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19/ago

Costumo assistir cada episódio desta série duas vezes. Na primeira, presto atenção e absorvo tudo que está ali. Na segunda, que acaba sendo sempre mais intensa, estendo meus pensamentos para o papel. Acompanhar Sharp Objects tem sido uma experiência bem inusitada e digo que um conteúdo como este não é para todos.

 

Chega a ser difícil começar a falar sobre os desdobramentos desta semana, justamente porque eles fincaram em meus pensamentos. Certas séries mexem comigo, mas nem sempre de uma maneira positiva. Aqui, consigo sentir minha empatia aumentando momento a momento por Camille. Sim, Amy Adams faz isso parecer muito simples, mas sabemos que não é bem por aí.

 

Este episódio mostrou até onde somos capazes de nos enganar para encobrir aquilo que temos de pior em nós mesmos. Quando digo pior, isso se torna bem relativo se formos considerar os residentes de Wind Gap. Cada pessoa enxerga o mundo e as pessoas que lá habitam de uma maneira particular. Em uma conversa recente com meu pai, que começou a acompanhar a série por causa de minhas resenhas, discutimos sobre como esse universo pode ser cruel. Além disso, como nem tudo é um mar de rosas.

 

Cada ação é regada de intenções e, por vezes, não há consequências para aqueles que a perpetuam. Isso gera frustração e um senso de impotência, mas, ao mesmo tempo, até onde nos dispomos a quebrar o status quo? Digo que é bem difícil se enxergar em tudo isso. Adora mesmo disse: acredito que exista um lado bom em um lugar e em suas pessoas. Bom, eu só não acredito que exista tudo isso em Wind Gap.

 

Sharp Objects trouxe esta semana um dos finais mais eletrizantes de minha longa jornada no mundo das séries. Tirando a perfeição técnica e a performance do elenco, senti que faltou um pouco de exploração nas cenas jogadas a nós. Porém, consegui ver que tudo aquilo que foi colocado no 1×04 foi quase totalmente endereçado a este.

 

Esta série brinca de uma maneira inteligente com a paciência do seu telespectador e o faz com tamanho brilhantismo. Mesmo que não estejamos tão perto de quem tem causado tamanha dor de cabeça, aprendemos sempre mais sobre cada um ali.

 

Se serve de algum consolo, só descobrimos tudo mesmo nas últimas trinta páginas do livro.

 

Aqui não passarás

 

Sharp Objects - 1x05 - jovem Camille

 

Sophia Lillis tem um daqueles rostos envolventes sem ao menos precisar dizer nada e tem uma presença bem marcante para alguém tão jovem. Por isso, consigo entender quando dizem que atuar, por vezes, é mais ser a propriamente encenar. Sua jovem Camille quase não possui falas durante os flashbacks, mas suas ações nos faz entender pouco a pouco sobre quem foi essa personagem.

 

Novamente, o roteiro frisou o intocável quarto de Adora e o paralelo entre passado e presente. No passado, vemos uma garota que nem sequer pisa no espaço de sua mãe. Se decide fazê-lo, é com o desejo de provocar alguma reação. O mais triste é que até uma reação negativa é mais que reação alguma.

 

Desde o jeito que se porta, se veste e age, tudo é com intenção de criar sua camada de proteção. Criamos um casulo dentro de nós e, às vezes, nada e ninguém consegue entrar. No caso de Adora, aproximar-se da filha nunca foi uma possibilidade, pois ela é a prova viva de um passado que vê como arruinado.

 

Hoje, como adulta, Camille ainda tem momentos em que age como se tivesse 13 anos. Recordar daquele lugar, anos atrás, durante os preparativos do Calhoun Day, só reforçou quão excluída ela foi de tudo. No livro, a personagem confessa que, mesmo tendo convivido com Alan desde os 3 anos, ela nunca seria uma Crellin. Sendo assim, a única coisa que herdou foi um sobrenome.

 

Camille sempre esteve de fora. Seja do quarto como da família que nunca seria dela.

 

Ode às frivolidades

 

Sharp Objects - 1x05 - Calhoun Day

 

Os preparativos para o grande dia começaram e todos se movimentaram para comparecer ao jardim de Adora. Willis e Vickery se encontram na barbearia e acabam conversando sobre os perigos de sediar um evento envolvendo todos os residentes. Vickery já enxerga diferente, acreditando que o real perigo é como Camille tem influenciado seu julgamento e foco na investigação.

 

“Boa árvore, maçã podre.”

 

Camille acorda em meio ao alvoroço dos preparativos do grande evento. Entre as decorações e a organização de comes e bebes, o casarão de Adora está a poucos instantes de recepcionar os Wind Gapianos. Como a própria matriarca disse na semana passada, um pouco de frivolidade nunca faz mal a ninguém. Bom, diria que existem pessoas que discordam disso.

 

Enquanto Vickery se mostra conformado depois da conversa com Adora, Willis ainda acha que é um grande erro realizar o Calhoun Day. Em contrapartida, o que parece não agradar ninguém foi o timing perfeito do novo artigo de Camille. Sim, o jornal de St. Louis o publicou bem nesse fatídico dia em Wind Gap.

 

Brincando de teatrinho

 

Sharp Objects - 1x05 - Amma, Adora e Camille

 

Acho fascinante a capacidade do ser humano de desviar o rosto para o real problema. Sim, a vida continua, todos sabem disso. O que é curioso é como os residentes de Wind Gap se portam perante tudo.

 

Tentando esquecer um pouco dos assassinatos, o Calhoun Day chega para distrair a todos. Mesmo sendo uma obra de ficção, esse dia simboliza um dos diversos momentos de conflito, de intolerância, de abuso e de violência ocorridas durante a Guerra Civil. Adora, descendente da linhagem Calhoun, enaltece esse evento perturbador com uma naturalidade que arrepia.

 

“Tinha esquecido como essa peça era assustadora.”

 

Desde o episódio anterior, Amma se mostra envolvida com a peça. Afinal, ela interpretaria Millie Calhoun, a dita heroína. A necessidade dela em se provar e de ser o centro das atenções é sentida durante todos os estágios dessa celebração. Só que, mesmo tentando provar o contrário, a pequena Crellin é uma garota mimada de 13 anos que sempre precisa que alguém a note. Seus olhos brilham quando vê que tanto Adora quanto Camille se oferecem para ensaiar com ela.

 

Camille, apesar de aparentar o quão sufocante é estar ali, tenta aproveitar dos breves momentos para ironizar sua mãe. Seu sarcasmo é uma de suas maiores defesas, ainda mais quando direcionado à Adora. Vê-la perguntar se a mãe virou feminista, por causa de seu comentário sobre homens escrevendo a história de Wind Gap, foi simplesmente hilário.

 

Abrirei um adendo aqui pra revelar quão passada fico ao presenciar essas três mulheres em cena. Nunca me cansarei de contemplar uma entrega tão perfeita e comprometida. Algo que acontece a todo instante, principalmente quando Adora e suas crias estão sob suas asas.

 

Feliz agora?

 

Sharp Objects - 1x05 - Camille

 

Com apenas 3 episódios faltando para seu término, já vimos muito da extensão do talento de Amy Adams ao interpretar essa complicada mulher. Porém, a cada instante, a atriz consegue se superar e mostra que existe muito mais sobre Camille que um mero olhar pode enxergar.

 

E quem diria que uma trivial visita a uma loja de vestidos proporcionaria mais uma monstruosa entrega.

 

Sabemos que a repórter não se importa muito com moda, mas, tratando-se de Adora, é vital que sua filha mais velha tente se enquadrar no evento. Depois de ser atormentada por Amma, que descobriu sobre seu novo artigo, Camille precisa sobreviver a uma prova de vestidos com sua mãe. Ironicamente, a vendedora entrega a ela vestidos de alça. É entendível por parte da vendedora, mas, vindo da matriarca, não tem como não duvidar que foi proposital.

 

Ver Camille dentro do provador, mesmo sabendo que existe uma forma de sair, é claustrofóbico. Isso tudo graças à angústia que sente em não ser ouvida ao pedir o vestido que escolhera.

 

Adora consegue colocar qualquer um no seu limite, principalmente por se fazer de desentendida. Clamando por privacidade, Camille pede que Amma vá para o carro, mas nem isso sua mãe lhe concede. O que faz em seguida é totalmente esperado para alguém em uma situação dessas.

 

Pare para pensar no momento mais vulnerável que já viveu. Camille se vê obrigada a expor algo que sempre escondeu de todos e, mesmo jogando o vestido na cara da mãe, a mulher que merece o troféu de mãe do ano (sqn) sempre terá a última palavra.

 

“Acabou.
Não importa. Você está destruída. Tudo por rancor.
Quer saber quem seu pai era?
Ele era isso. Só rancor.
Que bom que a Amma viu.”

 

Desculpas…

 

Sharp Objects - 1x05 - Amma

 

Já podemos fazer mandinga para que Eliza seja indicada junto com Patricia na categoria coadjuvante do Emmy 2020. Extremamente articulada, ela dá vida a um tipo de personagem que exige que o mundo repare nela. Que a contemple. Existem variações de mimar, principalmente se falamos de filho único. E dá para considerá-la assim, pois a jovem viveu na sombra da irmã falecida e da meia-irmã que saiu de Wind Gap. Assim como também existem variações de ser tipicamente um adolescente, nenhuma dessas seria facilmente aplicável à pequena Crellin.

 

Vivendo na geração das redes sociais e do viral, já era esperado que Amma teria acesso fácil ao artigo de Camille. Mostrando quão temperamental consegue ser quando contrariada, a garota fica revoltada ao descobrir tudo por Jones, uma das minions que ela faz sempre questão de infernizar. Como um animal arredio, a personagem solta as garras quando vê que o mundo não gira ao seu redor.

 

Independentemente de idade, de maturidade e de proteção familiar, é preciso distinguir o comportamento de uma criança. Sim, Amma é uma criança, por mais que tente provar o contrário.

 

Assim como fez ao encontrar Camille com Richard, Amma a cutuca com vara curta. Só que desta vez, ela envolve a mãe em sua teia, contando as coisas que a Big Sis andou escrevendo sobre Natalie e Ann. Só que tudo muda no instante em que viu pela primeira vez o que a irmã faz com seu próprio corpo. É aí que o cordeiro mostra sua face, com um saudoso pedido de desculpas.

 

Curiosa, Amma chega a perguntar se a autossabotagem de Camille dói. Em um misto de fascínio e de ressentimento, ela consegue fazer com que a Big Sis apenas tente sentir raiva de sua pessoa – e sem sucesso.

 

“Isso… doeu?
Porque conheço uma garota como você.
Não como você, mas…ela diz que não dói porque os cortes já estão lá sob a pele.”

 

Cubby

 

Sharp Objects - 1x05 - Cubby
Curry sempre se refere à Camille usando o apelido Cubby. Resolvi procurar no famoso Google o significado dessa palavra, presente no dicionário urbano da língua inglesa. Considerando as diversas conotações masculinas, encontrei uma que fez mais sentido:

 

Cubby é a junção das palavras cute (fofa) e chubby (seria no Brasil o que muitos chamam de “gordinha”).

 

Lembrando que, no livro, ela denigre seu corpo devido aos péssimos hábitos alimentares e alcoólicos.

 

“É que sempre que estou aqui, eu só….me sinto uma pessoa ruim.”

 

Wind Gap poderia ser facilmente classificada como um parasita. Tudo que a cidade simboliza está enraizado nas ações e nas reações de seus residentes que são contaminados por avarezas, mesquinharias e julgamentos. Existir ali já é suficiente para enlouquecer e Camille chegou nesse estágio.

 

Diria que demorou para acontecer, mas, pela primeira vez, Camille considera ir embora de sua cidade natal. Ao contrário da relação que nutre com a mãe, sem chances de recuperação, Curry e sua esposa Eileen acabam assumindo esse buraco familiar. A prova de que, às vezes, tudo que precisamos é um pouco de estabilidade emocional e nada melhor que contar com a ajuda de quem confiamos.

 

The C Word

 

Sharp Objects - 1x05 - Camille e Kansas City

 

Guerra Civil. Escravidão. Confederados. União. Sem ao menos aprofundar, este episódio abordou os conflitos que assolaram a América do Norte durante a presidência de Abraham Lincoln. Enquanto o Norte ressaltava a indústria e o abolicionismo, o Sul se respaldava no segmento agrário e escravocrata.

 

Chega a ser cômico se não fosse tão trágico, pois somente um lugar como Wind Gap para comemorar um dia como o Calhoun Day. Tal evento nada mais é uma forma que a cidade encontrou para celebrar uma de suas residentes. Millie, criança na época, vinha de uma família que apoiava a União, mas acabou se casando com Zeke Calhoun, membro do exército dos Confederados. E o problema foi muito além da diferença de idade entre eles.

 

“O que é esse Dia Calhoun? É o Orgulho Confederado?
Não usamos essa palavra aqui no Missouri.
Certo. Vou me controlar.
O silêncio racista é melhor.”

 

Vemos aqui uma cidade que celebra uma criança casada com um homem bem mais velho e que, devido aos conflitos da época, se negou a entregar o marido aos Yankees – como eram referidos os soldados da União. Graças a essa rebeldia, o que ocorreu com ela não precisa ser nem citado. Ela virou uma mártir a ser homenageada. Como mesmo disse nas primeiras resenhas de Sharp Objects, Wind Gap entrou em uma cápsula do tempo e ali intacta ficou.

 

Adora, a Leoa

 

Sharp Objects - 1x05 - Adora

 

Com o churras e a breja sendo consumidos à todo vapor, resta aos olhares mais atentos captar toda a ação ocorrida nessa bizarra comemoração. Vickery e Willis ficam em total alerta, apesar que o segundo anda meio balançado após uma, digamos assim, inusitada noite. Do outro lado, Jackie ganha cada vez mais destaque. Seu jeito astuto, sóbrio ou não, observando Adora e suas filhas, revela muito e retém. Há pessoas que leem um ambiente e as pessoas pelo que seus corpos emitem.

 

Adora, mais que qualquer outro dia, tem a constatação de que todos vivem e respiram por causa dela. Ela é aquele tipo de mulher que precisa sempre ser lembrada. Que precisa que as pessoas a venerem ou a temam. Acredito que dentro de sua mente gélida não existe diferença entre esses pontos. O momento em que ela finalmente sai de seu casarão e avista todos os convidados em seu jardim é a coroação da Rainha Mãe. Da leoa progenitora de Wind Gap.

 

Um poder que vai além dos empregos que mantêm em sua fazenda. Seu domínio é emocional, envolvendo todos com sua carcaça leve, mansa e florida.

 

“Ela é delicada….uma rosa rara, mas não sem espinhos.”

 

Boa parte das vezes, acredito no famoso ditado “minha casa é sua casa”. Dependendo da intimidade e da confiança, nos sentimos à vontade de abrir uma geladeira, andar descalça e até mesmo aceitar o convite para uma refeição quando sua visita se estende. Nenhum desses casos se aplica ao casarão de Adora.

 

Como ela tem a capacidade de dizer isso ao Detetive KC? Nem mesmo seu marido e suas filhas se sentem totalmente à vontade e pertencentes. Tudo isso aconteceu apenas para mostrar seu domínio, principalmente porque percebeu a inevitável relação entre Camille e ele.

 

Orgulho de Wind Gap

 

Sharp Objects - 1x05 - teatro

 

Amma também tem os sentidos aguçados, principalmente o campo da visão. Seu comportamento errático atinge proporções complicadas neste episódio, mas não antes de uma boa aula de teatro que a considerou uma das melhores atrizes que Wind Gap já produziu. Recebendo a honraria (oi?) de interpretar Millie Calhoun, a personagem se empenha, mesmo que à sua forma, para receber todos os aplausos possíveis ao final.

 

Quem realmente importa não está lá muito disponível para ela. Com sua mãe a rodear os convidados, principalmente os que carregam um distintivo, resta a Amma tentar chamar a atenção da outra mulher em sua vida.

 

Flashbacks dentro do casarão mostram que, minutos antes da performance, Amma e seus minions engolem um comprimido que obviamente os deixam alegres. O que não mantém seu humor intacto é a falta de disponibilidade da Big Sis, que pareceu bem ocupada flertando e questionando o teor da conversa que o KC teve com Adora durante sua visita ao casarão.

 

E sabemos que o assunto não ficou apenas nos absurdos de que seu piso foi feito a partir do marfim de elefantes.

 

À flor da pele

 

Sharp Objects - 1x05 - briga

 

Camille Preaker realmente sabe como causar impressões em Wind Gap. Quando digo isso, está longe de ser uma impressão positiva.

 

Desde seu retorno, Preaker tem cutucado diversas feridas, aumentando a impaciência e a pressão tanto dos moradores quanto da polícia. Seu novo artigo causou muito mais impacto que o anterior, pois sua publicação caiu no colo de todos bem no dia do Calhoun Day.

 

Bob Nash, estourado por natureza, faz parte da lista de suspeitos desde o início. Diferente do livro, sua esposa se ausentou da dinâmica familiar, deixando tudo para o marido lidar, e sua chegada ao churras vem carregada de frustrações. Inclusive, regada de uma raiva que, por mais que ele tente conter, está ali, esperando para ser libertada.

 

Levemente alterado, Nash provoca Willis, insinuando que o detetive continua a persegui-lo. Enquanto isso, o dito verdadeiro assassino anda solto por aí. Sim, ele mesmo, o intitulado da cidade, John Keene aka Baby Killer.

 

Tanto Nash quanto Keene simbolizam uma bomba relógio de emoções. Daquelas que, a qualquer momento, despertarão o alarme e explodirão tudo ao redor. Torna-se inevitável que os dois briguem durante os minutos finais da peça bizarra e o que vem em seguida é esperado. Ainda mais da parte de Amma.

 

Nitidamente contrariada e com ciúme, algo que Jackie percebe à distância, a filha mais nova de Adora resolve fazer todos de idiota e desaparece logo após a briga.

 

Palavras cortantes

 

Sharp Objects - 1x05 - Camille e Adora

 

Camille parece um alvo em movimento tentando a todo custo desviar das balas que vêm ao seu encontro. Toda uma geração que frequentou a escola de Wind Gap no mesmo período que ela parece encontrar prazer imensurável em provocá-la. Provocações que vão desde insinuações sexuais a falsos pretextos para incluí-la em maratonas de programas antigos de TV.

 

Nem após encontrar a irmã, levemente machucada na cabana da floresta, ela parece receber uma trégua. E pensar que o pior tiro ainda estava por vir…

 

“Eu nunca fico mais íntima.
Mas é por isso que eu queria me desculpar.
Você não consegue ter intimidade.
O seu pai era assim.
E é por isso que eu acho que nunca amei você.
Você nasceu com essa natureza fria.
Espero que isso conforte você.”

 

Se eu pudesse colocar todos os memes de revolta e de indignação neste momento, sem dúvida o faria. Como que as afirmações nunca te amei e espero que isso conforte você estão presentes na mesma sentença? Tudo que Adora faz ou fala é perfeitamente arquitetado. Seu momento de desentendida com Camille na hora de experimentar os vestidos foi cruel no mais alto nível da crueldade. E essa conversa, que começou esperançosa com um pedido de desculpas, logo se transforma em um pesadelo.

 

Amy e Patricia mais uma vez provam que talento quando combinado resulta em puro êxtase.

 

Concluindo

 

Closer termina com uma cena que mescla vulnerabilidade e a ideia de controle, de que mesmo condenada, o que Camille mais deseja é que alguém chegue perto. E o KC é a pessoa que, depois de muitos anos, está lá para isso.

 

Serei suspeita ao falar sobre minha atriz favorita, mas sinto que, a cada ano que passa, Amy se torna a melhor versão dela mesma. Devemos pensar que, mesmo estando na indústria há um bom tempo, seu big break foi apenas em 2007, com Encantada. Retratos de Família também marcou sua carreira dois anos antes, principalmente por lhe render sua primeira indicação ao Oscar. De Encantada até aqui, a ruiva já encarnou várias personagens, mas nenhuma a fez ir tão além quanto Camille Preaker.

 

Com cinco episódios exibidos, Amy fez o inimaginável: tornou Camille acessível e conectável. Sim, confesso que atribuo isso a Gillian Flynn por criá-la, mas é a entrega dessa ruiva maravilhosa que transforma essa marcante e marcada heroína em uma das mais interessantes da atualidade.

 

Chegando quase na reta final, logo menos Sharp Objects finalmente responderá por que tantos espinhos germinam nesse solo familiar.

 

Se somente os espinhos fossem cortantes…

Mari
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