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27/ago

Então que eu resolvi entrar em uma meta que nem deveria ser meta: publicar todas as resenhas dos livros que li e curti até então (e nem são muitos). Claramente, me tornei a pessoa mais desnaturada no que condiz a este site e tentarei me redimir.

 

Até porque eu morro de saudade de falar sobre livros.

 

Hoje, trago um livro que me deixou perdidinha na hora de escrever este texto. Meramente porque tudo nele é importante quando conversamos sobre introversão.

 

Introversão?

 

Isso mesmo.

 

Normalmente, introversão se refere a uma pessoa que prefere lugares com o mínimo de estímulo possível. Em outras palavras, sem pessoas tagarelando em seus ouvidos 24/7 e sem muito estardalhaço nos ambientes que ocupa. Introvertidos não são seres totalmente isolados já que, na realidade, eles preservam a energia pessoal. Energia essa que é sugadíssima em interações cotidianas e, com isso, a reconquista dessa mesma energia se dá em vários períodos de isolamento.

 

Essa é uma definição curtíssima. Por isso que este livro é importante para quem é introvertido (e não compreende esse aspecto) ou se interessa pelo assunto.

 

Eu sou uma pessoa introvertida (e as pessoas juram que sou extrovertida). O que me fez concluir essa questão foi a repetição de vários testes que envolvem o MBTI (o teste de personalidade Myers-Briggs). Lembro-me que, quando descobri o 16Personalities, corri para fazer o teste e o resultado não ficou comigo. Simplesmente dei um bléh, embora muito do que foi lido permanecera na minha mente — mas não tanto quanto a memória de Alanis Morissette aparecendo como exemplo de pessoa introvertida (e ela é geminiana, o signo que dizem que ama falar sendo que é relativo).

 

Algum tempo depois, fui atrás desse meu resultado porque não me lembrava a que I pertencia. Só lembrava da figura da Alanis e, quando fiz de novo esse teste, ela não estava lá.

 

Tinha dado INFP. E eu sou uma fervorosa INFJ.

 

Considero essa contradição como coisa do meu signo sempre inconstante.

 

O tipo psicológico INFP teve sua forma de bater também com algumas nuances da minha personalidade, mas eu senti que havia algo contraditório. Foi aí que comecei as escalas de repetições dos testes (em PT-BR) e duas delas deram INFJ. Daí, fui atrás de versões em inglês e lá estava a confirmação de que sou realmente uma INFJ.

 

INFJ: Introversão, iNtuição, Sentimento e Julgamento.

 

E lá estava Alanis Morissette e tudo que me identifiquei no primeiro teste.

 

Juro que fiquei completamente espantada quando meu resultado deu INFP/INFJ. Assim, eu sempre me vi como a pessoa mais extrovertida do universo, mas, quando passei a refletir sobre o resultado do teste, várias e várias coisas começaram a fazer sentido. Como o fato de que as pessoas acreditam que a extroversão é unicamente o ato de falar pelos cotovelos e assim por diante.

 

Se eu pudesse, eu nem falaria bom dia. Nem por má educação, mas por preguiça mesmo (e é contraditório porque até mensagem eu procrastino pela mesma preguiça).

 

Só pareço cool  na internet.

 

Outros sinais também foram descobertos, como:

 

❀ Não aguentar por muito tempo interações e não aguentar ficar em lugares muito barulhentos;

 

❀ Eu realmente me isolo depois de um dia anterior em que saí. E se eu não tiver esse momento, antes mesmo de começar a semana de trabalho, eu fico um completo porre. Acabadíssima;

 

❀ Não lido com interações vazias. No passado, eu lidava para me encaixar (e nem lidava porque nem tinha o que dizer e, honestamente, nada me acrescentava);

 

❀ Não ser capaz de emendar uma interação a outra em curto espaço de tempo;

 

❀ Prezar como uma religião todas as chances que tenho de ficar sozinha;

 

❀ Não ter me dado bem com jornalismo (essa é uma das profissões que um INFJ nem deveria tentar);

 

❀ Achar tudo que envolve a tristeza a coisa mais linda do universo;

 

❀ Achar bom demais ter dois amigos para contar (e tô de boaça);

 

❀ Não fazer questão de estar inserida em tudo (às vezes dou amém quando nem me chamam para sair porque me poupa de inventar uma desculpa);

 

❀ O que entra no trabalho psicológico quando marco alguma coisa já querendo cancelar. Por isso, sempre peço antecedência nos convites (apesar de eu ter melhorado bastante nesse quesito);

 

❀ Mais o trabalho psicológico de me preparar para sair de casa (o que me faz pensar nas desculpas e, às vezes, dou uma dessas no fim de tudo);

 

❀ Ter dificuldade em interagir com pessoas do trabalho (um impasse nada atual, mas sofri demais por causa disso);

 

❀ Não conseguir me manter em um emprego por mais de 3 anos (e já querendo sair dele a partir do 3º mês);

 

❀ Tudo porque trabalhos repetitivos me dão tédio;

 

❀ Tudo porque trabalhos repetitivos e que não acrescentam em nada não prendem minha atenção. Resultado, fico pistola;

 

❀ E trabalhos que me prendem são aqueles que batem com meus valores ou me inspiram ou fazem eu me sentir relevante (essa personalidade quer acarretar mudança no mundo).

 

A lista é bem longa e estou sendo superbásica.

 

O Poder dos Quietos

 

Debbie Tung - telefone

 

O Poder dos Quietos é um livro de não-ficção assinado por Susan Cain e que foi lançado em 2012. Trata-se de uma pesquisa (que considerei até que aprofundada) feita pela autora (introvertida) a fim de explicar que introvertidos merecem a mesma atenção e preocupação que os extrovertidos. Seu conteúdo levou sete anos para ficar pronto e há muitos detalhes sobre como o introvertido é e como essa pessoa precisa ser mais valorizada. Em suas 352 páginas (minha versão é em inglês), também se fala muito sobre o significado da introversão e como isso afeta o cotidiano de quem tem essa personalidade. Tanto no âmbito social quanto no profissional.

 

O profissional é o lado mais endereçado por Cain em sua pesquisa, justamente a parte que me prendeu. Senti-me mal algumas vezes, sério. Meramente porque o livro traz muito da visão externa de um introvertido e não como viver sendo um introvertido. O que já esclarece que O Poder dos Quietos não é um livro de fórmulas de sucesso. É um livro de fatos que ninguém conta sobre a introversão e como a pessoa introvertida é esquecida/nem lembrada. Há suas flores, claro, como umas ajudas sutis para introvertidos encontrarem seu lugar ao Sol (sendo que esse lugar existe e, talvez, só precise ser mais bem aproveitado. O meu caso).

 

O tratamento para com introvertidos é meio péssimo e nem conseguirei explicar mais a fundo. Ainda assim, muito do ruim que vem na nossa direção não é intencional porque não tem como saber quem tem essa personalidade de pronto. O que faz com que a introversão caia em alguns estereótipos, como a timidez. Sendo que nem todo introvertido é tímido. Ou, pior ainda, antissocial. O que mais escuto!

 

Nesse viés, Cain também foca o lado sentimental da introversão. Pela falta de preocupação das empresas em saber quem é quem no quesito personalidade, tudo é voltado para o extrovertido. Nisso, se bloqueia a noção do quanto uma pessoa introvertida pode contribuir. De quebra, se ignora como essa pessoa se sente quando presumem que é tudo uma questão de extroversão. Todo dia um 7×1 nesse quesito.

 

Um introvertido age de maneira muito pessoal e visa sempre mudar as coisas para melhor. Inclusive, tornar as pessoas ao seu redor melhores, um talento porque observação é um ponto forte da introversão. Sem dúvidas, essa é a parte mais inspiradora do livro. Dá encorajamento e me fez sentir menos “esquisita”. Cain tem um modo tão carinhoso de tratar o lado positivo da introversão que cheguei a suar pelos olhos algumas vezes. Até porque este livro foi lido em mais um período de trevas, daqueles que me sinto um zero à esquerda.

 

Este livro entrega a verdade sobre o quanto o poder do introvertido não é aproveitado. Por vezes, nem sequer considerado. Por vivermos nesse mundo 100% extrovertido, que não acolhe totalmente a nossa personalidade, apontamos nós mesmos como culpados pela incapacidade de interagir neste mesmo mundo. A autora deu seu próprio jeito de mostrar o quanto isso é mentiroso. Não há nada de errado em ser introvertido e é quando precisamos combater vários rótulos. Além disso, nos revelar para mostrar que nem tudo é extroversão.

 

Introvertidos são pensadores. Tragados pela emoção. Focamos no significado do evento e não na totalidade/quantidade de pessoas do evento. Cedemos nossa energia a poucos amigos, mas esses amigos são os mais relevantes. Ouvimos mais que falamos. Nos expressamos melhor pela arte, como a escrita, que pela fala. Gostamos de discussões profundas e, de preferência, que sejam com poucas pessoas à mesa. Se eu pudesse me resumir como introvertida, seria: menos é mais!

 

E Cain dá essas e outras realizações. Ela escreveu praticamente um manual de pertencimento para introvertidos e eu mesma enriqueci meu autoconhecimento por meio dessa leitura.

 

Introversão vs. timidez

 

Debbie Tung - interação introvertida

 

Desde os primórdios, a introversão é tratada como timidez e a propaganda é uma das grandes responsáveis em perpetuar esse estereótipo. Susan pontua vários deles, como a mulher tímida ser a melhor pessoa, especialmente esposa, porque cai no famoso recatada (e do lar). Em contrapartida, a extroversão é dita como a personalidade mais saudável, especialmente para os homens.

 

Ser tímido/introvertido se tornou quase uma praga ao ponto de várias propagandas farmacêuticas vender medicamentos que garantiam “um jeito na dificuldade de ser extrovertido”. Pela personalidade extrovertida ser considerada ideal, ser tímido/introvertido era basicamente um erro. Soava como se ninguém pudesse ir muito longe ao ter esses traços em sua personalidade.

 

Taí uma das partes deste livro que me deixou jogada na BR. Eu fiquei virada no jiraya.

 

Durante praticamente toda a nossa vida, ouvimos que quem fala mais é mais inteligente. Que quem fala ao vivo se dará bem na vida. Que o cara bom até em artes tem que ser um tagarela de primeira. Até nas áreas que introvertidos são sujeitos a se dar bem ainda se contratam extrovertidos.

 

Mas tem como saber de cara quem é introvertido?

 

Como disse na abertura desta resenha: (infelizmente) não. Personalidade é um traço da pessoa que se descobre com muita convivência. Se um ambiente corporativo não liga para seus colaboradores, se a chefia nem se importa em bater um papo com quem está lá, realmente será difícil separar o extrovertido do introvertido e assim delegar tarefas que cabem aos dois.

 

Até porque muita chefia nunca ouviu falar de introversão.

 

Da série de que nem sempre tem a quem culpar: às vezes, um chefe coloca um introvertido em uma reunião e é quase óbvio que essa pessoa entrará em crise. Provavelmente, nem conseguirá falar graças ao nervosismo (que tem a ver em cumprir uma expectativa). O dito “fracasso” não vem pela incapacidade de assumir e de cumprir a tarefa, mas porque essa tarefa pode não ser para quem tem a introversão em sua personalidade.

 

Eu mesma detesto reunião. Fico de cara mesmo. Principalmente quando eu sei que estou claramente perdendo tempo visto que nada dito ali será colocado em prática.

 

E, antes que perguntem, há introvertidos que assumem as tarefas ditas para extrovertidos muito de boa. Se bobear, com mais excelência porque introvertido não quer biscoito (não em comparação há muito extrovertido que parece só existir para isso). Eu consigo lidar com grupos pequenos, por exemplo, mas eu preciso conhecer as pessoas antes. Caso contrário, eu saio pela tangente.

 

Introversão é vista como timidez e é mais fácil aceitar a timidez que explicar o que é a introversão. Porém, ambos os casos vivenciam o mesmo dilema. A pessoa tímida/introvertida é, automaticamente, anulada de várias experiências, especialmente profissionais. Introvertidos caem nessa caixinha que é deixada de lado porque uma pessoa extrovertida é dita automaticamente como mais capacitada.

 

A porcaria de “você não fala muito, né?”. Ou quando assumimos que temos dificuldade em trabalhar em equipe – porque introvertido trabalha melhor sozinho. Claramente quem tem a personalidade I tem que se moldar para conseguir “sobreviver”, mais precisamente no mundo corporativo que quer tudo que um dito extrovertido pode oferecer.

 

Só que não, né?

 

Cain explica essa questão muito melhor e tratei tudo como shade que queria tatuar em meu corpo. A começar com a afirmação de que uma bela oratória não significa que uma pessoa tem substância. Nem todo extrovertido tem conteúdo, mas o mundo acredita que sim. E o que acontece? Um monte de introvertido lindo no canto da sala. Às vezes, nem por opção, mas pela falta de oportunidade. Inclusive, pela falta do que prezamos tanto: conversa de qualidade.

 

É quase uma lei o fato de que o extrovertido tem seu próprio poder incandescente. Uma vez que uma pessoa extrovertida se dá bem, especialmente no trabalho, a chefia dificilmente enxergará todo o resto (“confiança”). Justamente porque ser bom de lábia é quase um critério para existir. Sendo que há outros jeitos, por exemplo, de realizar uma reunião. Todo caso, este livro me fez ver como existe coisa engessada no mundo corporativo. É a manutenção de modos de operação que afetam vários introvertidos.

 

Introvertidos têm substância, mas vivemos rodeados de trivialidades em vez do significado do trabalho e das relações. É pela falta de significância que muito extrovertido, que é chamado de bonzão, conquista determinadas coisas totalmente vazias.

 

E introvertido não quer coisas totalmente vazias. Queremos deixar uma assinatura relevante.

 

“Precisamos de líderes que constroem seus próprios egos.”

 

Como disse, O Poder dos Quietos traz muito da introversão em ambientes corporativos e acho que vocês sentiram o quanto isso me estressa (e estressou na leitura). É um ponto que realmente chamou minha atenção. Notar que até onde eu trabalho é “projetado” para extrovertidos me gasta demais. Gente, esse livro é uma bênção e uma maldição para quem é introvertido, acreditem em mim.

 

Voltando ao ponto da timidez, não aguento quando dizem que sou quieta e que fico enterrada no meu espaço. Ou quando cobram que tenho que interagir mais. Ou quando tenho que suportar as perguntas ao sair da mesa para evitar muita gente (e barulho) na hora do almoço. Ou quando prefiro fazer as coisas sozinha porque sim. O trabalho é um dos lugares em que julgamentos é um dito modo de operação para manter a conversa circulando e este livro me fez notar o quanto minha introversão é rotulada. Só a timidez que não calha para mim porque eu consigo interagir – dentro dos meus limites e melhor com quem eu curto.

 

Embora eu saiba que sou INFJ, nem me dou ao trabalho de explicar a introversão. Uma vez que tentei a pessoa me honrou com a ousadia de querer saber mais que eu. Da série: a extrovertida que ainda bem que foi embora.

 

Agora, vamos voltar ao fato de que o mundo corporativo é pensado para os extrovertidos.

 

E, não, isso não é um julgamento. Consta neste livro.

 

Amor Sem Escalar - Natalie

 

Em tese, são as pessoas extrovertidas que fazem grandes discursos, que se relacionam melhor com as pessoas e que não recusam um evento social (nem a balada de final de semana). Extrovertidos, em maioria, gostam do barulho e do badalo. De falar umas coisas que não tem tanta profundidade (e isso não é generalização). Uma pessoa introvertida não tem como competir com isso a não ser que ela se transforme para se encaixar (algo muito mencionado neste livro). Afinal, a introversão é solitude. É silêncio. É observação. É curtir as pequenices e não tudo ao mesmo tempo.

 

Mas, dentre tantas coisas, temos um tanto de FOMO. Medo de perder acontecimentos e esses acontecimentos são pautas de conversa.

 

Só que uma boa parte dos introvertidos segue por fora do que meio mundo chama de top (e juro que essa é a única vez que vocês lerão top neste site). Daí, a gente fica caladinho e lá vai a tímida.

 

Só que há um grande porém: às vezes, introvertidos ficam fora do próprio personagem para se encaixar sendo que o mundo também precisa dar espaço para os introvertidos.

 

Enquanto isso não ocorre, aguentamos viver em um ambiente cheio de extrovertidos enquanto criamos nossos próprios espaços. Como ter um site, um exemplo de como introvertidos extravasam emoções. Eu mesma.

 

A título de informação, introvertidos gostam de chamar a atenção também. Gostam de sair. O resumo de tudo é ter significado. Até para ganhar o famoso biscoito é preciso ter aquela razão fenomenal.

 

Introvertidos são um tanto mais reservados, gostam de uma dose boa de discrição. Além disso, muitos são extremamente artísticos. Mas nada disso nos blinda do prazer de ganhar umas estrelas. De ter reconhecimento. De ser o primeiro em alguma coisa. É ótimo na verdade, mas queremos essas estrelas por algo realmente bom e não porque a cesta está cheia de biscoito (o que pode se alterar visto que eu, como introvertida, prefiro ganhar biscoito por algum motivo maravilhoso e que eu tenha relação pessoal).

 

Quando dei de cara com essa informação de divergência entre extrovertido e introvertido, comecei a repassar todos os empregos em que estive. Até mesmo o atual. Eu não tenho muita paciência para muita extroversão e isso me tachou como a dita quietinha. Sim, eu me considero quieta e gosto de ser quieta. De quebra, eu tenho o pressuposto de que, se falou comigo, tudo certo.

 

Caso contrário, obrigada por me deixar aqui em meu canto.

 

(mas, se nos falarmos, há chances de eu me abrir como uma flor).

 

Introversão vs. antissocial

 

Debbie Tung - estereótipos para introvertidos

 

Posso não ter sido tachada de tímida, mas o antissocial prevalece até hoje.

 

Em um passado não tão distante, minhas recusas davam em antissocial e sempre tinha alguém forçando a barra. Como em happy hour, por exemplo. Às vezes, lá vou eu fazer uma média, mas me sinto pior já que faço algo que não estou a fim. Faço para não gerar o bafafá e isso não é legal porque você se anula. Hoje, eu digo não e sinto muito para quem não tem maturidade para isso.

 

O mesmo vale para as tentativas de me apresentar às pessoas. Algo que minha mãe adora e eu fico muito frustrada. Ela vê como falta de educação, mas, na real, meu desinteresse é forte e quase dominante. Não sei como explicar isso sem parecer mala, mas é basicamente isso. Não gosto de conhecer pessoas aleatoriamente porque é praticamente óbvio que elas não ficarão na minha vida.

 

De novo, questão de valor. Questão de relevância. Questão de perda de tempo. Eu sou muito exata nesses quesitos e, graças a minha introversão, preciso ser avisada anos luz sobre essas interações.

 

Eu gosto de boteco, mas com quem vai florir meu cérebro. Adoro conhecer pessoas novas, mas desde que eu não seja meio que forçada a prestar esse papel. Me irrito fácil com coisa imposta porque eu não sou extrovertida. Não gosto de cumprir essa cadeia da socialização à força porque eu tenho meu tempo para tudo. Fazer para agradar ou para mostrar os dentes não é meu forte.

 

O antissocial está muito ligado à introversão tão quanto à timidez. É outro estereótipo e uma coisa não tem nada a ver com a outra. Ainda assim, do ponto de vista de algumas pessoas, é tudo a mesma coisa. E isso é outro fator de tachação para cima de introvertidos. Nosso modo de se relacionar é totalmente diferente de uma pessoa extrovertida. A começar pela busca de preciosidade.

 

Este livro quebrou meu teto de vidro sobre introversão (e não nego que tratava tudo como timidez e antissocial também, não mentirei) e me ajudou até mesmo a compreender um pouco mais sobre os motivos que me fizeram flopar no jornalismo. Assim, eu não gosto de correr atrás das pessoas (existe o fator vergonha) e tenho horror de fazer entrevistas. Sempre recusei me doar para Rádio e TV. Eu sempre fiquei no background e, por um longo tempo, eu me senti culpada por isso também.

 

Nunca curti trabalho em grupo porque gosto de fazer minhas coisas sozinha (e ainda gosto e prefiro até em nome da minha velhice). A ideia de  trabalho em grupo me fazia (e ainda faz) ranger os dentes de ranço. Na faculdade, isso foi um problema, especialmente quando eu tinha que fazer algo que eu não queria – e esse é um mal do introvertido que busca significado justamente por questões de energia. Hoje, não sei se melhorei, mas é um grande entrave quando penso em voltar a estudar. Eu sinto que não conseguirei passar por isso de novo. Seja pelas péssimas experiências, seja pela minha solitude, seja pelo excesso de extroversão que não tenho muita disposição de mergulhar e de lidar.

 

De acordo com o livro, muitos introvertidos preferem trabalhar sozinhos. Gostam de ordem, de ter tempo, mas o mundo extrovertido é corrido e enlouquecido. Se não acompanhamos, ficamos para trás e eu sempre me senti meio que para trás. Eu fui descobrir no que realmente me dava bem no último ano da faculdade. Os anos anteriores foram puramente regados de dor e de sofrimento.

 

O livro diz também o quanto introvertidos podem ser melhores líderes que os extrovertidos porque se preza mais qualidade que quantidade. Os introvertidos querem saber o interesse das pessoas para que elas também se sintam úteis justamente porque somos mais observadores. De fato, não somos de todo mundo e nem queremos ser. Lembrando do motto de novo: menos é mais.

 

É aquela velha coisa de ter sempre um extrovertido ganhando promoção porque fala bem sendo que seu rendimento pode ser uma bela de uma porcaria. Isso doeu no meu âmago porque eu nunca conquistei muito “ficando na minha”. E, claro, me sentia mal por isso até perceber que eu não precisava daquelas promoções ou sei-lá-o-quê. Passagem que me fez lembrar da única vez em que ganhei uma medalha por questões de esporte. Não foi um jogão, mas quase um prêmio de consolação.

 

E, pela Deusa, eu detestei essa medalha. Não havia significado algum nela.

 

Eu ainda meio que abraço o rótulo de antissocial, o que também não é correto. Faz-me evitar gasto de energia em interações que não me apetecem. Ou para evitar pessoas que não curto muito. Algo que também me dá a fama de antipática. E de ser uma pessoa a ter medo.

 

Não tenho culpa se tenho um olhar fulminante no auge do ranço.

 

Ser introvertido é lindo! 

Debbie Tung - energia social

 

Este livro se tornou um manifesto na minha vida, embora tenha deixado seu sabor agridoce. O que ganhei com esta leitura foi a verdade de que não há nada de errado comigo. Nunca houve nada de errado comigo. Cada página me serviu de aprendizado. Abriu-me para um mundo que não conhecia direito. Deu-me mais conhecimento sobre o que meio mundo chama de Stefs, a antissocial.

 

Muito além do que discuti neste texto, o livro também pontua outras características da introversão. Como gostar de ambientes colaborativos. Prezar demais a genuinidade no trabalho. Ter a necessidade do nosso próprio canto para recuperarmos as energias. Querer salvar o mundo, mas ter que lidar com o fazer de um modo quieto. Necessitar da sensação de sermos produtivos. Atuar em algo que acarrete mudanças. Não conseguir demonstrar falso entusiasmo, nem muito menos lidar com quem é fake. Cumprir as atividades/os trabalhos para o bem e não pela recompensa.

 

Há muita coisa boa neste livro para os introvertidos de plantão.

 

O que tirei de lição é que o mundo introvertido é extremamente complexo. A começar pelo fato de que o social “não permite” que sejamos apenas introvertidos porque há um teto de vidro secular e muito mais grosso: o Ideal Extrovertido. Um ideal buscado desde muito tempo e que é responsável, por exemplo, pela ansiedade que acomete muitos que são introvertidos e nem sabem.

 

E isso não é culpar os extrovertidos. Nada disso. As comparações usadas por Cain são justamente para mostrar onde o introvertido perde. Onde ele não se torna muito relevante. Nesse mar de cobranças que rebate em todo mundo, a extroversão é requerimento. É sinônimo de valor.

 

Sabem aquele papo de proativo? Esse é outro tópico da minha morte terrível. Quanto menos eu tenho que interagir, para mim melhor. Sério mesmo, eu posso ficar muda o dia todo e tudo bem.

 

Sabem aquele ditado de ser quem você é? É lindo, mas, no caso de introvertidos, é realmente uma batalha diária. Todo dia, precisamos encontrar meios de nos encaixar porque o mundo não nos deixa ser quietos. Além disso, não valoriza as mãos pesadas que temos e que dão significado.

 

“Introvertidos são atraídos pelo mundo interior do pensamento e do sentimento, disse Jung, extrovertidos pela vida externa de pessoas e atividades. Introvertidos focam no significado que tiram dos eventos ao seu redor; extrovertidos mergulham nos próprios acontecimentos. Introvertidos recarregam suas baterias ficando sozinhos; extrovertidos precisam recarregar quando não socializam o suficiente.”

 

O livro propõe aos leitores um olhar mais peculiar sobre os introvertidos. Pontuando suas mais diversas qualidades ao mesmo tempo que ajuda quem é introvertido a quebrar algumas amarras interiores. A própria autora é introvertida e dá para sentir muita honestidade em suas palavras. Muita insatisfação também. Eu me senti na sala de uma psicóloga, pois o que a leitura traz é uma troca. É informação sobre esse “soft power” e inspiração para nos vermos com mais bondade. Inspiração para sairmos dessa rota de culpa com relação a nossa personalidade. Sendo que ela é maravilhosa!

 

Fazia certo tempo que queria ler este livro, mas queria lê-lo em inglês devido às pesquisas que constam nele (e eu sou meio chata nesse quesito porque eu tenho essa impressão que muito sempre se perde com as traduções). Lê-lo me ajudou bastante a compreender meu lado introvertido e abriu minha visão sobre pontos dos quais passei anos acreditando que eram problemáticos em mim.

 

Sendo que esses pontos compõem minha personalidade.

 

Uma das partes que considerei importante neste livro é, óbvio, a questão profissional. O tipo INFJ tem dificuldade de se manter em um mesmo local porque chega uma hora que se deixa de aprender. Há também o não se sentir produtivo e não fazer algo de valor, e que respeite seus valores, que acabam inspirando o dar no pé. Eu mesma e cheguei a pensar que esse meu dilema constante é por falta de ambição.

 

Sendo que, na verdade, esses trabalhos nunca me deram o que meu âmago precisa: significado e relevância.

 

É até engraçado ter notado nesse processo todo o quanto fico muito contente em chegar em casa e fazer minhas coisas. Sério, meu humor é afetado demais em um ambiente que não me propicia algo transformador. Hoje, tenho a sorte de ter a companhia de pessoas incríveis.

 

AdenaEm uma resenha de The Bold Type, comentei que, em um belíssimo dia, praticamente morei em um site sobre introversão. Cacei as profissões que calham mais nessa personalidade graças a minha impressão de que tudo errado na minha vida se dá pela falta de um plano B. INFJ busca identificação e isso também emperra sua forma de trabalho porque requer conexão.

 

Algo que ganhou meio que uma resposta no livro de Cain porque existe essa dificuldade entre os introvertidos. Por isso, um dos conselhos é o introvertido se mover por conta própria. Só que a introversão, entre outros fatores, pode entrar no meio devido ao fator exposição.

 

Amigos, é um dilema.

 

O que o introvertido quer, mais precisamente o INFJ, é realizar mudanças, mas, ao mesmo tempo, ficar no cantinho. Queremos fazer com o coração e não pelo volume.

 

Às vezes, queremos o que um extrovertido tem. Toda aquela disposição de lidar com tudo e com todos. A aparente despreocupação… E podemos, mas do jeitinho introvertido.

 

(eu mesma estou bem sem ser extrovertida).

 

Cain dá uma dica em fases sobre como nos encontrar nessa sequência de transições de trabalho: voltar para a infância; analisar o emprego que você já tem; e o que você sente inveja.

 

Inveja? Sim. A autora diz que a inveja é sim uma emoção negativa, mas, que, às vezes, diz a verdade. Trata-se de uma inveja que nada tem a ver com a obsessão de estar no lugar do outro, mas de almejar uma carreira parecida. Nisso, você compreende suas questões e reage para trilhar esse caminho. É meio confuso, eu sei, mas o livro explica direitinho como isso funciona.

 

Tem sim muita coisa para dizer sobre este livro, mas eu me alongaria demais (e já me alonguei). Mas eu o achei fantástico. Perdi toda minha pureza sobre extroversão vs. introversão. Doeu, bastante, mas hoje eu me olho com um pouco mais de carinho. Eu sou introvertida e não tenho que ter vergonha disso. Na verdade, eu tenho que aprender com isso e recriar minhas armas e escudos.

 

“As mentes mais quietas são as mais barulhentas.”
– Stephen Hawking

 

Só sei que este livro foi parar na minha lista devido a um post no Instagram da Crystal Reed. No momento, nem lembro os motivos, mas sinalizei como leitura e a Amazon foi lindíssima em me avisar sobre a promoção de livro gringo (que rola aos domingos, a dica). Depois de tantos testes de personalidade, eu quis saber com mais afinco sobre introversão e este livro me deu demais. Basicamente, foi uma introdução a um mundo que pode ser magnífico.

 

Vi-me em um misto de emoções a cada virada de página porque, da mesma forma que amei saber mais da minha personalidade introvertida, rendeu uns instantes de agonia na realização do quanto o mundo é “construído” para “atender” os extrovertidos e o quanto o mundo extrovertido “esmaga” a introversão. Eu só quis dar um abraço apertado nos migos introvertidos.

 

Eu sou introvertida e tenho me orgulhado cada vez mais desse traço em mim. Tem funcionado melhor que mapa astral, juro! E, ultimamente, mais precisamente no ambiente de trabalho, noto meus picos de introversão. Algo que nunca dei atenção antes porque, como disse, eu me achava muito da extrovertida – sendo que sempre foi uma questão de me sentir bem em um ambiente e com as pessoas ao meu redor (que são sempre poucas).

 

Contradições para quem é vista como antissocial.

 

O poder dos fones de ouvido e assim ser esquecida no cantinho da sala. A ansiedade que jobs me acarretaram porque eu não conseguia ser como todo mundo. O fato do jornalismo não ser minha praia. O frio na barriga quando dizem “confraternização” (algo que sigo tendo horror e para sempre terei). E, lendo mais sobre, ainda mais em um site cheiroso chamado Introvert, Dear, eu tenho me apaixonado um tanto mais pela minha introversão. O que eu achava um erro, na verdade é lindo.

 

INFJ é quem eu sou basicamente em essência.

 

O Poder dos Quietos é a verdade nua e crua sobre introversão e espero mesmo que ajude os introvertidos por aí. Abaixo, deixo uns mimos sobre o assunto. ❤

 

1. O Poder dos Introvertidos (TED feito pela autora deste livro);

2. E uma lista que vocês podem acessar aqui.

 

Crédito das imagens: Debbie Tung/Gif retirado do Google Imagens.

 

 

Para anotar ❤

Título:  O Poder dos Quietos

Autora: Susan Cain

Gênero: Não-ficção

Editora: Agir

Stefs
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