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15/jun

Agora posso cortar oficialmente a fitinha sobre o retorno de The Bold Type. E que dia mais feliz este, não? Apesar de ter assistido a premiere com antecedência, me vi do mesmo jeito: inquieta demais para ver logo a continuação da saga de Jane, Kat e Sutton.

 

Assim como o episódio de retorno, este aqui veio com novas nuances que o distanciou das que foram vistas na 1ª temporada. Como o foco em aprofundar o background das personagens, o que, automaticamente, calha em desenvolvimento. Um detalhe prometido pela showrunner, bem como o debate sobre raça, cobrado no ano passado e entregue esta semana.

 

Um detalhe que, vale dizer, até Aisha pontuou com um “mais ou menos”. Amo um cast consciente!

 

Considerando que primeiros anos de série são extremamente incertos, ter agora o que importa na composição dessas personagens cai certamente como uma luva perfeita e extremamente necessária. Com dois anos de renovação, os produtores e os escritores de The Bold Type terão mais tempo para pensar em storylines que façam jus às suas protagonistas. De quebra, esticá-las um tanto mais para que o furtivo conquiste um tom mais encorpado para mexer com nossos feelings e assim nos conscientizar (em diferentes aspectos). Ao menos, é o que espero da parte de todo mundo e estarei apenas observando.

 

Como na resenha passada, seguirei dividindo o texto entre as personagens e está aí um ponto que não vejo mudança porque minha escrita fluiu melhor dessa maneira. Três mulheres norteiam conversas relevantes e, pelo visto, este ano de The Bold Type não me deixará ser sucinta em alguns pontos. Algo que me faz cogitar a publicação das resenhas apenas na quinta-feira.

 

Kat alias The Boss

 

The Bold Type - Kat

 

Novamente, essa lindinha abriu a trama e se responsabilizou em reunir as amigas. Juntas, elas tiraram as impressões sobre o episódio anterior e abriram para a rotina da semana. No que começou com Kadena, o papo logo se transformou em uma singela dor de cabeça não só para Kat, mas para todas. Sem direito a descanso no famigerado closet – e que dor no coração!

 

Sou grande fã de paralelos e ouvir a linha de diálogo de Kat, que marcou a S1 e o início Kadena, me arrancou um sorrisinho frouxo. Inclusive, me fez pensar que, com o fim do primeiro episódio, este seria um prolongamento do que ocorreu com o OTP. Mas… Só foi Edison chegar à Scarlet que sua narrativa mudou. Sua meta do dia foi escrever uma bio, ação simples, mas que a fez se questionar sobre si mesma. Um desconforto nítido que colocou em cheque até mesmo a noção que normalmente temos sobre nossa origem.

 

Tudo começou na famosa reunião de pitching de Jacqueline, que trouxe o tema de aliados. Sim, com ‘o’, fazendo referência aos homens que apoiam a causa das mulheres. Médicos, bombeiros… Alguns perfis de considerados bons homens com o intuito de mostrar que nem todos são ruins. Quando vi essa promo, soltei um gritinho porque eu mesma acredito que homens são aliados essenciais do feminismo. Eles precisam se desconstruir do machismo que os afeta também (e que nos mata).

 

Alex veio como o maior representante/aliado da pauta sobre raça, a premissa central do episódio. Desde a 1ª temporada, tal personagem se mostrou tão bom quanto Richard ao prestar esse papel. Ele nunca hesitou em agir como alicerce de Sutton, ao longo da transição dela para o Departamento de Moda, e é provável que muitos disseram que esse homem se comportou assim por sentir algo por ela.

 

Daí temos este episódio que provou que seu apoio às mulheres da Scarlet sempre foi genuína. Alex é um ótimo aliado e espero que nunca falhem com ele nesse quesito. É de seu feitio falar bem delas, como também bancar de grilo falante. Esse personagem não é aquele que empurra suas ideias porque é homem. Ele apenas argumenta e contra-argumenta quando está inserido na conversa ou pedem sua ajuda. Como os desdobramentos que trouxeram o debate sobre raça, que puxaram Kat.

 

E, pela Deusa, como fiquei contente disso ocorrer entre dois personagens negros.

 

The Bold Type - Kat e Alex

 

Kat e Alex renderam uma interação que confesso que me espantei, pois essa personagem nunca apareceu ligada a qualquer figura masculina na Scarlet. Ela sempre esteve com as amigas e isso, evidentemente, sempre lhe bastou. Ao contrário de Sutton e de Jane que tiveram a companhia de homens distintos, Edison só teve Adena, a única pessoa até então que a fez se questionar sobre alguns aspectos políticos. Como o papo de imigração, além do fato ameno dessa jovem ser sua própria espectadora e não quem vê e experiencia a vida.

 

Com o papo da bio/aliados, Kat e Alex pontuaram outro marco de mudança nesta S2: o intento de reunir todos os departamentos. Acho muito válido, pois dá para conhecer mais a dinâmica da revista. Muito além do trazido na S1 que se embasou na perspectiva de Jane. O que calha no mencionado aprofundamento, pois a Scarlet não é só Jacqueline. E, como vimos nesses dois episódios, tampouco sobre Jane.

 

Kat cabe nessa transição inicial, pois agora é a lady boss de social media. Com isso, ela precisa ter mais contato com o que é produzido ao longo da rotina da firma para replicar online. Sem Sloan, Edison tem dois episódios de crédito pela movimentação de trama e não tenho nada a fazer a não ser ceder ótimos elogios. Uma troca que funcionou perfeitamente por manter um ritmo ainda muito bem compassado e por engatar assuntos diferentes.

 

O que me faz pensar que cada personagem, meio que indiretamente, anda tendo sua temporada. A S1 foi moldada por Jane (junto com Jacqueline). A S2 começou sob a perspectiva de Kat. Se essa for a intenção, espero que a S3 seja pelos olhos de Sutton (muito embora tenha lido que conheceremos mais do background dessa personagem).

 

Voltando, Alex entrou como o incitador da pauta sobre raça. Aqui, ele apenas indicou o quanto é importante uma mulher negra dizer que foi a primeira a realizar alguma coisa. Viés que tirou Kat da sua zona de conforto racial, deixando o roteiro à mercê de suas inseguranças.

 

Inclusive, dos questionamentos sobre si e sua realidade. O que era para render aquela pausa para compreender o que ocorre, entremeada àquela discussão de si para si, Kat conflitou e conflitou ainda mais graças à presença dos pais. Presenças despretensiosas, visadas para conhecer Adena, que acabaram sugadas no relato de Edison sobre ter se estranhado com Alex.

 

Situação que poderia ter permanecido em suas amenidades visto que Kat não vê os pais com tanta frequência. Contudo, a questão de colocar ou não que é negra na bio abriu palco para os motivos que fizeram essa personagem não reconhecer o peso da sua negritude. Além disso, para Adena expor sua visão de si que nada tem a ver com um rótulo. Mas sim orgulho.

 

Resultado? Silêncio desconfortável!

 

The Bold Type - jantar Kat

 

São nessas pequenices que Kadena mostra a diferença. Adena fura a bolha de Kat com sutileza e suas experiências, que sempre inspiraram a namorada, a torna uma pessoa confiável nesse quesito. Honestamente, não haveria ninguém para assumir tal alicerce e foi por isso que Alex, a princípio, me pareceu fora do tom. Sendo que o tom veio de dois personagens negros e seus espaços de fala.

 

Adena foi tão bem posicionada em The Bold Type, sendo transparente sobre suas crenças e seus valores políticos. Ela é sim indesculpável, até mesmo quando perdeu a esperança nas vezes em que os EUA e seu problema de imigração não a trataram bem. Com bio ou sem bio, essa personagem nunca deixou suas convicções se partirem e está aí um exemplo positivo para Kat.

 

Positividade exposta no desdobramento sobre raça. Adena deixa qualquer situação meio impossível de não refletir porque, tudo que vem dela, visa um tipo de desconstrução. E a desconstrução proposta veio por meio do que considerei uma analogia: rótulos.

 

E é onde focarei mais porque não posso conversar sobre ser negra – pois sou branca.

 

O papo de rótulo se saiu como uma sacada muito boa para falarmos de privilégios. O roteiro permitiu que se olhasse tanto pelos olhos de Kat quanto pelos olhos de Adena e se notasse as diferenças. Kat acha que botar um “negra” na bio é rótulo enquanto Adena defendeu o “muçulmana” como uma afirmação a se orgulhar.

 

Viés que, inclusive, ricocheteou na mãe de Kat que é branca. Uma mulher que teve uma fala imprescindível para fechar esse debate.

 

No primeiro momento, eu entendi o ponto de vista de Kat sobre rótulo. Por que colocar que você é uma mulher negra quando isso é evidente? Por quais motivos Adena tem que expor que é muçulmana, artista e lésbica em sua bio no Twitter quando são fatos que ela publicamente não esconde? Questionamentos que se respondem no fato de que Edison não compreendeu o ponto de Alex. Com isso, mostrou não ter noção de que, infelizmente, muita mulher negra precisa se autoafirmar. Muita mulher negra precisa escrever em todo canto que foi uma mulher negra quem fez tal projeto, tal matéria e assim por diante.

 

Mas por quais motivos? Não sou uma mulher negra para entrar nesse assunto, mas posso dar exemplos. Muitos de vocês conhecem o #MeToo. Uma campanha que foi pensada há anos por uma mulher negra e que se tornou, por ironias do destino, fala de mulher branca. Do feminismo branco. Tarana Burke é a mulher negra em questão, que lidera sua ONG até com outra tag.

 

Uma tag que a mídia não atualiza. Afinal, causas ficam melhores na capa de revista quando temos um grupo de mulheres brancas. Para mais detalhes, recomendo os livros da Bell Hooks.

 

Ilustrando um tanto mais: eu não preciso colocar na minha bio que sou uma mulher branca e jornalista. Eu sou privilegiada já por ser branca. Não sou oprimida por raça e não batalho o mesmo tanto que uma mulher negra para ter espaço de trabalho/carreira consolidada.

 

Traduzindo: eu não preciso me autoafirmar em mundo que já sorri para mim devido ao meu tom de pele.

 

Adena achou necessário transparecer suas nuances nas redes sociais visto que ela é outro exemplo que precisa se autoafirmar por também pertencer a uma minoria. Minoria essa que, nos EUA, entra automaticamente no rótulo de terrorista. Bastou usar o hijab e, ah, pronto, o que abre para outro fato de que essa personagem precisa garantir toda vez que é boa gente.

 

Assim, essa “falta de necessidade” de se apresentar em raça é apenas um privilégio que pertence a quem é branco.

 

The Bold Type - pais Kat

 

Comentários que conflitam um bocado com a mãe de Kat e que endossa a afirmação de Alex sobre racismo internalizado. Branco não é alvo de racismo, mas essa mulher o sentiu indiretamente por ter uma filha negra. Todo o preconceito, não narrado com mais detalhes neste episódio, repousou em Edison. Outro ponto que ela desconhece e, penso eu, só há o pai “a quem culpar”.

 

Afinal, esse senhor se mostrou muito distante da sua negritude, embora tenha morado em um bairro segregador. Em algum momento, ele apenas achou correto sombrear a criação de Kat, algo a se pensar visto que Marcus não me pareceu muito alinhado com sua família.

 

Quadro que entrega também o fato de que Kat não conviveu com a parte negra da família. Toda sua noção de mundo veio da mãe e só agora a realidade a abateu em cheio. E isso é só o início dessa trajetória!

 

Como disse, a mãe de Kat caiu no pressuposto de rótulos. Ela se viu, ao longo do crescimento da filha, na batalha de não ser apenas a mãe branca que tem uma criança negra. Ainda assim, meio que deu a entender também que empurrar o privilégio branco protegeria Kat.

 

E protegeu demais como vimos na S1. O que dá luz ao fato de que privilégios não possuem o mesmo quilo dos rótulos, que traduzo como estereótipos também, que as minorias ainda precisam engolir. Que as minorias precisam quebrar para mostrar que são mais que suas origens.

 

Mães costumam ter um elo maior de proximidade com os filhos, especialmente com meninas. Em poucos minutos, deu para sentir que a Sra. Edison é um tanto mais próxima que o Sr. Edison na vida de Kat. Por conta disso, foi fácil constatar que essa personagem foi criada dentro do privilégio branco, algo que comentei lá nos textos sobre a 1ª temporada de The Bold Type.

 

Na S1, Kat chegou a se gabar de ter dinheiro e das carreiras bem-sucedidas dos pais. Belíssimo! Cenas breves, mas que foram o bastante para escancarar ainda mais sua posição privilegiada, que acabou abalada neste episódio. Por ter pais bem-sucedidos, Edison não sentiu, ao menos foi o que a série sinalizou, o peso real do racismo (e dá para imaginar que sua criação foi estelar e entre brancos). Como aconteceu na treta com o policial para defender Adena e, no fim, se safar graças à Jacqueline.

 

A mulher mais poderosa que Kat tem interação pertinente. Uma mulher branca, o que destaca o fato de que ela nem tem interação direta com uma personagem negra (que está faltando, hein?). Apenas Alex e foi algo recente. Pensado para que o roteiro trabalhasse tanto raça quanto a questão de homens ser aliados das mulheres.

 

O racismo foi a primeira coisa que Kat pensou ao ser questionada por Alex. Sendo que a questão real foi representatividade. Foi essa mensagem que o colega transmitiu para uma Edison que não aceitou muito bem o comentário. Meramente porque sua vida foi moldada em privilégios, em frases sobre o interior ser mais importante – e ele foi genial ao pontuar que ela não é negra só por fora.

 

Fato que também endossa que Kat tem seu trabalho político dentro do feminismo branco – e suas melhores amigas são brancas. Ela claramente não tem noção do feminismo negro. O que, com certeza, poderá  ser desenvolvido visto que Adena foi sábia demais em dizer que não há problema algum em revelar quem você é. Em aceitar suas origens. O importante é se sentir bem, independentemente se você é ou não a primeira mulher negra a assumir posto de liderança em uma revista que tem um conselho mumificado por homens brancos e conservadores.

 

The Bold Type - Kadena

 

Colocar na bio que você é a primeira mulher negra em cargo de liderança não deixa de ser um ato político. Algo que Kat não enxergou de início porque estava ocupada demais rebatendo a tese dos rótulos. Uma nuvem que acabou dissipada com a visão de Adena sobre o assunto.

 

Nessas horas que vejo o quão importante é a criação de Adena. Ela é, assim, essencial demais. Seu ativismo faz meu coração parar e, neste episódio, rendeu a mesma sensação. Essa jovem é o norte que empurra Kat a pensar de maneira diferente. Como mencionei, a sair da zona de conforto. Essa personagem é superaberta, tem uma bagagem política de respeito, efetivamente a melhor aliada que Kat poderia ter.

 

Bem como na 1ª temporada, Adena assumiu a roda de conversa. Sem receios. Sem grosserias. Como todas as conversas nesse sentido deveriam ser.

 

Kat é negra, mas não acha que dizer que é negra soa sensato porque, bem, bastam olhá-la. Para ela, raça é um rótulo, cuja intenção é colocar as pessoas em caixas – o tema desta temporada. Conclusão que veio da sua experiência em ter que marcar nos questionários da vida se era branca ou negra. Além disso, pela tendência inspirada pelo seu pai de ver eventos, tanto do passado quanto do presente, positivamente. De ver o mundo como um lugar satisfatório, o que reafirmou o “rose colored glasses” que traz esse sentido e até reforça a repetição de valorizar nosso interior.

 

Para sua versão muito mais jovem, escolher entre branca ou negra era o mesmo que ter que escolher um dos pais, o que a fez crescer em neutralidade sobre raça. Neutralidade que a confrontou, especialmente ao chamá-los para uma segunda conversa. O papo de esclarecimento que culminou no que essa personagem mais precisa agora: desconstruir.

 

Penso que, no fim, Kat precisava ver que, além de ser negra, possui um papel importantíssimo nessa comunidade. Ela tem um poder em suas mãos, que acabou não reconhecido graças aos privilégios, cujo resultado pode ser inspiração para outras meninas negras que acreditam desde muito cedo que não irão tão longe. Justamente por serem negras.

 

Alex foi apenas o agente provocador e tudo que disse a Kat nesse sentido também fez certo jus. Por isso que o pretexto da bio não deixou de ter seu teor político. No modo furtivo de The Bold Type.

 

Kat pode não ter ido tão fundo no raciocínio sobre privilégio e racismo, e temos muito chão pela frente, mas ela entregou essa compreensão no final do episódio. Por enquanto, a personagem entendeu a importância da sua representatividade. Ela é inspiração justamente por ser a primeira mulher negra a ocupar cargo de liderança na Scarlet. Pode ser uma autoafirmação, mas não é um rótulo.

 

Pela constante da dúvida de marcar se era branca ou negra, Kat confessou que marcava que era negra. No fundo, nunca houve um confronto, mas conformismo graças à sua criação.

 

O pai foi o responsável pela frase que Kat repetiu algumas vezes: o que importa está dentro de nós. É verdade, mas, infelizmente, há pessoas que não fizeram essa aula e causam discórdia pelo prazer. Principalmente quando envolve as minorias.

 

Esse papo foi relevante de várias maneiras. Principalmente no questionamento moral do episódio, que transitou no plano de fundo, sobre quem você é e o que quer inspirar. Kat subiu por mérito. Jacqueline a reconhece como um dos braços essenciais da sua revista e lhe deu mais autoridade por confiança. No contexto deste episódio, a questão de raça intentou apenas abrir para a representatividade em meio a um veículo de comunicação que é extremamente branco.

 

Kat não queria se “prestar a esse papel” por se considerar esclarecida sobre quem ela é, mas, como mulher negra, ela não enxergou sua real relevância. A relevância da mulher negra. É verdade que a sociedade pede que ela se afirme e se reafirme. Aos olhos de alguns, ainda é impossível uma negra ser mais que um estereótipo (da cor do pecado?). E essa jovem é uma quebra e trouxe uma nova quebra ao chegar ao topo por seu talento.

 

Kat Edison é aquela rachadura bem bonita no teto do patriarcado e do privilégio branco. Sem sombra de dúvidas!

 

O debate sobre ser negra serviu para se conversar sobre privilégios que Edison possui e que a série ainda não partiu ao meio para engatar reais dificuldades para essa personagem. Mesmo assim, aqui temos um ótimo início para essa pauta que tem tudo para nos ensinar sobre a mulher negra em suas dimensões. Quero acreditar!

 

Por essas e outras que representatividade é importante e The Bold Type mostrou novamente que há compromisso em debater determinados pontos que compõem o tempo atual que a série roda e o que cabe às protagonistas. Pode não ser só pelo viés político furtivo, mas para mudar algo em nós.

 

O que se aprende com essa nova camada da storyline de Kat é que devemos escolher a melhor forma de delinear nossa própria bio. Ato que se faz ao nos conhecer e reconhecer nossa realidade. Afinal, é nossa expressão ao mundo e essa expressão é nosso propósito.

 

Ninguém precisa se autoafirmar o tempo todo, essa é a verdade. Mas, ao longo deste episódio, veio o lembrete do quanto é fácil dizer que o que importa é o que está dentro. É algo que acredito e vivo dizendo, sem medo de ser feliz. Porém, a realidade é outra para muitas pessoas. Sem contar as circunstâncias que tendem a diminuir o amor-próprio.

 

Uma realidade que não quer que se ame isolada e mutuamente. Uma realidade que se esforça demais para questionar até como respiramos. Somos expostos, todo santo dia, a adversidades e é como reagimos a elas que criamos/fazemos a diferença.

 

Chegou a hora de Kat se desconstruir e perceber que sua voz será muito mais impactante entre meninas e mulheres negras. Agora, ela percebeu que sua existência tem um core mais profundo e reivindicar esse core soa como um propósito. Abençoado seja!

 

PS: a título de informação, rótulos por raça existem. Eu só refleti dentro do meu alcance, dando uma generalizada, já que não tenho um conhecimento mais aprofundado sobre esse viés (que seria melhor explicado por uma mana negra).

 

Sutton alias Red

 

The Bold Type - Sutton e Oliver

 

Mitzi quase ficou invisível neste episódio. Quase, pois suas cutucadas afirmaram que o slut-shaming seguiu vivíssimo. E que dor de cabeça amigos. Essa pessoa podia apenas parar!

 

Mais um dia de trabalho e Sutton faz o que nunca fez ao longo da sua ainda recente carreira no Departamento de Moda: se questionar. A palavra que moldou este episódio de The Bold Type, amarrando as distantes Kat e Jane e seus respectivos conflitos.

 

Dessa vez, vimos o impacto dos comentários de Mitzi e o quanto o comportamento de Sutton mudou. Ao ponto de chamar a atenção de um Oliver que pode não gostar de photoshoot, mas gosta da sua Red.

 

Toda a mudança no comportamento de Sutton fez completo sentido. Quem é que nunca mudou no ambiente de trabalho em função de algum acontecimento? Mais precisamente, negativo as fuck? Ou por que achava que seria demitido (oi Jane e sua matéria de esfoliação de bumbum)? Meio mundo, o que fez dessa circunstância muito relacionável. Tudo bem que para mim foi em outro aspecto, mas, assim como milhões de mulheres, já senti o soco que é o slut-shaming.

 

Quando você escuta burburinhos sobre si, independentemente de ser verdade ou não, algo em nós estala e berra por proteção. Aqui, batemos de novo na quina da reputação e Sutton bem tentou se distanciar de qualquer brecha que a colocasse de volta ao cerne dos comentários negativos. Comentários esses que a empurraram para longe de Richard e de qualquer trabalho com Alex. Contudo, ela tem seu talento nato, que se sobrepôs à meta de “um dia para passar despercebida”. Afinal, a reunião de pitching de Jacqueline exigiu seu posicionamento no Departamento de Moda. De quebra, fincou o fato de que essa jovem se tornou as duas mãos do seu chefinho.

 

Oliver entrou em cena como outro agente provocador de conflito. Sem querer, ele fez Sutton se sentir culpada por ser a pessoa que interage bem com qualquer humano, inclusive com homens. Embaraçada por ter que lidar com o grupo da sessão de fotos sozinha sendo que seu intento não era dar mais isca para Mitzi aplicar sua sabotagem verbal. Como comentei na resenha passada, ela gosta de se relacionar com homens. Nunca demonstrou receio nesse aspecto. O comportamento de ser escondido apenas passou adiante pelo tempo que ficou com Richard. Ela não é reprimida sexualmente, mas acabou oprimida graças ao slut-shaming by Mitzi.

 

Esse é o poder do slut-shaming. Esmagar a liberdade sexual da mulher. Torná-la uma piada ou meramente uma mulher-objeto que atrai homens e vive para “caçá-los”. Nenhuma mulher cabe nesses rótulos, pois, assim como os homens, somos seres sexuais e ponto final.

 

No caso de Sutton, ela entra no rótulo da dita mulher que vence na vida só porque dormiu com um homem acima do seu cargo. Mitzi fez soar que sua colega de trabalho tem essa “teia de sedução”, que nada mais é o sexo propriamente dito, o que a faz conquistar os melhores trabalhos do Departamento de Moda. Por Sutton “gostar de homens”, é evidente que todo seu atual portfólio existe porque dormiu com cada um deles. Alguém tira essa jovem da sala, por favor?

 

The Bold Type - Sutton

 

Com apenas uma frase, vinda de Oliver, Sutton patinou em incertezas que não existem. Mitzi entrou na sua mente e a bagunçou completamente. Ao ponto de se descaracterizar para calar a nova leva de fofocas, justificada como inveja da sua posição de lidar com os homens da sala. Sendo que inveja não é uma emoção saudável.

 

Sutton se viu no redemoinho que não precisava lidar por ter muita certeza do que faz. Ela batalhou para ter aquele cargo. Foi conquista de mérito. Mas Mitzi a fez se autoquestionar e questionar o que faz e o que a torna boa aos olhos da sua chefia. Injustamente, essa personagem chegou rapidamente no fundo do poço profissional ao acreditar, muito brevemente, que só é escolhida pelo seu dito appeal com os homens.

 

Nisso, trouxeram Jacqueline para apaziguar Sutton. Embora ainda estejamos no início de The Bold Type, a presença da editora-chefe entre Kat e Sutton tem sido ótima. Uma das vantagens de Jane ter saído de cena porque todo mundo merece um instante sábio dessa mulher!

 

Jacqueline disse que não se pode deixar que nosso brilho padeça em função ao que ocorre no expediente e a alguma pessoa sem noção. Desde o início, Sutton não tem vergonha de fazer sexo e falar sobre sexo, o que claramente não é muito cômodo para Mitzi. Figura que preferiu oprimir a ver que a mulher também tem liberdade de dormir com quem ela quiser. No fim, cabe a cada uma mensurar o efeito disso.

 

Como Sutton fez, tardiamente, sobre namorar às escondidas. Ainda assim, ela é esclarecida. Por ser bem esclarecida, ainda mais no aspecto sexual, ela é uma ameaça para mulheres que não são desconstruídas. Mulheres que ainda acreditam que é culpa da mulher o fato do macho ter traído a namorada.

 

Por ter autoridade sobre seu corpo e sobre seu gosto por sexo, Mitzi claramente vive para tirar a autonomia de Sutton pelo pressuposto de que a colega é uma ameaça por dormir com os homens da firma a fim de conseguir os melhores trabalhos. De novo, cabe a cada mulher o que ela faz dentro e fora do expediente. Desde que não faça mal a ninguém, segue liberado.

 

O slut-shaming acabou norteando um novo resultado e aplaudi de pé. Competição é uma palavra recorrente em qualquer âmbito da vida. Só que essa mesma competição tem a tendência de nunca ser saudável. Principalmente para/entre mulheres em ambiente corporativo. Principalmente da parte dos homens que não promovem essa competição de forma justa. Sutton mandou uma mensagem lindíssima, referindo-se à competitividade saudável. Aquela por talento, não pela quantidade de homens que uma dormiu (algo que, hoje, deveria influenciar em vários nada).

 

Agora, fica o questionamento: será que Mitzi abaixará a bola ou seguirá baixa?

 

Jane alias Tiny Jane

 

The Bold Type - Jane

 

Jane compareceu ao evento de o “dia mais puxado da vida” sem ter Jacqueline a quem contar. Senti falta de uma nova interação entre ambas, ao ponto de ter esperado uma ligação de apoio, mas me iludi. Um distanciamento compreensível visto que as duas não atuam mais no mesmo job.

 

Victoria quase me convenceu de que é uma boa chefe ao mostrar o plano de contingência sobre o resultado da matéria super, master, blaster editada de Jane. Deu para acreditar no seu comportamento um tanto positivo, mas, como esperado, as coisas desandaram. O cúmulo foi fazer Sloan mudar as vestimentas para representar a Incite como se deve na TV. Essa senhora não tem vergonha! Sério, eu martelei minha testa no teclado, pois não pode ser (na real, pode ser sim!).

 

Gente, foca aqui: um emprego que te força a mudar não é um bom emprego.

 

Neste episódio, Jane vivenciou algo próximo ao caso da stripper, que serviu de referência ao BO de Emma, mas não com a mesma intensidade e a mesma cobrança. Como disse na resenha da season premiere, a personagem está sozinha. Tem que dar conta do recado. Não há mais amigas acessíveis e nem Jacqueline para dar um tapinha no ombro. Nem muito menos uma pré-aprovação de suas matérias. Considerando o que aconteceu no seu passado, com o quase processo, era de se imaginar que Sloan cederia às indicações de Victoria. Mas, a própria excedeu seu discurso e acabou demitida.

 

A própria questão de Jane ter valores demais e esses valores causam turbulência. Principalmente para quem é jornalista e que quer partir para o Jornalismo Ativista. Algo que não é fácil e a Incite mostrou que parecia ser fácil, já que não passa de uma projeção do site Vice.

 

É desmotivador você reconhecer que tem voz para algo e não conseguir se fazer ouvir onde trabalha. Às vezes, eu mesma sinto que não sou levada a sério e é aí que agradeço este site. Criado unicamente porque o Jornalismo não me dava espaço para eu ser Stefs Lima.

 

Apesar de eu não me reconhecer mais como jornalista, me encaixei de novo nesses sapatinhos de Jane. Todos os dias eu tenho treta de valor e de propósito, dois itens que meu emprego atual contesta, o que me deixa para baixo. Na frustração é quando me torno vocal demais e soo apenas como a Stefs para esboçar minhas insatisfações. É tenso você querer mudar até alguns processos, visando certas melhorias, de onde trabalha sendo que não rolará.

 

The Bold Type - indie Jane

 

Jane seguiu o roteiro de Victoria, mas não era ela ali. Vê-la em frente às câmeras de televisão me fez lembrar do painel de vozes emergentes, que rolou na 1ª temporada. Lá, ela teve uma frase que acabou impactando tudo. Aqui, a mesma coisa, escrutinando o sensacionalismo com vigor.

 

Tenho muito orgulho da minha filha Jane Sloan porque eu acho que teria chorado nessa circunstância. Ninguém teve o talento de me botar em frente às câmeras de TV na faculdade e não será hoje que isso acontecerá. Mas nunca mesmo me prestaria a esse papel, real e oficial.

 

Valores no Jornalismo são sempre contestáveis. Grandes veículos não os possuem, como a Incite tem mais ou menos direcionado. O site diz que promove conversas, mas conversas nem um pouco saudáveis já que não perde tempo em rebaixar as pessoas. Algo que Jane nunca concordou e se indignou ao acompanhar o feedback da sua matéria, que deixou de ser sua por ter se distanciado do viés da sua pauta. Algo que não é inédito. Muito jornalista passou/passa por isso.

 

O que resta? Sorrir e acenar. Ou brigar, estando consciente de que rolará demissão.

 

Ouvi muito ao longo da faculdade que jornalistas chegam a vender suas almas pelo crédito. Ou para entrar em grandes veículos. O que resulta na descaracterização e no distanciamento de crenças e de valores. Foi aí que meu interesse na profissão morreu porque vi que não teria chance.

 

Nessas horas, dou amém por ter me afastado porque eu não conseguiria ser essa pessoa fake e fast-food. Algo que me faz bem e Jane me ajudou a visualizar tal ponto. A Stefs de 2012, formadíssima, não seria uma pessoa muito legal se embarcasse em uma redação – ainda mais se fosse consagrada. Quando trabalhei em uma redação de revista, houve pautas que realmente expressaram seu significado, mas, para eu chegar até aqui, com mais de dez páginas de resenha de novo, eu tive que amadurecer.

 

Se ainda fosse do meu interesse, diria que agora estaria pronta para ser jornalista. Conseguiria defender meus valores porque agora sim eu sei quais eles são. Além disso, agora eu sei o tom da minha voz. E, com certeza, afundaria como Jane, pois ninguém quer um jornalista politicamente correto e sensato.

 

E quando se tem essa de mudar o mundo por meio da escrita, jornalismo imparcial de emoção não existe. Ativismo é amor e um site como a Incite tinha que promover o cuidado e não caça ao buzz.

 

O argumento de Jane em rede internacional cabe muito para o tempo que vivemos. Pelas hard news, muitos não se empenham em ler várias fontes antes de colocar um comentário degradante. Hard news dão logo o que todo mundo quer e impede que as pessoas busquem por outras fontes. “Impedem” porque, muitas vezes, é questão de preguiça. Se você é apegado a um veículo, por quais motivos você quererá ir atrás de outro? A Globo está aí não é mesmo?

 

E, honestamente, uma parte dessas pessoas não tem culpa porque ver a Globo é o único meio de informação que elas possuem. Em contrapartida, outras têm a plena capacidade de escolher conteúdos mais relevantes, que mudem suas perspectivas, mas estão ocupadas demais comentando aleatoriamente como um maldito troll de internet. Vão lavar louça!

 

Sutilmente, Jane não deixou de ser Jane Sloan. Ela criticou o erro de se ler apenas um ponto de vista. Ela criticou o fato de ser sempre mais fácil sermos maldosos que empáticos. Ela criticou esse sensacionalismo mequetrefe que desumaniza os envolvidos.

 

Em meio ao caos de Kat e de Sutton, Jane mandou de novo a importância de você ser você mesma, especialmente no mundo corporativo. Provavelmente, Victoria arrancou seu coração mais pelo fato de ter tirado o doce. No caso, a promessa de que ela poderia ser ela mesma, algo que foi levado até o último minuto como seu argumento defensivo.

 

A verdade é que, dependendo de onde você vai no Jornalismo, sua voz é calada. Há suas exceções, mas essas exceções normalmente não dão o retorno monetário que você precisa ou satisfação. Pelo sonho de ser jornalista, muitos não pensam no que estão aniquilando no processo. E Jane se manteve fiel a quem é, uma batalha um tanto difícil de vencer nessa área.

 

Gente, foca aqui: se o emprego que te força a mudar não é bom, imagina aquele que te aniquila no processo? Que tenta descaracterizar quem você é como pessoa? Sai daí que é cilada, tá?

 

Jane saiu por livre e espontânea pressão. Porém, com seus valores intactos. Pela promo do próximo episódio, o desemprego não fará nada bem a ela. Será que posso imaginar a chance dessa lindinha ter um blog? Seria sucesso!

 

Highlights

 

The Bold Type - Jacqueline

 

Vamos para as menções honrosas! A começar pela nova she-E-O da Scarlet. Bem, a princípio, achei a ideia sensacional. Ainda mais com Richard seguindo como o aliado essencial de Jacqueline e fazendo sua própria campanha. Mas sério que contrataram uma mulher parecida fisicamente com Jacqueline? Branca e loira? Não podia ser alguém inventado lá de dentro da própria revista?

 

Jacqueline mostrou um descontentamento que ficou nas reticências. O que dá aquela mexida na sua imagem de sempre empoderar as mulheres e de impulsioná-las para cima. Lá na resenha da season premiere, disse que sororidade é uma constante e que pode caber até para quem a gente não gosta por motivos de silenciar antes de tacar a nhaca no ventilador. Em outras palavras, não engajar com o negativismo da mulher ou em torno da mulher. Essa personagem terminou o episódio sacudindo minhas anteninhas e queria pensar que seu singelo desconforto vem pelos motivos que citei acima. Por favor, tinha que ser porque The Bold Type precisa de mais diversidade!

 

E, honestamente, não senti uma good vibe nessa moça. Fiquei igual a Jacqueline, não nego.

 

Uma cena que merece um holofote foi da tríade dançando no bar. Uma cena que mostrou Sutton muito bem, obrigada, depois de mandar uma mensagem incrível para Mitzi. Ela foi lá e chamou os caras da sessão de fotos para beber. Um comportamento que, inserido ao slut-shaming, é dito de “garotas que não se dão ao respeito”. Esse momento passou muito rápido, mas teve sua significância. Girls and boys se divertindo entre si com respeito. Houve apreciação, especialmente da parte de Ben que se encantou, mas em nenhum momento desrespeitou o espaço.

 

Um instante de união entre as garotas que há sim como homens ficarem na deles, curtirem o mesmo ambiente, sem tratar, em nome do machismo, cenas como essa como motivo de “caça”.

 

Outro highlight importantíssimo vem da storyline que constou o slut-shaming. Passando quase despercebido, lá estava Sutton defendendo os homens escolhidos para a sessão de fotos. Na real, ela defendia seus corpos, enaltecendo seus trabalhos sob o motto “pessoas com trabalhos importantes”.

 

Eu tenho que dizer que isso foi genial, além de igualmente necessário.

 

Apesar de eu sempre comentar sobre a importância de melhores caracterizações para personagens femininas, o mesmo vale para os homens. Eu sou feminista, mas eu aceito homens como aliados na causa. Além disso, tenho a noção de que colocar fotos deles sem camisa na timeline é objetificação. Um comportamento que, uma vez descoberto, passei a me vigiar mais para não ocorrer.

 

Mas esse é meu ponto de vista e é por isso que me relacionei tanto com esse pitching de Jacqueline, em todos os seus âmbitos. Inclusive, com Sutton chamando a atenção de Jane sutilmente sobre o quanto também é errado sair objetificando os homens. Assim como é nocivo para meninas jovens ver mulheres hiperssexualizadas, o mesmo se aplica a meninos jovens que competem com essas imagens. Algo que é muito difícil de ser comentado por aí e aqui está minha deixa.

 

Lição da semana: cultive o que te faz especial

 

The Bold Type - Kat, Sutton e Jane

 

Vale dizer que os primeiros minutinhos deste episódio abriram delicadamente a porta sobre a pauta relacionamento, que teve suas pinceladas sutis inclusas nesse dia caótico, cheio de imersão sobre quem cada uma das personagens representa em seus respectivos papéis – a real conversa.

 

Uma conversa que entregou uma indagação que foi constante ao longo da primeira temporada: quem você é o que quer transmitir? Jane, Kat e Sutton poderiam ser largadas na comodidade das suas escolhas anteriores, mas, como abordei neste texto, a sociedade nos faz questionar tudo e todos. Mais duramente quem somos, obviamente. Podemos ter tudo esclarecido, mas sempre virá algum baque para nos empurrar até a zona de Pandora. Uma vez lá, com sorte refletiremos sobre a vontade de ainda seguirmos o caminho fiéis a quem somos ou se vamos permitir que nos enfiem em uma caixa.

 

Esta semana, ganhamos uma luz sobre nosso posicionamento no mundo. Na verdade, como realmente nos vemos. Sutton poderia ter aceitado o bullying de Mitzi e seguido com suas mudanças estranhas de comportamento, mas tomou um novo sopro e voltou a sambar. Kat poderia não ligar sobre ser a primeira mulher negra com posto de liderança na Scarlet, mas viu o quanto essa conquista é importante e pode ser verdadeiramente inspiradora para quem lê a revista. Jane poderia ter sido menos Jane Sloan para defender um veículo que não a respeitou desde o dia 1, mas escolheu seu próprio slogan ao ser verdadeira sobre um aspecto cruel do jornalismo.

 

Não me custa repetir: é como reagimos às adversidades que descobrimos mais sobre quem somos. Inclusive, reafirmamos quem queremos ser. Jane, Sutton e Kat mostraram de novo quem é que manda na narrativa. Uma narrativa que deixou garantido que o foco é elevar as mulheres.

 

Não devemos mesmo deixar que aniquilem o que nos torna especial. Um desafio diário, pois não importa onde e como você esteja, sempre haverá algo e alguém para contestar, especialmente quem você é. Porque, como Jane disse, é muito mais rápido ser cruel a correr atrás de conhecer a realidade do outro. É mais fácil tachar todo mundo de ruim em vez de reconhecer uma dobra de erro. Se uma mulher está ok com sua sexualidade, que tal ouvi-la em vez de tentar botá-la para baixo? Fica a dica de hoje!

 

Em quase duas horas de premiere, essas mulheres pareciam discrepantes e distantes demais para amarrar dois finais que encerraram com repetitiva perfeição. The Bold Type entrou muito bem em seu 2º ano e mostrou nessa dobradinha de sisterhood mais arcos com debates mais relevantes. Principalmente este episódio que entregou um roteiro afiadíssimo, muito seguro no que queria nos contar. Inclusive, interessado em fechar as lacunas e assim desenvolver suas personagens.

 

Mal posso esperar para o próximo episódio! Body image é comigo mesmo.

Stefs
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