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07/ago

Finalmente este episódio de The Bold Type chegou e que experiência divertida não? A espera compensou, pois minhas expectativas até que foram atendidas. Senti-me como se acompanhasse um day off das meninas, que nem foi tão day off assim porque o roteiro veio regado de drama. Por outro lado, não deixou de ser uma folga forçada (e merecida), especialmente por colocá-las na mesma página a fim de tratar algumas pautas pessoais. Com a Scarlet de lado, tivemos um dia quase comum, com tequila, cantoria no carro e karaokê. Faltou mesmo pijama e filme ruim.

 

A semana abriu com uma excitada Sutton que mal conseguia se conter após receber a notícia de que irá para Paris e curtirá a Fashion Week. Meu coração ficou bem quentinho ao vê-la, finalmente, inserida em uma storyline que preste. Nesse mesmo redemoinho de alegria e de preparo rumo a um grande sonho, lá estava Jane, sendo cutucada sobre um futuro inadiável que envolve seu plano de fertilização, e Kat, estressada com o relançamento do site da Scarlet. Soma de fatores vital e que foi trabalhada ao longo da road trip. Viagem que trouxe uma mudança refrescante de cenário, muito mais bem quista em comparação ao que vimos ao longo da 1ª metade desta temporada. Fora do ciclo vicioso, a tríade teve a chance de trocar experiências pra valer e de tentar resolver o que as afligiam.

 

Deveriam ter proporcionado mais esses momentos. É isso o que tenho a declarar.

 

O intuito principal da premissa desta semana foi nos apresentar a parente que faltava da tríade: Babs Brady. Até este episódio, só sabíamos que Sutton tinha problemas com essa mulher, mais conhecida como sua mãe, e que existia uma relutância da sua parte em falar sobre ela e mantê-la por perto. Ao longo da S1, foi tátil o distanciamento entre ambas, que se fortaleceu com uma Nova Iorque que acolheu Red de quase braços abertos. Um acolhimento buscado para deixar o passado atribulado pela figura materna no passado.

 

Depois de 84 anos, ganhamos a continuidade dessa storyline. Aqui, compreendemos um pouquinho mais as referências que Sutton deu lá na S1 sobre si. No caso, o não querer se relacionar com seu passado e o medo de retornar para esse passado caso sua carreira desse errado. Finalmente, todo o mito do único dólar que a personagem tinha na carteira ganhou cenários e faces. A partir disso, só drama com base em uma fortíssima desconfiança.

 

Com um retorno forçado às raízes, Sutton embarcou com as amigas em uma missão quase impossível e conhecemos mais uma parte da sua história. O retorno a uma cidade Natal que ela não escondeu um só minuto o seu desprazer. Um desprazer que acabou centralizado muito mais na expectativa dessa personagem em ver a mãe acabada como nos velhos tempos. Sensação que trouxe também o medo de ser testemunha em mais um episódio embaraçoso estrelando mãe e filha.

 

De tanto que Red dizimou a figura materna, antes mesmo de revê-la, eu mesma pensei que nada de bom viria desse reencontro. Eu aguardei ver a mãe bêbada e a filha recolhendo os pedaços porque os comentários de Sutton foram assertivos do começo ao fim. Ao menos da minha parte, não havia dúvida quanto ao possível pior cenário que essa personagem encontraria.

 

Felizmente, nada disso ocorreu. Babs surpreendeu ao se revelar sóbria e feliz de ver sua primogênita. Além disso, agarrada a uma repaginada que se revelou como um empenho para voltar a se relacionar com a filha. Um combo de verdades lançado e que foi um dos ápices deste episódio. Não esperava mesmo que fossem por esse percurso do bem porque o ranço de Red pela matriarca era pungente demais. Ela estava convencida da sua própria verdade sobre a mãe e o conflito do roteiro se deu pela mãe ter provado o contrário.

 

The Bold Type - 2x09 - Babs

 

Babs surgiu toda contrária aos comentários azedos e aos desconfortos apresentados por sua filha. Nada do que foi incitado/comentado, ao longo das tentativas de Sutton em conseguir sua certidão de nascimento, estava presente na fisionomia de uma mulher que se mostrou saudável e saudosa. Foi um choque para uma jovem adulta que só queria resolver seu BO o mais rápido possível e vazar. O lado bom é que Red entregou mais um instante vulnerável e verdadeiro. Que fez umas cócegas chorosas em meu coração.

 

A angústia da ideia de estar diante de um parente problemático depois de tanto tempo foi muito relacionável. No método mais simples, Sutton queria adiar o inadiável. Porém, a personagem teve que passar por uma prova, das mais complexas, para conquistar o sonho de finalmente ir para Paris. Retornar a uma determinada parte do passado não é uma tarefa fácil. Não quando essa parte ainda tem certo poder sobre quem você é e quer ditar quem você ainda pode ser. É uma parte nociva, que gera traumas, e ver Red relutante em vários sentidos foi plausível. Ninguém quer revisitar uma parte da vida que é pura ferida.

 

Mas chega uma hora que precisamos revisitar essa parte para nos libertar. Principalmente se pensarmos em assuntos inacabados. Sutton necessitava encontrar uma zona de respiro em um passado que não lhe foi muito amigável. Nem digno de rememorar. E, assim, seguir adiante, sem tanta desconfiança e tanto azedume em seu belo coração.

 

Sutton se encheu de bravura para lidar com esse passado que é daquele tipo que retorce e que acarreta um misto de vergonha e de mágoa. Meramente porque essa parte costuma remeter a uma fase em que não temos muito controle da vida. Até a fase adulta chegar, normalmente somos norteados pelos nossos responsáveis. Como o caso de Red. Uma vez de volta, tudo sinalizou para uma versão dela que não existe mais e que ela claramente não queria reviver. O mesmo se aplica ao estilo de vida que também não mais lhe apetece.

 

Além da desconfiança, medo é uma palavra que a sondou também. No fundo, Sutton não queria voltar porque relembraria da parte do passado em que viveu à mercê da mãe. Uma codependência de uma via só. Ela quis evitar a todo custo o reencontro com Babs para não saber como a figura materna levava a vida – sendo que ela estava convicta do dito possível modo. Tamanha rejeição que vem da sua ferida mais dolorida que pulsou em todo o percurso. Aquela que roubou sua respiração em meio ao receio de rever a matriarca que a sugou em seus problemas com o álcool e que a tornou a babá de suas bebedeiras.

 

Aqui temos uma completa inversão de papéis visto que Sutton se tornou a mãe da relação. Ciclo que eu conheço e que me deixou mais próxima da proposta deste episódio. Vi-me em uma espiral que não revisitava há muito tempo porque eu mesma evito ir ao buraco mais dark do meu cérebro.

 

Revisita é a palavra ideal para os desdobramentos desta semana (e fiquei com gosto de quero mais). Uma palavra que pode ser boa ou ruim devido ao recorte do passado revivido. Aqui, teve sua entonação ruim, pois, muito além de ter que rever a mãe anteriormente problemática, Sutton teve que lidar com o reabrir de outras feridas. Aquelas que também ardem e que são parte das memórias nada felizes. Aqui, houve a denúncia do quanto ela se tornou deslocada de uma pintura que permaneceu boa parte da sua vida. Com pinceladas que se tornaram profundas e passíveis de dor imediata ao menor cutucar. Um tom negativo, mas que ela conseguiu escapar.

 

Uma escapada que fez Red herdar uma guarda altíssima. Uma guarda que jamais pensei que ela tivesse por ser a pessoa das pessoas.

 

Uma vez sem saída sobre sua certidão de nascimento, vimos a muralha de Sutton subir depressa e atravancar. Tudo nela abraçou uma opinião muito certa sobre o que veria uma vez naquele lugar e a outra sacada do roteiro foi derrubar essa defensiva. Um feito que deu certa paz a Sutton e gostaria que durasse. Ela merece essa paz.

 

Pouco a pouco, vimos a contradição de Babs cair por terra e Sutton não saber o que fazer diante dessa reviravolta nada premeditada. O que poderia ser celebrado culminou em uma DR que trouxe à tona uma parte muito machucada de Red e que precisa regenerar. Uma parte dolorida visto que ela bateu de frente com as memórias de um looping nocivo. Experiência íntima que tornou complicadíssimo o crer que tal looping não existia/não existirá mais. Eu me vi no ceticismo enraizado dessa jovem e que se sai como âncora de autoproteção.

 

The Bold Type - 2x09 - Sutton

 

Sutton entregou uma defensiva que imagino que seja superior a todas as outras que não testemunhamos ainda. Afinal, ela chama a mãe de Babs e salvou o contato dela como Babs. Por essa ser a primeira grande trava dessa personagem, daí temos a regra de que ninguém tem acesso ao seu verdadeiro eu e nem a habilidade de compreendê-lo em sua pureza. Afinal, se trata de uma casca que vai se engrossando com o tempo e que se torna uma armadura. Uma vestimenta fortificada que, em algum momento, é incorporada automaticamente.

 

Por outro lado, uma hora essa roupagem trinca e se desfaz. Algo que não acontece de uma hora para a outra, pois requer muito autoconhecimento. Ou um baque fortíssimo, algo que rolou com Sutton.

 

Nessa mesma situação, há outra verdade de quem viveu algo parecido com a storyline de Sutton: sempre esperar o pior. Conforme a trama desenvolvia, não havia um pior a esperar, muito embora ela tenha incitado a dita “hora da verdade” ao estar diante da pessoa que mais a magoou. Se a conversa fosse mais enérgica ou se Babs estivesse bêbada, nada terminaria bem. Apenas, transferiria mais dor a um alguém que tomou várias medidas para não ser definida pelo passado. Um alguém que não queria só aquela realidade.

 

Desconforto. Raiva. Cinismo. Julgamento. Algumas impressões e emoções que a acompanharam nessa revisita que tinha tudo para dar errado. Eu mesma achei que floparia total, mas cá temos um resultado positivo e que nos convidou a retroceder ao frame do passado que nos mudou. De quebra, nos mostrou a importância da conversa e de perdoar.

 

Uma vez em Nova Iorque, Sutton deixou de ser o mundinho que compôs sua adolescência e a filha-babá de uma mãe problemática. Sua relutância em retornar deu pungência a um desconforto nada discreto. Ela não queria estar lá, não só para não ter que rever a matriarca, mas para não reviver essa camada tão ruim que ainda tem sua influência. Um peso que Red carrega desde a S1 e que mexe com suas estruturas, como bem vimos neste episódio. Peso que representa todas as suas decisões para não ser a garota de cidade pequena com o mesmo tipo de futuro. Ou a pessoa que reprisa o comportamento dos progenitores, como normalmente acontece e não há exatamente a quem culpar. Ambientes nocivos transformam e leva tempo para se encontrar uma ponte de salvação.

 

Uma vez fora do ciclo, não quer dizer que tudo tenha acabado. Há o resquício e Babs é um. Ela é a ferida mais dolorida, aquela que tem o poder de lembrar de onde você veio e para onde você vai/irá. É aquela que tem poder de incitar até mesmo a autodúvida. Daquele jeito que temos medo de espiar por cima do ombro ou de correr o risco de ver diante do espelho a verdade de que nos transformamos naquilo que se teme/evita. Com sorte, tudo termina bem. Como aconteceu com Sutton.

 

A personagem em destaque encandeceu seus esforços, mencionados na S1, sobre sair desse ciclo nocivo de ser babá da sua mãe e trabalhar com Moda. Situação que, neste episódio, entregou também uma de suas camadas precárias: Sutton “vivendo” na van do tal Billy. Um detalhe que pesou demais, pois ficou subentendido que Red ou não tinha acesso à casa durante os episódios de Babs ou não tinha mesmo gosto de ir para um lugar que estava longe de ser um lar.

 

O que recebemos neste roteiro foi pouco, mas o suficiente para podar nosso imaginário sobre as Brady. Por ser testemunha da degradação da figura materna, Sutton deu um basta e decidiu ter um futuro. O fato de correr atrás do que acreditou que merecia pode posicioná-la como egoísta e penso que tal visão deve tê-la freado. Afinal, deixar uma mãe dependente é uma decisão e tanto.

 

Quando se viveu um ciclo nocivo com um parente, uma das coisas que ocorre é a incerteza de poder ir embora. Isso mesmo, poder. Se você é o sustento, tanto financeiro quanto emocional, sempre rola o questionamento do que será daquelas pessoas sem você. Cada recusa é seu anular, e Sutton claramente não se deixou anular. Ela foi atrás e tem sido bem-sucedida até então.

 

O passado tem maneiras misteriosas de sacudir nossa vida e, às vezes, se reinventar é preciso.

 

A carreira no ramo da Moda foi algo que ela lutou para ter e isso trouxe brilho aos seus olhos. Liberdade, especialmente financeira. Ela é a personagem que começou com um job considerado medíocre, a única aparente escolha por nunca ter feito faculdade. Frames e frames que entregam o fato de que Red teve muitas adversidades. Uma vimos. Outras ainda não. No fim, tudo remete ao ciclo de transição que mais me inspirou nesta série. A transição do bad place para o good place.

 

Uma caminhada que teve drama, frases de efeito e um moodboard que é meu exemplo até hoje.

 

Sutton se mostrou determinada a conseguir a vaga no mencionado Departamento, mas, dessa vez, sua determinação, mais voltada para ver a mãe dizimada, falhou e derrubou suas defesas. Era uma determinação unilateral, pois ficou meio claro que essa personagem não teve mais controle de Babs assim que foi embora. Havia um penhasco entre elas e este episódio as comprimiu no mesmo cerne. Porém, nada disso nega que Red se recriou em cima do passado e tem alcançado seus sonhos.

 

Eu a entendi do começo ao fim deste episódio porque eu mesma tenho aquela camada do passado que, às vezes, quer ser dominante. Pelos eventos negativos de alguma parte do passado ser a nossa verdade, contradições não caem muito bem. É como se precisássemos do conflito para mostrar que estamos certas. Sutton queria estar certa e não foi nada disso que rolou.

 

The Bold Type - 2x09 - Babs e Sutton

 

Este roteiro deu as mãos ao anterior. A maternidade é um papo que tem rolado solto nesta temporada e Sutton veio para arrematá-lo. Honestamente, eu esperava um tanto mais de conflito visto que ela é quem tem o parente problemático. Não foi exatamente o que rolou, pois focaram bastante na dinâmica da tríade. Medida que suavizou uma situação que poderia escalar para um nível absurdamente estressante. Quase inconcebível. Considerando que este é o penúltimo episódio da temporada, a escolha de deixá-las mais leves em meio à fuga da realidade foi bem quista.

 

No geralzão, a trama fez justiça a todas, especialmente para uma Red que precisava encarar uma nova versão da sua mãe. Distante daquela que tirou sua expectativa na juventude – e que voltou a inseri-la e soou como uma pegadinha. O arremate oriundo do rememorar de Babs sobre o desejo da filha em ir para Paris deu a conquista de uma porta meio-aberta. Um novo sopro com o intuito de deixar Sutton igualmente leve para seguir adiante. Para conhecer sua Paris sem aquela impressão constante de empaque.

 

Reuni-las não deixou de ser um trabalho um tanto árduo. Com suas pequenas complexidades. Inclusive, com julgamentos, aqueles que sempre centralizam em Jane e que acabaram cedidos para uma irredutível Sutton. Justamente para reforçar o medo de ver a progenitora em seu pior estado.

 

Ao contrário do que acontece com Sloan, em que essa onda de ceticismo é mais pesada e, por enquanto, inescrutável, Red se mostrou mais maleável e acabou cedendo no fim de tudo. Um ceder que destacou um traço importantíssimo da sua personalidade: abaixar a guarda somente quando se sentir segura. Ou, se preferirem, na certeza de que o campo não será mais minado.

 

De todas as storylines sobre pais, eu sempre me identifico com quem conviveu e cresceu com figuras problemáticas. Por isso que não consigo reunir motivos para julgar a atitude de Sutton em ser defensiva diante da mãe. Essa foi minha realidade, com alguns vieses diferentes, e Red praticamente contou uma parte da história da minha vida.

 

Logo, e de um momento a outro, me vi relembrando do 1×02, em que Red conta os motivos de ter vazado para NY e o peso daquele dólar que poderia significar o seu fracasso. Vi-me baqueada porque eu me vi, e ainda me vejo, na constante batalha de ter o que eu quero. E de ser um alguém mais distante possível de uma parte específica do meu passado que vira e mexe me atormenta. Este episódio foi apropriado para mim porque eu mesma tive vários revivals da adolescência e relembrei do quanto eu não tive suporte nessa fase. Eu mesma tive que me criar, como Sutton. Eu vivi (e acho que ainda vivo) a inversão de papel – que, claramente, Sutton não vive mais.

 

E me criar casa – mais uma vez – na questão de novo normal citado por Jacqueline na S1. Pode não ser relacionado a estupro dessa vez, mas calha na questão de nos reinventarmos em cima de circunstâncias boas e ruins. Sutton pegou seu sonho e o tornou sua principal vestimenta. Ela se distanciou do passado e criou seu próprio normal que nada mais é viver o que sempre quis para si.

 

Salvo o romance, vamos ser honestos.

 

The Bold Type - 2x09 - Billy

 

Por mais que eu seja fã do papo de que o passado não nos define, há certas partes que insistirão por um longo tempo em tentar nos abocanhar. Sutton se viu diante desse monstro que tinha garras e dentes. Ela espiralou em muitas coisas, desde um claro relacionamento podre com Billy até as memórias de uma mãe que não conseguia manter a sobriedade. Pergunto-me onde estaria o pai e se deu ruim também. Meramente porque essa evitação foi completa e me botei em seus sapatos.

 

O ato de Sutton viver na van de Billy se traduz para mim como ir dormir na casa das amigas e não querer voltar mais pra casa porque a casa era bad. Sem contar o asco de retornar para um ponto do passado que você sabe que não pertence, mas, de certa forma, e de uma forma infeliz, ainda representa. Red não foi muito verbal nesse quesito, mas seus trejeitos entregaram que ela não estava se sentindo bem ali. Muito além da ideia de ter que rever sua mãe.

 

Todos aqueles desconfortos e receios… Eu me vi nisso. Há o peso do passado que ainda me assombra, que me pega de jeito, como aconteceu com Sutton. Foi realmente importante a cena em que ambas conversam porque cai, mais precisamente, no fato de que não sabemos o que há do outro lado. Red não sabia os motivos da transformação da mãe e chegou a duvidar até mesmo da existência de um motivo. Afinal, tudo que sua mãe lhe deu foi desesperança.

 

Uma emoção do ciclo vicioso nocivo que gruda e que parece que nunca se dissipa. Ainda mais quando falamos de pais problemáticos. É mais difícil se desvencilhar, especialmente quando se tem interação direta. Você quer acreditar que não tem mais responsabilidade, mas, veja lá você, afundando no mesmo frame de um passado que possivelmente te destruiu. Sutton cansou disso.

 

O que marcou neste episódio é que Babs é sinônimo de expectativas não atendidas. Foi isso que cutucou o âmago da sua filha. Essa nova fase dela é uma nova expectativa, oposta ao dito comum, e Sutton relutou em abraçá-la mais por autopreservação. Para evitar, por exemplo, um telefonema drástico da mãe visto que retornaria para NY. Para o presente que suprime seu passado. Por Murphy ou não, chegou a hora das duas se resolverem e espero do fundo do meu coração que não role mancada. Red faz o tipo de maior sugadora de expectativas e não lida muito bem com mágoas profundas por ser aquela que explode.

 

The Bold Type - 2x09 - Sutton

 

Querendo ou não, a lista de cobrança sempre volta para assuntos inacabados. E ambas tinham um assunto inacabado que, pelo visto, seguirá inacabado devido a outra esperança: reaproximação.

 

Se tudo ficará bem ou não, eis uma ponta solta de angústia para Sutton. Neste episódio, ficou tudo bem. A cumplicidade e o entendimento dessas mulheres renderam uma nova expectativa. Positiva, mas com grandes chances de ser quebrada a qualquer momento. Eu espero que não, mas The Bold Type ainda tem uma temporada pela frente. Uma vez que os pais da tríade já foram apresentados, trazê-los será mais fácil no futuro. E espero que seja com boas notícias.

 

(e sei que não será porque eu mesma gosto da nave da Xuxa).

 

A real é que nunca há momento certo para lidar com a parte do passado que mais nos machuca. Às vezes, ela simplesmente desfila embaixo do nosso nariz. Sem aviso. Para nos testar. Principalmente se há uma leva de assuntos inacabados.

 

Sutton entregou mais um momento de receio e de fragilidade que arrematou a exaustão emocional. Por ter acompanhado as quedas da mãe, foi normal vê-la arredia e arisca. Não há julgamentos. Nem mesmo sobre o que fazer com essa dor porque ela é sua e de mais ninguém.

 

Apesar da proposta leve ao redor de Sutton, graças a companhia das amigas, temos uma personagem com uma bagagem nem um pouco positiva quanto à sua juventude. Eu nunca neguei minhas similaridades com Jane, mas, desde o episódio passado, tenho pensado no quanto gosto mais da transição de Red. Ela é a mana dos sonhos. Que saiu da cidadezinha para conquistar o mundo. Tem um passado ruim que ela não se permitiu transformar. Um passado que é dor e força. Um lembrete para que vença dentro dos seus objetivos.

 

E, arrisco a dizer, em não ser como a mãe.

 

Por mais que não tenha sido dito, foi captável o quanto Sutton não quer aquele estilo de vida ou ser associada a ele. A diferença é que essa personagem não é arrogante. Ela não pisa nas pessoas. Red tem consciência do que a machuca, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel – apesar de ter dado de ombros para a mulher que a pôs no mundo na menor chance. Algo que também não julgo. Quando se tem marcas demais com seus progenitores, destravar os entraves não é fácil assim.

 

A solução entre Babs e Sutton foi feliz, mas tensa. Como disse, há todas as chances possíveis para a mãe quebrar sua sobriedade porque sempre há o retorno aos velhos hábitos. Sempre há eventos que nos impulsiona para o lado escuro de nós mesmos. Por enquanto, Red ganhou um dia claro. Um dia com risada, com bebida, com um amigo que faz piada besta e uma Paris para sonhar. Sua premissa funcionou perfeitamente, cheia de reencontros em uma realidade que ainda a afeta. Agora, é hora de trabalhar o perdão.

 

Highlights

 

The Bold Type - 2x09 - Kat e Jane

 

Salvo Kat que foi envolvida por algo comentado no início desta temporada, Jane espiralou na cobrança lançada no 2×08. Continuidades, gosto assim!

 

Esta semana, The Bold Type veio presa à continuidade. Artifício mais palpável na storyline de Jane, a serumaninha que teve que lidar com os resquícios do episódio anterior. Devo dizer que foi um tanto intrusiva a forma como Ben entregou aquela apostila. Fiquei com ela sobre ele querer meio que definir sua decisão e tentar adivinhar o peso que ela carrega quando esse assunto é fora do alcance de todo mundo. O bom é que Sloan reconheceu a atitude como gratidão e não partiu para suas discussões (que eu também não aguento mais).

 

O mais bacana é que esse desencanar de Jane bate no que comentei na resenha passada: como viver sem pressa quando a vida requer essa pressa? Ela tem o gene BRCA e isso foi dito como o suficiente para impulsioná-la a correr. Ideia que se enraizou na sua mente e, ao contrário do esperado, Sloan escolheu não lidar. Outro ponto de relaxamento dado a personagem mais regrada se pensarmos em Sutton e em Kat. O mais comum seria esperar remorso da sua parte por ter adiado algo tão importante, mas lá foi ela curtir seu dia impulsionada pela pauta da vez.

 

Sloan disse várias vezes que é preciso curtir seus 20 e poucos anos e que seria maravilhoso não ficar tão bolada em tomar decisões imediatas. O peso do 2×08 se manifestando e pedindo uma solução. Para uma serumaninha que tem uma lista de afazeres, vê-la comentar sua angústia, mesmo que bêbada, me fez feliz. Meramente porque a personagem repetiu o comportamento da semana passada em se abrir. Por ser a moça do conflito, tirá-la da sua tradicionalidade trouxe pontos positivos (e tenho certeza que, se não tivesse álcool, ela teria arrasado Sutton com seus julgamentos, por vezes, desmedidos). Ela foi testemunha da road trip, mas aberta aos seus incômodos que fortaleceram o intuito de sua storyline. De quebra, sua angústia agregou mais ao desconforto geral em que nenhuma das meninas saiu com a cara partida em um sorriso.

 

Tudo intencional para dar espaço ao drama a ser arrematado no 2×10. Nem sei o que pensar!

 

A road trip foi a distração diante do trabalho do roteiro em deixar alguns atritos para agitar o season finale. Kat foi essa porta-voz tanto pelo seu posicionamento na Scarlet quanto por não querer mais lidar com o relacionamento aberto (dei amém porque eu mesma não aguentava mais).

 

Tudo bem que esse viés do relacionamento nem foi explorado direito, mas me cansou ver Edison só falando sobre isso enquanto Adena, que era para ser uma personagem regular, desapareceu da série. Pior que eu não tenho uma sensação positiva, vide promo do 2×10. Kadena pode terminar?

 

Adena desenvolveu um total de vários nada ao longo desta temporada e, de quebra, não consigo capturar amadurecimento da parte de Kat nesse relacionamento. Até porque nem relacionamento teve e chego aqui extremamente frustrada. Por isso que deixei de gostar um bocado dessa ideia que culminou na traição. Achei maneira a iniciativa de Edison explorar sua sexualidade, como disse várias vezes quando tive oportunidade, mas não quando só uma parte ganha. Agora, com essa brecha, se mostrou que Adena seguiu adiante com seu trabalho – que tem dado sinais de bons frutos.

 

A comunicação nem é a ponta do iceberg para Kadena. É o propulsor do distanciamento e Kat percebeu isso e Adena deu de ombros. A prometida angústia que tem cheiro de término definitivo.

 

Mas me pergunto sobre o papo do visto de Adena. A S2 falhou em alguns aspectos, como a existência do 2×07, e a mancada aqui precede. Algumas partes desta temporada foram uma bagunça, como a falta de foco nos personagens secundários. Richard, Alex, Jacqueline e a própria Adena só têm surgido para distribuir conselho e nada mais. Tornaram-se apenas artifícios de trama e não parte da trama como costumava ocorrer na S1. Isso é apenas um ponto que destaco sobre o quanto este ano da série tem feito um desserviço.

 

The Bold Type - 2x09 - Jacqueline

 

Jacqueline terá um conflito aparentemente tremendo no finale e foi bom instalar seu início neste episódio. Porém, não curti como essa matéria surgiu simplesmente do nada quando essa personagem nem contribuiu para esta temporada. Ainda assim, meu coração sentiu o impacto.

 

A matéria que a rechaçou deixou o clima pesado e tudo piorou com a questão dos comentários barrados no relançamento da versão digital da Scarlet. Eu não sei… A editora-chefe teve ótimos argumentos para proteger a barragem porque, hoje em dia, o que fica nessas caixinhas é um completo pesadelo. Uma rede de comunicação acaba por se transformar em uma rede de ódio em que se gera mais ruído que uma conversa decente.

 

Por outro lado, estava aí uma decisão que Jacqueline, talvez, não deveria ter tomado tão abruptamente. Assim como um livro, uma revista é do mundo. Uma vez que o conteúdo sai de suas paredes e é publicado, ele é do público-alvo. É para tal grupo que se produz e não o oposto. O que cai na atitude de Kat que, apesar da famosa impulsividade, também teve bons argumentos.

 

Argumentos que venceram e que entregaram uma Jacqueline diferente. A editora-chefe parecia insegura e abatida. Tremida, talvez em peso pela matéria tendenciosa sobre seu papel de ser capaz ou não de ainda gerir um veículo enorme (e que cheira a decadente?). Para piorar, o tráfego do site não cresceu, algo precoce demais para se julgar. Contudo, considerando que é dessa revista que falamos, um pico enorme seria o esperado. Parece que Murphy visitou a Rainha também.

 

Só sei que, em poucos minutos, Jacqueline participou da desconfortabilidade engatada pela premissa da vez e penso que será interessante vê-la lutar para manter seu posto. Apesar de ser incrível, ela é humana. Ela erra. Ela tira suas próprias conclusões. Se a ideia de tirar os comentários foi uma maneira de se proteger da retaliação da matéria, agora a Rainha precisará lidar com as consequências na semana que vem. E a ideia dela sair da Scarlet me estressa.

 

Algumas ressalvas

 

The Bold Type - 2x09 - Suttard

 

Suttard apareceu timidamente, mas veio reivindicar seu posto no bloco da angústia rumo ao finale. Gosto e tenho interesse, mas, quando os vi depois de eras sem dialogar, não senti a magia. É sempre muito bom vê-los juntos, mas, pela falta de mostrá-los na angústia, já tornando o relacionamento dele pronto para casar a fim de magoar Sutton, estou na retaguarda. Não sei vocês, mas eu gosto de sentir a dor do amor do ponto de vista dos personagens. Não gosto muito da situação sombreada porque eu perco a conexão. Ambos foram um dos OTP mais desenvolvidos da série e deveriam ter tido um tempo a mais de tela. Está aí um romance que sinto muita falta.

 

Quem também teve sua chance de brilhar foi Ryan. Uma vez alocado na dinâmica das meninas, lá veio a tentativa de resgatar/enfiar esse triângulo amoroso que ninguém pediu (eu mesma sigo nem um pouco fã). Intento que também vai para o finale para impulsionar Jane a ver as diferenças entre ambos – e quem sabe escolher. Penso que é injusto porque sondam traição.

 

Neste e no episódio anterior, vimos duas versões de Jane em reflexo dos homens que ela se relaciona. Algo que não curto porque parece que ela perde toda a personalidade. Um detalhe que reforça minha preocupação com o comando de Lasher, meramente pela sua experiência em Gossip Girl, uma série que não chega nem perto de The Bold Type. Por motivos de premissa e da idade das personagens.

 

Fico caladinha, mas é possível ver o hábito de conduzir uma história somente a base dos relacionamentos. Podem ver que a Scarlet, o coração de tudo, simplesmente se tornou insignificante. Com Jane de volta ao trabalho, era de se esperar, no mínimo, um pique aproximado visto na S1. E o que se tem visto? Um triângulo desnecessário.

 

Antes que perguntem, esse meu comentário é mais por eu ter chegado ao meu limite quanto a algumas coisas nonsense desta temporada. Como o próprio dito triângulo de Jane. Considerando o que tenho acompanhado nas redes, a galera não se importa. A galera quer a qualidade da S1.

 

E eu também porque esta temporada fugiu demais da relevância que dava ao combo de seus personagens. Algo que acontecia em Gossip Girl em que se perdeu o controle da história e da quantidade de pessoas em cena. E está aí algo que não quero testemunhar aqui.

 

Voltando, a versão de Jane que passou um tempo com Pinstripe venceu. A garota mais livre, mais cheia de estripulias, mas não seria mais legal se esse lado de Sloan viesse naturalmente? Um lado que não estivesse relacionado ao cara? Sem precisar do reflexo do cara como impulso? Por algum motivo, lembrei de Blair Waldorf sendo livre na bebedeira, o que culminou no início da relação abusiva mais conhecida como Chair. Só não darei meu grito agora porque Ryan tem outra caracterização. E é uma pena que tenham acelerado o verdadeiro plot dele que é quebrar o estereótipo de ser o galinha e nada mais que o galinha. Cortaram um caminho aqui que pela Deusa.

 

Um tempinho, li que Pinstripe seria o novo Chuck Bass. E peço respeito porque Pinstripe tem sido um tanto mais superior que esse mencionado (que não curto mesmo, não mentirei).

 

É sempre divertido ter Ryan em cena. Contudo, o personagem não tem valido de muita coisa no quesito pertencimento de trama. Ele só quica para se encontrar com Jane, a fim de reforçar a tese de que esse triângulo amoroso existe. E ele nem existe.

 

A verdade: eu não tenho muito que dizer sobre esse triângulo. Eu não gosto dele, sendo bem sincera, porque todo esse tempo poderia ser dado para outros personagens (como Adena?). Gosto de Ryan, foi bem bom vê-lo chacoalhar Jane para tirar o estereótipo que ela criou em cima dele. Senti firmeza no cara do sorriso adorável, mas, mesmo assim… Qual é necessidade mesmo?

 

Lição da semana: divirta-se mais

 

The Bold Type - 2x09 - Jane, Sutton e Kat

 

Viver o momento. Seja ele qual for e como for. Esta foi a lição que guardei no potinho, muito embora tenha ficado emperrada com Sutton e seu passado. O que me faria dar um conselho do tipo: enfrente seus pais. Algo que não cabe a mim. Não quando eu mesma não os enfrento quando é necessário. Não menos importante, quando eu mesma evito várias camadas do meu passado ao mesmo tempo que busco uma solução para essas mesmas camadas.

 

Mesmo com o peso do passado, é bom se divertir, especialmente quando tudo é sufocante. Quando tudo está fora do lugar. Ou até mesmo para não pensar em tal problema no momento. E tudo bem. Precisamos extravasar de alguma forma. Aliviar a bagagem, mesmo que seja temporariamente. Jane encheu a cara para não analisar seu plano de fertilidade. Sutton nem diversão teve, mas contou com a oportunidade de deixar sua relação com a mãe a panos frios. Kat tentou curtir, mas o estresse do trabalho a interpelou tão quanto a saudade de Adena.

 

O segredo é esse: tentar algo novo. Independentemente das preocupações diárias.

 

Para quem tem a faixa etária da tríade, sabe que tempo é uma eterna treta. Parece que não há tempo para nada que remete à diversão, mas sempre há tempo para ruminar problemas pessoais e se deixar naufragar por eles. Para problemas sempre tem espaço. O mesmo para o trabalho. Nossas necessidades nem tanto. Nós, como somos, encontramos meios de ficar de lado e, por vezes, nos acostumamos graças ao furor da rotina que mantemos diariamente. Não é justo.

 

Não é justo você esquecer que existe. Que suas opiniões importam. Que o que você sente importa.

 

A tríade entregou sua serenidade em um ambiente neutro. Às vezes, precisamos desse ambiente neutro porque nele é possível se expressar sem julgamentos. Viajar deu a chance para essas personagens em viver um dia sem pressões externas. Houve os pormenores, mas as três curtiram a companhia uma da outra e tentaram se curtir no processo. Nada dos seus problemas foram apagados, o que trouxe equilíbrio. De fato, uma vez que a viagem acabasse, os dramas retornariam. E retornaram, sendo deixados como rastro para o finale que espero que seja emocionante.

 

É importante pausar e se ouvir. Se curtir. Seja como e onde for. Jane traz o peso de que a vida pode ser, do nada, curtíssima. E, no mais clichê dos eventos, precisamos nos lembrar disso. O trabalho não nos dá a nossa própria verdade. Na maioria dos casos, o trabalho nos veta e é importante ter a hora certa de cortar as amarras. É importante darmos a chance de ser quem somos. Os dramas estarão lá de qualquer maneira, então, por que não ceder à diversão?

 

Esta semana, The Bold Type engatou problemas pessoais para seguir ritmando o que foi entregue no 2×08. Tudo para dar forma ao finale. Nada mais justo que criar uma zona de respiro, apesar dos dramas persistirem.

 

Este episódio nos entregou uma trama fluida. Bem executada. Porém, um tanto oposta ao clima criado na temporada passada quando se chegou ao final de seu ano. Essas últimas semanas amarraram e conduziram os eventos futuros. Gosto quando os roteiristas optam por sequência e não o truncar do salto temporal. Gosto de salto temporal, vale relembrar, mas menos é sempre mais – e dá em desenvolvimento.

 

Gostei da ideia de road trip. Foi leve e divertida. Trouxe mais dessas manas. Foi uma folga necessária porque em um lugar como Paris todo tipo de nhaca pode acontecer.

Stefs
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