais vezes entre casais heterossexuais da ficção. Conversa, cumplicidade, sem pressa de dizer eu te amo. O mesmo vale para outras relações, como as inter-raciais, que ficam quase sempre sem profundidade.

 

Essa relação afirma que The Bold Type segue empenhada em criar um curso natural e orgânico entre seus casais, de maneira que ambos os lados evoluam junto com a história.

 

A S1 foi basicamente sobre Adena. Agora é a vez de Kat que, pelas promos, baterá de frente com tudo que os roteiristas falharam na S1. Como disse, vamos acreditar que tudo dará certo!

 

Não queria dizer nada sobre a cena final (já que não saberei me expressar), mas a cena final foi maravilhosa. Uma troca verdadeira. Sem cobranças. Há um vínculo tão bom, tão positivo e tão encantador em Kadena que me fogem as palavras. Elas contornam aquela infantilidade que muitos roteiristas ainda investem, como acentuar um anseio como crítica para rolar angry sex – ou, em minhas próprias palavras, um sexo vazio que contribuirá para mudar vários nada. Ambas são tão extremamente opostas, e ao mesmo tempo tão pertencentes uma a outra, que largam também sem a menor dificuldade a insegurança de que logo menos essa relação será testada de fora para dentro.

 

Kat é superextrovertida. Adena é superintrovertida. O que faz da pauta de superexposição também pertinente para essa relação. Ambas não precisam dos holofotes, já são um casal de respeito, mas é preciso mexer nessa dinâmica da mesma forma que fizeram com Sutton e Richard.

 

Sou fã da angústia, gente. Coisa fácil demais não me prende. Essa é a hora de trazer mais bagunça – e morro de pavor em dizer isso porque também prezo por intocabilidade no que está dando certo.

 

(e lembrando que Kadena tem prazo de 3 meses, já quero morrer!)

 

Concluindo

 

The Bold Type - Kat, Jane e Sutton

 

A reunião do conselho da Scarlet marcou o novo ciclo desta temporada de The Bold Type. Mesmo com tanta novidade, essa foi a real novidade, junto com o seminário de Richard, pois indicou novos tempos tanto para a revista quanto para quem colabora com ela. Não houve reformulação do impresso, mas do online que casou com o novo posto de Kat e a ausência de Jane. Tudo sempre muito sacadinho para criar a intersecção entre a tríade ao mesmo tempo que as separa por storyline.

 

Eu gostei muito desta premiere. Gostei muito dos conflitos e dos possíveis conflitos. Parece até arriscado os roteiristas mexerem nesse sonho de série, mas é preciso trazer algo de diferente da S1. Um frescor que se apresentou em forma de treta. Foi na pegada de centralizar conflitos que o retorno encontrou sua diferença e trouxe um tantinho de coisa a se refletir.

 

Ao contrário da felicidade do Piloto, aqui houve mais espaçamento de drama. Houve a quebra da harmonia e era necessária essa quebra (desde que não gere conflito na amizade da tríade). Detalhe que a premiere transmitiu com sucesso. Sem perder os seus debates furtivos no meio do caminho. Vale até dizer que este episódio contestou seu próprio título, pois, apesar da relação linda da tríade, o feminismo da parte de algumas pessoas (oi Mitzi) nem chegou a realmente existir.

 

Jane e Kat assinaram a deixa sobre conversação e transformação. Duas palavras que representaram este episódio. Vamos ver como esse combo se desenrolará visto que Sloan já tem treta para lidar.

 

Uma Jane que pode não ter sido o peão da trama, mas o texto fluiu com independência. Mostrando que não é só Sloan que pode ser o norte da semana, como as outras personagens também. É evidente a distribuição de atenção em TBT, o que configurou de novo a homogeneidade que os roteiristas querem alcançar toda semana. De maneira a ser justos com todas as atrizes em cena.

 

Por favor, peço apenas que continuem!

 

A premiere veio do jeitinho The Bold Type: simples, mas com muito propósito embutido. Foi muito bom rever minhas filhas, sério. Eu estou aqui toda emocionada e torço para que esse novo ciclo seja uma jornada e tanto para as meninas. E, claro, para quem curte a série também.

 

PS: quem é ABC Family perto da Freeform mesmo? Comentário random que a gente diz no calor do momento porque não dá para ficar puxando saco de emissora, fatos reais!

 

 

The Bold Type retorna oficialmente no dia 12, com dois episódios (incluindo este que resenhei). Na semana que vem, publico o 2×02 (até porque este não foi disponibilizado). Espero que tenham gostado da resenha! Sintam-se à vontade para comentar ou para me seguir lá no Twitter @HeyRandomGirl.

Stefs
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