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22/jun

Eu estava empolgadíssima para ver este episódio de The Bold Type por motivos da mensagem. Porém, me vi abatida por uma sensação negativa no decorrer dos dias conseguintes em que postei a resenha do 2º capítulo desta temporada, pois Body Positivity não é uma pauta simples de ser desdobrada. Afinal, não se trata de uma hashtag e nem de uma simples campanha de social media. Trata-se de um movimento que, ao menos do meu ponto de vista, está atrelado ao feminismo.

 

Por eu ter essa carga de envolvimento com o tema, especificamente com imagem corporal, me vi tensa com a premissa que se desdobraria neste episódio. Eu temia (e ainda temo) que The Bold Type me decepcionaria profundamente (e finalmente).

 

Para quem não sabe, esse é o assunto que move parte do meu ativismo e foi inspirado nela que criei o Contra as Feras. Falar de corpo meio que pede uma atenção maior da minha parte e eu vi a trama da semana mais criticamente. Não tinha como evitar!

 

Body Positivity cede, mais precisamente às manas gordas que saíram à frente desse movimento, um espaço de fala que, vira e mexe, as manas magras se apropriam e o inserem, em grande maioria, no seu mundo fitness. Uma vez inserido nesse contexto de “no pain, no gain” rumo ao “corpo perfeito”, se fortalece ainda mais a ditadura da magreza, por exemplo. Frequentemente, se vê várias blogueiras desse ramo usando #bodypositive como tag, o que passa a sensação de inspiração. E não é! Não quando elas são patrocinadas pelos impulsionadores de dietas que dão mais pungência à cultura da dieta. Não quando elas repercutem o discurso de que há um só corpo e que ele é o ideal.

 

Por essas e outras que tenho certeza de que algumas blogueiras fitness nem sabem o que body positive significa e o traduz ao pé da letra. É desrespeitoso sim para não falar outra coisa.

 

O movimento Body Positivity, também chamado de fat acceptance movement, quer desconstruir a visão das pessoas quanto ao corpo gordo – como o fato de que eles não são saudáveis, algo que Cleo soltou neste episódio e fiquei de testa quente. Parece segmentado, mas o intuito geral é celebrar todos os corpos, algo que The Bold Type fez com as mulheres que tinha em cena. Em contrapartida, os corpos a serem celebrados nesse movimento são os marginalizados pela mídia e a série não os destacou. Mesmo tendo Kat e Adena em cena – o que não ajudaria em muita coisa porque ambas são magras.

 

Pelo movimento centralizar os corpos excluídos, a meta é unir forças para diluir e redefinir o padrão de beleza normativo – o corpo magro e branco. E The Bold Type não trouxe essa reflexão, permanecendo na zona segura de falar sobre aceitar as falhas, como estrias, que acabam sendo apagadas no Photoshop. Não é ruim, pois não deixa de ser uma iniciativa muito bacana e necessária. Em contrapartida, não inspira a visão de quem é oprimido pelo “tamanho do seu manequim”.

 

Male, male, houve um sutil pecar nessa de repetir “todos os corpos” e “mulheres reais” ao longo deste episódio porque eu não vi “todos os corpos”, embora as mulheres fossem reais. Fato que criou certo atrito na positividade do roteiro quanto a esse viés. Por mais que a mensagem estivesse ali, tentando se transformar em algo positivo, detalhe que meio que falharam também porque considerei algumas frases meio prontas, não conseguiram contornar o foco no padrão, ou seja, no corpo magro.

 

E, vamos ser honestos: Jane, Sutton e Kat nunca deixaram transparecer alguma insatisfação no corpo que a Deusa lhes deu. Dessa forma, é muito fácil dizer “sou body positive” quando você já ama o que tem. Quem está de fora tem suas próprias dificuldades quanto à imagem corporal e elas não se sanam unicamente com a mensagem de “aceite suas falhas”. O que traz uma necessidade de aprofundamento porque é preciso pensar em quem está do outro lado – e daí entramos na representatividade.

 

Por quais motivos digo isso? The Bold Type se usou do que vem deslegitimando o movimento: o corpo branco como norma. Indiretamente, entregaram o magro como inspiração de “corpos positivos” e de “aceite suas falhas”. Fiquei sim aborrecida e pode ser porque eu tinha expectativas altíssimas quanto a este episódio. Tess Holliday passou rapidamente, nem sequer estrelou na sessão de fotos (e pode ter sido uma escolha dela) e a matéria da Scarlet foi trampolim para Jacqueline voltar a escrever. Não houve senso furtivamente mais político nessa premissa, o que me fez concluir que, apesar da propaganda, o foco real da semana foi a storyline de Jane.

 

Meio que o assunto body positive se perdeu, sendo que a promoção deste episódio foi em cima desse tema. Do nada, esse foco teve sua importância derretida e isso me fez lembrar da campanha do câncer de mama. Houve um apelo emocional da parte de Jane, que vivenciou essa dificuldade, o que trouxe mais realismo ao tema. Sloan conflitou a todo o momento com a indelicadeza de Kat em ficar preocupada com o Instagram censurando mamilo, mas ainda sim se arrematou a importância do autocuidado. Neste caso aqui, seria muito mais legal ter outras mulheres para discutir sobre seu corpo e as ditas falhas que não são seus pontos de valorização – um viés que explico mais lá embaixo.

 

Por eu ver tudo mais criticamente, muito além da beleza da mensagem, a proposta não me convenceu. Contudo, se eu tirar esse olhar extremamente crítico, confesso que a intenção foi boa e positiva. Mesmo que muito breve.

 

The Bold Type 2x03 - matéria Scarlet

 

Apesar da proposta ser muito boa e muito necessária hoje em dia, algumas vozes poderiam ser roubadas no processo. E isso meio que aconteceu. Quando soube que Tess faria uma pontinha, me tranquilizei um pouco porque ela é uma ativista forte no movimento Body Positivity, mas a mesma nem teve espaço de fala neste episódio. Nem outra mana gorda. Eu esperava uma participação muito maior visto que ela é mais influente que a tríade da série quanto a essa pauta. Esperava mais voz, uma sutil discussão que fosse, mas…

 

Sendo bem dura: o trio não tinha que figurar a sessão de fotos. Todas são magras, o que cai por terra todo o propósito do body positive.

 

Dizer isso calha muito no “magras também sofrem”. Sim, meninas e mulheres magras sofrem. Porém, não o mesmo tanto que uma mana gorda (gordofobia soa familiar?). Uma mana gorda na sessão de fotos, por exemplo, chamaria mais atenção para a causa. Mas…

 

Daí, eu apresento minha confusão. A nova edição da revista, no desenrolar deste episódio, trouxe uma matéria mostrando o real viés do body positive (ao menos foi o que deu a entender). Por que não seguiram essa linha? Daria real protagonismo!

 

Assim como o privilégio branco, existe o privilégio magro. Quem é magro não é oprimido socialmente. Conforme body positive “se torna” mais da mulher magra e branca, como o #MeToo, o movimento se desconfigura de seu cerne. O que começa com um grupo marginalizado acaba apropriado. Ato que tira o foco de quem realmente precisa ser ouvido e, acreditem em mim, as minorias estão exaustas de serem furtadas.

 

Eu tentei diminuir minha preocupação, sentar para ver o episódio em um modo mais maleável, porque o motto essencial desta série, desde o início, é a furtividade. Nada de político é realmente aprofundado por aqui e todas minhas explicações acima serviram exclusivamente para que vocês compreendessem porque houve uma singela insatisfação da minha parte. Não é a meta de The Bold Type aprofundar os temas mais políticos, como bem tentei fazer, mas sim pincelar, cutucar a redoma, para que, no fim de tudo, seja transmitida uma moral positiva. Algo que segue procedendo nesse universo e mantenho minhas ressalvas animadoras.

 

The Bold Type não me decepcionou profundamente justamente porque lembrei da sua furtividade. Não é seu papel entregar tudo mastigado quando podemos pegar as pautas abordadas e estudá-las.

 

O CEO da Freeform explicou a real pegada de The Bold Type e penso que é importante nos lembrarmos disso. O intuito da série não é trazer o ativismo em seu core, mas em seu contorno. A série cutuca para fazer pensar por meio de suas personagens e tem dado muito certo desde então. Esse mundo se usa de assuntos atuais para moldar o seu dia, mas sem intento de chegar ao caroço.

 

E fizeram isso com body positive e, nesse quesito, eu fiquei feliz sim. Tinha tudo para dar errado, gente. Não deu, de forma que caíram na mensagem sobre valorizar a si mesma. Sem cunho político. Sem textão verbal. Além disso, foi um toque para que nos amemos mais e para nos lembrar que a tríade se ama e precisava dessa partilha.

 

Mesmo consciente desses fatores, este episódio não ativou minha conexão. Porém, não quer dizer que não tenha sido bom. Mesmo o mais fraco ainda é bom em The Bold Type e eis outro exemplo. Este veio mais na timidez, com um toque mais cotidiano perto dos dois anteriores, mas funcionou de maneira igualmente única.

 

O roteiro estava alinhadíssimo tão quanto às personagens que mostraram que o foco central deste episódio recaiu em novas transições. O body positive só estava ali para justamente criar alterações dentro da Scarlet e, fora dessa bolha, se viu a necessidade de reorganizar o contexto já que duas manas estão meio que de fora da dinâmica Sutton-Kat. No caso, Jane e Adena, as desempregadas. O intento mesmo foi engatar essas alterações para que a temporada continue fresquinha, interessante e compassada. Para isso, foi preciso minimizar o tom político e de certa forma funcionou. Todas as personagens conversaram entre si e fizeram algo de relevante.

 

Agora, vamos falar um pouquinho de cada mana de The Bold Type.

 

Sutton alias Red

 

The Bold Type 2x03 - Sutton

 

Essa foi a personagem destaque da semana e, finalmente, a vimos trabalhar em paz, sem grandes preocupações quanto aos possíveis comentários by Mitzi (e Mitzi estava um anjo, confere?). Novamente, a lindinha ganhou a oportunidade de mostrar seu talento, mas, claro, essa mesma paz foi perturbada. Graças à busca de um fotógrafo, houve um estranhamento entre Kat e ela.

 

Um momento em que comecei uma oração para essa treta não descambar para o lado errado.

 

Conversa vai, conversa vem, e Adena acabou inserida no contexto Scarlet. De modo a mostrar que Nikohl é regular nessa série e não pode ficar de fora. Nada como fazerem isso sem soar abrupto, embora Kat tenha sido abrupta ao tentar convencer Sutton de que sua namorada precisava daquele job mais que todo mundo. Justamente por ser o único meio de manter a jovem fotógrafa no país.

 

O que tinha que rolar no modo político furtivo nesse núcleo acabou perdendo o foco devido à dificuldade de Sutton em compreender os motivos dos quais Kat quis tanto empurrar Adena para o job do dia. O sentido da nova edição da Scarlet teve sua força, que nem chegou a engrandecer, suprimida para mostrar que, às vezes, amigas, amigas, negócios à parte. Mesmo que formem esse coven lindo, profissionalmente elas não podem se ajudar a todo o momento. A revista não lhes pertence. É apenas o ganha pão. Qualquer indicação, por mais boa que soe, pode render em queima filme. Assim, Red apenas quis assegurar o seu já que estar onde está não veio com facilidade.

 

Algumas vezes, a gente precisa soar meio egoísta. E Kat e Sutton foram, até certo ponto, egoístas à sua própria maneira. Uma querendo salvar/proteger o que amam no momento. Desde que não seja tóxico, tudo bem. Faz parte!

 

Esse conflito fez deste episódio uma reflexão corporativa visto que seus impasses tomaram a trama por inteiro. Sutton deixou muito claro porque se opunha à contratação de Adena, independentemente de conhecer seu talento. A maneira como ela se posicionou foi formidável por ter expressado o famoso “o meu na reta”. Atitude que escancarou o real problema de indicação que, às vezes, não pode ser um favor dado à sua melhor amiga. A modista de The Bold Type agiu dentro do correto, pois, além de fugir da ideia de Oliver para a sessão de foto, ela poderia perder o emprego no processo. Bom que deu tudo certo no final.

 

Com a união de Kat e de Sutton vs. Adena, cenas intensas vieram à tona e curti à beça. Sutton verbalizou seu comprometimento com o trabalho e entregou um amor franco sempre lindo de se ver. A personagem trouxe realismo ao seu conflito assim que deixou transparecer o tom resistente de quem ama o que faz e que protegerá o que faz com unhas e dentes. De uma vibe ruim, essa jovem deu uma pirueta e entrou imbatível esta semana. Literalmente, parece que Red ouviu o conselho de Jacqueline. Amém!

 

The Bold Type 2x03 - Kat e Sutton

 

Claro que o posicionamento relutante de Sutton atrairia o lado mais intenso, e tão quanto relutante, de Kat. E foi aí que temi por essa amizade pelo tempo de duração dessa cena. Edison sempre foi muito esbaforida. Nunca hesitou em empurrar portas para conquistar o que almeja ou para solucionar um problema. Ela não raciocina sob pressão e essa postura define quase totalmente sua personalidade.

 

Vide os altos e baixos com Adena vs. a imigração. Kat vai em frente sem espiar por cima do ombro, o que a aproxima, claro, das melhores amigas.

 

O trio é aquele que persegue o que almeja e se extravasa em emoções no processo. Porém, penso que Kat extrapola sem nem ao menos pensar nas consequências enquanto Jane e Sutton são puro overthinking (e Sutton tem mais atitude em comparação à Jane em alguns momentos).

 

Sempre achei Kat muito calorosa na hora de expressar o que quer e as coisas tendem a ficar mais intensas quando ela se vê consternada várias vezes seguidas. É aí que ela dá com os dois pés no peito e insiste. Se não der, insiste mais vezes para ter certeza de que não há chance. A personagem tem uma entonação diferente de Jane e de Sutton, que são um tanto mais apaziguadoras. Edison é pura energia e, na hora do confronto, há fogo intenso e é preciso zelar pelas faíscas.

 

Pela tríade abraçar tanto quem são e o que querem, o espaço de conflito entre elas sempre será gigante e o resultado contará com enormes chances de ser devastador. Daquele jeito em que a amiga fica muda por dias e não estou aqui para prestar esse papel.

 

A última coisa que eu quero é ver essa amizade fragmentar por motivos idiotas. Daqueles que têm solução de pronto, mas os roteiristas escolhem estender a angústia por motivo de vários nada. Ver Sutton e Kat sendo maduras sobre Adena foi um deleite.

 

A situação, de início, magoou as duas? Claro que sim, estava na face delas, mas esse é o mundo corporativo. Mais precisamente, o mundo da moda que preza por nomes populares para divulgação de qualquer coisa.

 

Vimos na temporada passada uma Kat que nunca abaixou a cabeça para provar um ponto. Ela passava por cima e a mãozinha na xícara de chá nem tremia. Lá, tal posicionamento poderia não ser considerado irritante porque os intentos de Edison vinham do desejo de perturbar o conselho mumificado (e, confesso, estou com saudade desses shades). Neste episódio, seu comportamento foi sim um tanto violador, mas, depressa, a moça abaixou a bola. Uma nesga de amadurecimento bem válida.

 

Ela realmente aceitou que poderia não haver possibilidade de Adena ser a fotógrafa escolhida. Em outro momento, penso que Kat teria pisado no acelerador. Não sei se ela abordaria Jacqueline visto que é Oliver quem comanda tal Departamento, mas acredito que, se o mesmo calor expressado por essa personagem na temporada passada estivesse presente, teríamos duas manas de cara uma com a outra.

 

Apesar das burocracias em torno de indicações, amigas cedem uma pela outra. Mesmo correndo o risco de perder a cabeça. Eu mesma não conseguiria ignorar que Adena vive um impasse sério tão quanto o fato de que ela precisava desse job mais que a indicação de Oliver. Eu tentaria inseri-la, não nego, esperando não me lascar no processo.

 

The Bold Type 2x03 - Sutton e Adena

 

Embora Sutton fosse intermediadora do body positive, tudo se tratou de amizade – mais precisamente do conflito de dois braços da tríade. Este foi o primeiro episódio que colocou duas das protagonistas em ponto de combate. No bico de sinuca, pois Adena é namorada de uma delas. Tudo poderia acontecer, mas, juntas, essas personagens decidiram ser honestas em suas opiniões.

 

O que vimos a partir daí foi a evolução desse núcleo. De quebra, a aproximação de Adena com uma das manas que compõe a tríade.

 

E, se não bastasse, o lembrete de que o prazo de validade Kadena começou a rodar oficialmente. Será que posso sofrer a dor da partida, sem saber se haverá uma partida?

 

Esse atrito foi interessante de acompanhar porque deu chance a Sutton de sair do papel de apaziguadora para mostrar mais liderança. De sair do papel de sempre solícita que acata a primeira ideia de pronto. Ela estava mais firme, matutando mais, e gostei de vê-la dessa maneira. Às vezes, é preciso. Oliver a ama, valoriza seu trabalho, mas, como todo chefe, espera receber o que foi pedido no final do dia. A personagem pode ter conquistado a responsabilidade da sessão de fotos, mas não quer dizer que mande no Departamento de Moda. Um dia a veremos nessa posição, com certeza, mas não é agora. Demonstrar respeito por quem lhe paga o salário foi de suma pertinência.

 

Outro ponto interessante dessa treta Kat vs. Sutton calhou de ser sobre relacionamento. Foi quando a situação se tornou sufocadora e, de novo, esperei comportamentos que não seriam solucionados de pronto. Adena tem uma elegância, né? Fico passada como ela escolhe sair pela tangente, sendo sensata, sem pedir por conflito.

 

Embora Adena tenha sido inserida nesse contexto com independência, nada anula o fato de que ela virou, mesmo que indiretamente, um plus nessa dinâmica (o que disfarça a verdade de que eu mesma ficaria possessa se ela fosse homem e interviesse com malice para cima dos meus anjos). Não rebaixo a personagem, me respeitem, mas, usando This is Us de base, Jane, Sutton e Kat são os Jedi com o sabre de luz. As pessoas com quem elas se relacionam serão incapazes de atingir esse patamar, o que traz a redoma de que ninguém quebra a irmandade. Nada fica entre elas e espero que siga assim.

 

Por essas e outras que sou contra triângulo amoroso. Normalmente, são duas melhores amigas atrás do mesmo cara e a história é toda pessimamente construída (porque precisam enaltecer o fulaninho). Não é legal. Não é interessante. Você rebaixa duas personagens por um dude que, normalmente, não vale um golpe – e capaz que seja tóxico e abusivo.

 

Foi sensacional ver Adena ter consciência de que é esse plus e, de quebra, afirmar que não quer ser um entrave nessa dinâmica. Ela aceita estar presente, mas jamais ser a causa que as fariam parar de se falar. Como quase rolou com Sutton e Kat, e ela testemunhou e corrigiu com sensatez. O que preencheu ainda mais este episódio de maturidade e agradeço pelo mimo.

 

Inclusive, do quanto deixaram Adena em um mesmo patamar. O discurso de Sutton foi dolorido de se ouvir sim, mas, em ambas as partes, elas escolheram ser melhores. Escolheram estar acima da adversidade.

 

Sutton liderou muito bem este episódio e mostrou de novo que é boa no que faz, tem bom olhar e responsabilidade. Ela quase perdeu a cabeça, mas encontrou seu cerne antes que fosse tarde e deu abertura para Adena. Penso que não deveria haver tanta tensão para cima dela e de Kat, já que menina Red assumiu uma sessão de fotos por conta própria na temporada passada, o que a coloca como calejada nesse aspecto. Só que os eventos atuais foram um tanto diferentes.

 

Ela ganhou a missão diretamente de Oliver e isso foi o suficiente para que desejasse dobrar a meta. Inclusive, atender uma expectativa. E ela foi lá e simplesmente superou essa expectativa.

 

The Bold Type 2x03 - sessão de fotos

 

Nisso, entramos na sessão de fotos (de novo sim!). Como disse na abertura desta resenha, não fiquei tão contente em ver o trio sendo fotografado em uma edição da Scarlet com um tema que tem sua veia política. Não adianta fingir que não. Como disse também, achei lindíssimo o momento dessas manas, ressaltando suas “falhas” e se mostrando orgulhosas delas. Deram o exemplo nesse quesito, mas não me envolvi. Eu esperava mais diversidade.

 

Eu esperava uma discussão como rolou na pauta do câncer de mama.

 

Aqui em meu canto, posso escolher a medida eficaz, porém, errônea: Sutton não teve tempo para pensar em diversidade na sessão de fotos. A ideia de alterar a proposta de Oliver veio de uma hora para a outra. Porém, a vozinha maligna murmura que, no episódio passado, escalaram os homens aliados. Por que não fizeram o mesmo para realmente mostrar “corpos reais” neste?

 

Eu poderia me conformar aí, mas a campanha de Kat acabou sendo inspirada também em falta de diversidade. Considerando o episódio passado, eu esperava o início da mudança de posicionamento dessa personagem. Especialmente porque ela sempre bateu de frente com o conselho.

 

Um conselho que posso dar toda a culpa pela falta da real abordagem sobre Body Positivity nessa edição da Scarlet. Com esse ponto de vista, até esqueço o que escrevi na abertura desta resenha porque, na temporada passada, Jacqueline tentou fazer desse veículo mais político e o pedido acabou declinado. Nesta, temos Cleo que deixou suas intenções bem claras quanto às futuras pautas da revista. Soma que dá sentido para a minimização de um tema tão importante.

 

Que deixa claro que a pegada era para ser artificial mesmo.

 

Como também mencionei no início desta resenha, Cleo vê #bodypositive da perspectiva de ser magra. E que ser magra é sinal de ser saudável. Uma amarração aqui junto ao verdadeiro sentido do movimento acarretaria um estrondo tremendo, sem dúvidas. Mas, ganhamos o retorno de Jacqueline ao mundo da escrita, um ato defensivo que enfatizou que tais temas estão longe de morrer da revista. Da sua revista.

 

Dentro do contexto de The Bold Type, havia mais contras que prós para essa pauta ser tratada como se deve. Ainda assim, ficou o vácuo. Percebeu-se os deslizes. A revista pode não ser política, mas o roteiro desta semana trouxe um assunto que é político, demais, justamente em uma época em que se discute bastante a falta de diversidade na mídia. Perderam a chance de dar o exemplo, muito embora eu siga deveras consciente de que a intenção não foi ruim. Entregaram o que propuseram dentro das burocracias que compõem este universo. E esse ponto de vista está correto. E foi um instante empoderador.

 

Mas seguirei defendendo que faltou diversidade. Que faltou, principalmente, confrontar a visão de Cleo para assim mandar a real sobre a influência de um movimento que quer a aceitação de todos os tipos de corpo e que as pessoas fiquem de bem com sua imagem corporal. Esse assunto não é apenas sobre cicatrizes e assim por diante – embora seja igualmente relevante para gerar conversas dentro da tag #bodypositive.

 

Tudo acabou sendo sobre imperfeições, o que também é válido, mas eu capturei o ruído. Levantar a conversa sobre essa pauta foi importante, mas penso que faltou um tanto mais de comprometimento. Independentemente de The Bold Type ser a série que não aprofunda seu faro político. Pela milésima vez, vi uma pauta pertinente ser mais artifício de trama e isso não é legal.

 

E, sinceramente, não sei que exata conclusão chegar porque amo essa série. Amo tudo que ela me proporciona. Mas a real é que precisamos ter esse olhar mais crítico. Atitude que não diminuirá o valor que um conteúdo tem para nós. De fato, ajuda a melhorá-lo, como ocorreu com a storyline de Kat na semana passada (e que veio à tona porque reclamaram).

 

Jane alias Tiny Jane

 

The Bold Type 2x03 - Jane

 

O desemprego deu oportunidade de vermos uma nova camada de Jane atrelada a já conhecida mania de pensar demais. No caso, sua extrema organização mais a pressa/sede de ter a vida nos conformes. Não ter um job para ir desestruturou uma garota que vê no job a solução dos seus problemas. O que não deixa de ser, claro, mas, no caso dela, tê-lo é o mesmo que estar em ordem.

 

E me identifico com isso. Anos de desemprego botaram em teste essa minha firula de que a vida só funciona quando se tem um emprego fixo. Sendo que você pode preencher esse espaço com outras coisas, independentemente de trazer pouco ou nenhum retorno financeiro.

 

Mesmo com a mudança de cenário, houve continuidade do seu conflito e só tenho a agradecer aos envolvidos. Tudo porque achei que este episódio a levaria de volta à Scarlet e não foi nada disso que aconteceu. Um favor que fizeram a Jane, não vou mentir.

 

Muito além da negativa de Jacqueline, a trama também fez o favor de ressaltar que essa jovem é muito boa no que faz. Eis uma serumaninha completamente apaixonada por sua profissão e que tem vigor para lutar por ela. Bem, desde que sua atuação expresse relevância e a faça ser verdadeira.

 

Na busca por uma nova oportunidade profissional, as negativas de Jane se deram pelo nó que rolou na Incite e não pelo seu talento. E isso, amigos, eu achei tão excelente quanto Sutton mudar a perspectiva do photoshoot – tudo em nome da pessoalidade que The Bold Type sempre traz em seus episódios. Afinal, costumeiramente, jornalistas na ficção são chutados por não serem boas/bons e migram para um job totalmente nada a ver com o anterior. Assim, se questionam ao mesmo tempo que tentam provar seu valor.

 

Isso ocorre, por exemplo, com o furo de reportagem ou a investigação de algo.

 

O que me faz discutir muito brevemente os estereótipos de jornalistas na ficção. O cenário é esse (mais ou menos) e uso POV feminino:

 

❤ Boas jornalistas são corrompidas ou mortas ou estão desempregadas ou descobrem uma forma de escrever um best-seller. Elas nunca estão na editoria ou no veículo que almejam e, às vezes, se humilham para ter o sonho realizado. Exemplos que têm sim sua verossimilhança, mas, na ficção, parece que só existe esses tipos de caracterização que estão saturados. Além disso, não trazem profundidade e não são tão inspiradores (porque embutem glamorização da profissão algo que The Bold Type tem evitado);

 

❤ Já as ruins, que chamo de abutres, agem no sensacionalismo barato e ganham biscoito. Sem contar o maior tempo de tela sendo que a maneira como exercem a profissão é desnecessária.

 

Jane não se encontra em nenhum desses estereótipos. Depois de 84 anos, eu posso dizer com propriedade que tenho uma personagem que me representa. Aquela que me identifico de cabo a rabo e que tem me feito pensar muito sobre minha formação e o que fazer com ela.

 

Vale lembrar que sempre me chamei de a renegada do jornalismo e parece que Jane Sloan quer brincar com o que estava trancado no tártaro. Não estou pronta para lidar com meu barraco!

 

Para uma mulher de 32 anos se identificar com uma personagem de 25 é muita coisa. Parece que finalmente venci na vida! Há muita verdade nessa storyline de Jane, pela Deusa! Só queria agradecer aos envolvidos por fugirem dos tropes prontos e das soluções práticas que não mostram que o ser jornalista também tem muitas facetas e vieses.

 

The Bold Type 2x03 - Jane

 

Como a reputação, o ponto que manteve Jane desempregada. Uma vez que se tornou meme, automaticamente ela perdeu sua credibilidade. Não importa quantos textos freelas ela entregará – e desejo sorte para a princesinha –, seu valor passou a ser medido pelo ocorrido na Incite (queria detalhes!).

 

Jane tem vivenciado desde o início desta temporada o que é real. O que é verossimilhante a muitas pessoas que são jornalistas ou querem ser. Desde o início, imaginei que sua saída da Scarlet teria uma solução simples e fiquei feliz por ver que essa angústia vai longe. Nada, especialmente nessa carreira, encontra um tipo de salvação do dia para a noite. A gente sofre demais!

 

Dentre tantas partes positivas dessa storyline, reforço o fato de que a personagem nunca ouviu que é ruim no que faz e isso é extremamente necessário para quem está no início. Qualquer coisinha pode matar o espírito da coisa e eu sou uma prova viva disso. Eu tive uma editora maravilhosa, mas, no fim, quem pesou foi a personificação da Victoria. A mesma que encerrou minha saga em um estágio porque pedi demissão e a mesma que encerrou precocemente esse arco de Jane.

 

No mundo de ficção, que ainda se apoia em editores-chefes que destroem seus jornalistas e vice-versa, aqui temos um exemplo de ótima representatividade quando conversamos sobre essa profissão. Não apenas um, como dois. Nem toda jornalista passa por dificuldades financeiras. Nem todas são sensacionalistas. Nem todas as chefes de redação são amargas e querem repassar essa amargura. Nem todas as chefes de redação realmente se recusam a ajudar as estagiárias.

 

Algumas são apenas Jane Sloan. Algumas são apenas Jacqueline Carlyle. Dois exemplos que The Bold Type me presenteou e fico sempre muito emocionada de acompanhá-las toda semana. Porque elas são exemplos positivos e inspiram algo verdadeiro.

 

Muitas de nós quer ser ouvida por meio do que acreditamos ser nossa vocação. Contar com apoio em uma trajetória difícil e agonizante. Ter um emprego fixo digno, o que não é fácil, ainda mais com o mundo freela. Ainda mais com essa de que todo mundo é jornalista por saber escrever e não é nada disso.

 

Ainda mais quando QI existe e ouvi demais sobre isso na faculdade.

 

Em uma área que sobrevive a base de mesquinharia, de narcotização e de sensacionalismo de vexação, há Janes e Jacquelines perdidas por aí e elas não possuem suas histórias retratadas. Eu tive sorte de encontrar algumas Jacquelines enquanto formava minha voz em um ramo que não sorriu para mim. Eu sempre fui a Jane, buscando significado e relevância, e fui encontrando isso conforme comecei a fazer as coisas para mim e por mim. Como disse na resenha passada, agora eu poderia pensar no “ser jornalista”.

 

Eu nunca fui atrás do crédito. Nunca quis “morrer” para ter assinatura em uma matéria. Não é à toa que a maioria dos meus trabalhos foi feito em site de colaboração porque eu amo essa energia. Há mais liberdade de criar em um lugarzinho desses e admito que ando sentindo muita falta.

 

The Bold Type 2x03 - Jane e Ben

 

Jane precisa passar por todo esse processo de perda. De dúvidas. De iminente escuridão. Ela precisa amadurecer por meio disso. Não era preciso Jacqueline pontuar tal fato, mas é relevante para o contexto da série ver a editora-chefe agir como uma figura materna para sua ex-colaboradora. Embora pareça muito consciente da própria voz, a personagem ainda tem que penar bastante. Não conquistar as coisas facilmente é um ótimo começo.

 

Jornalismo não é fácil, embora a ficção mostre também que basta obter uma relação ok com a editora-chefe, como Miranda e Andrea em O Diabo Veste Prada, para você se tornar um foguete. Queria que fosse assim tão fácil porque eu já seria uma galáxia (mentira que passei da fase de mulher espeta mulher).

 

O jornalista abutre é o que dá “vida” ao jornalismo. Uma vida em cima do vazio, da dor alheia e assim por diante. Eu não sou essa pessoa. Jane não é essa pessoa. Nem Jacqueline é essa pessoa. É indignante ver que ainda há quem tope prestar esse trabalho que não passa de um belo desserviço.

 

Jane vive a realidade de ser boa, mas ninguém a quer. Não agora. Acontece. Eu mesma queria entrar na série e dizer a ela que os próximos dias serão difíceis. Os próximos meses também. Que não adianta ter pressa porque o que é nosso sempre vem. Por essas e outras que ainda seguirei firme na crença de que essa criança deveria ter um blog. Já que é para ela viver essa falha, nada como construir algo em cima dessa neura. O que é difícil porque precisamos trabalhar.

 

Digo por mim: este site nasceu de uma época difícil. Quando eu queria trancar o curso porque não me identificava em nada com ele.

 

Essa trajetória de Jane segue interessante pela quantidade de contras. Não há pró e não houve pró da parte de Jacqueline. A conversa entre as duas foi breve, mas delineou o episódio, sendo a cena-chave. Um novo ponto de virada para a personagem que não trabalhará com as amigas tão cedo.

 

The Bold Type ensinou que não segue percurso esperado e eu esperei que Jane retornasse à Scarlet em um piscar de olhos. Reflexo de anos habituada a escrita ruim em que há pressa em solucionar os subplots. Nesse caso, era preciso apertar o cinto e não assentar o drama rapidamente. Até porque se essa serumaninha retornasse, seria a mesma coisa. O que não seria interessante, penso eu.

 

É ótimo ver que Jane ainda tem chance de penar demais. Como disse na premiere, ela ainda tem uma ingenuidade intrínseca diante do Jornalismo. E tudo bem. É importante ela ter valor e crença. Preservá-las para não terminar como uma abutre. Mas, por mais que não queiramos, ainda mudamos, nem que seja um pouco, para nos encaixarmos e termos o salário do mês.

 

Mas, vale lembrar: não mude sua personalidade em nome do trabalho. Nem por ninguém. Nem se você quer ser jornalista. Você encontrará seu próprio meio de ser bem-sucedida.

 

Com sorte, Jane fará o mesmo.

 

The Bold Type 2x03 - Jane e Jacqueline

 

O que tem rolado com Jane é muito diferente do qual estou acostumada na retratação de uma jornalista na ficção. Eu fico extasiada toda semana. Normalmente, jornalista quer puxar o tapete da boss, da estagiária, etc. Normalmente, jornalista é submetida ao misógino comentário do teste de sofá. Normalmente, jornalista é ofuscada pelo homem que faz pouco caso dela em uma redação sexista. Há mais, muito mais, mas essa personagem trouxe outra face. Mais palpável, com mais nuances, longe da glamorização da profissão – algo que ocorre demais, especialmente nos filmes.

 

Jornalismo é uma área cruel, como tantas outras, e não passa a flanela na testa. O trabalho é tão escasso quanto em publicidade. Tudo bem que me refiro mais ao Brasil neste parágrafo, mas, lá fora, não é muito diferente. O sensacionalismo existe em qualquer lugar e coloca o tempo inteiro os valores desses profissionais em cheque. Alguns se perdem no caminho. Outros percebem que não é aquilo e são esses que sofrem um tanto mais.

 

Sempre ouvi que o Jornalismo é ferramenta de mudança universal. Lembro-me do primeiro dia de aula, em que havia esperança nos olhos dos meus colegas. Até que essa frase se tornou fonte de sarcasmo. Até para mim.

 

Na sala de aula é lindo. Do lado de fora é totalmente diferente. Há uma linha tênue, a mesma que Jane tenta saltar a todo custo, que nos separa do que realmente queremos. Um pensamento que vale para todos os âmbitos da vida e que nos desafia todo dia a saltá-la para assim alcançarmos o que queremos. Essa tênue cimenta caminhos e só é quebrada depois que compreendemos o próprio ciclo e traduzimos as angústias pessoais e profissionais.

 

Jane precisa desse processo. Ela precisa amadurecer. Ela já é boa. Além disso, tem consciência do seu papel – mas será mesmo? A personagem quer mostrar serviço depressa, algo que me assemelho também porque eu fui essa pessoa. Eu deixei o desemprego me comer viva em 2016. Ainda assim é preciso continuar fazendo o seu e Sloan precisa se encontrar na bifurcação.

 

É interessante como The Bold Type escolheu trabalhar a angústia profissional de Jane. Geralmente, não é isso o que ocorre. Muitas séries escolhem o caminho mais fácil. Principalmente como forma de garantir a dinâmica já existente na história. Neste caso, é a do trio, que não está tão comprometida. Na verdade, anda rendendo muitas cenas externas, o que tem dado mais da personalidade dessas meninas. E isso tem sido excelente, pois assim as constroem mais.

 

Queria sair sem falar de Ben, mas não tem como. Que moço fofo! Desacreditei daquela dancinha, gente, e eu não pude deixar de pensar em Sutton sobre a calça cáqui. Parece que virou uma referência para todos os homens de bem dessa série – e gosto de dizer isso com confiança porque os personagens ainda não decepcionaram. Eu sou muito a favor do amor e espero que construam bem esse relacionamento (e daí Ryan volta semana que vem e eu sou Team Ryan).

 

Highlights

 

The Bold Type 2x03 - Adena

 

Da mesma forma que não houve tanta pegada política furtiva, o mesmo vale para os pontos altos da semana. Então, aproveitarei o momento para falar do quanto Jane e Adena são parecidas. Ambas amarraram o tema desemprego, o que serviu de palco para a expressão individual de cada uma.

 

Quando possuem uma oportunidade, ambas não hesitam e fazem de tudo para mostrar seu valor. Elas sabem que são boas e querem mostrar o quão boas são. Às vezes, as duas atropelam todo o resto, como Adena bem fez com Sutton. E, a princípio, não achei tão desrespeitador porque artista quer mostrar outros pontos de vista – e penso que o estresse da situação não ornou muito porque as duas começaram a se cortar e não foi bom.

 

Jane e Adena querem aparecer como verdadeiramente são. Querem dar conta. Querem se aprofundar no que fazem. O desemprego é o peso de ambas as partes e, de novo, me identifico. Principalmente em frustração porque não é todo lugar que permite nossa voz real ecoar.

 

Ambas na Scarlet foi como uma epifania. Elas possuem valores muito parecidos quanto ao trabalho que realizam, mas, pela necessidade, caem onde tem oportunidade. Claro que com Jane o peso é outro, mas essa personagem procurou Jacqueline para ter o emprego de volta no intuito de ter a segurança retomada. Como se só assim seu mundo fosse se ajustar. Já Adena procura por conta própria, corre um tanto mais e não tem padrinhos mágicos, porque a imigração pode enxotá-la. Salvo dessa vez porque Kat deu uma força básica.

 

Dos dois lados da moeda, há a verdade: nenhuma dessas profissões são fáceis.

 

O reconhecimento de Adena da sua pisada de bola é o que a torna mais diferente de Jane que repete o mesmo argumento para justificar seus erros e acertos. Adena é o claro reflexo de quem calejou demais em sua profissão e, por já ter seus problemas de visto nos EUA, se provar para assim ter um emprego e para assim se manter no país a deixou esbaforida. E tudo bem.

 

Eu gosto tanto da maneira dócil e sensata com que Adena lida com tudo. Especialmente pra clarificar Kat. Apesar de estar no antro da Scarlet, a personagem estava à vontade. Estava disposta. Estava contente com a oportunidade. Foi gostoso demais revisitar seu trabalho, relembrar das suas motivações que rebateram com a ideia de fotografar joias em doces de outro jeito. Do seu jeito. Com sua visão. O que não é errado, claro, mas ela precisava seguir o guide de Oliver.

 

Adena pode ter ficado muito no fundo, mas tem seu próprio jeito de tornar uma situação um canal para seu constante amadurecimento. Da defensiva mulher do piloto, aqui vimos uma mais confortável. Mais confiante. Mais aberta. O que casou com uma Sutton que, assim como ela, é movida por essa paixão naquilo que são destinadas a fazer. Assim como Jane, que não parou até conseguir nem que fosse uma ligação para entrevista.

 

Essas são as mulheres de The Bold Type. Apaixonadas. Destemidas. O que me faz trazer Jacqueline que teve grande tempo de tela e eu amei. Amo todas as personagens, mas o que sinto por essa mulher em específico foge do meu controle. Eu-só-queria-Jacqueline-as-minha-mentora-sério!

 

The Bold Type 2x03 - Jacqueline

 

Quando li que Jacqueline se reconectaria com a escrita, apostei todo meu dinheiro. Mal esperava para ver! A troca com Sutton, que a inspirou nesse retorno, foi tão preciosa que vomitei arco-íris. Porém, vou dar um pouquinho mais de peso sobre sua atitude diante de Cleo.

 

A maneira como Jacqueline se impôs remeteu demais à atitude de Sutton com Mitzi na semana passada. Não sei se posso dizer isso, mas podemos pensar sobre competição positiva. A editora-chefe não quer assumir o conselho, mas também não quer que a mulher que atualmente o assume descaracterize o que tanto lutou para construir. Como definir que tipo de mulher é ideal para estampar a revista. O que a Scarlet é agora vem do reflexo da editora-chefe, uma briga vista na temporada passada.

 

Para garantir que isso não saia do controle, Jacqueline voltou a escrever. É sua marcação de território. E isso é lindo. Sutil. Elegante. Sem atritos. Como deve ser.

 

Cleo segue com cheiro de dor de cabeça e já quero deixar claro que ninguém toca na minha musa inspiradora e dona do meu mundo.

 

PS: Adena surgindo nua me fez rir altíssimo. Eu amo uma mulher!

 

Lição da semana: arrisque e ame o que você faz

 

The Bold Type 2x03 - Jane, Sutton e Kat

 

Body Positivity pode ter sido o chamariz para este episódio, mas este episódio não foi sobre Body Positivity. Não literalmente. De certa forma, eu fico aliviada apesar de todos meus adendos.

 

Como comentei, essa é uma pauta que beira ao político porque temos o feminismo embutido. The Bold Type não seguiu esse tom, o que foi bem melhor que ver algo do tipo “basta ter um corpo e se enfiar em um biquíni”. Juro que ficaria de cara com a série. É muito fácil uma mana magra transmitir esse tipo de mensagem porque ela não é oprimida pela sociedade como a mana gorda.

 

O que me faz dar uma cutucada final: a matéria body positive deveria estar na capa e não no meio do flatplan. E, de novo, a sessão de fotos deveria ter sido mais diversa.

 

Digo essas coisas porque imagem corporal pode ser um gatilho para muitas pessoas. É um gatilho para mim porque eu tive um transtorno alimentar. Uma capa que vende que mulheres reais é branca e magra não faz a legião da variedade de mulheres muito feliz. De quebra, engatilha que tem esse transtorno. Foi tocante sim a iniciativa de Sutton, eu adorei, até pelo momento sisterhood que rendeu. Mas poderiam ter diminuído na propaganda já que amizade + transição definiram a trama.

 

É aliviante ver que The Bold Type escolheu não aprofundar esse assunto (mas não cancelo o que disse na abertura desta resenha). Foi uma posição sensatíssima! As chances disso dar errado (sendo repetitiva mesmo) eram assim muito gritantes e foi por isso que fiquei temerosa. Eu não queria chegar aqui chutando a seriezinha.

 

Esse tema pode ter coordenado o início da premissa que trouxe Adena à Scarlet, mas o papo de arriscar e de amar o que faz esteve presente no caminhar das personagens. Foi o que trouxe o clima de tensão e de pura intensidade, especialmente para Sutton que fez um ótimo trabalho em nortear o episódio da semana. Adena ama seu papel. Jane ama seu papel. Sutton ama seu papel. Kat ama seu papel. Jacqueline ama seu papel e está prestes a redescobrir que ama ainda mais. O fato de amar o que você faz, não importa como e onde, traz a energia de The Bold Type. Regada de chances. De possibilidades. De você se manter firme no que quer mesmo que termine com o coração partido no final do dia. O importante é tentar de novo e ser real a quem você é e ao que quer.

 

O que faz do posicionamento de Jacqueline em escrever a carta mensal para a Scarlet uma amarração ao discurso de Jane no final deste episódio. A trajetória de Sloan começou com uma carta e a editora-chefe deu força ao novo tom que a revista pode seguir – dando mais voz a si mesma, uma voz que se mostrou política. A editora-chefe pode não conseguir (não ainda!) que a revista se torne totalmente mais política, mas pode soltar sua verdade por aí, sem pestanejar.

 

Às vezes, precisamos apenas escrever uma carta para relembrarmos onde está nosso talento. Para relembrarmos quem somos. Pode ser um moodboard, como Sutton fez com muita genuinidade e, por meio dele, conseguiu seu cargo dos sonhos. É, é papo nave da Xuxa, ainda mais porque se trata de ficção.

 

Mas a sacada da ficção é que podemos levar muito para a vida. E por que não via The Bold Type?

 

Semana que vem é dia de Kat conhecer a cena lésbica. Pode entrar!

 

Aproveito a chance e deixo um texto muito legal sobre body positive: Body positive: o que é o movimento + dicas de como começar a ter uma imagem corporal positiva. Até semana que vem, preciosos!

Stefs
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