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01/ago

Falar sobre maternidade é um dos tópicos mais delicados que existe na TV. Seja pela constante romantização do papel, especialmente quando se trata de uma mãe jovem. Seja pela pegada tóxica que segue os mesmos precedentes de tropes para agitar a relação da figura materna com seus filhos. Mães também caem na roleta da má representatividade porque sempre parece que só existem duas facetas, a boa e a ruim. A santa ou a abusiva. Esse é um caso que também precisa de uma constante pluralidade em sua representação porque um tipo de mãe não dá significado ao papel de tantas outras. Um “modelo” de gravidez na adolescência não ilustra tantos outros.

 

Uma jovem de 25 anos com um gene que pode transitar para o câncer de mama e que refletiu sobre a maternidade/rememorou a mãe é um diferencial. Um diferencial positivo, pois trouxe outro tipo de medo quanto a esse viés. Fato que fez The Bold Type retomar seu rumo certeiro e mostrar propriedade em sua premissa da semana. Com isso, se viu controle no seu tom habitual que nos entregou um episódio reflexivo sobre um ponto da vida que muitas mulheres evita pensar antes dos 30. E que muitas mulheres não ponderam de jeito nenhum, nem mesmo quando possuem chances de ficar doentes no futuro.

 

A trama desta semana foi totalmente pessoal e funcionou sem precisar do seu habitual apelo político. Houve um tipo de freio reflexivo em forma de conflito, especialmente quando se está em um relacionamento, que caiu no verossímil. Entonação que acarretou uma identificação pronta e sutil, porém, com suaves pinceladas melancólicas trazidas por Jane Sloan. A personagem que teve suas barreiras estremecidas tanto pela lógica de ser mãe quanto pela memória da figura materna. Assuntos que precisam contar com melhores abordagens no mundo do entretenimento.

 

Tudo começou com o estourar da camisinha. O que pareceu “bobo”, deu um show de conscientização. Além disso, mostrou que Jane segue bem no âmbito relacionamento. Ben e ela se mostram em extrema sincronia a cada nova tomada, mas vinha sentindo falta da inserção de conflito para tirar essa história de sua monotonia. Nada como assustá-los nos primeiros minutos do episódio e inserir a pulga do medo da gravidez.

 

Até então, só vimos a parte positiva desse relacionamento e não capturei tantos incômodos. De quebra, este episódio meio que entregou um aparente amor recíproco e, desde que siga saudável, não tenho realmente do que reclamar. Ambos vivem aquele amorzinho gostoso e tudo bem. Só que a parte das cobranças mais as diferenças que claramente possuem nunca vieram à tona. Salvo a conversa sobre Deus, nada mais foi pontuado sobre esse namoro. Detalhe que, para construção de trama, não pode ser deixado de lado.

 

O tema da maternidade me fez lembrar novamente do fato que Jane entregou na S1: o desejo de construir uma relação próxima a que Jacqueline tem com seu marido. A editora-chefe tem essa parte da vida muito no lugar, com direito a filhos e a um cachorro, uma realidade que fez Sloan se reaproximar, meio que às pressas, do seu desejo de vivenciar um relacionamento sólido e duradouro. Uma vontade que, até então, só vejo Ben como o melhor candidato.

 

The Bold Type - 2x08 - Ben e Jane

 

Apesar da promo ter sondado a possibilidade de Jane estar grávida, fiquei contente por não terem ido por aí. Inclusive, por não terem tornado Ben o grande opinante  sobre a maternidade. Ser mãe caiu na regra de ser uma “problemática” única e exclusiva de Sloan, um ponto positivo. Meramente porque o entretenimento ainda tem o maldito hábito de incluir o homem só para empurrar o “impasse” como se fosse o entendedor da história. Além do mais, sempre se usam daquele Q de ser obrigação da mulher se cuidar, informar e pipipipopopo em nome da angústia masculina. Foi ótimo esse boy ter ficado de fora dessa parte da premissa.

 

Nada do que citei acima rolou neste episódio, o que me faz refrisar algo que comentei na semana passada: privacidade. Nem todos os assuntos da tríade precisam conquistar os holofotes da Scarlet ou agregar algum extra. Certas coisas podem ser conversadas em um tom mais baixo e foi exatamente o que aconteceu aqui. Jane só precisava das amigas, apesar de ter tentado tornar seu drama em uma pauta. Justo, pois, dessa vez, veio de um ponto genuíno.

 

Apesar de Ben não ter tido opinião direta quanto ao viés de maternidade, a roteirista tomou partido de empurrar o casal para uma neura comum. Quando se tem sexo, é importante se preocupar com os métodos contraceptivos. Quando algo dá errado, é importante que os dois lidem juntos. Dois atos que a dupla entregou antes de Jane sequer pensar na possibilidade de ser mãe e eu amei demais. A importância da cena inicial do casal pode ter passado batida para alguns, mas se entregou uma tímida puxada de orelha sobre contracepção. No caso, a pílula do dia seguinte, com direito a alguns efeitos colaterais, e a chamada de atenção para a relevância da/o ginecologista. Este episódio se tornou especial pelos seus pequenos detalhes. Pela composição de highlights conscientizadores.

 

Além de oficializar o namoro dessas crianças adoráveis, camisinha estourada é um ponto que acontece com praticamente todo mundo e curti que esse tenha sido o pontapé para se falar sobre maternidade. Um pontapé que eu realmente não esperava porque esta temporada de The Bold Type me deu motivos mais que suficientes para eu me sentir insegura com relação a algumas abordagens que me pareceram súbitas demais. A ideia de Jane grávida me deixaria estressadíssima justamente devido a outro ponto que tenho comentado bastante nas resenhas: desenvolvimento. Não ajuda nem um pouco uma sequência brusca de salto temporal e deu para sentir mais compasso esta semana. Meramente porque deram continuidade a uma história que tem muito pano pra manga.

 

Senti alívio que nenhum clichê entrou em cena para Jane incitar sua conversa, muito embora eu soubesse que o foco da semana seria o BRCA. Algo que me animou porque gosto quando dão sequências às storylines dos personagens em âmbito geral. Ato que é extremamente importante porque sentimos que as premissas vão para algum canto. Que elas não surgiram só para preencher tempo de tela e assim serem esquecidas. Detalhe que ocorreu com Kat e com Sutton também, que pareciam mais elas mesmas, tanto quanto Jane, ao longo deste episódio e estou feliz.

 

Pensar sobre maternidade poderia render qualquer tipo de caminho, mas, com sorte, tivemos um acompanhamento pertinente que, inclusive, mostrou a que quantas anda esse relacionamento de Jane com Ben. Foi muito bom ter esse ponto de partida, que conquistou seu percurso sólido. Eu bem pensei que o fruto mental do papel de Sloan como mãe viria justamente devido à reunião de pitch. O que não deixou de acontecer, mas foi um reforço para manter a pauta circulando com sensatez.

 

Pausa importante: não sei ainda o que pensar sobre o comportamento desse boy, mas ele teve uma reação que considerei até que natural. Ele é médico, pensaria como médico, e espero que o cidadão não seja um babaca no futuro.

 

Acompanhar Jane nessa aflição me emocionou várias vezes. Ainda mais quando meu cérebro apegado à angústia imaginou o que será dessa personagem caso ela seja diagnosticada com câncer de mama mais cedo ainda. O que não é descartável, especialmente se The Bold Type morrer depois da S3. Algo que não quero. Essa série tem salvado minha vida e peço que continuem, pela Deusa!

 

The Bold Type - 2x08 - Jane exame

 

A maternidade como pauta funcionou, mas não com tanta intensidade perto da primeira abordagem sobre o BRCA. Eu senti minhas emoções aflorarem aqui, mas, em um breve comparativo, o choque de saber que uma jovem de 25 anos precisa começar a pensar como levar a vida estremeceu mais que a continuidade dessa caminhada que arrematou o ser mãe. Justamente por isso: impacto. Neste episódio, houve o fim da anestesia sobre essa verdade da vida de Jane, que não apagou o medo desse diagnóstico. Um “ignorar” também muito dela visto que o desemprego ocupou todos os espaços da sua rotina. O resultado? Um mar de memórias nada agradáveis que deixou o coração dela na mão.

 

Com a gravidez descartada, o que se deu foi a reflexão em cima de um receio que entregou outra camada da vida de Sloan: a falta de vivência com a figura materna. Sabíamos disso, mas não exatamente a dimensão. Também sabíamos que ela vivenciou a doença da mãe, mas não o tempo gasto nesse testemunho ao ponto dela mesma não lembrar das memórias felizes. Tudo condensou uma ponta sentimental que forçou essa personagem a retornar para um buraco que não conhecemos em completude. Que ela não conhece em completude. Um buraco que denunciou a camada mais delicada da sua situação – não ter referência para raciocinar sobre o plano de fertilidade para um futuro que  me pareceu logo ali na esquina.

 

Mais pela falta de referência materna, Jane foi em busca de exemplos. Atitude que fez a pauta da semana funcionar lindamente. Ela foi atrás de mulheres jovens sendo mães e que contaram suas problemáticas. Um grupo que expressou emoções pouco retratadas, como a exaustão, os sacrifícios, e assim por diante. Foi como ir atrás de um blog para sanar inseguranças quando não se tem exemplos ao redor e Sloan buscou por diferentes papéis maternos a fim de entender seu desconforto. Além disso, para tentar encontrar uma parte de si que se encaixasse em uma responsabilidade jamais ponderada.

 

Em suma, Jane quis sanar as crateras do mencionado buraco regado de complexidades e que pede mais episódios para ser tratado.

 

O lado bom é que cada fonte abordada trouxe uma distinção no papel de mãe. Assim, uma coisa puxou a outra, até para Kat e Sutton que discutiram brevemente o papel de seus progenitores em suas vidas. É aqui que The Bold Type acerta, ao casar tudo com sua tríade.

 

O processo do exame, pouco abordado na TV, também trouxe uma nova conscientização. Uma ponta solta que acabou trabalhada esta semana e que entregou os cuidados que Jane tem feito desde que descobriu o gene. Foi o tapar do tempo desde o 1×06 e que seguiu soando extremamente pertinente, mas, de quebra, também cutucou outra zona de impacto. No caso, como seguir quando se tem esse diagnóstico. Além disso, como fazer planos quando a vida parece tão curta. Ninguém espera receber um ultimato desses e a maternidade foi o primeiro ultimato de Sloan.

 

Por isso, pergunto: como será possível para Jane viver sem tanta pressa, mas ainda tendo pressa de viver? É uma ótima questão porque, a qualquer momento, o câncer de mama pode se manifestar. Não queremos isso e basta The Bold Type seguir firme.

 

Muito além da pílula do dia seguinte, havia uma jovem mulher que recebeu o chacoalhão de que precisa pensar sobre seu plano materno e que envolve um ponto que nenhuma está pronta para ouvir: mexer nos ovários. Esse foi um dos nervos doloridos deste episódio e que fez essa personagem pensar novamente no futuro. Mais precisamente, o futuro que admirou Jacqueline de ter e que anunciou que também almeja profundamente para si. Um amor e uma família.

 

Jane Sloan tem uma vida contada no tique do relógio e, de novo, ela tomou esse tapa. Eu tomei esse tapa e ainda soa surreal. Principalmente quando a premissa transcorreu sem tantos picos de estresse. É muito peso para uma jovem que até então só queria entrar na Scarlet. Depois, ter outra jornada profissional. Depois, voltar para a Scarlet. Agora, manter a carreira. Inclui-se também a descoberta de relacionamentos saudáveis, com sexo saudável, com caras tão diferentes e que combateram a sua decisão de viver um amorzão. Pensar em ser mãe é muito fora da alçada de muitas porque é natural da gente apenas tomar conta do meio e do que esse meio nos propicia. Há quem pense desde sempre, claro, mas o peso aqui foi outro.

 

Eu mesma não penso sobre maternidade e tenho decidido que não quero ser mãe. Uma revelação não tão reveladora que teve sua influência sim enquanto eu assistia a este episódio. Para mim, eu não tenho estrutura emocional para ter filhos e abracei o que Kat disse sobre ter cada vez menos para se cuidar de crianças. E, acrescento mais, o mundo está cada vez mais impossível de viver. Eu não tenho cacife nem para cuidar de mim direito quem dirá de uma pequena (menina sim!). Mas… É aquela coisa. Se tiver que acontecer, aconteceu, e lá vamos nós em uma jornada inesperada.

 

(e com muito riso de nervoso porque eu não consigo me ver nesse papel, de verdade, SOS).

 

Essa personagem jamais cogitaria esse papel quando preza demais seu lado profissional e este episódio foi a total prova disso. Para tirá-la da nuvem quanto ao seu diagnóstico, nada como dar mais pungência ao fato de que sua vida é mais do presente que do futuro. Graças ao gene, sua ameaça constante, ela precisa constituir sua vida agora. Considerando que Sloan é regrada e estressada, quero nem ver a pilha dessa criança daqui por diante devido à verdade de que tudo pode acontecer e é melhor se garantir. Muito além de manter os cuidados médicos essenciais.

 

The Bold Type - 2x08 - Sutton, Kat e Jane

 

O que aconteceu aqui, contínuo ao peso da mãe, é que essa personagem recebeu um novo ultimato com o tom de que você só tem um dia para resolver sua vida. O que você quer agora determinará o tempo de corrida ao alcance do futuro que você determinou ou ainda tem que determinar. O amanhã é o futuro, no mais clichê dos verbetes. Mesmo que o episódio tenha sido lento, se fincou uma corrida nas entrelinhas. Que pode virar ou não, depende da duração da série. O gene existirá e caberá aos roteiristas torná-lo a real ameaça.

 

A vida tem suas mais variadas constantes e Sloan se viu na beira do penhasco. Ela precisa decidir muitas coisas e agora pesou o fato de querer ou não constituir uma família. Detalhe: antes dos 30. Por ser a mais tradicional, incluo o casamento porque me soa extremamente importante para essa personagem.

 

Pontos de vista que incluem Ben que, até então, é seu relacionamento mais maduro. Os dois têm funcionado e agem conforme a idade que possuem. Eles buscam estabilidade profissional, amor no que fazem e têm abertura de conversa. É um namoro que tem seus frutos positivos e isso é bom porque Jane conseguiu desenvolver esse assunto dentro de um solo seguro. Se ambos decidirem seguir juntos, foi extremamente importante atualizá-lo sobre o BRCA. Afinal, uma vez que você está com alguém, partes da sua vida passam a ser necessárias para o conhecimento do outro.

 

Colocar Ben apenas à par dessa parte da vida de Sloan foi uma medida justa. Ele não tem que se envolver com a opinião dela sobre maternidade, mas precisava estar consciente do BRCA. De certa forma, foi libertador vê-la contar a sua verdade no momento necessário, um viés que The Bold Type preza demais. A série quer que suas personagens explorem tão quanto mantenham a veracidade, e foi exatamente o que a pequenina jornalista fez. Ela foi corajosa em entregar essa parte da sua jornada que tinha tudo para não cair bem no colo de um homem. Apesar das dificuldades, dos receios e das memórias que o gene provoca, neste episódio Sloan adquiriu mais consciência da sua realidade, dos seus desejos mais íntimos e do quanto deve dizer ao rapaz que namora. Pouco a pouco. E está ótimo!

 

Jane toma o poder do BRCA para si. Ficou evidente que o diagnóstico não controla sua vida, algo bom e ruim. Bom porque ela se cuida. Ruim porque ela não desdobra o impacto que o gene pode ter no resto. Como as memórias da sua mãe, algo que dói, mas tem objetivo. No caso, fazê-la enfrentar também esse luto de vez. Ao menos para mim, Sloan pulou essa etapa, algo que comentei com mais profundidade no 2×04. Essa jovem precisa tirar esse peso dos ombros e, às vezes, penso que ela usa o figurino preto tanto para mostrar uma defensiva quanto para esconder suas true colors.

 

Eu quero minha neném feliz!

 

The Bold Type - 2x08 - Jane

 

Hoje, a vida de Jane não envolve apenas ela, mas quem se relaciona no momento. Uma soma que deu mais relevância a essa abordagem. O mesmo se aplica ao comportamento dela em contar para Jacqueline, o que trouxe a meta da série em tratar a chefia como a figura materna que Sloan não possui (além do pupila e mentora). Apesar de não ter a profundidade esperada, a proposta escalou suas metas com delicadeza, mexendo com as emoções da personagem aos pouquinhos e nos fazendo pensar novamente no quanto é importante tomar conta da nossa saúde e saber como nosso corpo funciona – sem frisar tanto se você quer ser mãe ou não.

 

Voltando a um dos highlights deste episódio, as entrevistas de campo representaram o coração desta premissa e chorei sim. Foi ali que o nervo apertou fortíssimo por trazer a sombra de uma figura materna que não conhecemos sem o câncer de mama. Uma figura materna que descobrimos um tanto mais junto com Jane e é incrível. Trata-se de uma jornada. Uma experiência que entregou mais sobre o impacto do testemunho de Sloan sobre o câncer. Ela foi testemunha de uma doença que chega silenciosamente e que pode roubar uma vida em pouco tempo. E que pode roubar a vida dela da mesma maneira. Uma conscientização igualmente dura porque o cerne de viver dessa personagem precisa de prioridades e, às vezes, não queremos prioridades. Apenas, queremos que a vida flua.

 

Sloan ainda não prioriza diante da doença porque só vê o profissional acima de tudo. Vimos que ela tem seu extremo zelo para não ser pega de surpresa, mas retroceder rouba muito mais do seu tempo. Neste episódio, ela caminhou em intenso flashback mental enquanto decifrava o peso da ausência da figura materna. O real tema da vez e que quebrou essa personagem nos derradeiros minutos finais.

 

É fato que somos criados conforme a visão de mundo de nossos pais. É fato também que, ao longo de boa parte da nossa vida, usamos essa bagagem como referência para construirmos algumas bases da nossa realidade. Daí, crescemos, cortamos o cordão umbilical, mas é lá com nossos pais que retornamos quando queremos um exemplo. Jane não tem sua mãe para se espelhar. Nem muito menos para fazer perguntas. Ela tem as amigas. Tem Jacqueline. Porém, no final do episódio, se mostrou que não é a mesma coisa. Mãe tende a ser o cerne de quem somos.

 

A gravidez pode ter sido a abordagem principal, mas o que tirei para mim foi o quanto a mãe é o apoio crucial. Minha mãe é meu apoio crucial. Várias pessoas não têm a sorte de ter uma mãe, de contar com ela, como Jane. Diante de figuras como Jacqueline é que essa carência se evidencia, como ocorreu várias vezes com essa personagem. E há outras que têm uma mãe, mas a relação não é das melhores. Ser mãe traz automaticamente vários perfis e este episódio pincelou alguns para fugir do mais do mesmo desse papel. Inclusive, da ausência que esse papel acarreta, o real impacto desta semana.

 

Foi realmente verdadeiro ver mães jovens dizendo o quanto custa assumir esse papel com considerável pouca idade e o quanto isso transforma a rotina. Muitos têm na mente que ser mãe é basicamente você se tornar a mulher do lar, sendo que essa não é a realidade de todas. Existe, mas não é a verdade universal que cai na famosa historinha de que o homem é o provedor e que a mulher precisa cumprir a escala tradicional imposta pela sociedade patriarcal (basicamente ser do lar).

 

Foi interessante ver como cada mãe tem uma história diferente que contrastou com a realidade de Jane. Uma realidade marcada por uma mãe que deixou marcas muito profundas em sua filha e que claramente não foram trabalhadas. A sorte é que a personagem possui amigas que são, desde o dia 1, seu grupo de apoio. Mulheres que não a deixam na mão, nem mesmo quando ela fez uma chamada de vídeo para discutir o que fazer depois do incidente com a camisinha (coitado do Ben, a cara dele só me fez achar essa medida ainda mais sensacional).

 

The Bold Type - 2x08 - Jane

 

No fim, também ganhamos uma reflexão de várias camadas de uma Jane arrebatada. Foi preciosa demais a ligação para um irmão que também não conhecemos, mas que deu o tom de coração quentinho que The Bold Type sabe entregar certeiramente. Vê-la preocupada e ao mesmo tempo leve foi uma grata surpresa. Honestamente, eu esperava que todo seu constante tradicionalismo a fechasse para essa conversa. Como aconteceu sobre fazer ou não o seu exame tão nova.

 

Ao contrário da semana passada, este roteiro teve muito mais senso e compasso. Sabia o que queria conversar e que reticência deixar para nos fazer pensar. Alguns dos pormenores do peso da maternidade foram retratados e isso me deixou satisfeita. Justamente porque tudo foi pensado para impulsionar Jane um pouquinho mais para seu incerto futuro. As abordagens foram muito intencionais e, de quebra, apertaram botões – e muito me admirou ver Sloan de baixa guarda. Acostumada demais em vê-la contestar, presa ao ceticismo constante, essa foi a trama em que ela simplesmente ouviu.

 

Jane Sloan simplesmente cedeu. Um diferencial tremendo perto da Jane Sloan da semana passada que parece um fruto da minha mente de tão descaracterizada. Neste, vimos com mais clareza o quanto seu papel como peão de trama influência todo o resto. Algo que venho repetindo, mas, dessa vez, friso na questão de ânimos. As emoções têm um grande peso em The Bold Type. Por vezes, são harmoniosas. Por vezes, não. Mas nunca mesmo como aconteceu no 2×07.

 

Com este episódio, ganhamos Jane, Sutton e Kat em suas verdadeiras essências. Falando a mesma língua. O que cabe também dizer sobre o quanto o cenário da Scarlet não pode sair totalmente de cena. Muito menos Jacqueline. Como disse nos textos sobre a S1, a revista é o palco. A editora-chefe é o iniciar da rodagem do ponteiro. Esse grupo precisa ficar junto para fortalecer a premissa central.

 

É na Scarlet que as melhores histórias são contadas porque lembramos do que a série quer transmitir: seu feminismo e empoderamento furtivos. A pegada das mães foi positiva, sem os tropes batidos de sempre e respeitando o espaço da personagem em destaque. Sloan estava belíssima em sua vulnerabilidade justamente porque, ao contrário da semana passada, o roteiro a beneficiou prontamente. Acreditou na sua dor. Na complexidade que vive todo dia.

 

Criaram-se camadas dentro desse assunto que mostraram que nem toda pauta pessoal desenvolve no mundo Scarlet. Nem tudo que existe dentro de nós precisa se transformar em história para todos. O que Sloan vive é intimista. Intrínseco. Complexo. Por vezes, impossível de se conversar porque nem ela entende ainda como se sente. Deixá-lo em privado tornou a proposta da semana prudente. Com a dose de emoção e de tom de conversa certeiros. Uma pegada que faltou na semana passada por ter feito o oposto, ou seja, ter escancarado uma camada de Sutton que poderia ser conversada no closet. Resultado que ainda não me desceu.

 

Só sei que estou contente com este episódio. Trouxe o melhor dos personagens em cena. Fez a tríade pensar sobre seus papéis como futuras mães e dos pais que seguem em suas sombras. Foi uma conversa de todo mundo, sem discriminações, e que assentou o clima para a girl trip na semana que vem.

 

Highlights

 

The Bold Type - 2x08 - Kat, Cleo e Jacqueline

 

Kat viveu o momento de marcas que mentem. No caso, uma que jurou ser tudo de bom na face da Terra, mas que financiava grupos de ódio. Assim fica difícil, né?

 

O efeito Cleo bateu em cheio em Kat e eu amei. Adoro mesmo quando focam no profissional dessas meninas, especialmente pelo fator que comentei nesta resenha: dar continuidade a trajetória delas. Antes desta temporada começar, um dos pontos realçados como chave foi a representatividade. Algo pincelado no 2×02 e que encontrou sua nova onda por meio de uma marca nada friendly com as minorias. De quebra, que queria usar Edison como Band-Aid de reputação. Not today Satan!

 

Como disse Jane, Kat não seria ela mesma sem uma chamada de atenção e a serenidade de quem manda shade me arrancou uma belíssima risada. Não menos importante, aumentou minha curiosidade de saber a vida de Cleo antes de se tornar a CEO da Scarlet. A veia blogueira fitness da pior espécie me incomoda tanto, mas tanto, que nem consigo defender essa personagem. Sério.

 

Mas graças à ideia nada brilhante de Cleo que Kat entregou, muito brevemente, o quanto tem pensado sobre a influência de ser negra. Foi humano ela simplesmente topar a iniciativa fake da CEO, mas, na hora, me perguntei se essa garota não checou o Reclame Aqui da empresa – porque eu sou essa pessoa que não perde chance e joga no Google – antes de assinar o contrato. Um erro muito bem destrinchado e que destacou a irresponsabilidade da mulher que está acima de Jacqueline. Faltou orientação, pois revista e blog regem por um cronograma totalmente diferente. Além disso, vê a publicidade de uma forma um tanto mais complexa. E tem um jurídico voraz demais.

 

Daí, temos Jacqueline, totalmente esclarecedora. Com um opinião que cabe em todos os veículos. É importante ter responsabilidade pelo que você divulga e com quem você se envolve para dar um up na sua marca. Os argumentos dela foram incríveis e podem ser levados para a vida. Essa mulher é a real chefe da Scarlet, por mais que não queira esse papel, e mostrar o quanto Cleo errou linda e educadamente me fez aplaudir de pé. Eu amo uma mulher!

 

Eu gosto muitíssimo do papo burocrático da Scarlet. Quando Richard aparece, fico feliz. Por mais que eu negue meu lado jornalista, me torno uma extrema sugadora dessas informações. O que mostra que até mesmo essa parte da série é levada a sério. Não é glamourizada como se a revista nunca sofresse com algum problema – e amei o fato da reunião de orçamento, necessária demais.

 

A real é que há empresas que têm se apropriado de lutas para dizer que estão engajadas politicamente. Aqui no Brasil, temos um exemplo (não sou blogueira famosa, mas achei melhor nem citar nomes) que se diz girl power e tudo mais quando o seu dono não vale nem 10 golpes. Há muitas outras que fazem o mesmo e, com uma pesquisa aprofundada, você descobre quem é uma falcatrua. Quem tem se usado de feminismo, da luta LGBT, do veganismo, entre outras pautas, só para vender. E, como mencionado neste episódio, para realizar uma limpeza fulminante de imagem.

 

Kat caiu nessa falcatrua pelo desejo de ser uma figura representativa dentro de um mercado que a mulher branca canta em maioria. Ser protagonista de uma coleção de cosméticos que se dizia pra frentex, para todas as peles e etc., encheu meus olhos também e me vi inclinada a saber mais sobre isso. Meramente pela questão do produto ser dito para todas as peles visto que há linhas que não alcançam as mais variadas tonalidades que a pele negra tem. Pensei que haveria essa abordagem para reforçar a relevância de Edison, seria excelente vale dizer, mas se tratou de um viés sutilmente político que funcionou à sua maneira e que contrastou quem é que manda na Scarlet.

 

Claro que o resultado do comportamento de Kat foi estelar, porém, surreal. Na vida real, o risco de demissão por uma dessas é garantido. Independentemente, digo que ela precisava voltar ao cerne que a fez ter consciência da relevância do seu papel. Mesmo amando Kadena, sou mil vezes esse tipo de plot porque desenvolve sua individualidade como chefe de mídias sociais. Não esperava menos que isso da parte dessa personagem como reação a uma empresa falcatrua. Tirou-se o drama de relacionamento que eu mesma queria folga. Um foco que em excesso nunca dá certo. Foi um caminho feliz e que instalou mais uma semente de maturidade em Edison.

 

The Bold Type - 2x08 - Sutton

 

Agora, o que dizer sobre Sutton? Parece que, com o retorno de Jane para a Scarlet, o pessoal resolveu acertar a storyline dessa personagem. Dessa vez, eu vi minha Nora Ephron – criativa, engraçada, fofíssima, com comentários certeiros e com uma vontade gritante de dar o seu melhor. Red fez uma escalada de transição maravilhosa e vinha considerando um tremendo desperdício fazê-la passar muito tempo com Brooke. Gostaria de pensar que essa garota nem volte, mas ainda me questiono se aquele valor exorbitante vai mesmo passar batido.

 

Foi muito bom capturar sua dificuldade na reunião de orçamento. Foi muito bom vê-la correr atrás de tornar um novo photoshoot possível sem aqueles 10% que foram cortados. Além de mostrar sua eficiência, ela mesma cutucou o que muitos chefes evitam: sair da zona de conforto para não perder seu conforto. No caso, entregar que, às vezes, menos é mais. Nem sempre funciona, pois, neste caso, falamos do Departamento de Moda. Um núcleo que exige do capitalismo para existir.

 

Esse pedaço de mundo da Scarlet é muito divertido. Além disso, permite que Red se desenvolva. O lado cômico daqui não pode ser perdido porque é o diferencial da costumeira tensão existente no mundo da moda. Inclusive, é o diferencial da relação com Oliver e que poderia ser a pior de todas.

 

E vale destacar muito brevemente o fato de Sutton ter comentado sobre a mãe de novo. Semana que vem tem, hein? Claramente, o 2×08 é o episódio que deposito todas as minhas expectativas.

 

Concluindo

 

The Bold Type - 2x08 - Jane, Sutton e Kat

 

Quando vi a promo deste episódio, pensei, como sempre, que The Bold Type pisaria na jaca. A experiência com o 2×07 deixou sua marca negativa em mim por não ter sido costumeiramente incrível por toda a desconexão da premissa e pelo diálogo nem um pouco coeso diante de tudo que a série trouxe em sua jornada. Cheguei para ver a proposta da vez com os dois pés atrás, especialmente por medo de Jane estar grávida. Afinal, ao longo da S2 aprendemos que a série corre no desenvolvimento das suas personagens e que a separação delas não foi tão benéfica assim.

 

Com o retorno de Sloan à Scarlet, uma das coisas mais esperadas da minha parte foi que a tríade retornasse a ter sua harmonia, de maneira que a história trouxesse tanto delas quanto da personagem em destaque. Isso voltou a rolar de verdade esta semana. Sem se esquecer da sutil pincelada no background de cada uma e de mostrar que elas funcionam melhor juntas.

 

Não menos importante: que elas entregam tramas de qualidade uma vez unidas no cerne.

 

Aqui, ganhamos uma semana completa. Com revista, com Jacqueline, com Cleo, com Alex, com tudo que a gente tem direito. Esbaldei-me! Sinto-me recompensada pelo mico do 2×07.

 

Apesar dessa alegria, preciso confessar: senti um tantinho de dificuldade em escrever esta resenha. Eu não consegui me relacionar com o episódio. Não só com o papo da maternidade e tudo mais, mas porque ele não deixou de ser um tanto monótono. Houve sua pertinência, mas as passagens de um viés a outro transpareceram uma lentidão. Dificilmente eu sinto uma trama de The Bold Type passar, mas, assim como na semana passada, eu senti o tempo e me distrai vez e outra. Isso não anula seu bom compasso, pois a história veio mastigadinha.

 

Eu realmente amei todas as camadas que este episódio explorou, especialmente no quesito burocrático da Scarlet. O roteiro foi muito bem escrito, levantou pontos que casaram com a angústia de Jane. Criou-se uma escalada de assunto que culminou em uma conclusão que coube ao que Sloan vivenciou esta semana. The Bold Type voltou a se comunicar dentro do que domina e trouxe uma trama bastante sólida apesar do seu compasso aparentar ser mais longo.

 

Escolheram uma maneira saudável de abordar maternidade visto que Jane tem um tantinho mais de dificuldade de se abrir. Talvez, a lentidão foi proposital, pois, ao contrário de Sutton na semana passada, essa personagem teve mais tempo de digestão dos fatos. Só assim para ela se abrir como se abriu. Independentemente, a trama valeu por todo seu esforço. Normalmente, custaria horas para essa moça revelar o que a incomoda, mas o peso da ausência da figura materna, diante de uma saia justa, a fez apenas se entregar. Entregar seu medo e nos convencer de que ele é real.

 

E eu quero pegar minha filha pequenina nos braços.

 

Tal viés de trama só seria mais possível ao se colocar a tríade na mesma pauta. Tudo foi pensado para desenvolver mais esse background de Jane tão quanto respingar nas figuras maternas e paternas de Kat e de Sutton que ainda pesam. Fato que abre para o futuro que saberemos de Red, outra personagem que já denunciou nas entrelinhas suas tretas com a sua mamãezinha.

 

Basicamente, este episódio foi o início do laço rumo ao fim da temporada. Espero que a conclusão, daqui duas semanas, seja tão boa quanto a entregue na S1.

 

Termino esta resenha muito contente com The Bold Type. Amo minha série, acredito nela e espero que esta temporada esteja servindo de lição para a S3 que, no momento, se encontra em processo de gravação.

 

E, para não dizerem que não teve lição, repito o que escrevi na resenha do 1×06: cuide da sua saúde.

 

PS: e Pinstripe que retornou ao mesmo prédio da Scarlet, hein? Proximidade de personagens, no mesmo cenário. O que reforça minha opinião sobre este episódio ter sido finalmente o representante da dinâmica costumeira da série.

Stefs
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