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23/ago

Esta não é uma cartinha do mês. Na real, é um desabafo tremendo. Não digam que não avisei!

 

Durante vários meses, eu tentei cumprir um especial sobre o livro da Anna Kendrick. A ideia era refletir sobre meus quotes favoritos, mas não conseguirei fazer isso na prática. Porém, eu precisava liberar este texto que estava pronto e que calha bastante no momento do qual vivo ultimamente.

 

(e o especial pode ter sido cancelado, mas não se surpreendam se um quote ou outro surgir por aqui).

 

Antes de chegarmos lá, vamos dar uma espanada na situação.

 

Cheguei a fazer uma resenha deste livro e houve um momento em que senti que precisava explorá-lo um tantinho mais. Até porque Scrappy Little Nobody, assinado pela pessoa que parece mais dona do meu Twitter que eu, cantou em meu 2017.  E tem cantado em meu 2018 porque resolvi relê-lo este mês (mais precisamente no bday da Kendrick). O motivo vem de algo muito íntimo, ou seja, do meu processo de regeneração pessoal. Um processo que ainda acredito que estou porque não me sinto totalmente recuperada de algumas coisas.

 

Scrappy Little Nobody é uma autobiografia da Kendrick que reúne alguns fragmentos sobre sua vida pessoal e sua carreira. Seu tom é descompromissado, com rica dose de sarcasmo e de depreciação. Bem a cara dessa jovem mesmo e, literalmente, não tinha como não amar!

 

Este foi o gênero que me acompanhou no ano passado e que conciliou com meu 2017 intitulado de ano da regeneração. Um processo que estendi para 2018 e sigo firme remendando pedaços do meu emocional. É difícil, mas o importante é continuar seguindo adiante, né?

 

Se é para dar algum crédito nessa minha breve aventura na companhia de biografias de famosos, ele vai para Sounds Like Me, assinado por Sara Bareilles. Um empréstimo da minha Person, aka Lady Maricota (que escreve neste site também), que calhou no início deste ciclo de recuperação da Stefs. Este título meio que me ajudou a descobrir que tipo de leitura meu âmago queria nesse processo de regeneração e é engraçado me dar conta de que, ao longo de 2017, biografias foram minhas melhores companhias.

 

Com o grande adendo de que essas biografias são assinadas por quem admiro muito. Eu sou a pessoa que precisa ter conexão com tudo.

 

Kendrick fez jus a um clubinho que nunca foi e nunca será minha prioridade de leitura. Seu livro me trouxe muita alegria de viver e tem me dado isso novamente.

 

Por essas e outras que, na primeira experiência, foi difícil deixar a voz da Kendrick de lado. Aliás, cheguei a adquirir o audiobook à época para me manter um tanto mais na companhia dela – e acho que deu para notar que sou apaixonada por tudo que envolve essa mulher. Como a voz da consciência, me vi perseguida de novo por essa pequena pessoa e cá estamos.

 

Tomando aquela vergonha na cara para parar de deixar o site morto.

 

Bom. Já contei aqui neste site também a minha história com a AK (codinome que uso na intimidade sim). Ela é mais antiga ao que jamais imaginei (Twilight!) e nossos encontros e reencontros passaram a diminuir conforme a vida adulta me alcançou. Hoje, a coisa toda é contrária porque meu stalk se firmou com força total.

 

É muito difícil eu me identificar com um artista e, ultimamente, tomo cuidado ao sair “idolatrando” alguém. No caso da AK, eu não me seguro. Essa pequena pessoa é o suprassumo das minhas musas.

 

Eu admiro o trabalho da AK, mas nunca prestei atenção no quanto somos parecidas em alguns aspectos. E jamais saberia disso porque ela é muito discreta com sua vida pessoal e sempre responde às entrevistas com mais sarcasmo para se distanciar do que acontece (muito eu mesma). Scrappy Little Nobody foi o firmar de uma reaproximação que já vinha rolando antes desse livro cair em meu colo e essa pessoa subiu no meu ranking de spirit animal.

 

Desde ter o man-child-moment, ou seja, o dia do me-deixa-de-pijama-porque-só-quero-estar-morta, à inabilidade de ser uma adulta funcional, eu consegui conversar com AK ao longo do seu livro de memórias. Mas nada, nada mesmo, me atingiu mais que o seguinte quote:

 

A loucura quer sair.
(tradução livre porque este livro só existe em inglês no momento).

 

Anna Kendrick em The Last Five Years

 

Aviso 1: eu não queria usar “loucura” como definição, mas, o quote que inspirou este post (but here’s the thing about crazy: It. Wants. Out.), meio que me amarrou e não encontrei nenhuma palavra para substituir (e acho que tiraria todo o sentido). A título de informação, desaprovo qualquer uso de termo da Psicologia como adjetivo. Por isso, optei por usar o “loucura” entre aspas (e ainda sigo me sentindo culpada).

 

Aviso 2: a partir daqui, eu uso muito “autossabotagem” e gostaria de deixar bem claro que seu uso é relacionado à Síndrome do Impostor.

 

Agora podemos continuar.

 

Quando disse que este texto calha no que vivo atualmente é muito simples: eu ando me autossabotando mais que o normal. A Síndrome do Impostor em sua pureza. Em vez de eu fazer um mural de prós e de contras, ou de pedir ajuda, eu acumulo tudo dentro de mim. Penso que melhorei um bocado, mas ainda não o suficiente para desconcentrar pensamentos negativos da minha mente. E isso não é saudável porque tudo em você sente. O emocional sente. O corpo sente. Até as pessoas ao redor sentem/percebem.

 

Segurar os ânimos nunca é uma boa pedida para mim, mas é um “hábito” desde a adolescência. Período em que falava mais com as paredes.

 

Se entro em uma linha de autossabotagem, que pode se acentuar devido ao somatório de problemas em casa + insatisfações profissionais + projetos empacados dentro da maldita gaveta, o que vem a partir daí é uma depreciação violenta mais a falta de crença em tudo. Eu não sou a pessoa mais segura do mundo. Nem tenho a autoestima elevadíssima. Às vezes, acho que, conforme a idade avança, mais vulnerável emocionalmente eu fico. E não tem sido fácil lidar com essa vulnerabilidade porque eu sempre fiz questão de abatê-la antes de se tornar um tsunami. Especialmente porque eu me prendo ao passado e fico lá. Na tentativa de compreender, pela milésima vez, o que há de errado comigo.

 

“Curtindo” a autossabotagem, eu me torno uma pessoa extremamente tóxica. Mais para mim que para os outros (eu acho) porque o que penso de mim mesma e o que faço sozinha não me ajuda em absolutamente nada.

 

Eu sou muito cruel comigo. Posso ser cruel com os outros por insatisfação minha – modo de operação adolescente contra-ataca – também. É uma zona!

 

A partir do momento que não lido com o que tem dentro de mim, com aquela coceirinha incômoda, o que tende a acontecer, por exemplo, é o ataque em forma de farpas verbais em qualquer direção. Quando estou comigo mesma, a coisa é um tanto mais complicada, como comer demais (o que dá gatilho).

 

E ninguém é obrigado a aguentar isso. E eu não mereço passar por esse ritual todo. Detalhes que tenho muito mais consciência em comparação a minha adolescência. Época em que eu simplesmente atacava e deixava a consciência me corroer mais.

 

Desde que este mês começou, eu estou no meu auge da toxicidade. E este post é uma tentativa de me dar uma nova chance. Principalmente para as “loucuras” que se mantêm na minha mente.

 

Afinal, essa “loucura” quer e precisa sair. Em nome da Deusa!

 

“When I was thirteen I started making lists. I’ve always liked structure, and I thought if I broke it down into steps, I could will myself to fit in. My idea of “normal” came mainly from film and television, and with that as my guide, I wrote down the kinds of things a “normal” girl might be doing when a boy showed up unexpectedly at her house. Of course, the one time a boy showed up unexpectedly at my house, he found this list. That night, I resolved to keep the crazy inside my head where it belonged. Forever. But here’s the thing about crazy: It. Wants. Out.”

 

O quote acima vem da abertura de Scrappy Little Nobody. O destaque vai mesmo para a “loucura” quer sair porque é o pontapé para as palavras que compõem as páginas da biografia de Kendrick. É basicamente o motto encorajador desse projeto e sua origem vem de uma situação embaraçosa. Mais precisamente, depois que um garoto leu um trecho do diário de AK em voz alta.

 

Foi aí que ela resolveu guardar sua “loucura” porque foi uma experiência um tanto traumatizante.

 

Kendrick acabou tendo seus desabafos “roubados” (uma lista na verdade). Com esse sustão, ela simplesmente decidiu não escrever mais. Além disso, tacou fogo nas páginas-do-flagrante. Todos os seus pensamentos foram ralo abaixo e acabaram alojados em um ponto: a mente.

 

Mentes sobrecarregadas, ainda mais as ansiosas, precisam de um escape. Precisam ter um canto para esvair a quantidade de pensamentos por segundo, como ter uma Penseira. Justamente para que tenhamos um pouco mais de alívio mental. Não menos importante, emocional.

 

Ao contrário do que rolou com Kendrick, meu problema sempre sou eu mesma. Eu concentro tudo para mim e não é saudável. Para vocês terem ideia, teve um dia deste mês que pedi home office porque eu estava em um estado emocional deplorável. Apática 100%, sem força de vontade para fazer qualquer coisa e para sair de casa. Isso me apavorou bastante porque eu estou longe da minha versão monstra de 2016.

 

Esse home office serviu para me dar mais clareza. Eu queria entender o que rolava comigo (e ainda nem sei), mas foi bom porque eu tirei a poeira do meu diário. De quebra, comecei a organizar meus outros cadernos (como o check-in de saúde mental). Me ajudou, bastante, mas, neste presente momento, eu ainda me sinto baqueada depois de duas semanas intensas de autossabotagem. Duas semanas intensas em que tudo que se pode imaginar da premissa da minha vida aconteceu.

 

Se fosse só dessa vez, tudo bem, mas não é. Parece um ciclo mês a mês e isso vai me deixando desesperada porque não tenho respostas imediatas (mas tenho ideias de soluções que não boto em prática porque acho que não vale a pena, WTF?). Inclusive, fico com muita raiva. Tipo, muita raiva mesmo porque eu estou exausta. Exausta do ciclo vicioso que ainda acredito que quebrarei em algum momento deste ano. É assim minha única esperança.

 

Reler a biografia da AK tem me ajudado, especialmente porque me lembrei da importância de deixar a “loucura” sair. Ela precisa sair, não tem jeito. Segurar é só engrossar mais o sofrimento.

 

Motivo de identificação

 

Anna Kendrick em Pitch Perfect

 

Eu me identifiquei com essa de a “loucura” quer sair de pronto logicamente por vários motivos. Além do meu talento de guardar tudo na minha mente e de fechar a porta na face de todo mundo, há o fator escrita. Escrever é meu ato para desafogar o que está na minha mente.

 

Deve ser por isso que este site nunca morreu porque aqui eu tenho um espaço para me sentir menos sozinha. Para falar do que gosto e do que me incomoda – como faço neste presente momento. Um espaço que só nasceu porque meu professor de Rádio puxou minha orelha.

 

E está aí uma pessoa que nunca esqueci na minha vida.

 

Além de desafogar meus dilemas por meio da escrita, a escrita é a única coisa que me sinto razoavelmente boa. Razoavelmente porque eu não tenho essa confiança toda. Ainda assim, é escrevendo que encontro transparência quanto ao que sinto.

 

Digo mais das pessoas que aprecio quando me empenho nos famosos textões. Digo mais sobre o que gosto quando tenho liberdade de desenvolver páginas e páginas. De qualquer maneira, escrever é meu meio de comunicação e é essencial para a minha existência. É o impulso para minha “loucura” sair.

 

Sem isso, tudo fica preso dentro de mim e me vejo em turbulência. Mas há uma linha tênue: escrever em um diário, por exemplo, ajuda, mas você ainda mantém tudo escondido. Você ainda mantém suas dores para você sendo que outras pessoas podem te ajudar.

 

Apesar de procrastinar a escrita e de não ter confiança em tudo que escrevo, esse é meu meio de expressão que, a essa altura da vida, reconheci que é poderoso. E, claro, é o único meio que tenho para conseguir meu salário todo fim de mês. O problema é que a vida me fez meu próprio bloqueio. O evento com a editora-nada-minha-amiga no meu estágio (e que já contei demais por aqui) é um mínimo acréscimo de causa. Ela é tipo cócegas perto do que penso de mim mesma quando tento me convencer que é melhor parar a tentar.

 

Sempre tenho ideias de projetos, mas tenho uma voz inimiga, junto com outros pontos da autocrítica, que me vence. Essa voz tem meu tom de voz e não da editora-nada-minha-amiga. Eu deixo para lá, embora eu chegue a rascunhar e organizar. No fim, aumento o volume da gaveta.

 

Mas, às vezes, essa vozinha é positiva. Como me botar aqui para postar este texto (e me arrependerei em algum momento, eu sei).

 

Graças a esse quote e a uma visita a minha memory lane, comecei a refletir sobre pequenos aprendizados pessoais referentes à escrita. No início da minha era de fanfics, fiquei muito amiga de uma ficwriter que me deu um conselho que não esqueci até hoje: apenas escreva. Não lembro como chegamos nesse ponto, mas tinha algo mais ou menos a ver com meu medo de escrever e de publicar porque achava tudo malfeito. E eu achava tudo que ela escrevia um máximo (e a mente adolescente ficava: quero ser). Lembro até hoje como entrei em contato. A própria fangirl roendo as unhas.

 

Outro conselho muito bom veio da editora-do-bem-que-tenho-saudade-por-favor-volta-pra-minha-vida, que encontrou um blog (sobre minha rotina no jornalismo e afins) que cheguei a fazer assim que entrei nesse estágio (e parei de atualizar pois rotina da época). No período em que comecei a me sentir travada demais pelas críticas, recebi o elogio dessa mulher.

 

Quando digo elogio, não me refiro a ganhar estrelinhas, mas sim um elogio que me inspirou. Por ela, eu sempre quis dar meu melhor e aprender mais. Uma breve reviravolta da minha saga intitulada de: quando o mal vence o bem (mas o mal venceu no fim das contas).

 

Esse falecido e mencionado blog (que chamei de My life as Stefs) foi encontrado pela própria editora-linda-que-saudade-dela. Normalmente, eu não dou link do que escrevo por aí (e isso tem mudado aqui no emprego atual, uma vitória) porque morro de vergonha. Além disso, algo em mim quer evitar que pessoas me conheçam um tanto mais (vai entender). É algo que tenho vencido, pouco a pouco, mas sempre tomo uns sustos. Como foi esse o caso em que tinha saído para almoçar e, quando voltei, meu blog estava aberto na tela da editora-linda.

 

Fiz o próprio Harry Potter: fingi que não existia.

 

Mas, ela me chamou e me perguntou por que eu não escrevia daquela maneira.

 

Daquela maneira aka mais solta e descompromissada.

 

Fiquei meio confusa porque a linguagem que eu usava no blog refletia minhas experiências tanto na faculdade quanto no estágio. Não combinava tanto assim com uma revista voltada para educação infantil, mas aceitei o elogio. Um elogio que não venceu, apesar de eu lembrá-lo, pois deletei o projeto em efeito da editora-que-nunca-mais-quero-ouvi-falar e do curso em si. Desanimei total!

 

Nessa curta experiência, aprendi o quanto elogios são extremamente importantes visto que a editora-nada-minha-amiga não foi a primeira mulher a me dar uma rasteira. Tenho uma carreira feita por mulheres que não se ajudavam e que não me ajudaram em nada (metiam o famoso “se vira aí”). Apenas, gastavam seu precioso tempo para dizimar a outra, direta ou indiretamente.

 

Tá, mas por quais motivos contei tudo isso?

 

É apenas um exemplo para dizer que a escrita é meu meio de botar a “loucura” para fora e que, esse mesmo estágio, mais precisamente a editora-nada-minha-amiga, conseguiu roubar isso de mim por meses. Vetar-me da escrita é tão horrível quanto eu me render à autossabotagem. Eu não me beneficio.

 

Mas eu tenho o dom de ficar em desvantagem. A sugadora de angústia.

 

Nesse mencionado novo período de autossabotagem, eu me dediquei a uma nova história e, com isso, fui recobrando minha consciência positiva. Por ser um enredo bem negativo, consegui aliviar muito das minhas emoções (nem tentem entender). Senti-me melhor tanto por escrever quanto por criar. Duas coisas que me veto de fazer quando estou me sabotando ao vivo. Eu largo tudo quando estou de mal a pior porque a vozinha vem e diz que nada do que faço vale a pena.

 

Às vezes, esse fato parece tão forte que acredito que não voltarei à superfície.

 

Ainda me sinto mal das pernas, mas me vejo um tanto melhor. Uns 20% porque não sinto dificuldade de sair de casa. E quando sinto dificuldade de sair de casa = o bicho realmente pegou.

 

Quando pedi o home office semanas atrás e usei dos espaços desse dia para escrever, eu voltei a falar comigo mesma. Eu fui diminuindo minha combustão e nem foi o suficiente porque eu estourei dias depois. Parece que eu realmente preciso explodir sendo que deveria evitar esse tipo de coisa porque não faz bem. De qualquer forma, escrever é como tento encontrar meu cerne, especialmente quando eu simplesmente me odeio (e fico mais pau da vida ainda).

 

Seja neste site ou criando uma história, a escrita me dá a chance de despejar meus dramas em algum canto – e diários trazem aquele tom intimista e seguro, de melhor amiga. Desde muito nova eu desbravo o que sinto escrevendo e só de uns anos pra cá vejo, diariamente, o valor importantíssimo que isso tem.

 

Dessa forma, chego aqui, hoje, consciente de que não posso deixar essa vozinha negativa seguir roubando o que me define. O que representa tudo que sou.

 

Mas ela tem roubado demais de mim. Muito mesmo.

 

De um jeito costumeiro, sempre digo que não há mais o que fazer porque, na desesperança, eu não sei mesmo e penso em largar tudo. Sendo que eu sei o que fazer, mas não faço e nem sei por quais motivos (caso em estudo, aguardem). O que não cabe somente a escrita, mas com a visão distorcida que, às vezes, aflora sobre eu mesma. E, quando não gosto de mim, todo meu senso de mundo decai e aí temos outro problema gravíssimo.

 

A verdade, com ou sem “loucura”: eu sou meu próprio engodo. Um engodo grudento o suficiente para eu ainda achar certo prender toda essa minha “loucura” sendo que penso em dezenas de meios para elas saírem e eclodirem. Com isso, ajudar quem também passe pelo mesmo e me sentir menos sozinha.

 

AK pode não ter passado por essa experiência de bloqueio na escrita, mas a invasão de privacidade que ela vivenciou me foi muito verossimilhante. Eu fui invadida tantas vezes, muito além da editora-nada-minha-amiga, e atingi um ponto da vida em que preciso demais fazer as pazes comigo mesma. Assim, de um modo definitivo (e já dei um pontapé nisso caso perguntem).

 

Cadê a bravura?

 

Anna Kendrick - Kate Spade

 

“Last year I found this journal. My handwriting as an angsty teen was appalling, yet somehow better than it is now. And the subject to which I devoted the most pages (besides my virginity) was the fear that I would fail—in all things—and have to go back home to Maine with my tail between my legs. I had thought my younger self assumed everything would work out—that I was possessed of some reckless confidence you only have in youth. Otherwise, how could I have been fool enough to try? But the journal wasn’t quixotic, it was fearful. The terror was so present, yet I was doing it anyway.”

 

Aos 17 anos, Kendrick voltou a escrever em um diário. Ao relê-lo, anos mais tarde, ela constatou que sua versão mais jovem tinha tudo no lugar. Inclusive, era mais confiante diante do fato de que tudo daria certo. Mais corajosa por simplesmente fazer o que desse na telha – mais precisamente no que passou a condizer a sua trajetória artística. A atriz se viu pensando como deixou essa parte de si desvanecer e se deu conta de que sentia falta dela visto que sua vida adulta é um tanto “dependente” (como não saber escolher uma cor para pintar as paredes e comprar um carro).

 

O medo também estava presente nas páginas desse diário, mas, ainda assim, AK fez o que tinha que fazer na época. Algo que me faz lembrar do quanto me sentia protegida por um nickname na fase em que escrevia fanfics. Um tempo que costuma voltar à minha mente quando simplesmente entravo diante da ideia de deixar meus projetos rolarem ao vivo. Quando simplesmente me sinto um completo fiasco. Uma completa incapaz de se botar realmente no mundo.

 

Ter um nome falso me deixava confortável e segura. Mostrava uma versão melhor de mim, se é que posso colocar dessa forma. Uma versão mais relaxada, mais confiante (para não dizer um tanto irresponsável) e que pouco se importava com o que fazia. Desde que a ideia fosse agradável, quem curtisse acabaria me encontrando e tudo ficaria bem.

 

Gente, eu tinha o dom de postar capítulo sem revisar. Hoje a revisão me perturba ferozmente.

 

Daí, caímos em um ponto que vai muito além de deixar a “loucura” sair: quando nos tornamos tão covardes com quem somos? Algo que não se aplica a todo mundo, eu sei, mas quando nos tornamos tão covardes com quem somos?

 

É bizarro como somos mais confiantes e corajosos antes da fase jovem adulta, por assim dizer. Deve ser pela falta de responsabilidade. Pela falta de pensar muito nas consequências. Apesar das fraquezas que a adolescência nos traz, na vida adulta tudo parece que se intensifica. Principalmente quando não há tanta liberdade em comparação ao tempo em que éramos jovens. Argumento ainda muito suave visto que há pessoas que, devido ao que ocorreu no passado, não funcionam muito bem no presente. Inclusive, há quem acredite que simplesmente se perdeu na trajetória. Há muitos parâmetros, mas todos têm seu próprio jeito de remeter a um questionamento que a própria Kendrick faz em seu livro.

 

Hoje, me analiso demais. Penso demais. Me saboto demais. Eu fui mais feliz quando me usava de um nickname. Quem sabe, eu precise de um nickname para postar minhas coisas originais por aí.

 

(não levem o parágrafo acima a sério, pois heresia).

 

Anna Kendrick - Kate Spade série

 

“I’d moved away from everything I knew and loved at seventeen in spite of how scared I was. I wondered if I would still have it in me to do something I found so daunting. Aren’t you supposed to get more independent as you get older? Shouldn’t I be bolder, more self-sufficient? Have I gotten comfortable? Have I stopped pushing myself the way I did when I was trying to “make something of myself”? Was that a fluke?”

 

Não fase adulta, somos mais inseguros, insatisfeitos, críticos e, talvez, mais desistentes. Impressões e sensações que mudam de geração para geração, claro, mas, no que condiz a minha, o retrato só tem mudado de nome e de localização. É muito desesperador. De um jeito que não dá para explicar.

 

O que AK pontua na abertura deste livro é o quanto ela costumava ser uma versão melhor de si mesma. Aquela um tanto mais livre e muito mais curiosa. A pequena ninguém, dando uma adaptada em seu título, que não pensava tanto, nem mesmo sobre como e quando atravessar a rua.

 

Crescer tem seu próprio jeito de nos afastar de quem consideramos ser a nossa melhor versão. Ou de qualquer outra versão que cultivávamos. Aquela que fazia as coisas sem ao menos olhar para trás. Que não remoía tanto o peso do olhar de terceiros. Parece que a gente se perde na vida adulta. Eu mesma me sinto uma completa perdida, a principal razão de ter mantido toda a “loucura” dentro de mim no decorrer das últimas semanas. No decorrer dos últimos anos. Parece que ser adulto automaticamente exige que você tenha tudo no lugar e está aí algo que eu não tenho.

 

E acho que ninguém nunca terá porque faz parte da lista de expectativas surreais.

 

Eu mesma tenho essa sensação de que fui mais corajosa e sempre faço uma retrospectiva de quando a Stefs foi muito mais que essa adulta que se sabota. A época das fanfics é uma das mais marcantes. Uma atividade que percebi mais cobrança quando tentei retomar o free writing. A trava vem porque não consigo ser tranquila e confiante como antes. Não consigo simplesmente soltar o texto e deixar nas mãos da Deusa. E isso é apenas um aspecto do quanto este mês tem sido ruim.

 

Mesmo pensando nas ditas obrigações que deveria ter em meus 32 anos, ainda tento buscar a bravura que tinha antes com relação à escrita. Melhor, a bravura com relação a tudo. Sigo dando uma desmerecida nas coisas que fiz ou faço e sei que não devo. Não com toda a minha trajetória. Mas penso demais nas consequências, sendo que o que envolve tudo que sou é a genuinidade.

 

Eu simplesmente detesto esse nível de desrespeito comigo mesma. Alguém me dá um tapa?

 

Apesar daquela vozinha maligna vir me visitar vez e outra, o importante é que, em vez de escolher parar por não me sentir boa o bastante, eu simplesmente sigo. Tremendo na base, mas sigo. Quando sigo, há essa libertação mental e emocional que tira a retração e me deixa satisfeita. Um período curto, pois logo começa o ruminar mental atrás de defeitos. Além disso, a autocrítica que é assim sensacional, só que ao contrário (é meu primeiro ponto fraco se querem saber e é uma grande porcaria algumas vezes).

 

Juro que tento melhorar nesse processo, mas há dias que não dá.

 

E esses dias não têm dado. Até que resolvi publicar este texto.

 

O significado da “loucura” sair

 

Anna Kendrick - Kate Spade Quote

 

Escutei algo não muito recentemente e que é a mais pura verdade: minha mente é tipo um farol. A partir do momento que dou um sinal, um monte de ideias, de flashbacks, e assim por diante, vem com tudo e isso me consome. Quanto mais luz, mais informação, e me vejo, dia após dia, muito perto de explodir. Este é meu capítulo atual que se chama a autossabotagem é uma constante. E eu me sinto horrível o tempo todo porque soo como um bebê chorão (e isso contribui para não falar nada a ninguém).

 

Minha mente infla quando não deixo a “loucura” sair. Quando me sinto estagnada. Desanimada. Há uma nuance intrínseca dentro de mim que fica profundamente abatida, sem norte, e muito desconectada do meio. Para piorar, bem arredia, algo que fui nessas últimas semanas. Quanto mais ócio, mais minha mente busca saídas para sair desse ócio. Porém, termino com uma bandeja de insatisfações. Inclusive, com muita informação que não consigo dar conta. Podem notar o quanto isso é bagunçado.

 

Eu recebo muitos sinais mentais que me tiram do eixo. Quando são pensamentos positivos tudo bem. O problema real é quando são negativos. Eu me perco totalmente de mim.

 

Ainda há essa tímida luz em mim, mas, ao meu redor, o que tem pesado é a pungente escuridão. Eu mesma tenho me apagado e tem me custado muito para voltar a deixar tudo muito iluminado. Dias de Sol, por favor, voltem!

 

(porque dias de Sol me deixam menos apática).

 

Ainda na companhia de Scrappy Little Nobody, ponderei que essa da “loucura” sair é o enfrentamento do medo. É fazer mesmo com medo. É dizer mesmo com medo. É liberar uma parte de você para o mundo e construir algo a partir disso. Um conselho que ouvi tempos atrás, e que não lembrarei nas exatas palavras, é que o medo sempre existirá. Nós temos é que abraçá-lo logo de uma vez e construir a realidade que queremos. Bonitinho de se dizer, mas como fazer?

 

Não digo que sou medrosa ou não teria este site e nem o Contra as Feras. De novo, volto na minha autocrítica. Ela é muito minha inimiga. É a vilã número 1 e a impulsionadora da autossabotagem.

 

Ah, mas só isso? Tem mais e esses meus exemplos pertencem a uma trajetória em que meio mundo só me botou pra baixo. Experiência nascida aos 14 anos.

 

Mas é bem real que a “loucura” quer e precisa sair. Eu endosso essa parte porque ela realmente precisa sair, não tem jeito. Seja por meio da escrita. De watercolors. De desenhos. De uma corrida.

 

AK, surpreendentemente, me fez olhar para dentro ao longo da leitura da sua biografia. Depois de eu ter estourado na virada de 2016, minha cabeça ficou, temporariamente, dominada por puro vácuo. Conforme comecei a entrar em contato com o que ativa meu sistema nervoso, a dita “loucura” empacada em mim pediu para sair. Uma “loucura” de ideias que não silencia até eu ter dado um jeito nela.

 

Só sei que este ano tem intencionado a me empurrar para o mesmo mood de 2016, com algumas diferenças, e isso meio que me apavora. É meio caminho para eu me afastar de tudo e isso não é legal. De quebra, li uma carta que escrevi para mim recentemente e, sério, eu estou no mesmo bendito ciclo.

 

Moral (parcial) da história: estou exausta de ser roubada. Em todos os âmbitos da minha vida.

 

AK teve algo de si roubado, mas chegou uma hora que não dava mais para ficar presa dentro de si mesma. E se prender dentro de si mesma nunca será saudável.

 

Sei que essas coisas dependem de nós, mas é fato que, quando menos esperamos, somos roubados. Sigo sendo roubada, mas agora tenho um pouco mais de consciência do que devo pedir devolução ou não. Sei quando devo me reivindicar. Às vezes, tais tarefas me escapam. Há dias que simplesmente não aguento mais e eu preciso manter aquela plenitude que não existe.

 

Nesse ínterim de 2016, eu tive a pior/melhor lição: internalizar dor é muito mais dor. Pode tirar sua sanidade. De uns tempos pra cá, eu tenho me empurrado a pedir ajuda ou tentar compartilhar o que sinto. Ainda é um maldito martírio, mas até que tem saído uma casca considerável.

 

Deixar a “loucura” sair é um dos bens que você faz em nome da sua saúde mental. Precisamos cuidar dela com carinho. Meu meio é me conectar com tudo que amo, o que me trouxe novamente de volta para este site. Um canto que tenho muitos planos, mas, como vocês já sabem, há uma força maligna ao meu redor me botando seriamente para baixo. Mas, protestar é sempre bom, e aqui estou eu tentando me dizer que posso sempre mais e que não há nada que possa me parar a não ser eu mesma.

 

Espero que a vida de vocês esteja maravilhosa. ❤

 

 

Até o presente momento, este livro não foi traduzido para o português. Adquiri minha versão pela Amazon Brasil, foi caro, mas chegou rapidinho.

 

Todos os gifs foram tirados daqui.

Stefs
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