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29/out

Querida Angela,

 

Eu realmente não sei muito bem como começar esta carta para expressar minha imensa gratidão em ter conhecido a sua chamada vida. Era 1994 quando sua saga na Liberty High School começou e eu tinha apenas 8 anos nessa época.

 

Aqui, na minha chamada vida, 1994 foi o ano em que o Brasil ganhou a Copa do Mundo, o tetracampeonato, e não se falou em outra coisa, nem muito menos nas cinquenta retrospectivas antes da virada para 1995. Ao menos, é o que imagino  que tenha ocorrido, considerando todas as minhas experiências com as mesmas retrospectivas. Tudo segue normal e repetitivo, isso considerando que o ano em que escrevo este texto é 2018. Outro ano de Copa do Mundo.

 

Que não chegou nem perto do peso político que, conforme os dias passam, fica muito assustador.

 

Não me lembro de muitas coisas de 1994 a não ser da chegada da minha irmã. Tenho flashes desse momento, em que fui ao hospital e a vi dentro de um macacão rosa. Lembro também que considerei sua aparência estranha – que os humanos chamam de cara de joelho. Eu ainda era uma criança, cheia das ingenuidades. Nada preparada para a ideia de vivenciar o ciclo infernal chamado adolescência. Talvez, se tivesse acompanhado sua trajetória no mesmo ano, e com tão pouca idade, teria ficado um tantinho mais pronta para as minhas reviravoltas que começaram aos 14 anos.

 

Uma idade que se aproxima da sua idade. Não importa o universo, esse é o período em que nos transformamos e tentamos nos encaixar. Ao menos, você começou ao se tornar ruiva. Eu com 15 só queria ser magra.

 

E você mudou mais para iniciar um novo ano na escola. E para se encaixar com Rayanne.

 

Até aí, nenhuma crítica porque quem não mudou para tentar se encaixar não é mesmo?

 

Tardiamente conheci a sua chamada vida, por assim dizer, mas o efeito me foi o esperado. Pareceu até atual, pois, ultimamente, tenho escolhido navegar em mares em que tenho certeza de que coletarei algum aprendizado. Não foi exatamente um aprendizado que colhi enquanto vivenciava os 19 capítulos da sua experiência adolescente, embora tenha atualizado a minha bagagem. O que ocorreu foi um rememorar de vários processos que, feliz ou infelizmente, não se deram com tamanho cuidado em minha vida.

 

Mas, olhando agora, me serviu de âncora para minhas próprias transformações.

 

Esse período da minha vida não foi saudável. Desde a rotina até o que consumia de entretenimento. Hoje, a maioria dos conteúdos direcionados para adolescentes é extremamente tóxico. É preciso navegar muito para encontrar algo realmente bom. Ainda mais quando falamos de elos românticos (que pendem ao abusivo). Felizmente, não é o caso da sua chamada vida.

 

Por meio da sua chamada vida, conheci não apenas você e a dinâmica da sua família, mas os outros adolescentes que a acompanharam e que trouxeram temas tão delicados, tão complexos, e que ainda ecoam nos dias atuais. O que me faz dizer que sua chamada vida é uma história atemporal. Sem prazo de validade. Daquela que conversa até com senhoras de 32 anos como eu e que reviveu alguns capítulos agridoces dessa fase. Capítulos que só de uns tempos para cá passei a aceitá-los. Afinal, foi a base da minha construção, principalmente do meu caráter. Foi a base que me fez chegar até aqui, como uma pessoa que jamais imaginei.

 

My So-Called Life - Rickie

 

Sem sombra de dúvidas, Rickie me cativou à primeira vista. O garoto companheiro que só quer o bem de suas melhores amigas. Ao ponto de se responsabilizar pessoalmente por uma, a impetuosa e irresponsável Rayanne. Garota que provocou nesse doce garoto tantos medos que ritmaram um pungente receio: a morte. Para somar um tanto mais, ele parecia sofrer apenas com as angústias de ser gay e, claro, porto-riquenho, mas, ao longo das passagens de tempo, vemos que há muito mais.

 

E foi de partir o coração por ser um retrato da realidade que ainda persegue muitos jovens, especialmente os da comunidade LGBTQ+.

 

No caso, a violência doméstica que, muitas vezes, engata a decisão do adolescente em viver na rua. Rickie é maltratado dentro do próprio lar por ser gay. Automaticamente, ele é visto como um tipo de aberração. Vê-lo perambular em uma noite fria, que coincidiu com a época natalina, em que as pessoas navegam nas piores lembranças e emoções, à procura de um mundo para pertencer, é uma realidade cruel que perpetua a vida de muitos jovens. Um mundo que ainda bane os mais frágeis e os larga à mercê de uma vida que se inicia nas reticências.

 

Como a sua história. De Rayanne. De tantos outros. É de se chatear, de se frustrar, que sua chamada vida acabou cancelada, embora os motivos tenham sido compreensíveis. Porém, não foi menos doloroso, pois, independentemente da idade, precisamos de bons conteúdos para questionar a realidade. E Rickie tem uma realidade que se aproxima do ano do qual vivo, cuja violência não se dá mais exclusivamente dentro da própria casa – e nunca foi assim visto que homofobia nunca deixou de existir.

 

E é sempre bom ter o entretenimento para questionar quem somos. Ainda mais na adolescência.

 

Algo que você fez bastante ao longo de 19 capítulos. Com os prólogos e epílogos dignos de caderno de quotes.

 

My So-Called Life - Angela e Rayanne

 

Falando em reticências, um dos pontos reticentes da sua chamada vida protagonizou Rayanne, a quem você teve problemas por motivos de Jordan Catalano. Considerando que meu ano é 2018, o que eu queria era que vocês duas voltassem a se falar. Ninguém merece mais ver amigas que se separam por causa da idiotice de um cara.

 

Ninguém rouba ninguém nesta vida. Todo mundo tem livre arbítrio.

 

E a canalhice do cara não é necessariamente a culpa da garota. Um conselho que tende a ser eficaz para muitas mulheres e, talvez, funcionaria para que você a perdoasse por algo fora do controle.

 

Assim como Rickie, Rayanne partiu meu coração. Sem contar que eu me identifiquei com ela graças à busca constante de preencher um tipo de vazio. Um vazio que, às vezes, sinto com profundidade e me deixo afundar. Sim, há certas experiências da adolescência que nos perseguem praticamente pelo resto da vida.

 

No sexo, ela intentou tapar um buraco e eu fiz isso mudando minha aparência. Não, meu caso não se tratou de uma mudança de cabelo, mas em tentativas funestas em comprar o tênis da moda, ouvir a música da moda, ler o que estava na moda.

 

Acima de tudo: ser magra. Só sendo magra eu supostamente seria mais atraente e mais popular.

 

Para você ter ideia, eu comprava uma revista adolescente mais para ver as meninas ao meu redor, mas era um sentimento temporário. Isso não significa que eu não tive minhas amigas porque as tive sim. Mas vai entender essa necessidade adolescente de querer agradar todo mundo. De querer a validação de todo mundo.

 

E foi nessa questão de validação que Rayanne se deixou nortear. A mãe dela poderia ser sim muito da incrível, com aquele lado místico que encheu meus olhos também, mas era evidente que não havia um lar responsável em cima da cabeça de quem se transformou em sua melhor amiga. Nem muito menos uma mãe funcional. Ela não contou com apoio de um responsável ao ponto de seus comportamentos nocivos passarem batidos.

 

Vê-la se perder dentro de si mesma foi extremamente desesperador. Principalmente porque Rayanne acumulou processos para se sentir amada. Nem que fosse temporariamente – e para ela já era o suficiente.

 

Além de querer ser querida por você, desejada pelos garotos, e de ser indesculpável, nem se importando com o que hoje chamamos de slut-shaming, a crítica constante sobre a mulher sexualmente ativa e assumida não passar de uma vadia, Rayanne intentou minimizar todos os boatos ao redor dela. Comportamento confuso, mas que me deu para pensar sobre o quanto ela se sentia confortável em usar tantas máscaras. Uma fachada, cuja consequência foi o álcool. Assim como Rickie, ela lidava com um abandono e sua chamada vida se tornou uma espécie de porto seguro.

 

Por meio de Rayanne, sua chamada vida trouxe o realismo do alcoolismo na adolescência. Tratou a pauta com singelo rigor ao colocá-la em tratamento e relembrá-la de celebrar um mês de sobriedade.

 

Detalhe esse que não é muito abordado nas séries adolescentes atuais. Muitas romantizam a bebedeira. Faz do álcool um glamour, além do maior ato de rebeldia. Trata-se de um vício e todo vício precisa ser tratado. Atitude que sua chamada vida tomou partido. Uma intervenção que também cabe ao instante em que Rickie foi amparado por seus pais. Depois, pelo professor que o perseguia humanamente em sua preocupação e que, como a intersecção perfeita da vida em mostrar constantemente que nada é por acaso, é gay e convive com seu parceiro na surdina.

 

Uma surdina que condiz com 1994. Hoje, a comunidade LGBTQ+ é um tanto mais livre. Mais política. Mais presente. Infelizmente, ainda há muito preconceito, mas pensa só que há países em que casamentos com pessoas do mesmo sexo podem ocorrer. Sem nenhuma dor de cabeça burocrática. É uma conquista e tanto, mas a luta em si nunca morrerá. Os tempos mudam, mas alguns comportamentos e preconceitos parecem nunca desaparecer.

 

My So-Called Life - Angela e Sharon

 

Sharon também tem sua significância. Aquela amiga que ficou para trás. Aquela amiga que simboliza uma fase que acreditamos que não pertencemos mais. Afinal, arranjamos uma nova amiga. Mais descolada. Mais popular. O estranhamento entre vocês duas também me foi familiar, pois, em meu 1º ano do ensino médio, amarguei o fato da minha melhor amiga começar a andar com alguém que até chamaria de Rayanne. Mais pelo slut-shaming que ela sofreu e que se propagou como uma fofoca venenosa – e eu tive meus próprios comentários sobre isso.

 

É, eu tinha uma mente de azeitona e hoje lamento por isso. Ainda bem que autocrítica existe.

 

Você pode não ter entendido a dor de Sharon, mas eu entendi. É difícil sentir que se é deixada para trás, especialmente por quem você cresceu junto. Por quem você prometeu lealdade e vice-versa. Por quem você contou mais da metade da sua vida. Por quem você achou que seria sua melhor amiga para sempre. O afastamento tende a ser natural, mas não deixa de ter sua nesga de dor. Sem contar o realçar das emoções negativas que não acreditamos que possam caber dentro do nosso corpo adolescente.

 

Em um mundo que ainda acredita que mulheres são rivais, ver isso em 1994 foi tão natural quanto passar pelo mesmo no início dos anos 2000. E seguir ainda vivenciando esse pensamento. Ainda bem que, no andar da carruagem, vocês encontraram o caminho de volta para a outra. Mas fiquei triste sim pelo fato da reunião de vocês ter se dado devido ao que Rayanne fez. Porém, para o conceito da sua chamada vida, as reviravoltas foram necessárias.

 

E o que posso dizer sobre seus pais? Ok. Sua mãe me irritou algumas vezes, mas, como toda mãe, ela não quer que as filhas adolescentes mudem tanto. Mães, quando enxergam suas filhas rumo à puberdade, querem mantê-las seguras. Como se ainda fossem crianças. Quando você cresce, você entende. E até promete que não fará uma coisa dessas quando for mãe.

 

Eu meio que fazia isso quando minha irmã deixou de ser um nenê.

 

Patty não queria que você mudasse o cabelo, nem usasse maquiagem, nem andasse com Rayanne, nem com Rickie, nem muito menos tivesse alguma coisa com Jordan Catalano. Normal de mãe, mas somos incapazes de compreender isso nessa fase da vida. Achamos que tudo é conspiração e perseguição. Com isso, batalhamos para tentar provar um ponto – que, por vezes, não tem muito sentido – praticamente o tempo todo. E é exaustivo tanto para filhos quanto para pais. De todo modo, os pais se tornam nossos maiores inimigos, mas você teve sorte. Seus pais sempre foram abertos ao diálogo e há lares que não contam com essa prática.

 

Várias vezes te considerei uma chata de galocha, mas, quer saber, eu também fui uma chata de galocha. Ainda sou, mas devido a uma consequente inversão de papéis. No passado, perdi as contas das vezes em que desrespeitei minha mãe para querer provar meus pontos. Pontos que não tinham o menor sentido também. Adolescentes e sua mania de achar que têm razão para tudo. Comportamento motivado por um desejo de urgência fora do comum.

 

E sua chamada vida tem essa urgência em forma de experimentos. Curiosidades. Florescer e desflorescer de oportunidades. Cada capítulo traz aprendizado, mas, o mais importante, foi você e cada pessoa ao seu redor, até mesmo sua extraordinária irmã, mostrar que, apesar dos pesares, várias fases da vida podem ser um tanto mais leves. A base é uma família funcional e amigos que, independentemente de suas situações, estarão lá no final do dia.

 

Um real sonho de princesa.

 

Mães querem que suas filhas sejam imaculadas e isso faz parte do que não compreendemos nessa fase: a proteção. Mães querem preservar a visão da infância e se escandalizam quando saímos do casulo. Processo natural, tão árduo quanto saboroso, pois simboliza o aflorar da adolescência. A fase que começamos a andar com as nossas próprias pernas e fazer escolhas – nem sempre felizes.

 

É a fase que nos prepara para a fase jovem adulta. Adulta. E assim por diante.

 

E o que dizer de seu pai? No começo, eu o odiei porque eu vivenciei a traição do meu pai e, depois, a escalada do divórcio que mudou minha vida drasticamente. Inclusive da minha mãe. Porém, foi bom vê-lo sair dessa cilada e tentar se reconstruir dentro da família. Sendo mais próximo de Patty. Sendo mais próximo das filhas (totalmente compreensível você sendo combatente graças ao ranço criado pelo flagrante). Tentando criar sua própria carreira (que acabou culminando outra circunstância desagradável).

 

Independentemente, seus pais foram muito bem retratados. Nasceram no que chamamos de medida certa. Sem exageros. A dinâmica deles em conjunto com sua chamada vida deu ainda mais vida a uma história cheia de nuances. Cheia de problemáticas ainda tangíveis. Cheia de verdades e de inverdades. Cheia dos incômodos incandescentes que só querem nos empurrar para o próximo nível da vida. Eu só tenho muito amor por esse conjunto da obra e lamento muito pelo cancelamento.

 

My So-Called Life - Rayanne, Rickie e Angela

 

Sua chamada vida foi tratada como uma desconstrução para o público adolescente da época e é a mais pura verdade. O que eu vi nada tinha a ver com a mesmice de vida adolescente glamorosa e com festas glamorosas. Com belas roupas e problemas resolvidos em um piscar de olhos. Com garotos ofuscando a dinâmica da protagonista com a de seus amigos – justamente porque a narrativa dessa chamada vida era sua e de ninguém mais. Com mulheres adultas tratando as inseguranças da idade, como a aparência que rendeu um dos mais bonitos capítulos dessa jornada e que guardarei para sempre comigo. Com amizades, perfeitas e imperfeitas, que trouxeram uma fatia genuína, relacionável e diversa do que é ser adolescente. Com personagens diferentes, com realidades diferentes, e que têm sua particular representatividade.

 

Tudo com as batidas, as gírias, os comportamentos e o estilo do saudoso anos 90.

 

“Essa vida tem sido um teste. Se fosse uma vida de verdade, você deveria receber instruções de onde ir e o que fazer.”

 

Essa frase acima faz referência ao que você diz sobre ser adolescente e eu concordo. Também concordo com o que você disse sobre a sensação de que vivemos em uma prisão e que o crime é nos odiar. Uma verdade que cabe não apenas à adolescência, pois essas sensações nos perseguem a vida inteira.

 

Como hoje em que o resultado das Eleições marcam o reforçar de uma prisão moldada pelo ódio.

 

Na adolescência, queremos todas as instruções, mas não as temos. Com isso, acabamos nos inspirando mais no que há no meio e é esse meio que nos transforma. Tudo a base das escolhas – que podem não ter volta. Você começou com uma mudança na cor do cabelo e percebeu que nada disso torna o espaço que ocupa melhor. As coisas se apertam, sem motivo, e dói. Muito. Ao ponto de até seus pais se tornarem os maiores inimigos e responsáveis por um bocado dessa dor. Verdades, pois, ao menos Rayanne e eu, sabemos que o problema sempre veio de casa.

 

Quando se chega à fase adulta, e se olha para trás, é possível ver que nem sempre a adolescência é especial. Significativa. Digna de ser revisitada. Que não havia nada de perfeito aos 15 anos. Afinal, pode ser que essa fase tenha sido o marco em que tudo desmorona e que as cobranças vão ao teto. Que algo foi roubado de você.

 

Você sentiu isso apesar de não com o mesmo peso que Rickie e Rayanne. Você ainda viveu em um lar de privilégios e, por não entender tão bem o outro lado, por idealizar demais algumas coisas, seus comportamentos e atitudes não passaram de egoísmos impensados. Impensados porque nessa fase, bem, normalmente não pensamos. O que queremos, na maioria dos casos, é ter e ficar confortáveis.

 

Além do mais, conquistar tudo aquilo que faz parte da nossa rotina adolescente para não ficarmos de fora.

 

Como estar no mesmo ambiente do garoto que gostamos. Quem nunca? Meninas correm demais atrás da reciprocidade de quem hoje chamamos de crush. É, isso mesmo, crush (eu chamo de mozão).

 

My So-Called Life - Elenco

 

“Era uma vez uma menina que viveu lá. Ela dormia em um chalé adorável feito de pão de gengibre e doces. Ela estava sempre dormindo. Certa manhã, ela acordou. Ela acordou.”

 

Sua chamada vida trouxe o rememorar da minha adolescência tão quanto reflexões em diversos âmbitos. Traição. Troca de amizades. Apunhaladas. Autoimagem. O saudosismo dos bilhetinhos trocados em aula. Dos diários. Das cartinhas. Dos filmes. De gostar de alguém. De se enfurecer com os pais. De fugir com os amigos, sem autorização, pra passar a tarde à toa. Não menos importante, sua chamada vida mandou a mensagem para que sejamos fiéis a quem somos. Ao que sentimos. Ao que queremos. E aceitar que o que cedemos ao mundo hoje é o suficiente.

 

Só sei que sua chamada vida me deixou uma marca positiva. Isso, criando uma comparação com muitos mundos nesse estilo que já visitei. Como a da galera de Capeside, que felizmente entrou na minha vida na fase apropriada.

 

Há sim conteúdos de valor para adolescentes. Como sua chamada vida. Nada chega perto das suas reflexões profundas. Da sua maturidade apesar de não ver muito além da sua própria bolha. Nem tudo é perfeito, ainda mais na adolescência, e sua chamada vida foi delicada ao mesmo tempo que entregava a verdade que perturba uma juventude que, nem sempre, conta com o apoio que você e seus amigos contaram. E é esse apoio que é extremamente necessário para se ver o dia seguinte com novos olhos. Para acreditar que, apesar da dor de agora, tudo será temporário. Que essa fase passará e que nem tudo que carregamos dela nos definirá.

 

Seja positiva ou negativamente. É tempo de escolha. E você escolheu estar com seus amigos.

 

(mas ainda falhou demais com Rayanne e acusarei a mentalidade da época).

 

Chego aqui com o coração feliz por ter conhecido sua chamada vida. Me identifiquei. Salvei quotes. A ABC, sua antiga moradia, não é muito amiga quando conversamos sobre esse tipo de universo (e que agora se chama Freeform, toda dedicada a conteúdo para jovem, veja bem). Dessa vez, não tenho nem a emissora a quem culpar. Winnie Holzman, a criadora dessa sua chamada magnífica vida, já estava disposta a sacrificar sua história. Principalmente por causa da sua intérprete, Claire Danes, que não queria se prender a uma só narrativa com tão pouca idade.

 

Hoje, você conquistou a melhor das intérpretes. Uma das melhores atrizes dos tempos atuais.

 

Certas coisas estão realmente escritas, não é?

 

Nas reticências largadas pela sua chamada vida, só restou imaginar. A ideia de Sharon grávida, seus pais divorciados, o professor que ajudou Rickie tendo sua orientação sexual “desvendada”… Seria um novo ciclo e tanto, mas onde tudo parou compensou a experiência. Resta dizer que, além do obrigada, sentirei saudade da sua voz na minha cabeça. De Rickie invadindo o banheiro das meninas. De acompanhar a desvairada e quebrada Rayanne. Um trio e tanto que poderia ter contado com mais capítulos, mas vamos pensar que há certos males que vão para o bem.

 

Assim, sua chamada vida se tornou uma bela de uma série cult.

 

E uma das poucas que teve seu universo traduzido por reais adolescentes/jovens adultos.

 

E devo repetir que sua chamada vida cabe ao tempo atual, sendo um universo necessário.

 

Enfim. Obrigada pela companhia, Angela. Espero que, em algum momento, nos reencontremos.

 

 

Nota da autora: assistam My So-Called Life pelo amor da Deusa! É meio embaçado encontrá-la online, mas eu juro que compensa o esforço, ok?

 

imagens ❤ reprodução

Stefs
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