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20/jul

Tenho que dizer que este episódio de The Bold Type foi esquisito. Não estava com as minhas expectativas altas por todos os motivos que comentei na resenha passada, mas não pensei que daria de cara com um roteiro extremamente vazio. Daquele que circulou, circulou e circulou para se chegar a canto algum. O tom político é um ponto que tem funcionado desde o surgimento desta série, mas, esta semana, o viés de porte de arma não trouxe nada além de uns questionamentos sem propósito. Mal acreditei que a trama terminou daquele jeito, com uma resolução tão básica.

 

Antes de começar, é importante que vocês saibam que eu não tenho respaldo algum para comentar com mais detalhes sobre desarmamento/porte de arma. Quem acompanha meus textos sobre The Bold Type, sabe que, quando dá, dou uma aprofundada e tudo mais (e choro depois por motivos de revisão). Pela falta de background da minha parte, esta resenha ficará centrada nas personagens. Não dá para falar do que eu não entendo (e do que eu efetivamente não senti ao longo desta experiência).

 

The Bold Type uniu Jane e Sutton no intuito de gerar uma conversa que muitas pessoas não possuem domínio. Que muitas pessoas não encaram por ser extremamente complexa. É um tema delicado e que tem conquistado um fervor maior de discussões nos últimos três anos graças à sequência de tiroteios em escolas americanas e dentro do movimento Black Lives Matter. Exemplos que frisam que esta é uma pauta que pede atenção e uma cobertura de vários pontos de vista devido à sua amplitude de impacto e de causa. Uma certeza que eu tenho e que este episódio não trouxe. Ao menos, não pesando em uma opinião um tanto mais política. Houve preferência em se manter mais uma “questão de gosto” que não trouxe posicionamento convincente.

 

O roteiro tentou se ramificar em unilinearidade para expressar opiniões pessoais dentro do mesmo núcleo proposto, mas, sem viés central, tudo não passou de tentativa de acerto e erro do ponto de vista de Jane. Com isso, se alcançou uma conclusão aquém porque nada foi realmente explorado. Não houve uma gota de alerta ou um frisar sobre a verdadeira importância de discutir uma pauta que vira e mexe tem maluco querendo legalização. O que rolou foi um vai e vem de quem tem mais razão. Resultado que me encuca porque alguns integrantes do elenco afirmaram que este é o episódio preferido da temporada e, agora, uma zona de por quês rodeia a minha mente. Este de longe não chega nem perto dos reais favoritos que somam o desenvolvimento de Kat Edison (2×02 e 2×05).

 

Os primeiros minutos assentaram o tema da semana em um atrito que se tornou quase uma catástrofe. Nunca pensei que Jane e Sutton engajariam com tanta energia nessa discussão, mas, ainda assim, faltou a real meta a ser alcançada. Por mais que eu saiba que o papel da série não é aprofundar premissas políticas, sempre dando um caldo para a gente preencher com o que convir, a abordagem da vez perdeu seu apelo antes mesmo de se aproximar de algum tipo de potencial. O lado bom é que tivemos, depois de 84 anos, background das personagens. Isso me fez feliz!

 

Quando digo que a abordagem perdeu o apelo é meramente pelo fato de que a pegada poderia ter sido mais íntima. Guardada entre quatro paredes visto que é uma discussão desconfortável. Infelizmente, decidiram transformar o tema em pauta da Scarlet, uma decisão que não considerei inteligente. Tudo porque tal ato tornou o assunto de todo mundo e isso deixou Sutton e Jane sem um real contexto linear. Afinal, a ideia veio de supetão. De quebra, emendou instantaneamente a estranheza entre essas personagens porque uma acabou violando a privacidade da outra. Era muito óbvio que daria em ruim e assim deu.

 

Uma vez na mão de Jacqueline, o papo se expandiu. Ótimo, mas, penso eu, que o roteirista se preocupou demais em fugir da complexidade que armamento/desarmamento carrega. Eu mesma senti esse receio a todo instante.

 

Só sei que ambas mereciam mais privacidade e me doeu o coração quando elas começaram a “gritar” uma com a outra por influência de uma Jane que atravessou o assunto. Sem ao menos saber qual era seu intento a não ser fazer a melhor amiga abrir mão de Betsy. Eu esperava unicamente a discrepância de opiniões, o que ocorreu, fato. Porém, sem uma meta, o ímpeto de Sloan rendeu sérias doses de desrespeito. Meramente porque seu eu infestou toda a trama sendo que, pela premissa ter se tornado pauta, informação era o mais aguardado.

 

O que tornou tudo um dispêndio tremendo de energia. Não esperava a queda brusca visto que Jane consegue segurar sua onda nos finais de episódio assim que recebe um tipo de alerta de consciência. Como ocorreu no 1×06, em que ela mesma criticou o teste para checar sua probabilidade de câncer de mama e cedeu. Era sua questão, como julgar Deus, e a coisa toda neste episódio trouxe umas cores nem um pouco agradáveis. Eu realmente esperei que Sloan fosse atacar Sutton muito mais energicamente, real e oficial.

 

Jane se posicionou da mesma forma crítica para depois se ver em um posto maleável. Contudo, não trouxe felicidade. Seu retorno como bússola de trama me satisfez, mas não curti o fato de uma parte da vida de Sutton ter se tornado uma matéria. Se era para gerar uma discussão, nada a ver Betsy virar pauta justamente para uma Sloan que, a essa altura das coisas, sabemos que levaria para o lado pessoal. Sem muito esforço.

 

Ultimamente, é só o que tem rolado com Jane e é hora de virar o disco.

 

The Bold Type - 2x07 - Sutton e Jane

 

Jane nem havia chegado ao trabalho quando seu nível de julgamento atingiu o 100%. Comportamento que calha também em outros comentários da minha parte sobre essa personagem não conseguir separar o eu de alguma matéria. Ela acertou algumas vezes, mas, ao menos nesta temporada, esse tem sido o ponto de geração de conflito da sua parte. Salvo o episódio passado em que Sloan pensou em Jacqueline.

 

Às vezes, essa personagem não me parece muito consciente dessa atitude porque seu ato de contestar tudo e todos está na ponta da língua. É tipo mensagem automática que entrega um traço extremamente forte da sua personalidade. Algo assim inegável. Somando isso ao fato de que ela é a mais tradicional das três, transformar o assunto em um artigo não me pareceu prudente. Não quando as indiretas começaram a partir do momento que Betsy surgiu e não se interromperam.

 

O que se conclui é que a Jane da semana passada não se fez presente nesta. A mais preocupada com o bem-estar da sua fonte, como ocorreu com as vítimas de estupro. Com Emma. Ela não deu a mesma tranquilidade e compreensão para a melhor amiga e eu considerei uma desfeita tremenda. Sloan não deixava Sutton falar e eu mesma comecei a ficar irritada com todo esse contexto ilógico.

 

De tudo que poderia me incomodar, lá estavam os questionamentos (ou a falta deles) de Jane. Como disse, ela estava sem foco, se tornando a maior representação do quanto este episódio nem chegou à quina da sua premissa. Eu mesma fiquei só a Jacqueline, aborrecida. Ok, você ama sua melhor amiga, mas o que há de tão errado com uma espingarda? Sloan não respondeu a pergunta e o resultado foi um encerramento nada coeso. Ao ponto de nem a editora-chefe nos dizer sobre o quê essa matéria se transformou (e será que saberemos disso no futuro?). Fato que reafirma a insegurança de trazer esse assunto à mesa.

 

Houve uns absurdos, não nego, como a pequenina jornalista julgar a existência de algo que soube tipo agora e já criar um caos para que tudo fosse eliminado em questão de horas. Faltou mais tato em desenvolvimento porque o que pegou mesmo foi só conflito boca a boca em torno de duas mulheres que lidavam com um novo dia de adaptação.

 

Dar uma matéria tão “perigosa” de se abordar foi o benefício da dúvida que Jane recebeu e um desafio por ter retornado à Scarlet. Muito para quem chegou resmungando sobre não sentar na mesma mesa. Sei que Jacqueline não a deixaria de lado e que Sloan não retornaria ao nível 0% de experiência, especialmente quando, na semana passada, ouvimos da própria editora-chefe que sua pupila estava mais corajosa e confiante. Foi bom permitir que a jornalista desenvolvesse um tema conflituoso visto que o viés sobre estupro se saiu melhor que o esperado. É um tempo de maiores exigências, nada de pautas sobre perseguir o ex, mas, dessa vez, esse trabalho não foi bem-sucedido. Conflitar amizade com decisão pessoal não é igual a entrevistar seu futuro boy.

 

Alguns argumentos que me fizeram sentir falta da liga mais política. Não era necessário ir longe, mas eu saí do episódio a ver navios. A trama abriu demais e encontrou seu tom apenas no final. Quando você quer saber mais, aí morreu. Começou como descoberta de Jane, daí Jane fez de pauta, daí Jane pressionou e se abriu leque de assuntos – background, amor, hobby e assim foi até controle.

 

Controle é um nervo interessante, mas pipocou do nada. Pipocou como solução apressada imposta pela fala de Jane. Resultado que fortaleceu o quanto este episódio acabou se engasgando em sua proposta.

 

The Bold Type - 2x07 - Jane, Sutton e Kat

 

Este início de (novo) ciclo de Jane não me prendeu. Eu, como pessoa leiga e sem muita opinião sobre armamento/desarmamento, não me senti incitada a discutir sobre o assunto entre meus botões. Tudo que vi foi uma personagem querendo se fazer ouvida a todo custo junto com uma enérgica Sutton que queria que a BFF compreendesse que ninguém relava em Betsy (por gosto pessoal). Houve muito ruído ao redor de ambas para no fim uma delas ceder facilmente.

 

As citações dos tiroteios, no intuito de pesar o comportamento de Jane, me pareceram deslocadíssimas. Respaldo fraco de premissa, que mais pareceu uma constante espiral de justificativas para endossar um viés que se afogou. Um viés sem coração perto de tudo que The Bold Type já engatou até aqui.

 

Duas mulheres não conseguiram desenvolver em cima de um assunto que é polêmico e desconcertante. Não houve conscientização, embora tenham tentado imbuir o singelo aviso para que as pessoas que têm arma de fogo repensem sua posse. Ainda assim, muito indiretamente, quase imperceptível, sem intento de mudança – até porque eu confesso que absorvi a tentativa de gerar culpa em quem tem uma Betsy na voz de Jane. Afinal, Sutton abriu mão de Betsy mais pelas palavras da BFF. Não porque realmente havia um incômodo sobre “controle”, a “revelação” que poderia ser o ponto-chave no desenrolar do roteiro. E não foi porque só rolou picuinha.

 

Sutton simplesmente resolveu largar Betsy depois de nos entregar várias argumentações ácidas que diziam o oposto. Fiquei um tanto jogada na BR pela mudança absurdamente súbita porque ela não teve tempo de refletir. E se seu apego à espingarda não fosse sobre controle? Eu mesma acreditei que tinha a ver com nostalgia da sua adolescência.

 

O que se sucedeu até o fim foi um argumento embutido na fala de Jane que se tornou a maior verdade da trama. Então faz bem doar sua arma de fogo para se tornar brincos? Cara, não fez o menor sentido! O que me faz retornar ao fato de que Red segue sem storyline decente. Ela continua patinando entre Jane e Kat, sem dúvidas.

 

Para não dizer que não havia ao menos uma sequência, a meta de Jane foi saber por quais motivos Sutton mantinha Betsy. Qual era o amor ali. Ok, fluiu, até Sloan simplesmente decidir que a espingarda tinha que dar no pé. Sem mais, nem menos. O controle veio muito depois para aliviar a tensão de ambas e, apesar do roteiro inseguro, teve seu sentido também. Não conheço ninguém que tem porte, nunca sequer relei em uma arma, mas tal objeto sempre me transmitiu a sensação de se estar acima de qualquer pessoa. Por autodefesa ou não, ter uma arma de fogo é um big deal e concordei com o ressaltar desse detalhe para cima de Red. O que bate na questão de muitos pontos de vista sobre o assunto. Alguns veem como hobby. Outros não. Mas por quê?

 

Defendo o interesse de Jane em saber o motivo de Sutton em ter Betsy, pois eu iria querer saber para quê minha roommate guarda um objeto desses. Afinal, esse segredo não é como esconder bolachas na gaveta para ninguém pegar. É algo seríssimo e que precisa ser discutido visto que as razões de seu porte são incontáveis. Eu, com minha imaginação ativada, pensei nos piores cenários para menina Red.

 

Uma parte de mim esperava que Sutton mantivesse uma arma de fogo por proteção. Ela se mudou para uma cidade grande, então, garantias. Um fato que me deixaria mais maleável quanto ao percurso desta trama, mas não foi isso que rolou. Contudo, não desmereço o que os roteiristas trouxeram dessa personagem. Estamos cada vez mais próximos da girl trip e a sombra da mãe ainda permanece ao redor dela. Tenho interesse de saber para onde isso vai.

 

E repito: é importante trazer mais background dessas personagens. É essencial, principalmente porque estamos a poucos passos do fim da temporada e metade dela girou no mesmo lugar.

 

E este mesmo lugar se aplica a este episódio. Jane parecia uma sombra ao redor de Sutton, sendo extremamente irritante apesar de um bocado sensata. Sei que Sloan julga sem um pingo de dó, mas estouraram a personagem nesse quesito para se chegar a um resultado que particularmente não me agradou. Eu realmente a achei exagerada e não tenho como defendê-la dessa vez. Não pela sua atitude, mas pelo pouco que o roteirista lhe deu como responsabilidade. Ao contrário das últimas vezes, parece que não acreditaram no potencial de Jane e amarelaram na hora que viram a meleca de tornar a premissa em pauta.

 

Tudo parecia correto, pois partiram da lógica de The Bold Type em tornar premissa em pauta. Em contrapartida, estava aí justamente um papo que se poderia ter lá naquele café das trevas.

 

The Bold Type - 2x07 - Jane, Kat e Sutton

 

Depois de pensar um tantinho no meu horário de expediente, não consegui tomar lado de ninguém porque ninguém chegou a um ponto relevante da conversa. Se a meta era controle, deveriam ter desenvolvido isso porque há pessoas que adquirem licença de arma justamente por tal razão.

 

A verdade é que The Bold Type não jogou com segurança e propriedade dessa vez. Pode ser pelo medo de ir a fundo e de cometer erros, o que é natural. É ok, mas, em contrapartida, se não sabiam como fazer isso era melhor não ter feito. Resultado? Uma trama mais de grito e de indireta que sensatez e alerta. O que coloca em cheque a qualidade do que vimos esta semana.

 

Na minha lista, este episódio se reúne ao 2×03, mas com um tanto mais de azedume. Não senti segurança no texto. Nem os méritos que a série coletou em vários episódios. Não diria que foi tudo destoante porque a essência estava ali, mas ainda seguro na minha opinião de que privacidade teria tratado melhor a delicadeza que este assunto exige. Basicamente, Sutton e Jane agiram do jeito que confronta o 2×05: a base de quase gritaria. Gritos não educam. Gritos não transformam. Nem muito menos indiretas e tentar impor sua opinião a todo custo.

 

Há vários vieses de conversa que se pode ter sobre porte de arma e desarmamento. Para mulheres, vem a mencionada questão de proteção e penso que esse seria o enquadramento ideal já que muitas moram sozinhas. Aliás, muitas mulheres andam com armas brancas como backup de segurança, outro ponto interessante a ser tratado porque muitas já tiveram namorados perseguidores e etc.. Um tom que seria perfeito para The Bold Type, principalmente porque daria um tipo de sequência após o viés de estupro. O resultado de Sutton abrir mão de Betsy soaria ideal nessa circunstância já que há outros meios de se obter controle/proteção na vida. É difícil, mas existe.

 

O roteiro queria saber como você se sente ao segurar uma arma de fogo e volto na culpa. O sentimento empregado sendo que há N motivos para alguém ter uma Betsy em casa. Alguns realmente necessários. Outros nem um pouco. O que conjugou um cenário perfeito para Jane e seus julgamentos. Nesse quesito, o texto foi bem espertinho porque Sloan não parou quieta. Ainda assim, os vieses que essa storyline tentou engatar descartaram (para mim nem sequer pensaram) o porte e o que isso implica. Independentemente da origem de Betsy, que estava ali para dar mais da história de Sutton.

 

Na falta de realmente discutir o peso de se ter uma arma em casa, optaram pelo discurso batido de ser uma máquina mortífera (e ok também porque não deixa de ser, mas…). Jane contemplou esse caminho do letal, mas, como tudo neste episódio, ela só levou para o seu lado. Embasando-se artificialmente nos tiroteios, agravando a ausência de tom convincente.

 

The Bold Type - 2x07 - Jane

 

Dar o Massacre de Columbine para Jane agir como agiu foi uma razão também mal colocada (para não dizer nem um pouco atual visto os jovens que acompanham a série). Eu mesma fiquei um tanto chocada porque eu era adolescente nessa época e vi o filme inspirado nesse tiroteio anos depois. Foi a catástrofe com arma de fogo mais estarrecedora da história americana, que marcou um fim de década e que se falou sobre bullying. Aqui, essa mesma catástrofe foi apresentada para justificar o comportamento julgador de uma personagem. Desnecessário.

 

Digo isso porque até no enfoque dos tiroteios Jane conseguiu se botar com mais relevância. Sem focar na causa do tiroteio. Não foi só a arma de fogo, sabem? O que me faz lembrar de episódios icônicos como de One Tree Hill que abordou um tiroteio (e acabou se chamando o episódio Columbine) e mostrou a aflição e a razão de tudo aquilo acontecer.

 

Obviamente que agora não seria ideal trazer episódios com tiroteios em escolas. Ouvi dizer que 13 Reasons Why retirou essa abordagem em meados da sua estreia devido a outro ataque. Sensato.

 

Voltando, nem sempre há um motivo por trás de tudo. Às vezes, as pessoas são apenas relutantes e/ou intrinsecamente ligadas ao que acreditam. Não existem pessoas que dizem que são racistas e ponto? Sloan me pareceu mais relutante que impactada, embora meu coração tenha ido abaixo com sua revelação. Ponto que me faz dizer que esse tipo de contorno para explicar a defensiva extrema de Sloan pode ter virado (ou começa a virar) um péssimo costume. Estão dando um monte de experiência infeliz a uma personagem que igualmente empacou na fila do desenvolvimento nesta temporada.

 

Eu realmente buguei com o fato de Sloan ter muita zona de trauma e de desamparo. Resquícios que os roteiristas se usam para expressar seus motivos de ser, por vezes, tão dura também. Apenas, deixem-a ser dura. Desde o início da S2, ela age na defensiva sempre quando uma realidade a confronta e consegui digerir tal medida devido à perda da mãe. Acho bom porque, de certa forma, a personagem aprende coisas que não sabe no processo. Só que este episódio me fez entortar o nariz. Já, já, vão dizer que tudo de ruim no mundo aconteceu com ela porque para tudo ela tem uma experiência ruim.

 

Foi assim que me senti neste episódio, muito embora eu tenha consciência de que há pessoas em que o ruim é um efeito em cadeia. E é um nhaca!

 

Não sei dizer se a achei afrontosa demais, mas a emocional Jane Sloan esteve muito presente. E, para piorar, o retorno de se provar para Jacqueline também e aí a personagem se nublou por completo. Pinstripe até veio com sua voz da razão e fez algo útil – além de dar mais background aqui também e fiquei contente. Quase não teve jeito porque a pequenina jovem coloca uma viseira quando quer obter alguma resposta definidora sobre um ponto do qual não compreende.

 

E ninguém tira essa viseira. Por isso que defendo a falta de desenvolvimento da sua fase de desemprego. Ela não quebrou a cara o suficiente e tenho dito.

 

Falando em Pinstripe, ele conseguiu dar uma clareada na situação. Gostei dos questionamentos dele, que destacaram o quanto Jane estava no eu no centro. Não sei, gente. Eu entendo os argumentos de Sutton sobre o domínio de Betsy e a segurança que demonstrou ao manuseá-la, mas é muito fácil dizer que ficaremos de boa com um revólver em casa. Eu acho que super diria ok em nome da amizade, mas ficaria paranoica checando o cadeado de proteção. Seria desconfortável sim.

 

Agradeço a ele por puxar o passado de Sutton. De fato, era necessário compreender todo o amor dela por Betsy. Infelizmente, há quem tem arma de fogo só por ter e que bom que, ao menos, a série fugiu disso.

 

The Bold Type - 2x07 - Sutton

 

Sutton tinha um ponto para manter Betsy, que envolvia uma memory lane, um talento e um dito desejo de controle. O instante justificou a zona emocional da qual ela se encontra, mas o surgimento da espingarda foi surpresa para todo mundo. Foi um achado de um dia que pareceu ganhar peso de semanas e, por isso, fiquei engasgada sobre essa questão de controle. A personagem manteve sua arma de fogo porque quis. Ela nunca se incomodou.

 

Jane não trouxe muito a se pensar e a se contestar sobre o posicionamento da BFF. Sutton sabia como manejar Betsy e tinha orgulho do que fazia. Por isso, digo que Sloan só estava ali para provocar culpa (e remorso). Para ser a pessoa que julga e espera uma mudança drástica em 24 horas. Há pessoas assim, mas não curti darem tanto impulso agridoce nas mãos da pequenina jornalista. O time de The Bold Type pode não ver, mas essa personagem está recebendo hate pelo motivo que repetirei sempre que tiver chance: falta de desenvolvimento.

 

E é engraçado a turma dizer que odeia Jane quando The Bold Type preza sororidade. Se você não tem empatia pela personagem, ou qualquer personagem, guarde para você. Já falei que sororidade não se cabe a todas as mulheres e que um dos melhores posicionamentos que se pode ter é não engajar com o hate. Como você trata a ficção, bem, às vezes, denuncia quem você é. Eu acredito!

 

E digo isso porque parece que o que a série tem ensinado entra por um olho e sai pelo outro.

 

Só sei que quem deveria escolher no fim era Sutton. Nem ela aprendeu muito com a perseguição de Jane e abriu mão de Betsy fácil. A bichinha só se irritou dentro de mais um dia difícil. E está difícil!

 

Todo caso, arma de fogo é um assunto delicado e eu não tenho propriedade para aprofundá-lo. Eu posso ter sentido estranheza porque Jane foi didática e quem é leigo não deve ter compreendido metade das leis mencionadas/usadas como justificativa para fazer com que Sutton se sentisse mal. Eu não capturei a questão de controle, mas de um prazer em forma de um hobby duvidoso. Cada um tem suas formas de libertação e Red tinha a dela. Era preciso compreensão e, a partir daí, engajar a retirada ou a permanência de Betsy – e Betsy saiu de cena com a mesma pressa com que surgiu.

 

Jamais pensei que a pauta, do jeito que foi mal inserida, escalaria ao ponto de Jane rever o jeito de morar do apartamento. Too much? Ambas transitaram entre farpas incômodas que me fizeram acreditar que teríamos finalmente uma mana de cara com a outra. Eu não aprovei o resultado que ficou tão largado quanto à abordagem de Sloan. Nem Jacqueline parecia muito interessada na matéria.

 

Se é que podemos chamar de matéria porque foi artigo pessoal. Daí, entramos na questão de imparcialidade, algo que também tem seus conflitos. Não dá para escrever sem envolvimento, nem que seja mínimo, mas houve excesso. Sloan saiu desta semana sem compreender as circunstâncias de Sutton, interpelando a todo o momento o que a amiga tinha a dizer. Sua opinião tradicional venceu, mas o que se ganhou em troca? Mais um passe fácil de resolução de conflito, com a diferença de que nada foi conscientizado. Apenas, libere sua arma de fogo e procure outro hobby.

 

Sendo bem honesta com vocês, Jane estava no auge do OOC. Fora da caracterização total. Ela julga, mas, depois da puxada de orelha, ela ouve. Só aqui que não porque a moça queria, sei lá, vencer.

 

The Bold Type - 2x07 - Sutton, Jane e Kat

 

O lado bom é que Jane voltou a ser peão da trama. Ela retomou seu trabalho de levar a revista e a premissa da semana. Um ponto positivo junto com o background de Sutton. Finalmente retomaram a mão aqui. Uma pena que com um assunto que acabou não funcionando dentro do esperado.

 

Jane sempre se saiu como a bússola de The Bold Type e aqui não foi muito diferente. Em segundos, esta trama mostrou sua diferença em comparação às anteriores ao retomar o clima da revista, ao colocar a tríade em seus postos de trabalho e ao injetar dramas pessoais para cada uma. Semana passada, comentei que essa soma estava em falta. Sem contar que o ritmo estava extremamente truncado.

 

Neste roteiro, houve a resolução oriunda de uma aparente limpeza para manter o que ainda é relevante para cada uma. Um ajuste que era minha real esperança/preocupação ao longo deste episódio, fatos reais, porque não dava para manter o ritmo dos 5 anteriores. Amei a intenção da primeira metade da temporada, mas se atingiu um ponto de desgaste que não beneficiava mais nenhuma personagem em cena.

 

De uma maneira geral, a conversa tinha tudo para dar certo, mas foi extremamente rasa. Chego aqui sem ter exatamente o que pensar, mas me compadeci pelo histórico de Jane tão quanto a força de Red para manter Betsy perto de si. Eu consegui aceitar o lado de Sloan no início. Até mesmo as indiretinhas porque, pela Deusa, às vezes, eu sou essa pessoa. Porém, conforme a história foi se acomodando, apenas fiz a Kat, a café com leite descontente com um roteiro que não interessou.

 

Foi uma briga calorosa que compensou por dar mais de Meghann e Katie em cena. Destaco o lado mais bitter da nossa fashionista, pois curto quando mudam a entonação da personagem mais good vibes do ambiente. Sentia falta de um bom destaque nessa jovem e isso foi dado esta semana.

 

Mas… Espero que recompensem na girl trip. Sigo sedenta.

 

O papel de Adena

 

The Bold Type - 2x07 - Kadena

 

Quando disse que este episódio não funcionou 100% é porque não funcionou 100%. Até o lado Kadena não me agradou e o que se abriu esta semana vem do resultado do que ainda considero uma péssima escolha para incitar a curiosidade sexual de Kat. No caso, a traição.

 

Hoje, destaco algo mais: desde quando um lado passivo do namoro é ideal?

 

Não sei, mas Adena está cada vez mais sem opinião. Mais precisamente, sem posicionamento. É ótimo vê-la ser a sensatez em pessoa, mas, como disse na semana passada, ninguém é feliz o tempo todo e o feliz demais é exagero. Essa personagem está nesta linha tênue, mas troquemos o feliz por aceitar. Ela tem aceitado demais sua posição nesse relacionamento. Penso que para não perder Kat.

 

Se eu começar a pensar pelo lado negativo de tudo, acreditarei que o eu te amo foi mais para instalar uma angústia em Adena. Foi ela a impulsionada a explicar sobre sua rotatividade para ganhar essa desfeita dos roteiristas? Gosto da ideia de Kat explorar sua sexualidade, mas e a namorada?

 

Se há uma coisa que está me incomodando, e que também esperei o timing certo para trazer à tona, é o papel de Adena ao longo desta temporada de The Bold Type. Por mais que eu ame Kadena, aqui temos outra personagem em sua mesmice. A dona do meu coração só sabe cozinhar, dormir e dar uns chamegos em Kat. Cadê seu desenvolvimento também? Cadê suas dificuldades reais em ir atrás do visto para se manter nos EUA? Sabemos que tem rolado uns jobs, uns interesses, mas era tão mais legal quando falavam sobre seu impasse. Sobre sua cultura e o quanto desbravou para ser quem é. Tudo bem que a moça tem comentado sobre sua experiência com mulheres, o que casa com a proposta do shipper ao longo da S2, mas ela não é só isso. Kat não é só isso.

 

E, vale dizer, imigração é um assunto de agora. Tal situação tem piorado drasticamente nos EUA. Cadê esse follow-up? Acho necessário porque contou com todo o peso de Adena como mulher e muçulmana.

 

Adena parece que virou uma docente do relacionamento. É bom, mas não sei se gosto. Me incomoda e não posso dizer muito porque eu não manjo sobre a construção de um relacionamento LGBT. Só sei que ela não tem crescido. Só tomando na cara ultimamente e esse papo de relacionamento aberto não me deixou satisfeita. É interessante, especialmente pela maturidade que pincelaram, mas só um lado ganha. Sem contar que traz o tom de que bissexual não tem compromisso.

 

Seja como for, a temporada está no fim e imagino que o susto da imigração venha na curva logo menos. Considerando que as filmagens da S3 já começaram e não se viu Nikohl no set, bem…

 

Concluindo

 

The Bold Type - 2x07 - Betsy

 

Este episódio foi escrito por Matt McGuinness, que assinou o 1×06 e fiquei um tanto passada porque se trata de um dos meus episódios favoritos da S1. Aquele que mandou a mensagem lindíssima de que campanhas de conscientização devem ser muito mais que post em mídias sociais. Não diria que o cara perdeu a mão, pois a construção do palco estava toda ali. Porém, e como já disse, o assunto de armamento acabou morrendo antes mesmo de sair do poço da Samara.

 

Esta semana não teve lição para refletir e estou chateadíssima. O roteiro não atingiu nenhum ponto sensível e nem tornou o desarmamento em sua real discrepância. Não consigo nem encontrar mais palavras porque me sinto anestesiada.

 

Mas posso dizer que eis um exemplo de episódio que The Bold Type deveria abraçar como aula do que não fazer. Uma das coisas que aprendi conforme embarquei no feminismo é que é impossível você abraçar tudo. É impossível conversar sobre tudo e ter propriedade sobre tudo. É impossível cobrir tudo, o que calha em Angie e na sua proposta de cobrir os pontos cegos de Kat. Em um mundo cheio de informação, você escolhe a melhor vertente e passa a estudá-la. Você desenvolve e se torna mais apta/o para se ter a conversa dentro do que te preocupa socialmente e assim por diante.

 

Eu mesma patinei nesse quesito porque não sabia qual era meu olhar feminista. Eu não sabia no que dar atenção e, por achar que eu sabia, paguei vários micos. Além disso, me sentia desconfortável graças à famosa sensação de ser uma completa fraude. Meramente porque eu lia de tudo, mas eu não conseguia assimilar muita coisa. Além disso, encontrar meu coração no assunto.

 

Eu jamais saberei e jamais tentarei cobrir tudo. Estamos aqui para aprender mesmo.

 

Sempre tive em mente que meu feminismo abordaria corpo. Foi quando descobri que corpo também é assunto político e foi aí que escolhi o quadrado do qual me encaixar no movimento. Não sou a figura mais ativa porque tenho meus pormenores. Contudo, é onde minha atenção está. Antes, tinha muito no meu colo e eu ficava extremamente ansiosa. Tive que tomar providências.

 

The Bold Type engatou esta semana refletindo o que mencionei acima. Pelo sucesso de suas abordagens políticas, é normal o time querer abraçar mais um pouco. Alçar mais um voo. Seu formato permite tal feito e foi assim que esse mundo se consagrou entre um grupo que ainda é fechado. Não vejo problema em arriscar e em tentar vieses novos. É assim que conteúdos se mantêm vivos porque segurar o interesse em audiência é, infelizmente, ainda um mal necessário. Porém, desde que arrisque com a certeza de que você sabe o que faz. Falar sobre porte de arma de fogo foi a bola fora da curva visto que a série sempre tratou feminismo furtivamente, empoderamento e sororidade.

 

Se eu fosse roteirista, este seria meu episódio modelo de abordagens a serem evitadas. É a prova de que The Bold Type não pode abraçar tudo só porque tal pauta existe em várias rodas de conversa. Só porque se apoia em abordagens políticas furtivas. Se a premissa geral da série é empoderamento feminino, por exemplo, que seja empoderamento feminino. Abordagens não faltarão.

 

Se havia um ponto do qual eu estava realmente empolgada era o retorno de Jane para a Scarlet. Mal esperava para ver a reunião de pitch e meu coração bateu na garganta com esse momento que considero um dos melhores de The Bold Type. As boas-vindas para essa jovem me deixaram contente e, em poucos minutos, o arremate da trama fez o trabalho que cutuquei sua ausência na semana passada. No caso, amarrar premissa e tríade ao mesmo tempo.

 

As palavras-chave amor, controle e porte de arma quicaram entre as personagens que tiveram um novo reinício para seus dramas pessoais ao mesmo tempo que o profissional bombava – salvo Kat que segue muito bem como chefe e pode até passear. Semana que vem é prometido drama e mais pegada pessoal. Estou pronta, mas espero não sair tão decepcionada como saí nesta. Amém!

 

É isto, preciosos! Perdoem se disse alguma coisa fora do tom porque eu mesma me senti fora do tom quando assisti este episódio. Nem li as entrevistas que saíram para não contaminar minha opinião e assim seguirei até achar conveniente revisitar o que aconteceu aqui.

Stefs
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