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03/out

Esta é a primeira vez que trago um quadrinho para este site e que escrevo sobre. Isso no sentido de uma resenha (ou uma tentativa dela). Hoje, a conversa é sobre um chamado NYX, que pertence também a mais um texto da série de abandonados nas profundezas dos meus arquivos.

 

O quadrinho foi um presente inesperado e adorável da parte da minha amiga Viviz e sempre me senti tentada a trazê-lo pra cá. Só não fiz isso antes porque rolou a culpa interna visto que o li em sites que disponibilizam a leitura online. Ao tê-lo efetivamente em mãos, não pude simplesmente ignorar a ideia de postar nem que fosse um texto de indicação.

 

Desacredito até hoje que tenho essa preciosidade porque foi o pontapé para eu ter voltado a ler quadrinhos. Atualmente, tenho até comprado alguns e espero trazê-los aqui em breve.

 

Antes de falar do quadrinho de hoje, vamos compartilhar uma história.

 

O motivo específico que me levou para este quadrinho se chama X-23. A minha mutante xodó que tem algumas histórias à parte do seu plot de Origem. A causante completa desse novo vício foi, obviamente, a mencionada Viviz. Foi ela quem me falou sobre essa personagem, que nada mais é a filha clonada do tio Wolverine, na época em que eu conversava muito sobre o We Project. Claro que fiz uma nota mental para buscar mais informações, mas esse meu buscar sempre leva semanas, meses, quem sabe anos. Não procuro na hora, sério. Nem pela falta de força de vontade, mas porque eu esqueço.

 

Depois desse instante, X-23 não demorou a voltar ao centro do meu universo de tamanho que foi meu interesse. Dessa forma, organizei sua linha do tempo para lê-la e, por ter uma queda por X-Men e ter escrito algo que envolve experimentos em um Brasil distópico, não foi difícil traçar esse processo. Foi quando caí na real de que, sem dúvidas, eu só saberia da existência dessa mutante em 10 mil anos.

 

True news: a timeline dos mutantes me deixa confusa as fuck e aceitei que o negócio é pegar uma linha e mandar bala. Tudo bem que hoje sou negligente, mas a meta é sempre essa aí.

 

Graças aos sites online, li a história da X-23 e não demorou para que ela se tornasse minha protegida. A única personagem que passei a desejar alguma adaptação por aí e conquistei isso (mais ou menos) graças a Logan (que chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Roteiro). Meu relacionar com ela foi imediato, especialmente porque eu escrevi uma personagem que passa por experiências. O que me restou foi chorar inside (e ir atrás dos quadrinhos).

 

Feliz ou infelizmente, X-23 tem seus quadrinhos específicos e alinhados fora do cerne de X-Men. Isso quer dizer que tem a história de Origem e eis algo que, a princípio, me tranquilizou. Mas, como manda a regra, a personagem tem crossovers. Além disso, se encontrou com outras figuras da Marvel, como o Capitão América e amei demais. Foi um trabalho de investigação difícil e senti que Laurinha – o seu verdadeiro nome – não é tão popular aqui. Ao menos, foi a constatação que tirei ao ter dificuldade de achar seus quadrinhos e quando os achei eram tudo em inglês (e para mim melhor ainda).

 

Conforme o Google me orientava, me vi cada vez mais desesperada para ler NYX. Justamente porque essa história conta com mutantes desamparados e não descobertos pelo professor Xavier. Por estar tão acostumada com esses personagens sendo bem-sucedidos e muito bem alimentados, dar de cara com um mundinho de puro desalento nesses e em outros quesitos me intrigou. Meramente porque esse quadrinho traz um olhar a quem não foi salvo ou não recebeu o bolsa mutante.

 

NYX é puro abandono e sua história é meio pesada. Como gatilhos, há violência contra a mulher, drogas, mutilação e suicídio. Temas que perseguem um grupo de adolescentes mutantes desvendado na rotina, que sofre o preconceito de um jeito cruel, e tudo que resta é viver por aí.

 

É neste quadrinho que dizem que ocorre a primeira aparição da X-23 – que nada tem a ver com sua Origem. Aqui, ela é uma adolescente (alguns traços dela me lembraram da Rihanna até embranquecê-la) e já tem consciência de seu poder. Assim como os demais personagens que compõem o enredo, ela sofre a negligência de ser mutante. Além disso, ela é o conflito central.

 

Mesmo como conflito central, a mutante em questão não tem grande presença na história. Contudo, me foi o suficiente para eu não desistir da minha pesquisa sobre essa personagem.

 

And I feel blessed!

 

Os mutantes desamparados

 

NYX - Kiden

 

Aviso importante (só para garantir):  esse quadrinho tem gatilhos – mutilação, suicídio, sangue para todo lado, agressão, violência, prostituição e objetificação. Por tê-lo lido há dois anos, tempo em que não tinha muito domínio de aviso de trigger, é provável que não teria finalizado a leitura. Eu fiquei chocada com algumas coisas e muito desconfortável em outras.

 

 

Tudo começou no arco 2003-2005 quando o primeiro volume do NYX (que também é conhecido como NYX Wannabe) foi publicado pela Marvel. São 7 quadrinhos, uma minissérie de começo, meio e fim, assinados por Joe Quesada (só o primeiro é de Zeb Wells) e ilustrados por Joshua Middleton e Robert Teranishi. Homens desconhecidos na minha vida até ler esta história.

 

É Nova Iorque e, no primeiro arco, conhecemos Kiden Nixon, que viu o pai ser assassinado quando era criança. Fato que mudou todo seu crescimento e sua relação com a mãe. Ela vive em uma família disfuncional e absorve as problemáticas que se tornam um gatilho para seu poder.

 

Kiden tem 16 anos. Ela se autossabota, usa drogas, furta, é irresponsável, e só tem uma amiga como fiel escudeira. Sem contar que a personagem ama se meter em treta e é em uma que seu poder de desacelerar o tempo implode. A jovem tenta se defender diante da ameaça de um revólver nas mãos do cara com quem briga e a bala entra em câmera lenta. Ação que, para ela, é supersensacional, mas quase custa a vida da profª Cameron Palmer. A docente que é a própria Madre Teresa do colégio por querer salvar os jovens inclusos em um sistema de ensino regado de criminalidade.

 

Independentemente do tiro sair pela culatra, Kiden se vê foragida graças ao seu mimo genético. Automaticamente, ela vai arruinando (sem querer) a vida da professora que não entende o que rolou e quer respostas. Se não bastasse, o fantasma do pai começa a atormentá-la e é quando outras histórias são apresentadas – em quadrinhos diferentes.

 

NYX - X-23

 

X-23 é a segunda personagem do NYX. Aqui, ela não tem nome e está perdida na prostituição. A personagem é uma dominatrix e suas garras retráteis revestidas com adamantium são o plus para os clientes que sentem prazer em mutilação. Tudo “parece bem” até um embuste passar dos limites. O que a coloca em fuga, sendo salva pela visão do pai de Kiden e pela própria Kiden.

 

Por meio desse caos, X-23 se torna o conflito central do quadrinho devido ao seu cafetão.

 

A partir daí se segue caminho até Tatiana. Uma pessoa muito gente fina salvo o fato de que também é uma mutante. Ela é capaz de se transformar em um animal ao menor contato com sangue e é o que acontece em uma sala de aula. Assim, a moça é perseguida. Uma ação que mostra graciosa e perturbadoramente a intolerância dos humanos. A personagem corre até se ver barrada em um beco, mas Kiden aparece para salvá-la. Logicamente, a mando de mais uma aparição do pai.

 

Unidas, parece que tudo fica bem – mesmo acompanhadas pela insistente profª Palmer. Depois de Kiden salvar essas duas garotas a mando do seu pai, há a sensação de fim de treta. Uma pausa em que se vê mais de perto o abandono e o medo das ruas. Sem ninguém para ajudar, cada uma fica totalmente à mercê daqueles poderes que os humanos odeiam. O trio é um joguete do destino que está muito longe de encontrar certa paz, embora tenham noção de que precisam tomar um rumo.

 

Mas, o conflito de X-23 age como uma sombra. Entre a falsa normalidade, o cafetão quer “sua menina” de volta. Principalmente para lhe dar uma lição. Para isso, o tal “papai” contrata Felon (Bobby), um sujeito que também é mutante e sua habilidade é a projeção astral. Poder que o permite “saltar” de corpo em corpo. O vilão do quadrinho se sai como o humano que usa de mutantes a seu benefício e é muito enojante. Foi aqui que, ao reler NYX, pensei em desistir.

 

Felon é o único que demonstra falta de controle sobre o poder que tem. Uma vez que o usa, ele perde trechos de sua memória e isso é crucial no desenrolar da história. Apesar de sentirmos a opressão e a violência a cada virar de página, esse sujeito traz o combate de caráter entre mutantes.

 

Como assim você me trai seus próprios companheiros genéticos?

 

NYX - Bobby

 

A busca do cafetão rende muito sangue e muita violência. Algumas palavras que honram NYX que pesa muito mais na questão de que há mutantes desesperançosos em ser como são. Que há mutantes deixados na mão ao ponto de serem expulsos/sair do cerne familiar pela falta de aceitação. Que há mutantes que vivem na miséria. É um viés sem o professor Xavier que traz a perda da inocência de um jeito arrasador. Inclusive, muito brusco, porque nenhuma das garotas estava preparada para o abandono.

 

Nem muito menos para lidar com o preconceito.

 

Por essas e outras que esse combo de quadrinhos é barra pesada e um poço de gatilho. Há muito palavrão, há misoginia, há racismo. Tudo que se pode imaginar tendo em vista que é uma costela da proposta dos X-Men, só que mil vezes mais infeliz. É dramático e visceral em alguns aspectos, principalmente a história da X-23. Personagem que traz um cafetão agressor que trata uma adolescente como um chaveiro. Ele é um vilão maldito nos mais diferentes ângulos e pertence a ele as piores cenas desse primeiro volume. Senti-me tão incomodada e nem sei mais o que dizer.

 

Falando em incômodo, a revelação de Tatiana muito me impactou devido a maneira como as pessoas reagiram. Fugida da escola, a galera corre atrás dela com pedaço de pau e me perguntei até que ponto os humanos vão para banir o dito diferente. Eu sempre fico mal e machucou mais porque se trata de uma personagem que pediu ajuda àqueles que nunca tratou com indiferença. Pena que o pedido foi para seres imprudentes, irracionais e intolerantes que só queriam saber de eliminá-la por meramente ser uma dita mutante nojenta.

 

Daí quando tirei este texto da tumba dos arquivos esquecidos, ri sarcasticamente. O tempo que vivemos é justamente esse, né? Quem não apoia lá o coisa ruim é praticamente um mutante.

 

Mais motivos (ou não) para ler

 

NYX - Trio

 

Apesar de me deixar muito abatida, os mutantes da Marvel me encantam ao mesmo tempo que me aterrorizam. Último fato que faz referência ao que ainda não foi expurgado do mundo: a maldita da intolerância. Intolerância que tem conquistado mais espaço e incitado marés assustadoras em várias partes do mundo. Eu sinto que, a cada dia que passa, não tenho condições de lidar com o que tem rolado de uns tempos pra cá e reviver NYX deixou o amarguinho do medo e da desesperança.

 

Por trazer essas emoções, o quadrinho pode fazer bem ou não a quem lê. Sendo bem honesta, qualquer chance de revisitá-lo será se minha saúde mental estiver muito da ajustada. O que não é o caso atualmente. E capaz que nem seja mais também dependendo do resultado das Eleições.

 

O primeiro NYX foi publicado pela Panini e a classificação é 16+ (e acho que aqui seria 18+). Justamente por conta dos gatilhos que mencionei lá em cima. Também incluo as ilustrações, grandes responsáveis pelo choque e pelo incômodo que o enredo incita. Sempre há a impressão de que os mutantes são aceitos, são queridos e são salvos uma vez que encontram a Escola sagrada do profº X. Aqui, não tem caminho feliz, mas a gente torce pelo trio. É impossível não torcer.

 

O que traz bastante empatia. Você quer entrar no quadrinho e salvar todo mundo.

 

NYX traz muito esse contexto ausente de um grande salvador. Aqui, os mutantes que se descobrem sozinhos e em situação de caos são submetidos a se esconder e a viver em situações precárias por causa da habilidade que possuem. E não é uma escolha. É medo de expurgação.

 

É por essas e outras que amo meus mutantes e irei protegê-los.

 

Apesar dos gatilhos e tudo mais, a leitura vale para sanar a curiosidade. Ainda mais se você tem interesse na X-23. Esse quadrinho compensa para se ter um outro olhar sobre ser mutante e viver como tal. É tudo muito verdadeiro. Muitos fragmentos de NYX são aplicáveis na realidade que vivemos e chega a ser pesaroso. Como se você fosse capaz de calçar cada sapato.

 

Sensação provocada com qualquer contexto dos X-Men, né?

 

Extra: uma curiosidade

 

NYX---Volume-IIHá o segundo volume chamado NYX: No Way Home, que foi lançado em 2008, com 6 quadrinhos escritos pela Marjorie Liu (e eu adoro ela). Não há X-23, só Tatiana, Kiden e Bobby. Trio que ressurge em uma nova dramática, um tanto mais madura em comparação à minissérie anterior. Não só na maneira como os personagens decidem, mas no que condiz ao traço das ilustrações também.

 

E nem posso falar muito sobre ilustração já que não manjo. Mas me senti assim, licença.

 

No futuro, o trio é culpado pelo sequestro da profª Palmer. Além disso, cada um precisa decidir se quer participar de uma facção que recolhe os mutantes abandonados para fazer qualquer coisa menos vestir collant e salvar o mundo. Soa atraente, mas não me senti tão impactada em comparação ao experienciar do primeiro volume – salvo a primeira página que abre o segundo volume de NYX.

 

A continuação trata mais decisões sobre o lado do bem e do mal tendo em vista os poderes que possuem. O que não é diferente é o fato de Kiden voltar a ser testada e assombrada pelo pai.

 

Se o primeiro trazia esse tom de descoberta e o peso de ter que abandonar tudo por ser mutante, o segundo mostra personagens mais fortalecidos, mais cientes dos perigos e do que precisam fazer para que a unidade que agora representam não seja desmanchada. É quando volta a bater a vontade de ir para casa, de ver a mãe, de ser uma pessoa comum, mas a bagunça de ter essa genética é um contexto permanente. E essa turma precisa lidar e aceitar que são “diferentes”.

 

Obviamente que há muita referência de X-Men, como o Distrito X e os comentários sobre a necessidade de registro dos mutantes. Mas, de novo, temos a história sem o grande salvador, o que inspira esses jovens a se virar um tanto precocemente. Há mais questão moral em outro marco grande de transição que pode definir totalmente o futuro de cada um.

 

Onde comprar? 

 

Os quadrinhos podem ser encontrados na Amazon pelo famoso preço salgado. De quebra, em formato Kindle e em inglês. No momento, estou me coçando para comprar o Volume I da história de Origem da X-23 – e sei que esse sentimento não me prenderá por muito tempo porque sou dessas.

 

Há chances desses quadrinhos serem encontrados em sebos. Sei que meu presente veio assim. ❤

 

Espero que tenham gostado deste texto. Meu intento é sempre compartilhar coisas que gostei e que surtiram algo em mim. De técnicas, deixo aos especialistas.

 

Para saber mais: vocês podem acessar o site da Marvel e ler as prévias do quadrinho.

Stefs
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