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13/ago

Lembro-me como se fosse ontem de que, em dias ruins, eu colocava O Diabo Veste Prada para dar uma acalmada nos meus ânimos. Eu fazia isso recorrentemente durante meus anos na faculdade e acho que mantive o ritual um tempo depois. O intento ao longo da experiência era reencontrar certa paz interior, algo que eu conquistava com certo êxito. Além disso, panos frios comigo mesma. Assim como muitas fases da minha vida, essa foi marcada pela crescente frustração e a busca por esse tipo de escape tinha seu jeito de me ajudar.

 

Essa experiência sempre teve muito a ver com o preencher de um vazio e/ou o calar de uma emoção ruim. De tapar o Sol com a peneira para não cair na real quanto ao meu suposto flop quase completo à época. Pensamentos que conciliavam de certa forma com o flop de Andrea e eu me via nessa personagem justamente por isso. Com todas as reviravoltas desse filme, eu me via tendo a esperança quase juvenil de que minha hora chegaria, independentemente de ter ou não uma chefe desagradável como a famigerada Miranda. Ao menos no quesito chefia, eu subi na vida.

 

Esse filme sempre encheu meus olhos pelo glamour do mundo da Moda e por tratar o jornalismo de revista (aquele que eu sempre quis). Um mundo do qual já tentei fazer parte e não me dei bem (e nem foi em revista de Moda, mas em uma revista de Educação Infantil). Às vezes, penso que esse mundo ainda mora em mim enrustidamente, mas o silencio. Opção imediata quando acredito quase piamente na minha inabilidade de fazer qualquer coisa. E isso é muito grave, sabem?

 

Apesar de Miranda ser parte do conflito (e parte do problema devido à sua toxicidade) desse mencionado hit, eu ficava muito feliz de acompanhar a trajetória de evolução de Andrea. Era nela que me espelhava, por assim dizer, porque eu queria passar pelo mesmo tratamento de ascensão. Hoje, eu rio da minha cara, pois nem cheguei perto da ascensão. Se é que ascensão pode ser tratada em seu valor real, tese que aplico igualmente à palavra sucesso. É tudo muito relativo. O significado dessas palavras têm um sentido para mim que pode não ser o mesmo para outras pessoas. Ambas andam juntas, mas não necessariamente possuem o mesmo peso na vida dos humanos em geral.

 

O mundo ficcional sempre teve seu jeito de me manter em check-in constante, especialmente sobre o Jornalismo. Ainda assim, nem ele anulou meu descontentamento com a carreira. Sentimento que ainda existe junto ao tímido desespero de ver que não há mais tanto futuro nessa profissão. Vide o que ocorreu esta semana: mais revistas sendo encerradas e mais demissões em massa. Tudo isso me transmite a mensagem de que não existe mais valor no ser jornalista. E, apesar dos pesares, eu fico triste. Podem dizer o que for sobre a morte do impresso, mas ainda acredito nele.

 

Seja como for, nunca fui a mais otimista quanto a essa profissão. Eu mesma me salvei de qualquer ilusão e tenho muito aos meus colegas de classe a agradecer (porque suas ilusões me deixaram mais pé no chão, acho). Hoje, me permito navegar nessa ilusão só na ficção. Como aqui, com The Bold Type, que entrou na minha vida para me trazer justamente o que O Diabo Veste Prada me trouxe (e ainda deve trazer, preciso checar isso): o preencher dos dias mais vazios.

 

A ficção pode ajudar muitas pessoas em diferentes âmbitos. É um fato, vide as conquistas de Harry Potter. Contudo, ela precisa ter sua positividade. The Bold Type meio que tem essa função atualmente e tem iluminado meus dias. Meu envolvimento é tanto que torna meio inviável não me ver estressada quando noto coisas um tanto errôneas, mas é preciso recordar que tudo tem seu defeito. A 2ª temporada concluiu abaixo da 1ª em qualidade de trama, com um finale que me fez torcer o nariz algumas vezes. Contudo, eu escolho lembrar que estou aqui pela jornada da tríade. Elas entregaram mais um fim de trajetória sobre carreira e amizade. E é isso que me importa.

 

Algo que se assemelha a minha experiência com O Diabo Veste Prada. Eu via pela Andrea e desde que ela terminasse feliz todas as vezes (algo meio insano de se dizer, mas espero que entendam esse meu jogo), eu não tenho muito interesse nos demais (talvez só a Emily). Nessas horas que penso o quão importante é focar na parte boa. Caso contrário, uma experiência pode se tornar tóxica.

 

Pensando nessa toxicidade, The Bold Type entregou uma conclusão que me impulsionou a focar em quem realmente importava e vale dizer que esse foi um dos meus maiores desafios ao longo das resenhas da série. Por ter muito personagem, é fácil achar que você não está dando conta do recado. Ou que está vendo demais. Ou que não vê nada. Ou que perdeu alguma coisa. Ou que não entendeu algo X. Um duelo que preciso ligar e desligar a humanidade para não terminar me afundando no que realmente não importa para mim.

 

Por exemplo: os relacionamentos amorosos.

 

Ah, mas antirromance de novo, Stefs? Não. Desde seu 1º ano, o time de The Bold Type me garantiu que a série é sobre Jane, Sutton e Kat. Então, é com elas que estou, especialmente individualmente. Gosto dos romances, mas, se eu começar a analisá-los mais profundamente, como farei logo menos, e em toda resenha, a coisa toda pode começar a ser tóxica. Como aconteceu entre The Vampire Diaries e eu – e duramente aprendi a me desapegar e a focar no peso dos personagens.

 

Mas por quais motivos? É no peso dado aos personagens que você mais ou menos vê se a coisa toda funciona. Se algo X ultrapassa protagonismos, há problema. Este finale teve vários problemas.

 

Algo que me faz voltar ao que disse ao longo dessa experiência: eu não quero perder The Bold Type. Por isso, é mais que necessário me esforçar para relevar muita coisa. Meu foco aqui sempre se chamará Jane, Sutton e Kat. Como Andrea passou a ser em O Diabo Veste Prada. Fim da história!

 

(Mas nada disso anula a chance de dar alfinetada, ok? Eu não passo pano e nem sou puxa-saco).

 

Sempre temos Paris ou quase

 

The Bold Type - 2x10 - Oliver e Sutton

 

Todo esse meu recontar sobre O Diabo Veste Prada vem de outro simples motivo: foi impossível não associar o filme com a série durante o season finale. Não de um modo negativo, mas porque ambos os projetos acarretaram instantes decisórios de sua trama justamente na Cidade da Luz. Foi muito difícil não procurar um pedacinho que fosse do mundo Miranda e Andrea no mundo Oliver e Sutton. Mundos que, independentemente da época, colidem por abordar o mesmo ramo e por fazer sua divulgação do mesmo modo. Na minha mente, rolaria um lindo crossover.

 

Enquanto O Diabo Veste Prada perpetuou caminhos nem um pouco felizes, entregando a competição e a maldade do mundo da Moda, The Bold Type garantiu a cumplicidade entre mentor e pupila a base de instantes preciosos sobre carreira, autoconfiança e a importância de ouvir o que o coração pede. Ao contrário de brigas, de apunhaladas e de desistências, o finale da série entregou novamente a possibilidade de se encontrar uma/um líder que empodera seu time. Inclusive, a possibilidade de subirmos na vida a fim de obtermos confiança profissional sem pirar no processo.

 

Essa é a Scarlet, sendo sua melhor amiga até mesmo em Paris. E quem não quer?

 

No decorrer de dois anos, Oliver se mostrou tão precioso quanto Jacqueline. Por intermédio de Sutton, descobrimos como é sua liderança, a começar pela sua diferenciação entre vida profissional e pessoal. Ele sabe qual é a hora de cobrar e de dar conselho. Ele respeita e vê Red como uma pessoa e não como um robô que precisa cobrir todas as bases (sendo que é impossível). Ele sabe que há limite e que explodir esse limite não torna ninguém mais competente. E ele quer competência, desde que isso não dizime seus colaboradores já que quer o melhor deles.

 

Um oposto à Miranda, que fez toda a trajetória de Andrea e de Emily um completo pesadelo. Oliver e Sutton entregaram um exemplo saudável de personagens inseridos em um meio competitivo, incerto e praticamente sem respeito por ninguém que querem um bem mútuo. Um bem que, normalmente, não existe nessa indústria que esmaga meio mundo sem piedade.

 

Oliver e Sutton nem chegam perto das personagens do mencionado e aclamado filme. Porém, ambos sinalizaram várias vezes, e sutilmente, como é possível realizar o mesmo trabalho sem ser uma Miranda pronta para esmagar sua Andrea. A cena da escolha de figurinos é um forte exemplo. Uma cena transformadora, pois se firmou que Red tem controle do que faz e confiança no tino.

 

The Bold Type - 2x10 - Sutton

 

Um instante que foi desafiador já que Sutton resgatou o vestido que tanto acreditou ao vivaço. Oliver escolheu deixá-la ir em vez de apostar em treta e em reações arrogantes e venenosas. Sua primeira negativa não foi motivo de caos, mas de insistência da parte de Red e ele gosta de vê-la saindo mais e mais da zona de conforto. E o mais interessante é que esse rei maravilhoso sabe das dificuldades que passou e só usa dos fracassos do mundo da Moda de artimanha para agitar quem está ao seu redor. Algo que não deixa de ser uma maldade, mas, felizmente, a maldade vai para o bem.

 

Outro contraste dessa mesma cena vem do fato de que algumas pessoas do mundo da Moda têm pavor da ideia de perder sua posição para a estagiária. Andrea passou por isso uma vez dentro do estilo favorito de Miranda e foi amedrontada por Emily. Já Sutton, foi estimulada e acreditada.

 

Vejam só como mudança na abordagem de um trope faz bem.

 

Essa é uma dinâmica que abre a verdade de que podemos sempre escolher o como tratar as pessoas de maneira geral. Afinal, é uma cadeia, que vivemos todo santo dia, que transita de um a um. Se a energia for negativa, bem, acho que não tenho muito que dizer porque é óbvio.

 

É lindo e maravilhoso como Oliver deixa Sutton fluir. Expor-se. Sem reprimendas. A viagem para Paris foi extremamente positiva nesse quesito porque aí está um duo que pode aprender um com o outro. Que pode contar um com o outro. Atitudes que não rolam com frequência no mundo da Moda, algo frisado a todo instante como se fosse uma espécie de shade à Miranda Priestly. Ponto que não achei nem um pouco ruim, embora eu ainda olhe para a personagem de Prada como goals de ascensão (menos de atitude, óbvio).

 

Definitivamente, esta trama foi a última roleta para Sutton no quesito carreira. Foi uma amarração quanto às suas inseguranças expostas nos primeiros episódios desta temporada. Mais especificamente, no como as pessoas a veem visto que é genuinamente a pessoa das pessoas. Ao contrário de Andrea que abandonou o mundo Miranda, Red seguiu adiante. Mesmo perdendo o caderno de anotações, ela não amarelou. Seguiu em frente, com honestidade, e provou seu valor. Tudo em reflexo de quem confia em seu talento – a cadeia positiva. Se há algo que me deixa maluca é não compreender qual é a dos ditos líderes (mas. & fem.) que creem que liderar é humilhar geral.

 

Os medos de ameaça, né? Egos frágeis demais para este mundo.

 

The Bold Type - 2x10 - Sutton e Oliver

 

Oliver é um Deus maravilhoso e me faltam palavras para esse personagem. Ele é muito esquecido para quem é um secundário relevante, mas sempre on point quando tem alguma coisa importante a dizer. Desde o início da série, ele nunca hesitou em ajudar Sutton a se destacar e sempre a admirou secretamente pelo seu lado bolder. É maravilhoso demais! Assim como Jacqueline, esse ser iluminado conduz e não dizima. Isso é o que chamamos de verdadeira liderança.

 

(E acho um máximo Sutton ter seu próprio mentor. Só Kat precisa desse apoio.)

 

Lindíssimo, mas preciso destacar um dos pontos que não se fez presente no finale e que considerei um relaxo da pior espécie. Meramente porque esse é um ponto que expressa o resultado deste último episódio da temporada. No caso, não dar voz aos âmbitos pessoal e profissional da tríade, esmagando-os para acelerar a busca/término de relacionamentos com secundários que foram esquecidos no churrasco. O que gerou uma conclusão com camadas nonsense, sendo que havia abordagens muito mais relevantes.

 

A começar pelo que disse na semana passada sobre Sutton. Ela é a garota com a storyline dos sonhos e senti falta de ressaltarem esse sonho neste episódio. Um sonho comentado entre Babs e ela, vale mencionar, o que tornou tudo relevante level 100. Tudo bem ela sentir falta de Richard, mas a Fashion Week se saiu como o ponto altíssimo da sua carreira. Cadê essa experiência?

 

Assim como Andrea, Sutton conquistou seu instante de ascensão. E eu não a vi brilhar nessa ascensão justamente porque escolheram dar prioridade ao Richard. Sendo que ele nem tinha que estar ali porque Paris era de Red e de ninguém mais. Era o sonho dela, independentemente da falta que sentiu de quem foi um baita companheiro de jornada.

 

Confesso que, ao menos nesse viés de trama, não saí totalmente insatisfeita porque deram um tom de encerramento à insegurança profissional apresentada por essa personagem no início desta temporada. Paris foi um presente e uma realização sobre uma autoconfiança que, aparentemente, se tornou afiada. E isso é ótimo!

 

Apesar do profissional de Sutton automaticamente puxar Richard, não havia palco para resgatar Suttard do limbo. Empurraram essa porta com força e nem se preocuparam com a qualidade dos diálogos. Fato que gera um dos vários contrapostos desta temporada quanto ao papo de desenvolvimento e de sacadas de storylines. Enquanto Oliver e Sutton fugiram do modo Miranda e Andrea, Sutton e Richard contaram com um trope extremamente batido e forçado.

 

A real é que Sutton sustenta sua própria história sem a menor dificuldade. Porém, faltou a sua essência durante uma experiência que nem desfile teve. Que nem deu chance para o espírito fangirl surgir. Ela nem parecia que estava em Paris – e nem o episódio por completo.

 

O que destaca outro problema na construção deste season finale. A viagem para Paris não trouxe nada de diferente. Foi apenas a rotina da Scarlet só que em outro país. O pessoal viajou para dar outra festa e não fez o menor sentido porque não ornou com a proposta do episódio.

 

E a proposta era Sutton. A Paris de Sutton. Richard poderia esperar a sua vez, assim como todas as storylines de relacionamentos que também prejudicaram este encerramento de ano. Sufocando vieses mais relevantes como o da própria Red que não experienciou um país que é praticamente o coração do mundo da Moda. Não houve sentimento diante de uma chance inesquecível.

 

Todo caso, fecharam um ciclo e deram uma nova abertura para uma personagem que terminou com tudo no lugar. Carreira e relacionamento. Mas… Vamos falar desse relacionamento heart to heart?

 

Chegou a hora da parte azeda da resenha!

 

O retorno de Suttard

 

The Bold Type - 2x10 - Richard

 

Além de realizar seu sonho de conhecer Paris (o que é relativo já que Red nem deu um rolê), havia uma ponta a ser resolvida na sua vida: Richard. E Stefs torceu o nariz!

 

Sutton foi a única que trouxe a questão profissional para o cerne do finale e foi justamente a parte que mais me prendeu. Ver a dinâmica dela com Oliver, longe das paredes da Scarlet, deixou meu coração quentinho. Eu sou uma pessoa bem farta de lidar com shipper o tempo todo e encontrar um universo +20 em que as personagens são empoderadas e se preocupam em ter uma carreira em cima dos relacionamentos amorosos me fez a criatura mais contente do universo.

 

No desenrolar de The Bold Type, Oliver, Jacqueline e a tão inesquecível Laura incitaram dentro de mim o familiar sonho de ter uma chefia que me apoiasse e me inspirasse. Hoje, eu vivo isso e essa pessoa está muito bem ocupada maratonando a S1 desta série.

 

E as nossas conversas são cheias de memes de The Bold Type e eu tinha que compartilhar isso porque ter uma chefe tão maravilhosa é muito inédito na minha vida. E isso influencia demais, até no meu constante desânimo. Principalmente porque há um espaço em que posso desabafar.

 

No caso de Sutton, não foi bem desânimo que a abateu ao longo desse sonho, mas um coração partido por motivos de Richard. Ok. Eu lidei com isso, mas não me custa repetir que o trope que o trouxe de volta é mais batido que o casaco preto que uso quase todo dia contra o frio. Assim como, às vezes, preciso do meu tempo, e minha chefe reconhece isso e dá um jeito de conversar comigo, Red precisava da cumplicidade de Oliver e das amigas devido ao que ocorrera com o ex-namorado.

 

Um assunto enfiado nos primeiros minutos e que nem teve chance de se alastrar neste finale. Nem muito menos em episódios passados. Se o pai dele estava mal, olha que canal maravilhoso que poderia ter sido aproveitado para Suttard ter nexo no fim da S2.

 

Uma vez que o lance do figurino da festa foi resolvido, tudo passou a centralizar esse súbito coração partido que nenhum roteirista se preocupou em apresentar com um tanto mais de rigor. Afinal, falamos também de uma parte da vida de Sutton, pois se trata de um alguém que a inspirou a estar onde está. Pelo descaso com ambos, não fui a pessoa mais contente de vê-los simplesmente em Paris. Nem muito menos de ver a praticidade com que descartaram a storyline de Jessica.

 

Da mesma forma que Sutton descobriu “do nada” que sente falta de Richard, foi bizarro Richard perceber “do nada” que Sutton é a pessoa da sua vida. Sendo que nada aqui foi desenvolvido. Nem mesmo a angústia criada por Jessica que mais teve o intuito de deixar Red complexada.

 

Richard apenas pareceu como Ryan/Ben, surgindo do nada e exigindo espaço para o bafo X acontecer. Eu fiquei bem de cara porque Red acabou “sabotada” da sua experiência inédita devido a um artifício de trama que eu só vejo ser usado com mais recorrência em série adolescente para juntar shipper.

 

Aquela medida de urgência para acarretar o famoso “você por aqui?”. Ata.

 

O bom é que Richard trouxe outra camada importantíssima da caracterização de Oliver. Não é todo chefe que entende que existe um lado emocional em seus colaboradores e que, às vezes, não há condições de trabalhar quando algo não está em seu devido lugar. Quando ele captura e questiona o distanciamento e a tristeza de Sutton, eu fiquei estirada na cama. Eu achei muito lindo!

 

Se The Bold Type ensinou uma coisa muito boa é inspirar seus personagens a perguntar o que há do outro lado. Isso é muito importante, embora seja uma pena que muitos foram esquecidos nesse processo ao longo da S2. Como a própria Adena.

 

Essa interação entre Sutton e Oliver foi outra que guardei em um potinho porque sensata na altura dos desdobramentos do episódio. Red jamais conseguiria ter sangue de cobra para ignorar Richard, não depois de dividir um momento tão difícil da vida dele e não poder fazer nada. Ela é essa pessoa que se preocupa com tudo. Um coração de mãe tão imenso que eu mesma queria mergulhar dentro dele.

 

Mas mantenho a ressalva de que esse trope foi fuleiro.

 

The Bold Type - 2x10 - Suttard

 

Nem sempre o profissional no lugar indica que você não precisa de algo mais. É aí que volto sempre para os desejos da tríade lançados na temporada passada. Um ponto que deu uma acalmada quanto ao percurso de Suttard neste season finale. Sutton sempre quis Richard. Ok. Mas o OTP sumiu deste ano de The Bold Type. Eu mesma nem sequer lembrava o que os dois viveram na S1. Uma heresia, não nego, porque eu amo demais o desenvolvimento romântico deles.

 

Antes de Paris, o episódio foi intencional ao marcar um impacto em Suttard. Justamente para nos fazer lembrar de que um dia existiu um relacionamento e reciprocidade entre ambos. Nisso, o velório trouxe o choque de que um parou de pertencer na vida do outro e vice-versa. Além disso, a verdade de que eles perderam o ponto essencial que os torna um shipper de qualidade: partilha. Partilha essa que caiu como principal argumento para o arraso de Sutton. Muita coisa aconteceu na vida deles e eles não dividiram. O que culminou na decisão final da trama e que, também não nego, deu gosto de ver. Parecia que o planeta The Bold Type voltou a se alinhar.

 

Isso, supondo, porque ninguém viu mais nada sobre a trajetória desses dois após o término e é aqui que mora parte da minha insatisfação. Jessica existiu como artifício de angústia e isso não é legal. Nem mesmo quando Red foi a personagem alvo desse angst. Desenvolvimento é tudo nessa vida, sabem? Sem contar que eu detesto mesmo quando personagem feminina é meramente descartável.

 

Apenas, não façam isso quando o único job é escrever roteiro decente (#estressada).

 

Suttard tem o talento de me deixar triste, muito mais que Kadena, mas não isentarei a falta de preocupação dos roteiristas em realmente dar continuidade à trajetória dos dois. Olhadelas são um tipo de angústia, mas isso não se cultiva sentimento, especialmente quando esses personagens não convivem no mesmo quadrado. Para mim, olhadelas são apenas indicativos de que existe ou não atração (e posso estar errada, malaê!). Faltou alimentar o após da separação. O sondar, as perguntas embaraçosas, o famoso como sua vida tá e não dar respostas porque não se sabe ao certo sobre o quanto ainda se pode falar a/ao ex. Anulá-los completamente um da presença do outro não beneficiou a storyline e aqui temos um caso de sorte. Meghann e Sam possuem uma química do caramba!

 

Como não bater palma com aquele beijo? Eu mesma fiquei mole.

 

Embora o resultado tenha preenchido meu coração de amor, aqui está mais um relacionamento que caiu nessa praga de péssimo desenvolvimento e que pediu uma solução de uma hora para a outra. A representação de uma temporada que foi rasa. Que não sacudiu tantas as emoções e nem arriscou tanto assim.

 

Esse shipper foi basicamente socado no finale porque ambos não poderiam ser deixados de fora. Nada mais que isso. É um crime porque esse casal é o santo casal e merecia muito mais que esse descaso completo ao longo da S2. Eles se complementam. Eles formam o casal que ascende junto. Pela idade, tenho certeza que os dois lidariam com o break com maturidade. E seria bem engraçadinho porque esses personagens possuem um jeito muito engraçadinho de fofo de se tratar.

 

Assim como várias vezes duvidaram de Jane ao longo desta temporada, aqui se tem outro exemplo de falta de pulso firme. Simplesmente não acreditaram nesse OTP.

 

Porque realmente o tal triângulo era mais legal.

 

Não.

 

Comentei na semana passada que Suttard tem uma trajetória muito bem desenvolvida e me entristece vê-los resumidos a um finale que socou todas as resoluções em 40 minutos. E em cima de um trope muito preguiçoso e aleatório. Pela química, ambos não fugiram tanto do proposto na temporada passada e conseguiram se reanimar sem dificuldade.

 

Ainda assim, reafirmo o que disse sobre a importância de tê-los em cena para viver a angústia. Eu mesma tinha acreditado que Sutton seguira em frente porque o cara nem era mencionado (nem muito menos aparecia). A storyline de Jessica foi tão desnecessária quanto o triângulo de Jane e a falta de muse de Adena. O que resulta em: esta temporada falhou bonito no desenvolvimento de relacionamentos . Perdeu-se um tanto a mão – e isso cabe às pautas políticas também.

 

O triângulo flop e o casal dizimado

 

The Bold Type - 2x10 - Jane e Kat

Por quais motivos Jane não foi antes para Paris? Para preencher tempo sem história.

 

Relacionamento foi o motto deste episódio e foi por isso que não houve uma gota de esforço na construção de uma trama de impacto. E os relacionamentos mais pareciam resquícios e ninguém sabia muito bem o que fazer com eles. Simplesmente jogaram e esperaram o milagre acontecer.

 

O episódio todo foi moldado para atender o paladar de quem centraliza uma série pelo shipper. É o preço a se pagar, mas sempre me pergunto se vale a pena. Afinal, há exemplos aos baldes de fracasso quando os envolvidos só investem nesse tipo de viés. Não faz bem porque, meramente, o romance desgasta tão quanto os personagens em cena. Resultado? Tudo afoga na praia.

 

E quem se importa com mais que shipper não quer continuar perdendo tempo com um texto que não inova. Vejam bem, nada neste finale entrou embaixo da pele e acarretou bagunça emocional. Acredito que meio mundo esperava um nível 1×10, algo que definitivamente não aconteceu.

 

Tirando a parte profissional de Sutton, vários nada ocorreram na tentativa de ter um fôlego e assim segurar o interesse. Jane e seu triângulo e o fim nonsense de Kadena só me deram uma conclusão: renovar The Bold Type para um 3º ano foi um erro. Não digo um erro completo, pois, como disse lá em cima, Jane, Sutton e Kat são as personagens que importam. Contudo, um ano garantido foi o suficiente para sentir a falta de esforço de Lasher e de alguns roteiristas ao longo desta temporada. A S1 foi jogo de vida ou morte pela incerteza da renovação enquanto a S2 se sustentou em um nítido comodismo – e extremamente doloroso.

 

E digo doloroso porque eu estou sim inconformada com dezenas de coisas que ocorreram e deixaram de ocorrer nesta temporada. O que me faz repetir o que comentei na resenha passada: Amanda Lasher precisa de uma freada porque trazer Gossip Girl para The Bold Type é morte certa.

 

Assim: você não me trata mulher de 25 anos como se tivesse 16, por exemplo. Não que tenha sido o caso, mas Jane basicamente se viu nessa sinuca de bico e que coisa mais desnecessária.

 

Embora todo mundo estivesse junto parecia que ninguém estava. As interações da tríade seguraram muito do episódio que fugiu um bocado da sensação de estar fora do tom (porque a amizade estava ali e tudo certo). De fato, não havia nada mais a ser contado a não ser os shippers e o plano de fertilidade de Sloan (que alongaram até o talo e não exploraram o tema como se deve). E o problema disso vem de parco desenvolvimento. Afinal, se você não desenvolve, você não tem plot. Por não ter plot, você circula nos mesmos assuntos e segue não aprofundando nada.

 

E foi assim que me senti em boa parte desta temporada. No já mencionado superficial.

 

O profissional delas está no lugar, mas é o profissional que gera os conflitos interessantes. Os namoros são o apoio de fundo, sempre foram, mas nesta season eles ganharam voz. Uma voz incoesa porque, assim como o desemprego de Jane, não conquistou a devida cautela e cuidado de compasso como na S1. Até mesmo o tratamento desses secundários foi negligenciado, o que piora tudo. Se você também não cresce o elenco de apoio, nem as protagonistas seguram a barra.

 

Adena, Richard, Ryan e Ben só apareciam para dizer que existiam. Mas o que os três realmente têm em comum é a trajetória unilateral que conquistaram nesta temporada. Houve conflitos truncados para garantir o compasso, mas todos ficaram nas sombras. Não estou totalmente infeliz porque no final de tudo a coisa funcionou, mas me estarrece um bocado a falta de continuidade. E esses personagens são parte do fluxo da série e empacaram completamente. Até Jacqueline, gente!

 

Como disse na semana passada, eles não são apenas artifícios de trama. Eles compõem também a vida dessas meninas. Nesse caso, manter o ritmo da S1 era uma necessidade exorbitante.

 

O único ponto que estava mesmo chacoalhado na vida da tríade era o relacionamento de cada uma, mas como tratar isso quando nem as fontes de interesse deram as caras? Nem tiveram voz? Gente, Alex e Sutton funcionaram tão bem, apesar da heresia, na temporada passada porque houve uma preocupação de sinalizar o interesse da parte dele. Aqui, nem isso. Não tem como você tentar cativar todo mundo de última hora, a não ser que você não ligue para desenvolvimento. Eu ligo e tenho ressalvas sobre os três shippers.

 

Suttard já foi, então, vamos a quem faltou.

 

The Bold Type - 2x10 - SMS Adena

Honestamente, esses SMS me deixaram de testa quente! Quanta praticidade, né?

 

Eu nunca deixarei de amar Kadena e me sinto muito enganada, real e oficial. Elas tinham tudo para realmente ser o casal poderoso que Sutton encheu a boca para dizer, mas foi propaganda enganosa.

 

Venham cá: só agora se lembraram de que Adena tem uma carreira? De que ela tem uma vida artística? Inclusive (e que me fez rir dolorosamente), que existia um impasse com seu visto e o deram com extrema facilidade depois de tudo que ocorreu na temporada passada? Considerando tudo que tem rolado sobre imigração nos EUA atualmente? Ai, gente, respeita minha trajetória!

 

Eu desacreditei de tudo isso porque Adena sequer foi realmente regular. Ela não desenvolveu nada e não havia base para sustentar sua súbita história. Chego aqui com a sensação de que Kadena não teve nada de interessante nesta temporada a não ser Kat e sua curiosidade sexual.

 

É a mesma sensação de Suttard. Parece que elas deixaram de existir de uma hora para a outra.

 

As duas tinham tudo para desenvolverem juntas ao longo desta temporada, mas criaram um entrave muito precoce. Elas mal chegaram de viagem e bang!. O salto temporal foi curto para se instalar “tanto caos” que, no fim das contas, atingiu um papo de musa (WTF?). O que pode ser relativo porque alguns conseguem se firmar a curto prazo, mas outros não. Aqui é um claro exemplo de que não.

 

E, digo mais, se esqueceram totalmente do peso LGBT dessas rainhas e não sou obrigada!

 

A pressa também foi inimiga de Kadena (sendo que já havia mais um ano garantido!!!). Tudo veio picotado, desde o eu te amo até esse papo de musa. Qual era o objetivo real de rebaixar Kat com esse papo e Adena simplesmente sair de negligente nesse aspecto? Eu quero dar riot!

 

Kat me deixou igualmente triste porque tudo foi humilhante. O peso da musa conseguiu ser mais “chocante” que a traição para mim (as duas decisões seguem sem nexo, só para reforçar). Até porque Adena se mostrou muito interessada em seu trabalho no 2×03 e, nesse rebuliço nada a ver, essa personagem me saiu como um tipo de vilã.

 

Uma mera impressão, claro, porque, automaticamente, me vi pensando: essa de relacionamento aberto foi maldade. Sabe, daquele tipo em que a pessoa vê a chance e simplesmente escala nela? Foi isso que pensei. Se Adena estava tão disposta a ser sincera, por quais motivos omitiu suas insatisfações? Se Adena não hesitou em conversar com Kat sobre curiosidade sexual, por quais motivos deixou de lado o que realmente sentia sobre seu trabalho? Sobre seu pertencimento no mundo de Edison?

 

Não-fez-sentido-algum! Porém, casa com o fato de que Adena apenas sorriu e acenou. Ela não teve um posicionamento sobre seus sentimentos e isso foi muito errado. Parece que o resultado deste finale foi proposital para a personagem sair de cena como uma insensível (o que lembra a questão de rotatividade).

 

The Bold Type - 2x10 - SMS Jane

A necessidade?

 

Uma preguiça se instaurou no triângulo amoroso de Jane. Sério que colocaram os dois caras para tentar salvar a garota? Amém que o assunto virou pauta para Sloan vocalizar um impasse importantíssimo, um ponto alto perdido porque acabou ofuscado por todos os casais. Eu ficaria possessa se a personagem aceitasse uma das propostas porque não orna com o passado da série.

 

Nem muito menos com o 2×08 em que ela mesma tomou conta da história toda.

 

Vê-la indecisa sobre algo que me pareceu mais pressão dos roteiristas em tornar essa escolha relevante desvalidou o processo do plano de fertilidade. A matéria nem ganhou espaço, mínimo que fosse, e Jane não ter dinheiro me soou assim meio surreal. Para quem tem esse guarda-roupa, custava vender um par de sapatos? Algumas coisas que não condizem com a realidade dessa jovem.

 

Mas, já que é para falar dessa “escolha”, claro que estou com Ben e essa minha decisão veio graças a este episódio. A declaração de Ryan me deixou de pernas moles, não negarei, e peço desculpa ao anjo Ben que não merecia uma dessas. Não quando ele ganhou nesta temporada uma parte extremamente importante da vida de Jane.

 

Eu capturei um Ryan manipulativo disfarçado de fofo. Para quê aquele beijo? Desnecessário tão quanto a traição de Kat.

 

E que coisa mais horrorosa terem optado por duas traições para criar angst nos shippers. Quando digo que cheiro de Gossip Girl existe é porque existe. Jane poderia muito bem ter desviado do cara. Ryan poderia muito bem ter respeitado a garota que ele diz que gosta. Ridículo!

 

E piorou com aquele questionamento de quem Jane ligaria para contar algo feliz. Ai, really?

 

Só sei que nada aqui me deixou contente. Eu me vi em constante massive roll eyes de descrença porque parecia que via uma série teen. Kat, Jane, Sutton e Adena (homens o que tenho a ver) passaram por um tipo de finale que suas respectivas trajetórias não precisavam no momento.

 

Veja bem: até Sloan caiu no mesmo padrão de Sutton neste finale ao ter um viés relevante que acabou esquecido na maré porque dar atenção para homem era mais importante.

 

Importante mesmo era Adena falar como se sentia desde que seus conflitos com Kat começaram. Importante mesmo era Sutton curtir sua Paris porque se tratava do seu sonho e do ápice de sua carreira. Importante mesmo era Kat curtir também o auge da sua carreira com a organização de uma festa sem celulares bem-sucedida. Importante mesmo era a matéria de Jane agitar as paredes da clínica sexista (o que me fez lembrar do 1×03 que foi um sucesso). Incluo Jacqueline que nem sua trajetória na escrita foi desenvolvida. Entendem meu estresse?

 

Todos esses relacionamentos podiam esperar, especialmente porque Richard, Adena e Ryan não desenvolveram de maneira que influenciassem diretamente nas decisões deste finale. Ben ainda teve um tanto de sorte porque trafegou toda a trajetória de Jane ao longo desta temporada.

 

Esse rebuliço podia acontecer em qualquer momento desta temporada e não em um finale que pedia uma pegada mais das meninas a fim de dar seguimento à ebulição de emoções dos dois episódios anteriores. Com todo esse peso, o finale veio ausente do real lembrete do por quê essa série se chama The Bold Type.

 

Jacqueline esquecida em Paris

 

The Bold Type - 2x10 - Jacqueline

 

Fora esses núcleos, tivemos Jacqueline com outra storyline que também não tem feito o menor sentido. Meramente porque as pessoas que precisam conflitar com ela não estão presentes. Cleo é apenas porta-voz desse conflito e uma porta-voz nada confiável por ter sentido que a editora-chefe tem pensamentos opostos aos seus. Houve uma falta de aprofundamento, o que reforçou minha decepção quanto ao tratamento dado à Rainha da série nesta temporada.

 

Como Alex, Richard e Oliver, essa mulher só apareceu para ser conforto de orelha. Tudo bem, acho lindo, mas seu impacto acima das garotas acabou resumido ao fato de Melora ter sido escalada ou não em um episódio. Agora que existe realmente um impasse institucional, claramente sexista também, é quase cômico ver a personagem angustiar por quem nem aparece.

 

E esse foi o essencial problema desta temporada. Muito conflito aconteceu sem ser conflito porque não tinha ninguém para manter o conflito. Os personagens existiam, mas acharam melhor não inseri-los. Tudo basicamente foi narrado nesta temporada e solucionado neste finale (ou não solucionado) como se a história estivesse ali o tempo todo. Sendo que não estava, como aconteceu com Suttard e Kadena.

 

Jane é o impulso de Jacqueline e esse é um exemplo simples de compasso e fluidez de trama. Uma fora do alcance da outra, não vira. O mínimo conflito que deu em pauta neste finale foi o plano de fertilidade e cadê essa pauta? Era um pitch maravilhoso, que daria mais peso à editora-chefe porque ela estava inserida em um impasse também. Muito pertinente junto à dinâmica de Oliver e Sutton. Infelizmente, seu conflito seguiu emudecido. No jogo da adivinhação.

 

Dizer se Jacqueline vai ser ou não demitida não soa como mistério para mim. Na verdade, soa como uma encheção de linguiça da mais barata.

 

Jane tinha um texto maravilhoso na mão, o que fortaleceu o descaso com as matérias da Scarlet ao longo desta temporada. Até o site, mencionado no 2×01, motivo de Sloan nem ter sido empregada de novo, foi lançado no ritmo da nave da Xuxa. O que deu? Descaso com Jacqueline porque o background que lhe foi dado, incluindo seu retorno como escritora na revista, não ganhou atenção.

 

Até as pautas deixaram de ser fluidas em conjunto com a tríade, sendo artifícios de conflito raso e não parte do conflito que gera a conscientização. O porte de arma, que Jacqueline deu de ombros, e a história de Jane sobre se divertir quando não tem tempo (que serviu de meio para Ryan abrir seu coração) são alguns exemplos. O peso político furtivo foi fraquíssimo ao longo desta S2 porque não houve propriedade em determinadas abordagens. E só perdoo uma parte desse descaso porque Sloan ficou um bom tempo fora da revista.

 

Só houve duas pautas que acertaram e nem tinham a ver com a Scarlet. No caso, a história de Kat e o debate sobre privilégio. Ambos seguem com seu posto de favoritos desta temporada.

 

Enfim. Eu fiquei bem triste com Jacqueline no canto da festa. Por mais que seja possível sentir sua preocupação e seu receio, apostar na publicação da matéria de Jane ainda foi muito pouco. Onde estava a mulher que não hesitaria em subir para encarar o conselho? Kat fez isso nesta temporada. O que custava a editora-chefe fazer o mesmo? Não precisava ser necessariamente isso, mas eu simplesmente não consegui aceitar que essa personagem ficou na dela. É meio inaceitável, sabem?

 

Ao longo do finale, eu a achei muito fora da personagem. Algo estava off em sua caracterização e não me senti convencida. Nem quando ela tomou partido de publicar a matéria de Jane. Sei lá, mas foi como se Jacqueline tivesse aceitado que nada mais pode ser feito. Nem consigo inserir aqui o medo comum de perder o emprego porque, se fosse isso, o texto de Sloan permaneceria na gaveta.

 

Espero mesmo que a S3 a compense. A série precisa do seu pulso firme mais do que nunca.

 

Mais algumas palavras antes de ir

 

The Bold Type - 2x10 - E-mail

Vou acreditar que o erro no nome da Rainha foi a maldade do RH.

 

No geral, não aconteceu muita coisa em Paris como aparentemente prometia. Este finale pareceu um episódio cotidiano porque mantiveram a mesma dinâmica vista na Scarlet. Só que em um modo mais acelerado ou não teria chance para todo mundo interagir. Foi o episódio mais picotado e remendado para todo mundo caber em cena. Inclusive, que não saiu da zona de conforto.

 

Ainda penso que a storyline de Sutton poderia contar mais com sua magia e não ter sido sufocada para Suttard voltar a ser casal – agora sem ser às escondidas. Ela é o farol do mundo da Moda e raramente mostram como esse mundo funciona, a não ser por Oliver e os photoshoots. Agora que havia uma grande oportunidade, se esqueceram do background dela e esse foi outro motto desta temporada de The Bold Type. Não como um todo, pois Jane teve seu plano de fertilidade. Ainda assim, muito por cima porque escolheram dar atenção aos boys (não me custa repetir).

 

Só que na sede de inventarem algo novo se esqueceram das angústias lançadas na S1. Continuidades, gente! É importante ter continuidade, independentemente do tempo da série.

 

É meio triste ver o resultado deste finale, mas dá para afogar essa tristeza diante das plenas (ou quase) Jane, Sutton e Kat. Não foi a caminhada do orgulho para todas, mas elas se têm e isso basta.

 

Como puderam perceber, as resenhas acabaram mudando de formato. Não foi porque eu quis, mas foi porque as personagens foram perdendo sua relevância individual. Chegou uma hora que eu olhava para o papel e me perguntava onde estava a real storyline dessas meninas. Cada uma foi perdendo a sua e assim foram largadas nas beiradas. Pergunto-me onde estão as promessas sobre representatividade, por exemplo, por que eu mesma não vi tanta dedicação.

 

Aos meus belos olhos, esta temporada não chegou perto da qualidade da S1. Se analisarmos bem, é possível sentir que a saída da Sarah deixou seu impacto. Sarah tinha mesmo essa dedicação mais política, se preocupava em unir todos os assuntos, chamar os caras para a conversa. Ela criou essa amizade, suas alianças e seus relacionamentos. A amizade funcionou na S2, mas as alianças e os relacionamentos nem um pouco. Perto da S1, a S2 foi drasticamente rasa.

 

Especialmente para Adena que sai deste ano da série como a rainha injustiçada.

 

Eu ainda não confio muito na Amanda, especialmente depois deste finale, mas ainda dou uma folga. Deve ter rolado certa pressão em ser showrunner de uma série que foge um bocado do seu currículo. Foi uma nova 1ª temporada, só que em fase de experimento nas mãos de outra pessoa. Ok, mas eu não terminei tão contente assim.

 

Repito que não desmereço os relacionamentos porque o problema não está em sua retratação. O problema não está em vê-los juntos. Eu amo cada um à sua maneira e gostaria de ver todo mundo feliz e saltitante. O problema real foi a S2 ter pecado na falta de construção de cada um deles.

 

De maneira geral, não havia necessidade de correr tanto com essa jornada quando se tinha outro ano garantido. Nunca cansarei de dizer isso. Está aí um mantra que repetirei sempre que puder porque muito deste ano da série, especialmente os relacionamentos, poderia ter contado com um melhor tratamento dentro desse tempo.

 

Se eu não fosse tão fã da série e de seu elenco, eu não me sentiria muito animada em continuar. Pensando no combo, claro, não apenas neste episódio que realmente veio focado para arrumar os namoros. Vou para a S3 extremamente receosa.

 

Considerações finais

 

The Bold Type - 2x10 - Sutton, Jane e Kat

Meu anjos! <3

 

No fim, o que esta temporada quis transmitir é que cada personagem precisava reconhecer/descobrir/redescobrir seu lugar. Com esse sentido, não nego que o finale acertou em cheio, pois cada uma encerrou essa jornada consciente de seu papel profissional e na vida uma da outra. Por esse viés, eu não tenho realmente do que reclamar. Principalmente porque o discurso de Richard, dado no início do episódio, teve seu jeito de amarrar com a trama de Sloan e esmurrar tudo que tem transcorrido com Red e Edison no quesito profissão.

 

Não diria que esperava um finale como o da S1 porque não tem como recriar nada parecido com aquele finale. Ao menos, Jane, Sutton e Kat me deram de novo uma amizade para suspirar, me deram de novo aquela forcinha matinal para sair da cama e enfrentar o mundo, e almejar que minha Paris esteja ali ao lado. Eu amo demais essas meninas e, por elas, dá para engolir muita coisa e ignorar muita coisa que escrevi ao longo desses 10 episódios. Afinal, quem é relacionamento perto de uma amizade que se bota para cima? Que te dá milhas para viajar para a Europa?

 

Vê-las juntas sempre compensa minha experiência com The Bold Type. Bad writing. Invenções de última hora. Soluções nonsense. Por ter assistido tanta série que dá bola mais para relacionamento, é difícil desligar o botão e dar de ombros. Eu me importo, mais do que deveria. E isso me estressa.

 

Ao longo dessa experiência de resenhas, tentei ser o mais amena possível, mas tem certos pontos que não dá para ignorar. Mas, quando publico o texto, é como se de fato nada tivesse rolado, pois o que me importa é a felicidade da tríade. Kat pode não ter saído contente, mas ela tem duas irmãs maravilhosas. E as três compõem atualmente a força e o glamour que O Diabo Veste Prada um dia exerceu em mim e que Andrea provocou em meus dias de limbo.

 

Quando mencionei O Diabo Veste Prada foi mais para explicar parte do poder que The Bold Type tem tido na minha vida. Independentemente de qualidade de temporada, essa é uma das poucas séries que têm me deixado contente. Que tem me ajudado mental e emocionalmente. Cada episódio me faz pensar, me faz ter vontade de mudar algum ponto da minha vida e de ser melhor. Eu sou grata pela existência desse universo que torna minhas semanas um tanto mais especiais. Um tanto mais fortes. Jane, Sutton e Kat são um abraço semanal que sentirei falta ao longo do hiatus.

 

Quando o material é positivo em grande parte do tempo, não tem como não querer ser parte. The Bold Type segue convidando para conversas. Segue convidando para que as mulheres se apoiem e se empoderem. E é disso que a gente também precisa. Ainda mais quando falamos de entretenimento. Hoje, tem sido cada vez mais difícil encontrar algo realmente inspirador.

 

Tirando a parte de relacionamentos, o finale pertenceu unicamente a essa tríade que esbanjou cumplicidade e acolhimento. E isso deixou meu coração muito quentinho. No fim, elas não precisam de Paris. Elas precisam uma da outra e este episódio amarrou tal tom tranquilamente.

 

Agora, no quesito trama, tenho sim uns espinhos e espero que a S3 volte a trazer a maturidade e a segurança no contar das histórias de Jane, de Sutton e de Kat. Elas podem mais. Elas precisam de mais. E o mesmo se aplica aos secundários, extremamente negligenciados – e onde está a Angie pelo amor da Deusa? Essa turma precisa de muito mais confiança de seus escritores.

 

Não foi o finale ideal. Nem muito menos esperado. Mas foi um fim quase feliz. E isso é até que bom.

 

Encerro este ciclo de resenhas com um resquício agridoce no coração. Pretendo continuar com essa tarefa, mas, como sempre digo, as coisas podem mudar.

 

Obrigada a todos que leram meus textinhos e espero que nos vejamos no futuro! ❤

Stefs
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